Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

517. M*A*S*H (1970)

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Durante a Guerra da Coréia, dois competentes jovens cirurgiões, Duke e Hawkeye transformam a rotina de horror e sangue em algo divertido e irônico, através de seu modo descontraído de viver a vida - claramente para evitar os choques e traumas causados pelo que eles passam diariamente, salvando seus companheiros da morte.

Premiações
*Oscar (1971)
-Vencedor na categoria Oscar de melhor roteiro adaptado
-Indicado nas categorias : Melhor filme, Melhor diretor, Melhor atriz coadjuvante (Sally Kellerman), Melhor edição.
*Globo de Ouro (1971)
-Vencedor na categoria melhor comédia ou musical.
-Indicado nas categorias: Melhor diretor, Melhor ator em comédia ou musical (Donald Sutherland e Elliott Gould), Melhor atriz coadjuvante (Sally Kellerman), Melhor roteiro
*Festival de Cannes (1970)
-Vencedor da Palma de Ouro
*BAFTA Awards (1971)
-Venceu o UN Award (United Nation)
-Indicado nas categorias de Melhor Ator (Elliott Gould ), Melhor Direção, Melhor Filme, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora.
*Laurel Awards (1971)
-Vencedor nas categorias de melhor Ator e Melhor Atriz em Comédia, respectivamente Elliott Gould e Sally Kellerman.
-Segundo Lugar em Melhor Fotografia e Melhor Ator em Comédia Donald Sutherland

Crítica
Existem filmes que nascem sob o estigma do fracasso. Alguns correspondem, outros não. M.A.S.H., por exemplo, tinha tudo para dar errado. Baseado num romance que ninguém leu, dirigido por um diretor até então inexpressivo e com um orçamento de fazer corar o mais independente dos realizadores, este longa-metragem atípico abriu a década de 70 fundindo a cuca da crítica e do público. Virou clássico. Mais do que isso: virou seriado de tevê, cujos 250 episódios permaneceram no ar por dez anos acumulando um caminhão de prêmios.

A vitalidade de M.A.S.H. (abreviatura de Mobile Army Surgical Hospital) reflete o espírito de um tempo em que hippies queimavam cartas de convocação em praça pública, a contracultura revirava os ícones da América e a marginalidade assumia condição heróica. A história dos cirurgiões que servem num posto militar na Coréia é pretexto para uma crítica aguda ao poder, à hierarquia dos campos de guerra e às convenções religiosas e sexuais. O choque de informações se estabelece desde o início, quando soldados feridos são mostrados ao som da melosa canção "Suicide is painless" ("suicido ? indolor") e prossegue no humor negro de Donald Sutherland e Elliott Gould nas ensangüentadas mesas de operação.

Muito antes de a correção política minar os arroubos de criatividade, M.A.S.H. já fazia troça multicultural. O que dizer de um personagem, anglo-americano típico, que ao ser desbancado por um oficial negro retruca: "racista"? Ou ainda como se comportar com correção diante das constantes humilhações sofridas pela oficial boazuda maliciosamente apelidada pelo pelotão de Hot Lips (Lábios Quentes)? Pura molecagem.

Até cair nas mãos de Robert Altman, o roteiro de M.A.S.H. foi recusado por uma dúzia de diretores que sentiram cheiro de roubada. M.A.S.H. foi a oportunidade para Altman exibir sua incomparável habilidade em lidar com inúmeros personagens, conduzir tramas episódicas, refinar o humor pastelão e acima de tudo fazer de um microcosmo uma referência universal. Quem viu Assassinato em Gosford Park sabe bem do que estou falando. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro e da Palma de Ouro em Cannes, M.A.S.H. é um exemplo do cinema americano possível, capaz de driblar as convenções comerciais, afirmando-se nas entrelinhas. É bom saber que Altman, um libertário por excelência, continua sendo a referência de nove entre dez diretores independentes e que M.A.S.H. continua sendo uma resposta humorada ao horror da guerra. Aliás, de todas as guerras.

por Ricardo Cota em criticos.com.br

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

505. MACUNAÍMA (1969)

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Macunaíma é um filme brasileiro, de 1969, do gênero comédia, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, e baseado na obra homônima de Mário de Andrade. O roteiro foi escrito pelo próprio diretor; a trilha sonora é Jards Macalé, Orestes Barbosa, Silvio Caldas e Heitor Villa-Lobos.

Macunaíma é um herói preguiçoso, safado e sem nenhum caráter. Ele nasceu na selva e de negro (Grande Otelo) virou branco (Paulo José). Depois de adulto, deixa o sertão em companhia dos irmãos. Macunaíma vive várias aventuras na cidade, conhecendo e amando guerrilheiras e prostitutas, enfrentando vilões milionários, policiais, personagens de todos os tipos. Depois dessa longa e tumultuada aventura urbana, ele volta à selva.

Curiosidades
O filme permite muitas interpretações, com alusões ao desenvolvimentismo, ao tropicalismo e à luta armada que corria solta nos "Anos de Chumbo", sem perder a ligação com a obra literária na qual se baseia (escrita na primeira metade do século XX), com aparição de vários personagens do folclore brasileiro, tais como o Caipora.

Premiações
*Festival de Cinema de Mar del Plata, Argentina
Prêmio de Melhor Filme (Joaquim Pedro de Andrade)
*Festival de Cinema de Brasília, DF
Troféu Candango de Melhor Roteiro
Troféu Candango de Melhor Ator (Grande Otelo)
Troféu Candango de Melhor Ator Coadjuvante (Jardel Filho)
Troféu Candango de Melhor Cenografia
*Instituto Nacional de Cinema, Brasil
Prêmio Coruja de Ouro de Melhor Direção de Arte

Crítica
Em 1928, Mário de Andrade, tendo conhecido o estudo de Koch-Grünberg sobre folclore ameríndio, escreveu Macunaíma o herói sem nenhum caráter, quase que uma adaptação do conjunto de lendas populares compiladas pelo alemão – o autor mesmo considerava a obra uma rapsódia. Era uma época de transição, em que a geração dos modernos tentava se libertar do padrão europeu de cultura buscando resgatar o próprio da terra, de modo que fosse possível chegar até uma identidade nacional, uma brasilidade. 41 anos depois, Joaquim Pedro de Andrade adaptou a obra andradiana para o cinema e foi esse filme, Macunaíma, que hoje, mais de 30 anos passados, ficou em sétimo lugar entre os melhores do cinema nacional, segundo pesquisa feita aqui, por Contracampo. Mas o que é que Macunaíma tem que o mantém vivo através de todo esse período de tempo?

O cineasta considerava seu filme como um "comentário ao livro": ou seja, o que temos não é uma transposição simplesmente, mas notas, ponderações que visam uma interpretação; qualquer um que tenha lido Macunaíma... sabe muito bem, por exemplo, que a Uiara não o mata, mas que o herói acaba sobrevivendo ao ataque e virando constelação. E se essa está longe de ser a única mudança feita a partir da história original, talvez seja a mais significativa. Porque se, em virando a Ursa Maior, Macunaíma "...se aborreceu de tudo, foi-se embora e banza solitário no campo vasto do céu.", em sendo comido pela Uiara, lenda brasileira, o que se mostra é uma impossibilidade de vida para ele. É o Brasil quem come Macunaíma. Está-se em 1969, às beiras do movimento tropicalista; o que é filmar um herói colorido, festejado, cheio de paetês que acaba sendo devorado? É dizer contra o tropicalismo, que, nas palavras do diretor: "sempre foi completamente furada [a onda tropicalista] como movimento." Há, sim, um certo clima no filme que pode gerar uma identificação com o movimento, mas seu final é de absoluta interdição. Parece que o que existe ali é uma espécie de tentativa de diálogo com temas populares: a chanchada, por exemplo, permeia toda a narrativa, presente inclusive no elenco, figurinos e cenário. É um tipo de deboche, de ironia carregada de sentido mas sem lição.

Isso. Macunaíma é um filme sem lição, sem símbolos e modelos. É pura construção, do tipo que só aparece à medida que se vai construindo.. É sabido que Mário de Andrade escreveu dois prefácios para Macunaíma... mas que acabou publicando-o sem nenhum. Esses dois textos, porém, acabaram aparecendo mais tarde e, no segundo deles, está escrito, sobre a falta de caráter do herói, que ela é "...no duplo sentido de indivíduo sem caráter moral e sem característico." Aí está: o filme também o mostra assim e essa é a sua importância. Joaquim Pedro de Andrade atuou brilhantemente como rapsodo: Macunaíma não simboliza o povo brasileiro, mas é um brasileiro. E o Brasil é composto por brasileiros, que, como o herói, podem ter dificuldades para viver em seu país e podem também acabar devorados por ele.

O cineasta disse que "Macunaíma é um filme que encontra a América Latina em todos os sentidos, em uma busca nacional." Talvez, se juntarmos a isso mais uma coisa que Mário de Andrade disse, em seu segundo prefácio, possamos responder à questão posta lá em cima, aquela da manutenção do Macunaíma até hoje. Mário escreveu que "Nas épocas de transição social como a de agora é duro o compromisso com o que tem de vir e quase ninguém não sabe. Eu não sei. Não desejo a volta do passado e por isso já não posso tirar dele uma fábula normativa. (...) O presente é uma neblina vasta." Pode ser que a importância de Macunaíma resida nos problemas que ele põe para nós, brasileiros. À época da escritura de Macunaíma... o presente era uma neblina vasta; em 1969, quando o filme foi feito, também. Talvez o sétimo lugar obtido por ele em 2001 seja sintoma de uma intranqüilidade frente à neblina que envolve o nosso cinema atualmente.

Juliana Fausto - Contracampo

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Macunaima.(1969).DVDRip.XviD.avi


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terça-feira, 10 de maio de 2011

503. MEU ÓDIO SERÁ TUA HERANÇA (1969)

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Eles já foram os mais perigosos "foras da lei" da fronteira, seguindo seus próprios códigos de honra e lealdade. Realizaram diversos assaltos pelas planícies do oeste, sempre colocando suas cabeças a prêmio. Mas os tempos mudaram. O lucro estava cada vez menos e o risco cada vez maior. Era hora de parar, mas a ganância falou mais alto. Dez mil dólares para roubar o carregamento de armas de um trem para um poderoso bandoleiro mexicano. Nada poderia detê-los, a não ser a morte.

Premiações
Indicado ao Oscar em 1970 de Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha Sonora Original.
Indicado a Melhor Ator Coadjuvante (Robert Ryan) no Laurel Awards em 1970
Indicado ao Directors Guild of America, USA (Sam Peckinpah)em 1970
Vencedor do prêmio de Melhor Edição de Som em 1970 no Motion Picture Sound Editors, USA

Crítica
“Meu Ódio Será Sua Herança” de Sam Peckinpah é um marco no western, reiventou o gênero através da exploração de uma temática crua e sem glamour e de sua violência estilizada muito antes de “Os Imperdoáveis” de Clint Eastwood, outro filme que fez o mesmo pelo gênero.

Sam Peckinpah foi tido como um diretor “maldito” por Hollywood, alcoólatra, imprevisível, quase sempre estourava em muito seu orçamento e os prazos de filmagem, fez alguns filmes de sucesso e muitos fracassos de bilheteria. Por causa de “Meu Ódio Será Sua Herança” teve que conviver com a avidez da audiência e dos produtores pela violência em seus filmes, quando na verdade Peckinpah queria retratar os dramas humanos pelos quais passou na infância. Suas qualidades iam muito além da exploração da violência estilizada, foi um meticuloso construtor de personagens, a riqueza com que os construía dramaticamente e conseguia fazer com que os atores os representassem com a motivação correta pode ser apontada como uma de suas melhores qualidades.

O gênero western no cinema pode ser dividido em 3 fases:
- a primeira retrata a conquista do oeste, a luta contra os índios, o desbravamento da terra.
- a segunda fase trata da formação da nação, a colonização, as pequenas comunidades e as suas leis.
- a fase final retrata a chegada da modernidade com as construções das ferrovias.

O filme pertence ao final da última fase, onde já estão estabelecidas as leis e a força policial em todo o território. A estória retrata um bando de fora-da-lei que já tiverem seu auge e estão sofrendo com as mudanças, além de enfrentarem o envelhecimento, seu modo de vida já não pode mais existir nessa nova sociedade. O bando é liderado por Pike Bishop (Holden) e os mercenários que os caçam são liderados por Deke Thornton (Ryan) um antigo membro do bando de Pike, após um fracasso Pike planeja o golpe final para finalmente poderem abandonar esse estilo de vida.

O filme é mais reconhecido pelos recursos utilizados para a estilização da violência, principalmente na cena do duelo final, Peckinpah transforma o filme numa opereta, com vários personagens muito bem coreografados, câmera lenta e uma sanguinolência até então inédita nas telas.

O que mais chama a atenção para o filme é a construção dramática dos personagens, cada um tem características muito bem definidas e é nas cenas de interações e de conflitos entre cada um que o filme ganha conjunto. Essas cenas que se destacam no filme principalmente pela ambigüidade e pela exposição das fraquezas são cenas memoráveis que se mantém na memória porque carregam simbolismo e ambigüidade.

O filme está permeado de cenas magníficas além dessa, tais como a cena inicial das crianças brincando com formigas e escorpiões, o bando caindo do cavalo descendo o morro de areia, o velho que tira sarro deles quando descobrem que foram enganados, entre muitas outras mostram porque esse filme vai muito além de sua violência intrínseca e se torna uma obra-prima do gênero.

por Marcos Takeda

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

492. MINHA NOITE COM ELA (1969)

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Terceira parte da série "Seis Contos Morais", de Eric Rohmer, Minha Noite Com Ela (Ma Nuit Chez Maud), de 1969, é um dos clássicos da Nouvelle Vague. Indicado Ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original em 1970, o longa-metragem trabalha questões como ética, religião e filosofia, sempre tendo como pano de fundo os relacionamentos humanos.
O engenheiro Jean-Louis (Jean-Louis Trintignant) volta à cidade de Clermont depois de ter morado anos fora. Católico introvertido que acaba por nutrir uma paixão platônica pela loura Françoise (Marie-Christine Barrault), que ele encontra nas missas de domingo. Apesar de não desenvolver nem uma reles amizade com ela, acredita que a moça é sua parceira ideal.
Um dia, durante um passeio, reencontra Vidal (Antoine Vitez), um velho amigo marxista. Ele o apresenta à sua namorada Maud (Francoise Fabian), uma divorciada inteligente e charmosa. Os três passam a noite no apartamento dela falando sobre filosofia e religião, principalmente sobre diferentes visões sobre a filosofia de Pascal, que nasceu na cidade em que eles vivem.
Vidal volta para casa, deixando Jean-Louis e Maud juntos. Com a chegada de uma tempestade de neve, ele terá que resistir aos avanços da anfitriã para se manter fiel aos seus princípios católicos e à sua paixão, que ele nem conhece realmente.

Crítica
Minha Noite com Ela (1969), de Eric Rohmer, é um genuíno produto da Nouvelle Vague. Seus diálogos são repletos de citações e discussões cujo objetivo é a descoberta, ou melhor, a exposição do ser humano. Nesse terceiro filme, as preocupações que o cineasta viria a desenvolver em produções posteriores já estão evidentes. Menos atrativo que obras mais recentes, como Conto de Verão (1996), onde o interior das pessoas é mostrado sem que elas tenham de falar sobre si ou sobre seus sentimentos, Minha Noite com Ela é uma boa fonte de pesquisa da origem dessa notória percepção de Rohmer em relação ao ser humano e suas aflições.

O protagonista é Jean-Louis (Jean-Louis Trintignant), um católico devoto que, depois de anos fora do país, retorna à pequena cidade de Clermont. Num de seus parcos passeios, encontra o velho amigo Vidal (Antoine Vitez) que o convida a acompanhá-lo a um recital e depois à casa de uma amiga, a recém-divorciada Maud (Françoise Fabin). Lá, o trio discute inúmeros assuntos, entre eles Françoise (Marie-Christine Barrault), que Jean-Louis encontra nas missas de domingo e por quem nutre uma paixão platônica.

O filme, indicado à Palma de Ouro em Cannes e ao Oscar de roteiro e de filme estrangeiro, faz parte da série Contos Morais e tem como grande tema o relacionamento. Mas aqui, ele vem diluído em intermináveis conversas sobre religião e matemática, e a relação desses dois assuntos com Blaise Pascal (1623-1662). O matemático e teólogo - inventor da seringa farmacêutica e do barômetro - nasceu em Clermont-Ferrant, cidade onde o filme é ambientado. A certa altura da vida, o filósofo passou a defender o Jansenismo, doutrina desenvolvida pelo holandês Cornélio Jansênio (1585-1638), para quem a salvação da alma está diretamente ligada à predestinação. Não por acaso, o jansenismo de Pascal é defendido por Jean-Louis e atacado por Vidal, evidenciando a percepção de mundo de cada um dos personagens.

A discussão sobre predestinação e livre-arbítrio encaixa-se no recorrente flerte de Rohmer com o acaso. A certa altura do filme, o protagonista decide casar-se com Françoise e, sem ao menos conhecê-la, transforma esse "relacionamento" em seu objetivo na vida. Logo no início, Jean-Louis segue a moça para conhecê-la e acaba por perdê-la de vista. Mas quando ele a vê passando pela rua, vai atrás e a aborda. Mais tarde, os personagens se encontram novamente e, por coincidência, a moça precisa de carona para voltar para casa. O acaso divide seu grau de importância com a vontade de Jean-Louis, cuja ausência não o teria impulsionado a falar com a moça. Essa é a dubiedade da casualidade na obra do cineasta: nada é por acaso mas sem ele nada acontece.

Por Luara Oliveira - Cineweb

Premiações
Indicado ao Oscar em 1970 de Melhor Filme Estrangeiro, em 1971 ao Oscar de Roteiro Original.
Em 1969 Indicado ao Palma de Ouro no Festival de Cannes
Vencedor do Prêmio de Melhor Filme em 1970 no French Syndicate of Cinema Critics.
Vencedor do Prêmio de Melhor Roteiro em 1970 no New York Film Critics Circle Awards, USA
Vencedor do Prêmio de Melhor Fotografia e de Melhor Roteiro em 1971 no National Society of Film Critics Awards, USA

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Ma.Nuit.Chez.Maud.(1969).CRiTERiON.DVDRip.XviD.avi

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

490. NA MIRA DA MORTE (1968)

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Em seu filme de estréia, Peter Bogdanovich narra com maestria duas histórias paralelas: a de Byron Orlok (Boris Karloff), veterano ator de filmes de terror que pretende abandonar a carreira, e a de Bobby Thompson (Tim O'Kelly), um típico rapaz americano de classe média que, sem qualquer motivo aparente, começa a reunir um imenso arsenal de armas de fogo. As duas histórias, a princípio desconexas, encaminham-se para um encontro final. Bogdanovich filma as duas histórias de maneira deliberadamente contrastante: na primeira, de Orlok, Bogdanovich coloca-nos dentro da ação através do uso da câmera subjetiva, instaurando um ambiente humano e afetivo; na segunda, de Thompson, a câmera objetiva estuda seus personagens com um olhar frio e quase documental - a câmera objetiva só dá lugar à subjetiva quando Thompson mira seus alvos, à distância, preservando a frieza de sua história. Um metafilme do talentoso Bogdanovich, que discute o cinema e a impossibilidade do terror no cinema frente a uma realidade muito mais aterrorizante.

Crítica
por Daniel Dalpizzolo no Cineplayers

Curiosidade
• Último filme de Boris Karloff.

• Primeiro filme de Peter Bogdanovich.

• O filme foi realizado a convite de Roger Corman, que disse a Bogdanovich que ele poderia fazer o filme que quisesse, desde que atendesse as seguintes condições: incluir 20 minutos de sequências de "The Terror" (1963), filme de Corman estrelado por Boris Karloff; incluir sequências filmadas com Boris Karloff durante dois dias, totalizando uma participação de 20 minutos (Karloff devia esse período de filmagem a Corman); realizar 40 minutos extras do filme com o restante do elenco, ao longo de 2 semanas. Karloff ficou tão impressionado com o roteiro que acabou ampliando sua participação de 20 para 30 minutos e recusou qualquer pagamento extra pelo tempo adicional.

• O roteiro teve a inestimável colaboração de Samuel Fuller, amigo de Bogdanovich, que recusou terminantemente qualquer cachê ou créditos.

• Peter Bogdanovich deu a seu personagem o nome de "Sammy Michaels" em homenagem a Samuel Fuller (cujo nome completo era Samuel Michael Fuller).

• No momento em que o personagem de Bogdanovich, Sammy Michaels, assiste na TV ao filme "The Criminal Code", de Howard Hanks, ele repete a famosa frase do próprio Bogdanovich, "todos os bons filmes já foram feitos".

• O filme não obteve sucesso de público, mas seu reconhecimento junto à crítica abriu as portas para que Bogdanovich pudesse realizar sua obra-prima, "A última sessão de cinema".
(Inf. obtidas no post do Vicente Ribeiro do MKO)

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Targets.(1968).DVDRip.XviD.avi

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484. MEMÓRIAS DO SUBDESENVOLVIMENTO (1968)

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Retrato lúcido e poético de Cuba no começo dos anos 60, Memórias do Subdesenvolvimento é considerado um clássico do cinema latino-americano. O mestre Tomás Gutiérrez Alea oferece um olhar ao mesmo tempo carinhoso e crítico sobre os rumos da revolução de Fidel Castro, narrado pelos olhos de Sérgio, um homem que aos 38 anos se vê subitamente sozinho em Havana, depois que sua mulher e seus pais resolvem migrar para os Estados Unidos. Ao acompanhar Sérgio, o espectador é convidado a passear pelas ruas da capital cubana e a encontrar personagens reais, num filme que mistura com habilidade recursos da ficção e do documentário.

Crítica
Um homem de tez caribenha e ares europeus anda por entre as prateleiras de uma livraria de Havana. Na estante, uma biografia do cosmonauta russo Yuri Gagarin e romances de Nabokov. Observa uma moça com cara de ingênua.

Seria apenas uma tarde qualquer na capital cubana se o ano não fosse o de 1961 - dois após a Revolução Socialista- e se, por trás da câmera, não estivesse o diretor Tomaz Gutiérrez Alea (1928-1996), mais conhecido hoje pelo sucesso de "Morango e Chocolate" (1994).

"Memórias do Subdesenvolvimento" (1968), é um dos mais importantes documentários latino-americanos e um dos principais registros que o cinema cubano produziu sobre sua revolução socialista. "É muito mais interessante do que o "Encouraçado Potemkin" [1925], por exemplo", diz o cineasta Eduardo Coutinho, comparando-o ao clássico de Sergei Eisenstein. "A União Soviética teve um cinema pós-revolucionário, mas era de pura exaltação ao novo regime. O cinema cubano do início dos anos 60 foi único ao olhar para o processo de implantação do socialismo de um modo muito crítico", diz o diretor de "Edifício Master".

"Memórias" conta a história de Sergio, um homem de 38 anos, de classe média alta, que vê sua mulher e seus amigos fugirem da ilha e do comunismo logo após a revolução. Ele não quer partir, não porque seja um revolucionário, mas porque quer saber o que vai acontecer. É um personagem que destoa do ambiente, e seu anacronismo é o modo pelo qual Alea critica os rumos que o regime tomava rumo ao autoritarismo.

"Ele reflete o que sentíamos todos nós daquela geração. Não queríamos abandonar nossas raízes porque isso seria desprezar a nossa lucidez. E víamos o que estava acontecendo como uma espécie de delírio coletivo", conta à Folha o escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez, autor de "Trilogia Suja de Havana" e que, assim como Alea, apesar de ser anticastrista, nunca deixou Cuba.

O filme mescla cenas documentais "de verdade", tomadas à época da batalha de Playa Girón (1961) e da Crise dos Mísseis (1962), e cenas documentais "de mentira" --como o episódio armado que mostra um aeroporto repleto de cubanos ricos carimbando passaportes para deixar o país. Há ainda um romance ficcional e a interferência da realidade nessa ficção --como quando o protagonista vagueia no meio de uma festa real do 1º de Maio.

Para o cineasta Nelson Pereira dos Santos, a individualidade da obra está nessa combinação entre documentário e ficção, com toques de neo-realismo. "Alea tomou o neo-realismo e o levou mais adiante", diz.

Após ser abandonado por seus circunstantes, Sergio fica sozinho em seu apartamento, que, apesar de amplo e com uma luxuosa vista para a orla, faz com que se sinta sufocado. "Nesse lugar Alea tem um momento Godard, pois segue o protagonista entrando e saindo dos quartos de sua própria casa como se estivesse em uma prisão, tudo com planos longos e artísticos", diz Coutinho.

O filme é baseado no romance homônimo do escritor Edmundo Desnoes, hoje exilado nos EUA. "Ele e Alea realizaram "Memórias" no período de dez anos após a revolução, quando a vigilância e censura do Estado não eram tão intensas e ainda era possível produzir uma crítica tão intensa ao regime", diz Gutiérrez.

O diretor de "Rio 40 Graus", por sua vez, chama a atenção para o fato de o filme trabalhar com conceitos relacionados ao contexto dos anos 60/70, mas que não perderam a atualidade. "Desenvolvimento e subdesenvolvimento são palavras datadas, mas que mostram como a história, às vezes, parece curta e, na verdade, não é. "Memórias" nos indica que ainda não saímos daquele período."

SYLVIA COLOMBO - da Folha de S.Paulo


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Memorias.Del.Subdesarrollo.(1968).DVDRip.XviD-rubisoy.avi


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