Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

sábado, 30 de julho de 2011

524. W.R.: MISTERIJE ORGANIZMA (1971)

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O filme do polêmico diretor iugoslavo Dusan Makavejev, inspirado na vida e obra do Dr. Wilhelm Reich, é uma fantástica viagem sexual, política e anarquista. São mostradas as teorias do Dr. Reich em relação ao que ele chamava de energia vital, ou Teoria do Orgone, focando o orgasmo como a maior forma de energia humana e necessário para a vida livre e plena. Trata-se de um formato diferente, misturando imagens e gravações reais com ficção, retratando a vida de duas jovens iugoslavas, uma comunista e outra viciada em sexo, que conhecem um importante patinador russo em uma apresentação na cidade de Belgrado. Tudo se mistura, como metáforas da relação entre Rússia e Iugoslávia, bem como analogias ao Stalinismo como uma forma de repressão sexual freudiana.
Filme completo para os amantes do orgasmo, comunismo, leste europeu e obra do famoso psiquiatra e psicanalista Dr. Wilhelm Reich.

Premiações
Vencedor do FIPRESCI Prize e do Interfilm Award no Festival Internacional de Filmes em Berlim em 1971

Crítica
Difícil identificar os poucos países nos quais W.R. - Mistérios do Organismo, lançado em 1971, não enfrentou problemas com a Censura. Sardônico, contundente e por demais hermético para os padrões da cinematografia ocidental, o filme conquistou a Crítica da época, trazendo ao seu realizador o status de cineasta de linguagem complexa e anti-comercial. Na verdade, W.R. são as iniciais do psicanalista austríaco Wilhelm Reich, notabilizado pela associação do orgasmo com a capacidade para se obter desta energia benefícios que estariam além da compreensão humana.
Reich bolou um tipo de “máquina geradora do prazer” (o polêmico Orgone Acumulator), cuja estrutura de caixote reservava ao usuário a oportunidade de fruir dos maravilhosos efeitos decorrentes da descarga de prazer fosse via masturbação ou ato sexual. O objetivo de Makavejev na primeira meia hora do filme, é inserir o espectador numa espécie de documentário ilustrado por depoimentos de gente que conviveu com o gênio, habitantes da cidadezinha norte-americana onde se exilou após a fuga da ditadura bolchevique, colegas de experimentos, simpatizantes e opositores.
São inseridas performances de grupos artísticos, sketches aleatórios nos quais a sexualidade é pintada como componentes indissociável da liberdade e um tênue fio narrativo dedicado a duas moças liberais em plena Cortina de Ferro dos anos 1960, quando a antiga União Soviética vivia sob o peso da mentalidade stalinista. Desse mosaico abstrato, sincopado por feéricas explosões de euforia, gozo e sofrimento -vide as chocantes imagens de eletro-choques reais em pacientes de um manicômio- Makavejev espreme o sumo de uma verdade que já estava implícita nos estudos do mestre austríaco perseguido pelo conservadorismo tacanho das correntes tradicionalistas: a potência do orgasmo, se manipulada, seria capaz de mudar o mundo, alterar o comportamento das sociedades e concretizar a utopia de uma civilização onde o significado mais próximo da doutrina comunista libertar-se-ia do jugo histórico de opressão ao qual terminou sendo associado.
Por vezes incômoda, a fita celebra a supremacia do falo, expande os conceitos da heterossexualidade e ataca o totalitarismo, o rancor e a hipocrisia. Pouco entretanto restou para que as futuras gerações a partir dali aprendessem de fato a lição.

Por Rodrigo Hammer em Fator RH

Curiosidade
-O Filme influenciaria o cult Natural Born Killers, de Oliver Stone.

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(Informações retiradas do post do usuário Saraiva do MKO)

523. WANDA (1971)

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Casada com um mineiro da Pensilvânia e mãe de duas crianças, Wanda não trata deles, nem da casa, e passa a maior parte do dia no sofá as sala, em roupão, chinelos e rolos de cabelo. Sem desejos, motivações ou força de caráter, Wanda deixa que o marido peça o divórcio e fique com a custódia dos filhos. Sozinha, sem casa, nem dinheiro, Wanda vagueia sem destino. Até que acaba por conhecer um ladrão, Dennis, de quem se torna amante e cúmplice. Um dos mais cultuados e idolatrados filmes americanos dos anos 70.

Crítica
Barbara Loden não é propriamente uma estranha para aqueles que amam o universo da sétima arte, já que estamos a falar daquela que foi mulher do cineasta Elia Kazan, para o bem e para o mal. Possuidora de uma beleza cativante, começa a sua carreira no mundo da moda, surgindo como capa em muitas revistas, mas aquela loura tinha muito mais para oferecer e será no Teatro que Kazan a irá conhecer e dirigir, oferecendo-se então para a introduzir no mundo do cinema em “Wild River” / “Quando o Rio se Enfurece” (ela é a secretária de Montgomery Clift) e no mais que famoso “Esplendor na Relva” / “Splendor in the Grass” (ela é a irmã de Warren Beatty). Após estas aparições, ela torna-se esposa oficial do realizador, mas esse estatuto não lhe irá abrir as portas do cinema como actriz, regressando aos palcos, onde interpreta a célebre peça de Tennesse Williams “Jardim Zoológico de Cristal”, participando também em algumas produções na televisão. Mas será a convivência com Elia Kazan que lhe irá abrir os horizontes da realização. Porém os tempos são outros e todas as portas se fecham aos seus projectos, recorde-se que nessa época o cineasta tinha trocado a câmara pela caneta e dedicava-se à literatura. Começa então a fervilhar na sua cabeça o projecto “Wanda” e com ajuda do marido consegue o financiamento para o filme, que será uma verdadeira pedrada no charco da indiferença.

“Wanda” é simultaneamente o nome da personagem principal e o título do filme, porque o que nasce perante os nossos olhos é a história de uma mulher que perdeu tudo: o emprego, o marido, os filhos e que só deseja partir estrada fora ao encontro dessa encruzilhada da vida que nos reserva um destino. Depois de travarmos conhecimento com a forma como Wanda encara a vida, temos que estar atentos à forma como essa mesma vida é filmada por Nicholas Proferes, que também escreveu o argumento a meias com Barbara Loden e assinou a montagem, num 16 mm onde o grão prolifera, oferecendo-nos de forma perfeita os tons sombrios da vida sem rumo de Wanda. A pouco e pouco vamos assistindo à via-sacra da protagonista, rejeitada por tudo e todos, terminando por oferecer o seu corpo a um gangster de terceira ordem, que depois de ter roubado o dinheiro da caixa de um bar que estava a encerrar, mata o proprietário e descobre depois que não estava só… porque Wanda mais uma vez estava no sítio errado à hora errada. O pequeno gangster planeia atacar um banco e decide fazer de Wanda a sua cúmplice; ela, a rapariga sem eira nem beira, irá segui-lo e obedecer às suas ordens, só que para sua sorte desta vez irá chegar tarde demais ao local do assalto conseguindo desta forma salvar a vida para retomar o seu calvário, rumo a um paraíso inexistente.

O realismo que nos é oferecido neste filme por Barbara Loden (um verdadeiro road-movie do desespero) é de uma lucidez absoluta, todos aqueles personagens, verdadeiros filhos bastardos da vida, surgem perante o nosso olhar em profunda perdição, aqui não há lugar para o politicamente correcto, aqui habitam pessoas de carne e osso sem qualquer luz de esperança ao fundo do túnel. E aqui o único responsável é, na realidade, Barbara Loden que veste a pele da protagonista de forma sublime e filma a dor e a angústia sem qualquer rasgo de esperança, porque o mundo é cruel para os que não se integram na sociedade ou são expulsos por ela.

Barbara Loden, após a feitura de “Wanda”, viu mais uma vez as portas fecharem-se-lhe no rosto, ela era/é uma cineasta inconformada e as feridas que mostrava o seu filme deviam permanecer invisíveis. Por esta mesma razão, o seu projecto seguinte de passar ao grande écran o romance de Kate Chopin,“The Awakening”, nunca viu nascer a luz do dia. Depois a doença decidiu tomar conta do seu corpo e embora tenha realizado duas curtas-metragens cinco anos depois (“The Frontier Experience” e “The Boy Who Loved Deer”), viria a morrer em 1980 sem nunca ter visto seu filme “Wanda” estreado comercialmente nos Estados Unidos. Descobrir “Wanda” é obrigatório para todos aqueles que gostam de cinema, ao mesmo tempo que prestamos uma justa homenagem a uma cineasta chamada Barbara Loden.

Por Rui Luís Lima e Paula Nunes Lima em A Memória do Cinema

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(Todas as Informações , inclusive o rip foram retirados do post do usuário guilherme giorgio do MKO)

domingo, 17 de julho de 2011

522. O JARDIM DOS FINZI-CONTINI (1970)

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No final dos anos 30, em Ferrara, Itália, os Finzi-Contini são uma das importantes famílias da cidade. São aristocratas, ricos e judeus. Os filhos mais velhos - a bela Micol e o refinado Alberto - sempre reúnem os amigos para disputadas partidas de tênis, além de promover festas muito alegres. Giorgio é um dos amigos da família, apesar de ser um judeu de classe média. Ele está apaixonado por Micol. Mas eis que os italianos fascistas se aliam aos alemães nazistas, dando início à perseguição dos judeus.

Premiações
*Oscar 1972 (EUA)
-Venceu na categoria de Melhor Filme (estrangeiro) (Itália).
-Indicado na categoria de Melhor Roteiro (adaptado).
*BAFTA 1973 (Reino Unido)
-Recebeu o Prêmio UN.
-Indicado na categoria de Melhor Fotografia.
*Festival de Berlim 1971 (Alemanha)
-Recebeu o Urso de Ouro (Melhor Filme) e o Prêmio Interfilm - Prêmio de Cinema Otto Dibelius.
*Prêmio David di Donatello 1971 (Itália)
-Venceu na categoria de Melhor Filme e recebeu um Prêmio David especial.

Críticas
"A perseguição sob o fascismo de uma família de judeus cujos sonhos e esperanças são carregados pela tempestade antissemita. Do belo romance de Bassani, o filme consegue reconstituir a atmosfera às vezes singular e cativante. São sensíveis aqueles que observam de longe a vida de uma família judia muito aristocrata retraída entre seus vastos domínios e que, os anos passando, terminam por se aproximar, sem verdadeiramente reduzir, a distância daquela sociedade."
"O filme não é verdadeiramente um quadro da sociedade italiana de 1929 até 1943, nem uma evocação do meio judeu de Ferrara, mesmo que não faltem as cenas saborosas ou trágicas. Ele sugere, sobretudo, isso que poderia ter sido a cultura refinada e discreta dessa elite judia que a Europa do século XIX admitiu pouco a pouco e que ela em seguida quis exterminar. A personagem de Micol, moderna e impenetrável, é de uma grande poesia."
"marcou o retorno internacional de um diretor que nunca tinha deixado de trabalhar, mas cuja fama tinha decaído desde os tempos de obras-primas neo-realistas como Umberto D (1952)”. “Estilisticamente, o filme não é nenhuma obra-prima. Mas ganha vida nos momentos em que De Sica gruda sua câmara em closes de suas estrelas fascinantes (Dominique Sanda e Helmut Berger, especialmente) para observar o dardejar furtivo de seus olhos nobremente expressivos. O Jardim dos Finzi-Contini é uma parábola aguda e tocante sobre a relação entre os dramas pessoais e políticos, privados e públicos. O drama social que invade a história torna as palpitações românticas por vezes insignificantes, desesperadas, absurdas e pungentes."

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sábado, 16 de julho de 2011

521. O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (1970)

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O Pássaro das Plumas de Cristal marcou a estréia na direção do mestre do horror e do suspense Dario Argento. No filme, o escritor americano Sam Dalmas (Tony Musante), que vive em Roma, assiste ao assassinato de uma mulher bonita por uma figura misteriosa. Como a polícia não resolve o caso, ele parte para investigar o crime por conta própria. Os crimes vão se sucedendo até o escritor entrar na lista das vítimas do serial killer.

Crítica
Sendo o primeiro filme do italiano Dario Argento na direção, "O Pássaro das Plumas de Cristal" não marcou apenas a sua filmografia, mas também serviu como um dos grandes pioneiros para o subgênero cinematográfico que ganharia força na década de 70, o giallo. O mesmo recebera esse nome, devido a uma famosa série de livros sobre estórias policiais, que possuía uma capa amarelada. Com a excessiva produção de filmes que tratavam dessa temática, foi feita uma alusão com a série supracitada, tomando forma, então, um dos subgêneros mais importantes da história do cinema. Como foi dito anteriormente, protagonizado por Dario Argento, o giallo influenciou diversas produções que foram feitas, anos depois. Franquias poderosas como: "Sexta Feira 13", "A Hora do Pesadelo", e até mesmo o clássico "Halloween", de John Carpenter, trouxeram vestígios da essência italiana.

Podemos notar os traços peculiares dessa corrente cinematográfica, quando observamos produções que envolvem um serial killer, que tem a sua identidade omitida até os minutos finais, mas que aparece em certos enquadramentos, trajando roupas padrões, como por exemplo: luvas e casaco preto. O envolvimento policial é indispensável, juntamente com os típicos assassinatos cruéis, que são precedidos por perseguições claustrofóbicas. Todas essas características, com o tempo, foram adaptadas ao modo de se fazer cinema de cada realizador. Surge, então, outro subgênero que derivou diretamente do giallo e que teve muita força na indústria americana, o slasher. Basicamente segue a mesma essência, e essa fórmula é ainda utilizada nos dias de hoje, agradando legiões de fãs apaixonados pelas franquias, ou até mesmo por certas produções que passaram despercebidas, décadas atrás.

O gore, outro forte indicador desse subgênero, mais conhecido pela exacerbada violência gráfica, ainda tinha seus limites nessa primeira produção do diretor. Nada muito pesado, mas com indícios do que viria, futuramente. Trazendo todos os elementos comentados acima, o enredo de "O Pássaro das Plumas de Cristal" se concentra num jornalista que presencia o assassinato de uma mulher, por uma pessoa misteriosa, vestindo roupas pretas. Sem notar a verdadeira identidade do assassino, o jornalista acaba se complicando com a polícia, e resolve agir sozinho, a fim de descobrir o que realmente aconteceu naquela noite. O que ele não esperava, é que o seu envolvimento resultaria no fato de se tornar uma das próximas vítimas daquela figura nefasta. Dirigido de forma agradável e confiante pelo estreante Dario Argento, "O Pássaro das Plumas de Cristal" faz jus a sua influência dentro do mundo da sétima arte, e representa o primeiro filme da Trilogia Animal do italiano, que futuramente receberia duas outras partes: "O Gato de Nove-Caudas" e "Quatro Moscas no Veludo Cinza".

Com um bom roteiro em mãos, e sabendo trabalhar com consciência em certos aspectos cinematográficos, Dario Argento demonstra muita qualidade na direção, mesmo sendo a sua estreia no cinema. Seus enquadramentos e a miraculosa fotografia de Vittorio Storaro, dando destaque para as cores contrastantes e a iluminação, que sempre são protagonistas em suas obras, e que dão maior deleite ao âmbito do filme, já serviam como prelúdio da sua brilhante filmografia. Para acompanhar esse belo banquete visual, temos o estupendo trabalho de Ennio Morricone com a lúgubre trilha sonora, que acompanha o desenvolvimento do conflito, até o inesperado desfecho. O mesmo representa outro ponto forte de suas produções, que resultaram até em intitulações como: Hitchcock italiano.

Seu trabalho com afinco em cima dos personagens, por mais que algumas atuações ainda não sejam tão agradáveis, é um dos fatores que justificam essas comparações. Todo personagem é primordial para o bom andamento, e não estão lá apenas para cumprir roteiro. A tentativa de driblar o convencional, que é muito bem realizada nessa produção, exerce um peso extremamente significativo na qualidade do produto final, e por conseguinte, no que foi estipulado anteriormente. É imprevisível, é bem trabalhado, é belo, é Argento. Acompanhar o seu trabalho desde o primeiro filme, é algo indispensável para compreender a sua singularidade.

Mesmo não sendo perfeito na sua primeira viagem, Dario Argento já indicava o que estava por vir. Dono de uma estética que cresceu muito com o passar dos anos, o diretor nos presenteia com um giallo clássico. Assassinatos, perseguições e um ponto de interrogação que só vai ser solucionado nos últimos minutos. Essa é a fórmula do italiano, entretanto, em "O Pássaro das Plumas de Cristal", todas as doses estão moderadas. Um bom início que agradou boa parte do público. Mal sabíamos o que estava por vir. Bela surpresa.

por Luccas Cigoli Frangella em Cineplayers

Versão Dublada em Inglês

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520. ZABRISKIE POINT (1970)

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Retrato da contracultura norte-americana nos anos 60 e 70 visto pela perspectiva de dois jovens: a garota Daria, estudante de antropologia e secretária de um empresário que está construindo um condomínio no deserto de Los Angeles; e Mark, rapaz que largou os estudos e está sendo procurado pela polícia sob suspeita de ter assassinado um policial durante um protesto estudantil.

Crítica
A contracultura norte-americana das décadas de 60 e 70 foi representada no cinema com diversos filmes clássicos que praticamente funcionam como um registro documental daquele período histórico. No entanto, foi um poeta italiano que deu a visão mais pessoal e até, de certo ponto, bem mais radical daquela América efervescente. Seu nome: Michelangelo Antonioni, com o escape psicodélico de Zabriskie Point (1970).

Um escape que é protagonizado por dois personagens centrais, de “planetas” completamente diferentes, mas com a mesma agonia. Mark; um jovem que se intitula Karl Marx e Daria; uma moça a serviço do mundo capitalista. Eles partem de lugares distintos e se encontram em Zabriskie Point, o Vale da Morte. Lá, é fácil perceber que são faces da mesma moeda, dois fugitivos de um Estados Unidos completamente caótico, repressivo e consumista; sufocante tanto no protesto, quanto nos concretos.

E para representar este Estados Unidos sufocante, Antonioni se dá ao luxo de abdicar de seu próprio cinema. O início de Zabriskie Point dá um susto em quem está acostumado com o estilo introspectivo e denso do poeta italiano. Tudo acontece ao mesmo tempo; um encontro de jovens ativistas políticos que falam simultaneamente, manifestações na rua e brigas com a polícia, sempre com a presença da publicidade agressiva. Durante as primeiras seqüências, há painéis, out-doors, cartazes, jingles e comerciais de T.V por todos os cantos. É inevitável; até o espectador deseja fugir deste filme.

Outro toque de mestre é a impessoalidade dos personagens principais. São Daria e Mark que estão de saco cheio daquilo tudo, mas poderia ser qualquer pessoa. Alguns aspectos reforçam isso. O passado deles não é explorado, são praticamente dois anônimos. Antonioni não usou nenhum ator profissional (Mark e Daria eram realmente seus nomes), o que demonstra a intenção de não fazer um “filme de herói”, algo freqüentemente usado na representação cinematográfica da contracultura norte-americana. No entanto, é a primeira seqüência, ainda nos créditos, que deixa clara a idéia do italiano. Ao som espacial do Pink Floyd, vários rostos surgem, levemente desfocados, apresentando olhares assustados. Todos são Daria e Mark.

Daria e Mark se encontram no Vale da Morte e lá têm a reação mais comum à qualquer tipo de opressão: o sexo. Em uma das cenas mais bonitas da filmografia de Antonioni, os corpos dos dois, repletos de areia, acabam se multiplicando em vários casais transando no deserto. Com isso, mais uma vez aparece a idéia impessoal do filme; todos estão ali. A guitarra viajante de Jerry Garcia esquenta a seqüência. Além de sexo, a outra reação mais comum à opressão é a violência, e ela aparece no final do filme, com todo aquele Estados Unidos caótico voando pelos ares. Cinema psicodélico é isso aí!

Reforçando a psicodelia, a trilha sonora é fundamental. O Pink Floyd gravou diversos temas e Jerry Garcia & Grateful Dead, Kaleidoscope, Rolling Stones e Youngbloods também apareceram. O final explosivo é agraciado com a fantástica "Careful With That Axe, Eugene" de Roger Waters e cia. A trilha acabou mais conhecida do que o filme.

Zabriskie Point foi um fracasso. Entusiasmada com o sucesso de Blow Up - a visão do poeta para a contracultura inglesa - a MGM investiu sete milhões de dólares e só arrecadou 900 mil. A receita das bilheterias foi escandalosamente menor que a do filme anterior. A maioria dos críticos de cinema também não gostou do filme, destacando apenas a sua beleza visual. Certamente, o filme não chega aos pés do deleite mod-psicodélico de Blow Up, ou das primeiras obras-primas como A Aventura, mas é um momento que não pode passar em branco na filmografia do italiano. Zabriskie Point engana falar de política mas traz na sua essência o grito da busca eterna pela liberdade. A poesia que só Antonioni poderia desencavar naquela loucura norte-americana.

por Leonardo Bomfim em freakium.com

Curiosidades
-Têm como atores principais Mark Frechette e Daria Halprin, ambos sem experiência artística anterior. O cenário foi escrito por Antonioni, pelo amigo cineasta Franco Rossetti, pelo escritor de peças teatrais Sam Shepard, Tonino Guerra e Clare Peploe, esposa de Bernardo Bertolucci. O filme foi o segundo de uma série de três filmes em inglês de Antonioni, segundo um contrato com o produtor Carlo Ponti para ser distribuído pela MGM. Os outros dois filmes foram Blowup (1966) e The Passenger (1975).

-Zabriskie Point foi alvo de censura, mas nenhuma maior que a interna. Muitas cenas foram cortadas pelo estúdio, e inclusive a conclusão da fita foi modificada. Originalmente, o filme se encerraria com a tomada de um avião escrevendo com fumaça no céu a frase "Fuck you, America" (não é preciso traduzir). Por aconselhamento da produção, alterou-se o final para uma cena de um belo pôr-do-sol.

Informações retirada do Post do usuário deadmeadow do MKO

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519. GIMME SHELTER (1970)

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Realizado por Albert Maysles, David Maysles e Charlotte Zwerin, este é por muitos considerado um dos melhores filmes sobre Rock & Roll de todos os tempos e um marco importantíssimo do cinema-verdade. O filme mostra o mítico concerto dos Rolling Stones em Altamont, que pretendia ser um dos símbolos máximos da geração "make love, not war" e acabou sendo o palco de inúmeros distúrbios que terminaram na morte de um espectador.

Crítica
Minutos antes de começarem seu show no autódromo de Altamont, a alguns quilômetros de San Francisco, os Rolling Stones foram anunciados pela primeira vez como ''a maior banda de rock do mundo''. Naquela data, 6 de dezembro de 1969, o título já fazia sentido: sua turnê americana havia sido um sucesso estrondoso e estava prestes a se encerrar com uma apresentação gratuita para centenas de milhares de fãs. Nada parecia ser capaz de detê-los.

Minutos depois de começarem seu show no autódromo de Altamont, os Rolling Stones pararam de tocar, totalmente desorientados, ao ficarem sabendo que um homem tinha sido esfaqueado em frente ao palco. O homem, um jovem de 18 anos chamado Meredith Hunter, morreu no local, e seu algoz foi um membro da gangue de motociclistas Hell's Angels, que havia sido contratada para fazer a segurança do show.

O episódio, que entrou para a mitologia do rock e representou o primeiro prego no caixão da cultura ''flower power'', é o tema central do documentário ''Gimme Shelter'', de 1970, que ganhou versão restaurada e remasterizada em DVD e BlueRay. A edição traz alguns extras curiosos, como bastidores de shows, imagens da banda em estúdio e a famosa transmissão da rádio KSAN-FM do dia seguinte à tragédia, na qual um Hell Angel explica que a gangue foi contratada em troca de cerveja de graça, fazendo a ideia de ter motoqueiros brigões como seguranças parecer ainda pior do que já era.

Mas é mesmo o filme que faz valer o pacote. Nele, a rotina dos Stones em turnê e os eventos que levaram à decisão de fazer o show de Altamont são mostrados ao estilo ''direct cinema'' (primo norteamericano do cinéma vérité, que pregava o registro da realidade com a mínima intervenção possível), pelo qual os diretores Albert e David Maysles se tornaram famosos.

Não há, portanto, entrevistas e declarações para a câmera: tudo é mostrado como se fosse a visão de uma testemunha silenciosa e atenta. (Curiosamente, um então jovem George Lucas foi um dos câmeras contratados para Altamont, mas sua câmera quebrou no local e nada foi aproveitado.)

Um terceiro nome foi creditado como diretor de ''Gimme Shelter'', o da editora Charlotte Zwerin, e o mérito é compreensível. O grande trunfo do filme é sua inteligência ao mostrar as várias facetas de um episódio polêmico e cheio de ''culpáveis'' como foi Altamont. Com isso, escapou da armadilha de responsabilizar somente os Stones pela tragédia, como fez boa parte da imprensa na época ? inclusive insinuando que o fatídico show só teria sido marcado por conta do documentário, que foi parcialmente financiado pela banda.

Por sua escolha estética de utilizar apenas o que é dito espontaneamente, ''Gimme Shelter'' acaba não explicando muito bem o porquê da escolha dos Hell?s Angels como seguranças do palco. Não se tratava de um procedimento tão incomum: o Grateful Dead costumava contratá-los para seus shows na região, e os próprios Stones já haviam utilizado seus serviços em uma apresentação gratuita no Hyde Park de Londres, em julho do mesmo ano, quando tudo correu tranquilamente. Em Altamont, por várias razões, as coisas saíram do controle.

Se por um lado ''Gimme Shelter'' não culpa os Stones pela tragédia, ele se vale de um engenhoso artifício para ''confrontar'' a banda com os efeitos de sua megalomania: toda narrativa é recortada por cenas de Mick Jagger e Charlie Watts assistindo às próprias imagens captadas pelos diretores. Esse ''espelho posterior'' rende uma das melhores cenas do filme, quando Jagger vê, quadro a quadro, que o jovem Meredith Hunter, segundos antes de receber uma facada, levantou uma pistola em direção ao palco. Ao perceber diante de seus olhos uma agressão gratuita transformar-se em um ato de autodefesa razoavelmente justificável, Jagger parece tirar um enorme peso dos ombros, dá o caso por encerrado e abandona a sala, com a empáfia e decisão que cabem aos verdadeiros rockstars.

Gustavo Martins (UOL)

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