Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

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domingo, 12 de junho de 2011

512. ATO FINAL (1970)

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Jovem de quinze anos de idade consegue um emprego em um local de banhos públicos, onde se torna obcecado por uma colega de trabalho. Apesar dela ser comprometida, o rapaz faz o possível para sabotar o relacionamento, a ponto de persegui-la, tornando-se cada vez mais desesperado pela mulher.

Crítica
Primeiro filme em língua inglesa de Jerzy Skolimowski que aqui traduz as angústias musicais, sociais e sexuais de um adolescente proletarizado de uma maneira que muito me encantou quando o vi e que, com certeza, ainda permanecerá intenso em minha mente.
Ótima trilha sonora e maravilhosas comunhões corporais, além de uma montagem que não deve nada a Nicolas Roeg e congêneres!

.."Numa época em que os coveiros das aberturas de cinema estavam começando a se aposentar, Skolimowisky cria segundos brilhantes no início, quando a câmera, após centrar uma gota de sangue, desliza ante o quadro da bicicleta do protagonista. O fundo berrante do filtro vermelho deixa a ferrugem do veículo quase com a aparência de desenho, lembrando o estupendo Saul Bass, responsável por grandes inícios, como o de “Um Corpo que Cai” (1958), verdadeira tapeçaria moderna em movimento. Espécie de câmera de bolso, que de tão próxima, não nos revela de imediato a coisa filmada.

Vindo da aclamada escola de cinema de Lodz, Skolimowisky, assim como outro conterrâneo seu, Roman Polanski, carrega maleta imaginativa cheia de bugigangas sórdidas. Humor nervoso que brota de um potente olhar sobre o desejo humano; lances insólitos e soltos de enquadramentos; o clima enervante que acaba desaguando num comentário peralta sobre a atmosfera do cinema noir. Tudo isso para quebrar a espinha da ilusão do que se acreditava relegado na lata do lixo da História pela ação da juventude da época, o sentimento de posse do corpo do outro. O adolescente fica em brasa com a companheira de trabalho, exigindo uma exclusividade de lua-de-mel feudal. O amor livre está a léguas de distância.
por Du Pitomba em depredandoocinema "

Premiações
Em 1972, Indicada ao BAFTA de melhor atriz coadjuvante - Jane Asher

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terça-feira, 10 de maio de 2011

504. ANDREI RUBLEV (1969)

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Andrei Rublev foi um pintor de ícones da Rússia do início do século XV. Encarregado de pintar as paredes da Catedral da Anunciação, no Kremlin, ele trabalha sob a direção do mestre grego Teófanes. Este é atormentado pela crueldade da época e a atribui à ira do Céu. Rublev, por outro lado, acredita no livre arbítrio. Esta obra-prima do cinema russo é vista como incomparável, uma elevação espiritual de senso plástico deslumbrante, que mostrou ao mundo um jovem e promissor cineasta. Andrei Rublev ficou censurado pelas autoridades da ex-União Soviética durante anos, por questionar o enfoque narrativo da História.

Crítica
Andrei Tarkoviski possui uma posição inusitada na história do cinema russo. Sem dúvida, ele é o mais expressivo e importante cineasta da Rússia desde a tríade de grandes cineastas da Escola Formativa Russa (Eisenstein, Pudóvkin, Kuleshov), que teve seu auge na década de 20 do século passado. Estudado, amado e laureado fora Rússia, no entanto, em seu país, Tarkoviski foi incompreendido e extremamente censurado. As características de seus filmes não se enquadravam nos preceitos da estética do “Realismo Socialista”, então pregada como obrigatória na União Soviética. Tarkoviski realizou apenas oito filmes nos seus vinte e oito anos de carreira, desde a data do seu primeiro filme, aos vinte e oito anos, “O rolo compressor e o Violinista” (1960) ao último, um ano antes de sua morte, “O Sacrifício” (1986). Este pequeno número de filmes não significa um conjunto pobre de obras, pelo contrário, seus filmes possuem características de dimensões filosóficas, anteriormente, alcançadas somente pelo cineasta sueco Ingmar Bergman. Um filme que seria a obra prima de Tarkoviski, e síntese de seu modo de conceber uma obra dentro da Sétima Arte, é o fantástico “Andrei Rublev” (1966). No filme, questões filosóficas, tais como a relação dialética entre Artista x Meio e Arte x Sociedade, juntamente com questões de qual a função e constituição do Artista e de da Obra de Arte são desenvolvidas a partir de uma narrativa cinematográfica singular e inovadora.

O filme é uma biografia não linear do grande pintor russo Andrei Rublev, que viveu entre os anos de 1360 e 1430. Um período extremamente conturbado da história da Rússia, que sofria com invasões de tribos Tártaras e estava no auge da Baixa Idade-Média. Acompanhamos, ao longo de mais de três horas e meia, a trajetória de Rublev e o surgimento e desenvolvimento de seus anseios e de suas dúvidas sobre a fé (Deus), a sociedade russa e sobre a Arte. Vê-se a tentativa do Artista de compreender o mundo a sua volta, seja nos aspectos históricos e sociais como também artísticos e estéticos, em uma incessante busca pelo conhecimento e pela verdade.

A narrativa do filme é bastante interessante e muito inovadora. Ela é estruturada a partir de oito blocos narrativos autônomos, compostos por histórias não lineares a partir da seleção de faixas temporais. Não são narrados exclusivamente momentos da vida do grande pintor russo, pelo contrário, não há o protagonista clássico, do qual a narrativa e os acontecimentos desenvolvem-se a sua volta. Este é um dos pontos inovadores desenvolvidos por Tarkoviski, pois Rublev é um “observador”-, os acontecimentos desenvolvem-se aquém dele, por isso o filme perde o caráter biográfico e, até mesmo, histórico, pois ambos não são importantes-, o central é a “ideia”, na sua acepção estética e filosófica do termo.

A inovação de Tarkoviski, na estrutura narrativa de “Andrei Rublev”, foi extremamente mal recebida pelo público, pela crítica e pelos políticos soviéticos. Eles alegavam que a narrativa do filme subvertia os dados históricos e a biografia do grande pintor russo. Bradavam ainda que o cineasta desconsiderou a conjuntura materialista histórica dialética e que ainda não se utilizou dos preceitos da estética “Realista Socialista”, que vinha no seu auge criativo com o cineasta Mikhail Kalatazov através do filme “Soy Cuba” (1964). Devido a este conjunto de fatores, Tarkoviski foi censurado e execrado pela crítica cinematográfica soviética. No entanto, fora da Rússia, “Andrei Rublev” recebeu diversos prêmios, dentre eles o “Prêmio da Crítica” do Festival de Cannes. O filme é ainda considerado um dos mais importantes da história do cinema.

A importância e a qualidade do filme “Andrei Rublev” também se sustenta a partir do seu conteúdo e da maneira como Tarkoviski o concebe, dando-lhe uma dimensão que vai além da narrativa, chegando ao nível filosófico. Tarkoviski foi único cineasta, na história da Sétima Arte, no qual a sua obra conseguiu se aproximar, mas não chega, das características do maior de todos os cineastas: o sueco Ingmar Bergman. Ambos os cineastas (um mais, outro menos) intelectualizaram a realidade efetiva e fizeram com que a Arte fosse a expressão máxima dela. Para eles, o mundo é a representação, ou seja, em termos schopenhauerianos, a vontade de representação do Artista, através da sua obra de Arte. O que move esta vontade é a investigação gerada, de acordo com Schopenhauer, por uma necessidade metafísica.

O Artista pretende decifrar o enigma do mundo, não pelo conhecimento racional (isto cabe à ciência), mas através da Arte e é justamente isto que Andrei Rublev almeja fazer. Ao longo do filme, Rublev tenta compreender o mundo a sua volta de forma racional a partir dos três pontos de referência que ele possui: a fé, a crença na sociedade russa e a Arte. Contudo, ao longo da narrativa, ele perde a sua crença nestes três pontos, voltando a acreditar somente na Arte, quando conhece o jovem sineiro Boriska, isto no final do filme.

A fé de Rublev é abalada no momento em que as questões e as respostas da teologia cristã não conseguem lhe satisfazer o espírito incessantemente interrogativo e contemplativo. Ele fica maravilhado com a pureza e a liberdade de um culto pagão, mas se decepciona, quando cavaleiros, em nome da santa religião, matam brutalmente os pagãos. Sua crença na sociedade e no povo russo é abalada ao presenciar as guerras e as invasões tártaras, na qual um príncipe russo se alia aos tártaros para tomar o trono de seu irmão gêmeo. Por seu turno, sua crença na Arte é abalada no momento em que suas pinturas são destruídas e pelos ciúmes e inveja do seu grande amigo Kiril para com ele. Rublev perde completamente os seus três pontos de referência no momento em que mata um soldado tártaro. Ele havia tirado uma vida, não criado algo-, decide parar de pintar e se isola num mosteiro.

Rublev reata a sua crença na Arte, na mais bela cena do filme: “A fabricação do sino”. Ele observa o modo que o jovem sineiro Boriska fabrica o sino: não aceitando conselhos e, muito menos críticas-, indo apenas com a sua intuição e espírito criativo. Boriska representa o Artista, o Gênio criador. Ele tem a capacidade preponderante de apreender as idéias e a realidade das coisas por intuição contemplativa e puramente objetiva, ou seja, a capacidade criativa. Isto desperta Rublev. O pintor pede para que o jovem o acompanhe: um pintando e o outro fazendo sinos.

Em “Andrei Rublev”, Tarkoviski realizou uma obra de profundidade filosófica cheia de questões relacionadas à estética e a metafísica. Através do personagem Rublev há a discussão do papel do Artista na sociedade e a função da Obra de Arte. Tarkoviski realiza o filme a partir de uma “metafísica do belo”, no qual o conhecimento estético se torna algo que não pode ser comunicado mediante doutrina e conceitos, mas apenas, como salienta Schopenhauer, por meio de Obras de Arte. “Andrei Rublev” é uma das grandes e mais importantes obras da Sétima Arte. Aos que a censuraram, por não ser fiel ao contexto histórico, cabe as palavras de Aristóteles, retiradas do livro V da “Arte Poética”, sobre a diferença entre a História e Literatura: “a primeira narra o que foi, a segunda narra o que poderia ter sido”. O filme “Andrei Rublev” narra aquilo que poderia ter sido e, acima de tudo, o que pode ser.

Breno Rodrigues de Paula em rua - UFSCAR

Curiosidades
- O filme foi exibido no Festival de Cannes em 1969 fora do programa oficial deste evento.
- Um filme produzido em 1966 mas que só saiu oficialmente em 1971.

Premiações
Venceu o FIPRESCI no Festival de Cannes em 1969
Ganhou o Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no French Syndicate of Cinema Critics, em 1971
Ganhou o Prêmio Jussi de Melhor Filme Estrangeiro em 1973

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Andrei.Rublyov.(1969).DVDRip.XviD-sonicalchemy.[ShareBrasil].avi


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sábado, 25 de setembro de 2010

439. ALPHAVILLE (1965)

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Eddie Constantine estrela como o herói intergalático Lemmy Caution, com a missão de matar o inventor do computador fascista Alpha 60. Uma missão nada fácil, porque a sinistra comunidade é controlada despótica e cuidadosamente pelo supercérebro eletrônico.

Premiações
Ganhou o Urso de Ouro, no Festival de Berlim (1965).

Crítica
Este é mais um grande clássico de Ficção Científica, uma fusão inteligente do gênero com personagens de HQ e poesia surrealista.
A viagem irreverente do diretor franco-suíço Jean-Luc Godard à misteriosa e futurística Alphaville permanece como um dos melhores filmes de todos os tempos.
O agente-secreto Lemmy Caution é enviado a Alphaville [cidade onde os sentimentos foram abolidos há muito tempo] com a missão de encontrar o colega de profissão Henry Dickson e investigar os obscuros desaparecimentos de outros cinco agentes.
A resposta para suas perguntas está em Alpha 60, um supercomputador criado pelo professor Leonard von Braun que controla todas as atividades e mantêm a população do local inteiramente sob o seu comando.
Na entrada de Alphaville, uma placa atenta para os lemas da cidade: "Ciência, Lógica, Segurança e Prudência".
Nessa tecnologia nazifascista as pessoas agem como se fossem zumbis, identificadas apenas por números - e seguem, como valores mínimos, coerência de raciocínio e eficiência.
Não há arte e tampouco amor: escritores morrem por falar coisas sem sentido...
A bíblia de Alphaville é um dicionário, renovado quase que diariamente, no qual não constam palavras como "por que" e "consciência".
O ideal da raça pura é visto aqui através de indivíduos de cérebros limpos que são enviados para os chamados "planetas exteriores" para perturbarem desde relacionamentos amorosos até interferir em questões de segurança mundial.
Para Alpha 60, homens comuns não merecem o espaço que ocupam no mundo e para aqueles que se encontram em Alphaville, as opções são o suicídio ou a recuperação em um "hospital".
Com o objetivo de persuadir o professor von Braun a voltar aos "planetas exteriores" [ou matá-lo, caso ele resista], Lemmy tem como guia Natasha, a filha do cientista.
O agente-secreto presencia uma execução pública, é submetido a severo interrogatório conduzido por Alpha 60 para ser, finalmente, condenado à morte.
A ousadia do diretor Godard lhe rendeu - merecidamente - o Urso de Ouro de Melhor Filme do Festival de Berlim.
Produção de 1965, em Preto & Branco, com 100 minutos de duração, esplêndida música incidental, "Alphaville" mostra e faz refletir como seria uma sinistra comunidade governada despótica e cruelmente por um supercérebro eletrônico. Absolutamente imperdível.

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Alphaville.(1965).DVDRip.DivX-MDX.avi

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domingo, 29 de agosto de 2010

426. ANTES DA REVOLUÇÃO (1964)

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Parma, 1964. Fabrizio, um jovem de 22 anos, passa por uma fase de indecisão política e afetiva. Apesar de renegar a burguesia, não se sente à vontade no movimento revolucionário, pois se considera à frente das ideologias da esquerda. Ao mesmo tempo, vive um amor conturbado com sua tia.

Critica
Antes da Revolução, filme de Bernardo Bertolucci, é inspirado nas personagens do excepcional livro A Cartuxa de Parma, do escritor francês Sthendal. Bertolucci nasceu em Parma. Na sua transposição para o cinema do clássico, fez as duas coisas que não acontecem na trama original: a consumação por meio do sexo do amor platônico que a tia marquesa de Sanseverina sentia pelo sobrinho Fabrizio del Dongo (e era correspondida, em termos) e o casamento de Fabrizio com Clelia Conti, seu grande amor.

O clima é de maio de 1964. Politizado, Fabrizio, que no original sai do castelo dos pais para se juntar às tropas de Napoleão, agora é um comunista, mas não crê na “revolução de um dia”. Gina, a tia, depois de um casamento fracassado, casa-se por dinheiro e muda-se para a sofisticada Milão. Nos feriados, volta para a casa da irmã e passa as noites no leito com o sobrinho e os dias passeando por Parma, fazendo compras e procurando ao máximo não se envolver com política.

Nas melhores cenas os dois incestuosos passeiam por Parma, cidade que começava a despontar como uma das catedrais da moda e do design mundiais, e onde a tia compra inúmeros óculos, capas de gabardine (para ele) e sapatos ingleses (“mesmo durante a guerra não faltaram sapatos ingleses em Parma”, disse um dos personagens). Lá, ela se entedia com o excesso de Verdi (“Prefiro Mozart, Verdi demais enjoa”).

As discussões variavam desde política engajada até a Nouvelle Vague francesa (“Anna Karina será o que é Louise Brooks hoje, a marca de uma geração”), a Hollywood clássica (“Cinema é Humphrey Bogart e Lauren Bacall num filme de Howard Hawks”, citando Godard) e o poeta italiano Cesare Pavese, que tem um de seus mais belos poemas declamados às margens do Rio Pó.

Bertolucci faria melhor a mistura de política e sexo, amor e sedução nos filmes seguintes, como O Último Tango em Paris, Os Sonhadores, 1900, La Luna, O Conformista etc. São os grandes temas do seu melhor cinema. Mas o germe da criação está nesse que é seu segundo filme: nos letreiros, uma citação diz que quem não conheceu o clima antes da revolução não sabe o que é viver.

Fonte - Demetrius Caesar - Cineplayers

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quinta-feira, 8 de julho de 2010

381. AMOR SUBLIME AMOR (1961)

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No lado oeste de Nova York, à sombra dos arranha-céus, ficam os guetos de imigrantes e classes menos favorecidas. Duas gangues, os Sharks, de porto-riquenhos, e os Jets, de brancos de origem anglo-saxônica, disputam a área, seguindo um código próprio de guerra e honra. Tony (Richard Beymer), antigo líder dos Jets, se apaixona por Maria (Natalie Wood), irmã do líder dos Sharks, e tem seu amor correspondido. A paixão dos dois fere princípios em ambos os lados, acirrando ainda mais a disputa.

Premiações
- Ganhou 10 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (George Chakiris), Melhor Atriz Coadjuvante (Rita Moreno), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia - Colorida, Melhor Figurino - Colorido, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora. Foi ainda indicado na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.
- Ganhou 3 Globos de Ouro, nas seguintes categorias: Melhor Filme - Comédia/Musical, Melhor Ator Coadjuvante (George Chakiris) e Melhor Atriz Coadjuvante (Rita Moreno).
- Recebeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Filme.
- Ganhou o Grammy de Melhor Trilha Sonora - Cinema/TV.

Curiosidades
- "A história dos Estados Unidos mudou agora" (juiz Felix Frankfurtter, da Suprema Corte, na noite de 20 de agosto de 1957).
Ao fazer esta declaração tão forte, o magistrado Frankfurtter não referia-se a nenhuma questão jurídica. Era apenas a forma com que transmitia sua emoção e entusiasmo - semelhante a de algumas centenas de outras pessoas que, há 34 anos, assistiam a primeira apresentação daquele que, para a história do show business americano, é considerado o mais perfeito musical de todos os tempos: "West Side Story".
- O acerto original dos produtores com os diretores Jerome Robbins e Robert Wise era que Robbins fosse o responsável por rodar as cenas com canções e dança e Wise rodasse todas as demais cenas do filme.
- Jerome Robbins tinha a tendência de rodar as cenas diversas vezes, em busca da tomada perfeita. O preciosismo do diretor fez com que o orçamento do filme e a agenda de filmagens fossem ultrapassados. Quando o filme já estava com 60% de suas cenas já rodadas os produtores decidiram por demitir Robbins e passar para Robert Wise a responsabilidade de concluir o restante do filme.
- Os direitos de adaptação da peça teatral para o cinema custaram US$ 375 mil aos produtores.
- A maior parte do elenco da peça teatral da Broadway foi recusado pelos produtores por serem considerados velhos demais para um filme cujos protagonistas eram adolescentes. Como era costume em Hollywood a dublagem de atores quando estes cantavam em cena, vários atores que não sabiam cantar foram testados para os principais personagens do filme.
- Suzanne Pleshette, Jill St. John, Audrey Hepburn, Anna Maria Alberghetti, Elizabeth Ashley, Anthony Perkins, Warren Beatty, Bobby Darin, Burt Reynolds, Richard Chamberlain, Troy Donahue e Gary Lockwood chegaram a fazer testes para integrar o elenco de Amor, Sublime Amor.
- Seis atores da peça teatral na Broadway estão também presentes na adaptação cinematográfica: Carole d'Andrea, Tony Mordente, William Bramely, Jay Norman, David Winters e Tommy Abbott.
- George Chakiris havia interpretado o personagem Riff na montagem da peça teatral em Londres. Já Tony Mordente já havia interpretado o personagem A-Rab, na Broadway.
- Robert Wise inicialmente queria que Elvis Presley interpretasse o personagem Tony.
- A personagem Maria chegou a ser oferecida a Audrey Hepburn, mas ela teve que desistir da personagem por estar grávida na época das filmagens.
- A atriz Natalie Wood foi dublada nas cenas em que canta por Marni Nixon.
- O ator Richard Beymer foi dublado nas cenas em que canta por Jimmy Bryant.
- A atriz Rita Moreno foi dublada apenas na canção "A Boy Like That", por Betty Wand. Em "America" e "Quintet" é a própria atriz quem canta.
- O ator Russ Tamblyn foi dublado por Tucker Smith na cena em que canta "The Jet Song".
- A sequência de dança da abertura de Amor, Sublime Amor foi realizada no local onde atualmente se encontra o Lincoln Center. Na época a área estava condenada e os prédios seriam demolidos mas, como a demolição sofreu atrasos, a cena de abertura pôde ser realizada no local.
- Os produtores tentaram manter os atores que interpretariam gangues rivais afastados uns dos outros, na intenção de criar antipatia e tensão entre eles.
- Pela 1ª vez na história do Oscar a premiação de melhor direção foi dividida entre dois diretores por um mesmo filme. Esta façanha permanece sendo única até os dias atuais.
- O orçamento de Amor, Sublime Amor foi de US$ 6 milhões.

Crítica
"Um musical que mistura as belas coreografias clássicas com um tema bastante urbano. Vencedor de 10 Oscar, incluindo Filme e Direção.

Se fôssemos tentar resumir Amor, Sublime Amor nos dias de hoje, poder-se-ia dizer que ele é, no mínimo, interessante. Imagine um Romeu e Julieta ambientado em uma Nova York caótica, com brigas entre gangues, mas com um clima de fundo enquadrado no musical clássico dos anos 50, no melhor estilo Sinfonia de Paris e Cantando na Chuva. Essa bagunça toda é Amor, Sublime Amor. Mesmo com quarenta anos de existência, continua funcionando, mesmo que não tenha tanto impacto em algumas pessoas como antigamente.

A sinopse é bem simples: duas gangues disputam um pequeno território do lado pobre de Nova York. Os Jets sempre foram os donos dos locais e já expulsaram outros invasores que tentaram tomar seus lugares. Os Sharks são uma gangue de porto-riquenhos que querem seu lugar ao sol. Ambas as gangues não podem se encontrar que saem faíscas entre elas. Quase sempre há briga e nem mesmo a polícia consegue controlar o caso. Por toda a parte há pichações de ambas as gangues, seja apenas colocando o nome da qual é integrante ou riscando-se o nome da adversária. Em meio a essa guerra urbana, Tony, um ex-Jet, ídolo dos atuais garotos, apaixona-se por Maria, jovem irmã do líder dos Sharks. Claro que isso acirra ainda mais a disputa entre todos e tudo vai tomando proporções catastróficas com o desenrolar da história.

Amor, Sublime Amor é um dos maiores vencedores do Oscar de todos os tempos, faturando dez estatuetas das onze ao qual estava disputando, inclusive filme e diretor. Prêmio, aliás, que foi dividido entre Robert Wise e Jerome Robbins, fato inédito na história da premiação. Robert Wise, famoso também por dirigir a obra-prima familiar A Noviça Rebelde, ficou encarregado de dirigir as partes dramáticas da trama, enquanto Jerome dirigiria os musicais. Jerome fazia um trabalho brilhante, mas de tanto exigir de seus atores (só deixava que parassem se algo acontecesse, como machucar o joelho ou se saísse sangue de seus pés), acabou estourando o orçamento e atrasando todo o cronograma de filmagem do longa, o que resultou em seu afastamento da obra com apenas 60% do planejado na lata.

Só que Robert Wise cumpriu o contrato e chamou Jerome Robbins para editar o longa, já que ambos haviam planejado tudo juntos. E sua ajuda foi fundamental, uma vez que Jerome sabia como ninguém as marcações das cenas de dança, e o ritmo imposto no filme ficou freneticamente delicioso. Não é o tipo de musical que toda hora tem dança, aqui todas são justificadas e de maravilhosas letras. O interessante é que esses números musicais não são ingênuos ou felizes, como a maioria dos musicais são, pois eles conseguem conservar a temática violenta que há de pano de fundo na história. Há algumas letras com grandes gritos de revolta e de opinião forte. Imagine alguém revoltado com a morte de um dos integrantes e cantando para acalmar o ódio que está dentro dele, para que a polícia não desconfie de nada. É mais ou menos assim que Amor, Sublime Amor se desenvolve. O musical seria como uma máscara para o tema violento que aborda.

Existem musicais mais tradicionais também, como o do ginásio da escola (Mambo!) e as declarações de amor entre Tony e Maria. A parte que eles simulam um casamento dentro da loja de roupas é linda! Porém, o que mais gosto é o musical onde as mulheres do Shark discutem com os seus homens os pontos positivos e negativos da América... Além de engraçado, ele tem um profundo ponto crítico que não retira a responsabilidade de tudo o que está acontecendo dos que se dizem prejudicados pelo preconceito, assim como outro número não exclui os jovens de serem burros por fazer o que eles fazem. Esse musical dos Jets, aliás, merece uma dose de atenção extra, uma vez que eles mesmo tentam achar mil e uma razões para serem do jeito que são e, no final, concluem que o defeito está neles mesmo. Não é como Kids ou Aos Treze, que tomam a cômoda posição de jogar a culpa no meio onde os jovens vivem, e sim assumem a responsabilidade por sua parte também.

Imagine uma briga entre gangues com membros saltitantes, coreografias exageradas, dançando no meio da rua como se aquilo tudo fosse normal. Amor, Sublime Amor é assim, por mais estranho que possa parecer. Sobre as danças, minha única reclamação paira sobre o fato desse estilo estar mais presente no início do longa e fica mais raro perto de seu final. Não que tenha sido deixado de lado, ainda está lá, mas apenas em pontos extremamente cruciais da trama, o que deixou o filme um pouco mal balanceado. Outra reclamação é sobre o fato do início do filme ter sido em externa e todo o resto do filme em estúdio. Tudo bem que o início era a única cena diurna do filme e todo o resto se passa à noite, mas ficou algo um pouco estranho, pois a locação funcionou tão bem, mas tão bem que acabou deixando essa má impressão com o passar do filme.

Ainda bem que isso se ameniza pelo fato dos cenários montados serem magníficos, como o estranho vermelho nas paredes do salão de dança ou o incrível pátio onde o confronto final entre as gangues acontece. O vermelho, aliás, é usado em demasia no filme, só que de maneira positiva, aproveitando bem as sensações que a cor consegue gerar. Outro aspecto bastante positivo são os figurinos dos personagens, que refletem bem suas personalidades e origens.

Quanto aos atores, todos estão bem, mas o destaque fica para a dupla porto-riquenha Bernardo e Anita. Ambos os atores, George Chakiris e Rita Moreno, levaram a estatueta de melhores atores coadjuvantes do ano para casa por suas atuações. A química entre Tony e Maria é excelente, com um destaque extra para Natalie Wood, simplesmente encantadora. A menina realmente convence no seu papel de apaixonada, mesmo que o roteiro tenha uma falha de não demonstrar tão bem o início da paixão entre os dois. Ficou algo forçado, mesmo para o estilo do filme. Algumas opções feitas pelos diretores não firmaram, como por exemplo Elvis Presley para o papel de Tony - o que seria perfeito - ou então Audrey Hepburn para o papel de Maria - também cairia bem, porém Audrey não pôde atuar por estar grávida na época.

Assim como outros grandes musicais, todos os atores sabiam que iriam ser dublados, então eles não precisariam necessariamente saber cantar para serem escolhidos para seus papéis. No nível da dança, é incrível ver o que alguns atores conseguem realizar, verdadeiras proezas, que ficaram ainda melhores pelo belíssimo trabalho dos dubladores do filme. Algumas canções se assemelham a óperas devido ao tom que seus cantores alcançam. Nesse ponto, Rita Moreno brilhou mais uma vez, por ter o mérito de não ser dublada em duas canções, devido ao seu maravilhoso desempenho nos sets de filmagem. Já Natalie Wood chegou a se irritar com a dublagem. Pelos extras do DVD, é possível ver algumas de suas cenas com o som original, sua própria voz cantando, o que deixa a certeza de que a opção dos diretores foi acertada ao optar pela dublagem da atriz.

Repetindo o sucesso da Broadway, Amor, Sublime Amor foi um sucesso de crítica e público na época de seu lançamento. Ainda com charme e bastante curioso devido à mistura que faz, o resultado é positivo e resistiu bem com o passar dos anos. Se você curte musicais, deveria dar uma olhada nesse aqui. Com certeza é algo diferente do que você está acostumado a assistir. Se você não curte o estilo, fica mais do que óbvia a minha contra-indicação."

... Rodrigo Cunha

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378. ATRAVÉS DO ESPELHO (1961)

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Uma das principais obras de Ingmar Bergman e o início da "trilogia do silêncio", formada ainda por "O Silêncio" e "Luz de Inverno". Harriet Andersson é a frágil Karin que, afetada por crises de loucura, entra em conflito com seus familiares durante as férias de verão numa ilha distante. Um drama psicológico intenso em que Bergman disseca o processo de degradação de uma família.

Premiações
Oscar (1962)
* Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.
* Indicado na categoria melhor roteiro.
BAFTA (1963)
* Indicado nas categorias de melhor filme e melhor atriz estrangeira para Harriet Andersson.
Festival de Berlim (1962)
* Indicado ao Urso de Ouro

Crítica
Com Através de um Espelho, Ingmar Bergman deu início a sua “Trilogia do Silêncio”, que continuou com Luz do Inverno e terminou em O Silêncio. Todos têm como tema, como o próprio nome indica, o silêncio, seja o silêncio de Deus (recorrente na obra do cineasta), a incapacidade de comunicação ou mesmo o vazio existencial. O tema vem embalado pela música de Bach e pela brilhante, esfuziante, fundamental fotografia de Sven Nykvist (impossível falar da história do cinema sem citar o trabalho do fotógrafo sueco).

Por Através de um Espelho Bergman venceu o primeiro de seus três Oscar de melhor filme estrangeiro - venceria novamente na categoria por A Fonte da Donzela e “Fanny & Alexander”, sendo que os dois últimos venceram e foram indicados em outras categorias, como figurino, direção de arte e o fotógrafo, Sven Nykvist, talvez o maior do cinema em todos os tempos, que também venceu quatro vezes (neste Através de um Espelho seu trabalho é nunca menos que brilhante, criando uma aura especial para os ambientes que se passavam no entardecer e à noite – ele não tinha a mão os artifícios que existem hoje para externas no período noturno.

A trama parece inconcebível para os dias de hoje. Um homem egoísta praticamente abandona os filhos. Está escondendo deles sua mediocridade como escritor, pai e ser humano. Não compartilha da vida deles, renega-lhes atenção, isola-se, sendo que muitas vezes se assusta com o próprio egoísmo e os efeitos perversos que suas atitudes causam.

Sua filha (Harriet Handerson) está com problemas mentais, os mesmos que levaram a mãe à morte, e a enfermidade se agrava rapidamente. O filho, um adolescente carente, faz de tudo para lhe chamar a atenção, mas recebe de volta a frieza, o racionalismo, o desprezo, um tratamento cortês e distante. Há ainda o genro (Max Von Sydow), que cuida com desvelo de sua filha, mas cobra do sogro seu papel na família.

Entre embates verbais ríspidos, planos de tirar o fôlego e uma sobriedade de direção que fizeram o nome de Bergman figurar como um dos maiores do cinema, a trama segue seca, precisa e áspera. O diretor arranca, como de hábito, fenomenais interpretações dos atores. É um filme assustador, que fica na memória e causa enorme desconforto mesmo muito tempo depois de ser visto.

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

369. ANO PASSADO EM MARIENBAD (1961)

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L'année dernière à Marienbad - Num luxuoso e enorme palácio, transformado em hotel, entre corredores, salões decorados e estátuas, um estranho tenta convencer uma mulher casada a fugirem juntos. Ele diz conhecê-la. Diz que foram amantes. Entretanto, parece difícil fazê-la lembrar de que tiveram um caso (ou que não tiveram) no ano passado, em Marienbad.

Crítica
Sim, é uma história de amor. Sim, ambientada em um belo hotel. E, sim, envolvendo um intrigante triângulo amoroso. Os ingredientes podem até parecer romanescos demais. Porém, tratando-se de Alain Resnais, é um cinema muito diferente do que se costuma ver por aí.

A história gira em torno de um sujeito, X, obcecado por uma bela mulher, A, acompanhada por um frio e misterioso homem. Todos hospedados em um luxuoso e suntuoso hotel em Marienbad. Segundo X, os dois já haviam se encontrado anteioromente, há um ano. Ela diz não se lembrar, enquanto ele tenta convencê-la a largar tudo e fugir para viverem juntos. O que se segue é um jogo de sedução onde memória e lirismo se fundem. Testemunha-se, por entre os corredores retos e intermináveis do hotel, a incapacidade de concretização do desejo entre A e X, bem como a distância de um e do outro em um alfabeto.


A arquitetura clássica, quase barroca, do hotel se mistura perfeitamente ao roteiro, tornando-se praticamente um personagem. Espelhos, estátuas, objetos de decoração e um gigantesco jardim servem de moldura para enquadramentos requintados e angulosos, deixando o filme com uma aura de obra de arte. O simbolismo e as comparações com Bergman, inevitavelmente, se tornam muito fortes. A fotografia p&b chega a brilhar de tão bem cuidada. É cinema de luxo, de arte, na mais pura acepção da palavra.

O tempo narrativo é longo, quase estático. Uma locução repetitiva e monocórdica pontua com perfeição a frieza na maneira como uma paixão fugaz é contada por Resnais. As atuações são teatrais, com a valorização da expressão corporal de todos os atores - principalmente do casal protagonista.

Mais do que um filme, uma verdadeira obra de arte.

Fonte

Premiações
Festival de Veneza - Vencedor do Leão de Ouro - Melhor Filme
Festival de Cannes - Seleção Oficial
Academia de Cinema Americana (Oscar) - Indicado a Melhor Roteiro Original
Academia de Cinema Britanica (Bafta) - Indicado a Melhor Filme Estrangeiro
Prêmio dos Críticos Franceses - Melhor Filme
Hugo Awards - Indicado a Melhor Filme Dramático

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