Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

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domingo, 17 de julho de 2011

522. O JARDIM DOS FINZI-CONTINI (1970)

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No final dos anos 30, em Ferrara, Itália, os Finzi-Contini são uma das importantes famílias da cidade. São aristocratas, ricos e judeus. Os filhos mais velhos - a bela Micol e o refinado Alberto - sempre reúnem os amigos para disputadas partidas de tênis, além de promover festas muito alegres. Giorgio é um dos amigos da família, apesar de ser um judeu de classe média. Ele está apaixonado por Micol. Mas eis que os italianos fascistas se aliam aos alemães nazistas, dando início à perseguição dos judeus.

Premiações
*Oscar 1972 (EUA)
-Venceu na categoria de Melhor Filme (estrangeiro) (Itália).
-Indicado na categoria de Melhor Roteiro (adaptado).
*BAFTA 1973 (Reino Unido)
-Recebeu o Prêmio UN.
-Indicado na categoria de Melhor Fotografia.
*Festival de Berlim 1971 (Alemanha)
-Recebeu o Urso de Ouro (Melhor Filme) e o Prêmio Interfilm - Prêmio de Cinema Otto Dibelius.
*Prêmio David di Donatello 1971 (Itália)
-Venceu na categoria de Melhor Filme e recebeu um Prêmio David especial.

Críticas
"A perseguição sob o fascismo de uma família de judeus cujos sonhos e esperanças são carregados pela tempestade antissemita. Do belo romance de Bassani, o filme consegue reconstituir a atmosfera às vezes singular e cativante. São sensíveis aqueles que observam de longe a vida de uma família judia muito aristocrata retraída entre seus vastos domínios e que, os anos passando, terminam por se aproximar, sem verdadeiramente reduzir, a distância daquela sociedade."
"O filme não é verdadeiramente um quadro da sociedade italiana de 1929 até 1943, nem uma evocação do meio judeu de Ferrara, mesmo que não faltem as cenas saborosas ou trágicas. Ele sugere, sobretudo, isso que poderia ter sido a cultura refinada e discreta dessa elite judia que a Europa do século XIX admitiu pouco a pouco e que ela em seguida quis exterminar. A personagem de Micol, moderna e impenetrável, é de uma grande poesia."
"marcou o retorno internacional de um diretor que nunca tinha deixado de trabalhar, mas cuja fama tinha decaído desde os tempos de obras-primas neo-realistas como Umberto D (1952)”. “Estilisticamente, o filme não é nenhuma obra-prima. Mas ganha vida nos momentos em que De Sica gruda sua câmara em closes de suas estrelas fascinantes (Dominique Sanda e Helmut Berger, especialmente) para observar o dardejar furtivo de seus olhos nobremente expressivos. O Jardim dos Finzi-Contini é uma parábola aguda e tocante sobre a relação entre os dramas pessoais e políticos, privados e públicos. O drama social que invade a história torna as palpitações românticas por vezes insignificantes, desesperadas, absurdas e pungentes."

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sábado, 16 de julho de 2011

521. O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (1970)

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O Pássaro das Plumas de Cristal marcou a estréia na direção do mestre do horror e do suspense Dario Argento. No filme, o escritor americano Sam Dalmas (Tony Musante), que vive em Roma, assiste ao assassinato de uma mulher bonita por uma figura misteriosa. Como a polícia não resolve o caso, ele parte para investigar o crime por conta própria. Os crimes vão se sucedendo até o escritor entrar na lista das vítimas do serial killer.

Crítica
Sendo o primeiro filme do italiano Dario Argento na direção, "O Pássaro das Plumas de Cristal" não marcou apenas a sua filmografia, mas também serviu como um dos grandes pioneiros para o subgênero cinematográfico que ganharia força na década de 70, o giallo. O mesmo recebera esse nome, devido a uma famosa série de livros sobre estórias policiais, que possuía uma capa amarelada. Com a excessiva produção de filmes que tratavam dessa temática, foi feita uma alusão com a série supracitada, tomando forma, então, um dos subgêneros mais importantes da história do cinema. Como foi dito anteriormente, protagonizado por Dario Argento, o giallo influenciou diversas produções que foram feitas, anos depois. Franquias poderosas como: "Sexta Feira 13", "A Hora do Pesadelo", e até mesmo o clássico "Halloween", de John Carpenter, trouxeram vestígios da essência italiana.

Podemos notar os traços peculiares dessa corrente cinematográfica, quando observamos produções que envolvem um serial killer, que tem a sua identidade omitida até os minutos finais, mas que aparece em certos enquadramentos, trajando roupas padrões, como por exemplo: luvas e casaco preto. O envolvimento policial é indispensável, juntamente com os típicos assassinatos cruéis, que são precedidos por perseguições claustrofóbicas. Todas essas características, com o tempo, foram adaptadas ao modo de se fazer cinema de cada realizador. Surge, então, outro subgênero que derivou diretamente do giallo e que teve muita força na indústria americana, o slasher. Basicamente segue a mesma essência, e essa fórmula é ainda utilizada nos dias de hoje, agradando legiões de fãs apaixonados pelas franquias, ou até mesmo por certas produções que passaram despercebidas, décadas atrás.

O gore, outro forte indicador desse subgênero, mais conhecido pela exacerbada violência gráfica, ainda tinha seus limites nessa primeira produção do diretor. Nada muito pesado, mas com indícios do que viria, futuramente. Trazendo todos os elementos comentados acima, o enredo de "O Pássaro das Plumas de Cristal" se concentra num jornalista que presencia o assassinato de uma mulher, por uma pessoa misteriosa, vestindo roupas pretas. Sem notar a verdadeira identidade do assassino, o jornalista acaba se complicando com a polícia, e resolve agir sozinho, a fim de descobrir o que realmente aconteceu naquela noite. O que ele não esperava, é que o seu envolvimento resultaria no fato de se tornar uma das próximas vítimas daquela figura nefasta. Dirigido de forma agradável e confiante pelo estreante Dario Argento, "O Pássaro das Plumas de Cristal" faz jus a sua influência dentro do mundo da sétima arte, e representa o primeiro filme da Trilogia Animal do italiano, que futuramente receberia duas outras partes: "O Gato de Nove-Caudas" e "Quatro Moscas no Veludo Cinza".

Com um bom roteiro em mãos, e sabendo trabalhar com consciência em certos aspectos cinematográficos, Dario Argento demonstra muita qualidade na direção, mesmo sendo a sua estreia no cinema. Seus enquadramentos e a miraculosa fotografia de Vittorio Storaro, dando destaque para as cores contrastantes e a iluminação, que sempre são protagonistas em suas obras, e que dão maior deleite ao âmbito do filme, já serviam como prelúdio da sua brilhante filmografia. Para acompanhar esse belo banquete visual, temos o estupendo trabalho de Ennio Morricone com a lúgubre trilha sonora, que acompanha o desenvolvimento do conflito, até o inesperado desfecho. O mesmo representa outro ponto forte de suas produções, que resultaram até em intitulações como: Hitchcock italiano.

Seu trabalho com afinco em cima dos personagens, por mais que algumas atuações ainda não sejam tão agradáveis, é um dos fatores que justificam essas comparações. Todo personagem é primordial para o bom andamento, e não estão lá apenas para cumprir roteiro. A tentativa de driblar o convencional, que é muito bem realizada nessa produção, exerce um peso extremamente significativo na qualidade do produto final, e por conseguinte, no que foi estipulado anteriormente. É imprevisível, é bem trabalhado, é belo, é Argento. Acompanhar o seu trabalho desde o primeiro filme, é algo indispensável para compreender a sua singularidade.

Mesmo não sendo perfeito na sua primeira viagem, Dario Argento já indicava o que estava por vir. Dono de uma estética que cresceu muito com o passar dos anos, o diretor nos presenteia com um giallo clássico. Assassinatos, perseguições e um ponto de interrogação que só vai ser solucionado nos últimos minutos. Essa é a fórmula do italiano, entretanto, em "O Pássaro das Plumas de Cristal", todas as doses estão moderadas. Um bom início que agradou boa parte do público. Mal sabíamos o que estava por vir. Bela surpresa.

por Luccas Cigoli Frangella em Cineplayers

Versão Dublada em Inglês

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520. ZABRISKIE POINT (1970)

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Retrato da contracultura norte-americana nos anos 60 e 70 visto pela perspectiva de dois jovens: a garota Daria, estudante de antropologia e secretária de um empresário que está construindo um condomínio no deserto de Los Angeles; e Mark, rapaz que largou os estudos e está sendo procurado pela polícia sob suspeita de ter assassinado um policial durante um protesto estudantil.

Crítica
A contracultura norte-americana das décadas de 60 e 70 foi representada no cinema com diversos filmes clássicos que praticamente funcionam como um registro documental daquele período histórico. No entanto, foi um poeta italiano que deu a visão mais pessoal e até, de certo ponto, bem mais radical daquela América efervescente. Seu nome: Michelangelo Antonioni, com o escape psicodélico de Zabriskie Point (1970).

Um escape que é protagonizado por dois personagens centrais, de “planetas” completamente diferentes, mas com a mesma agonia. Mark; um jovem que se intitula Karl Marx e Daria; uma moça a serviço do mundo capitalista. Eles partem de lugares distintos e se encontram em Zabriskie Point, o Vale da Morte. Lá, é fácil perceber que são faces da mesma moeda, dois fugitivos de um Estados Unidos completamente caótico, repressivo e consumista; sufocante tanto no protesto, quanto nos concretos.

E para representar este Estados Unidos sufocante, Antonioni se dá ao luxo de abdicar de seu próprio cinema. O início de Zabriskie Point dá um susto em quem está acostumado com o estilo introspectivo e denso do poeta italiano. Tudo acontece ao mesmo tempo; um encontro de jovens ativistas políticos que falam simultaneamente, manifestações na rua e brigas com a polícia, sempre com a presença da publicidade agressiva. Durante as primeiras seqüências, há painéis, out-doors, cartazes, jingles e comerciais de T.V por todos os cantos. É inevitável; até o espectador deseja fugir deste filme.

Outro toque de mestre é a impessoalidade dos personagens principais. São Daria e Mark que estão de saco cheio daquilo tudo, mas poderia ser qualquer pessoa. Alguns aspectos reforçam isso. O passado deles não é explorado, são praticamente dois anônimos. Antonioni não usou nenhum ator profissional (Mark e Daria eram realmente seus nomes), o que demonstra a intenção de não fazer um “filme de herói”, algo freqüentemente usado na representação cinematográfica da contracultura norte-americana. No entanto, é a primeira seqüência, ainda nos créditos, que deixa clara a idéia do italiano. Ao som espacial do Pink Floyd, vários rostos surgem, levemente desfocados, apresentando olhares assustados. Todos são Daria e Mark.

Daria e Mark se encontram no Vale da Morte e lá têm a reação mais comum à qualquer tipo de opressão: o sexo. Em uma das cenas mais bonitas da filmografia de Antonioni, os corpos dos dois, repletos de areia, acabam se multiplicando em vários casais transando no deserto. Com isso, mais uma vez aparece a idéia impessoal do filme; todos estão ali. A guitarra viajante de Jerry Garcia esquenta a seqüência. Além de sexo, a outra reação mais comum à opressão é a violência, e ela aparece no final do filme, com todo aquele Estados Unidos caótico voando pelos ares. Cinema psicodélico é isso aí!

Reforçando a psicodelia, a trilha sonora é fundamental. O Pink Floyd gravou diversos temas e Jerry Garcia & Grateful Dead, Kaleidoscope, Rolling Stones e Youngbloods também apareceram. O final explosivo é agraciado com a fantástica "Careful With That Axe, Eugene" de Roger Waters e cia. A trilha acabou mais conhecida do que o filme.

Zabriskie Point foi um fracasso. Entusiasmada com o sucesso de Blow Up - a visão do poeta para a contracultura inglesa - a MGM investiu sete milhões de dólares e só arrecadou 900 mil. A receita das bilheterias foi escandalosamente menor que a do filme anterior. A maioria dos críticos de cinema também não gostou do filme, destacando apenas a sua beleza visual. Certamente, o filme não chega aos pés do deleite mod-psicodélico de Blow Up, ou das primeiras obras-primas como A Aventura, mas é um momento que não pode passar em branco na filmografia do italiano. Zabriskie Point engana falar de política mas traz na sua essência o grito da busca eterna pela liberdade. A poesia que só Antonioni poderia desencavar naquela loucura norte-americana.

por Leonardo Bomfim em freakium.com

Curiosidades
-Têm como atores principais Mark Frechette e Daria Halprin, ambos sem experiência artística anterior. O cenário foi escrito por Antonioni, pelo amigo cineasta Franco Rossetti, pelo escritor de peças teatrais Sam Shepard, Tonino Guerra e Clare Peploe, esposa de Bernardo Bertolucci. O filme foi o segundo de uma série de três filmes em inglês de Antonioni, segundo um contrato com o produtor Carlo Ponti para ser distribuído pela MGM. Os outros dois filmes foram Blowup (1966) e The Passenger (1975).

-Zabriskie Point foi alvo de censura, mas nenhuma maior que a interna. Muitas cenas foram cortadas pelo estúdio, e inclusive a conclusão da fita foi modificada. Originalmente, o filme se encerraria com a tomada de um avião escrevendo com fumaça no céu a frase "Fuck you, America" (não é preciso traduzir). Por aconselhamento da produção, alterou-se o final para uma cena de um belo pôr-do-sol.

Informações retirada do Post do usuário deadmeadow do MKO

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519. GIMME SHELTER (1970)

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Realizado por Albert Maysles, David Maysles e Charlotte Zwerin, este é por muitos considerado um dos melhores filmes sobre Rock & Roll de todos os tempos e um marco importantíssimo do cinema-verdade. O filme mostra o mítico concerto dos Rolling Stones em Altamont, que pretendia ser um dos símbolos máximos da geração "make love, not war" e acabou sendo o palco de inúmeros distúrbios que terminaram na morte de um espectador.

Crítica
Minutos antes de começarem seu show no autódromo de Altamont, a alguns quilômetros de San Francisco, os Rolling Stones foram anunciados pela primeira vez como ''a maior banda de rock do mundo''. Naquela data, 6 de dezembro de 1969, o título já fazia sentido: sua turnê americana havia sido um sucesso estrondoso e estava prestes a se encerrar com uma apresentação gratuita para centenas de milhares de fãs. Nada parecia ser capaz de detê-los.

Minutos depois de começarem seu show no autódromo de Altamont, os Rolling Stones pararam de tocar, totalmente desorientados, ao ficarem sabendo que um homem tinha sido esfaqueado em frente ao palco. O homem, um jovem de 18 anos chamado Meredith Hunter, morreu no local, e seu algoz foi um membro da gangue de motociclistas Hell's Angels, que havia sido contratada para fazer a segurança do show.

O episódio, que entrou para a mitologia do rock e representou o primeiro prego no caixão da cultura ''flower power'', é o tema central do documentário ''Gimme Shelter'', de 1970, que ganhou versão restaurada e remasterizada em DVD e BlueRay. A edição traz alguns extras curiosos, como bastidores de shows, imagens da banda em estúdio e a famosa transmissão da rádio KSAN-FM do dia seguinte à tragédia, na qual um Hell Angel explica que a gangue foi contratada em troca de cerveja de graça, fazendo a ideia de ter motoqueiros brigões como seguranças parecer ainda pior do que já era.

Mas é mesmo o filme que faz valer o pacote. Nele, a rotina dos Stones em turnê e os eventos que levaram à decisão de fazer o show de Altamont são mostrados ao estilo ''direct cinema'' (primo norteamericano do cinéma vérité, que pregava o registro da realidade com a mínima intervenção possível), pelo qual os diretores Albert e David Maysles se tornaram famosos.

Não há, portanto, entrevistas e declarações para a câmera: tudo é mostrado como se fosse a visão de uma testemunha silenciosa e atenta. (Curiosamente, um então jovem George Lucas foi um dos câmeras contratados para Altamont, mas sua câmera quebrou no local e nada foi aproveitado.)

Um terceiro nome foi creditado como diretor de ''Gimme Shelter'', o da editora Charlotte Zwerin, e o mérito é compreensível. O grande trunfo do filme é sua inteligência ao mostrar as várias facetas de um episódio polêmico e cheio de ''culpáveis'' como foi Altamont. Com isso, escapou da armadilha de responsabilizar somente os Stones pela tragédia, como fez boa parte da imprensa na época ? inclusive insinuando que o fatídico show só teria sido marcado por conta do documentário, que foi parcialmente financiado pela banda.

Por sua escolha estética de utilizar apenas o que é dito espontaneamente, ''Gimme Shelter'' acaba não explicando muito bem o porquê da escolha dos Hell?s Angels como seguranças do palco. Não se tratava de um procedimento tão incomum: o Grateful Dead costumava contratá-los para seus shows na região, e os próprios Stones já haviam utilizado seus serviços em uma apresentação gratuita no Hyde Park de Londres, em julho do mesmo ano, quando tudo correu tranquilamente. Em Altamont, por várias razões, as coisas saíram do controle.

Se por um lado ''Gimme Shelter'' não culpa os Stones pela tragédia, ele se vale de um engenhoso artifício para ''confrontar'' a banda com os efeitos de sua megalomania: toda narrativa é recortada por cenas de Mick Jagger e Charlie Watts assistindo às próprias imagens captadas pelos diretores. Esse ''espelho posterior'' rende uma das melhores cenas do filme, quando Jagger vê, quadro a quadro, que o jovem Meredith Hunter, segundos antes de receber uma facada, levantou uma pistola em direção ao palco. Ao perceber diante de seus olhos uma agressão gratuita transformar-se em um ato de autodefesa razoavelmente justificável, Jagger parece tirar um enorme peso dos ombros, dá o caso por encerrado e abandona a sala, com a empáfia e decisão que cabem aos verdadeiros rockstars.

Gustavo Martins (UOL)

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

518. PERFORMANCE (1970)

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Um gangster (James Fox) jurado de morte por seus parceiros se refugia na mansão de um rockstar decadente (Mick Jagger), junto com duas garotas andróginas (Anita Pallenberg e Michelle Breton). Ele tem seus sentidos testados por um coquetel de drogas e perversão. Ao mesmo tempo, há o choque entre os mundos do gangster e do roqueiro, com suas diferenças. Tudo isso ao som dos blues furiosos de Ry Cooder e Jack Nietzche, culminando na famosíssima cena em que Mick Jagger canta "Memo From Tuner" para Fox.

Crítica
Performance é um raro filme underground bancado por um grande estúdio (a Warner), que esperava uma obra paz e amor divertida como os filmes dos Beatles, mas que depois de pronto sempre o teve na conta de uma obra maldita, com mais problemas do que compensações (dois anos engavetado, sucessivas remontagens e mutilações, censura e proibição em diversos países, classificação pornô nos Estados Unidos, etc). E também é desafiador em sua essência, na própria estrutura, pois são dois filmes dentro de um só. Mas vale ressaltar que são dois filmes muito bons mesmo. A confusão já se anuncia desde a cena de abertura, que vai intercalando o vôo de um foguete, um carro em alta velocidade e um casal transando com voracidade. Desde ai Performance anuncia que não veio para explicar, mas para confundir.

A primeira metade é um violentíssimo filme de gângster, com um deles (Chas, James Foxx) jurado de morte e tratando de se safar de seus comparsas para abandonar o mundo do crime. Uma sinopse igual a diversos outros filmes policiais, mas em Performance o buraco é bem mais embaixo. Se já não bastasse o realismo de paredes borradas de sangue, espancamentos, agressões, torturas, tiros e truculência que remetem mais a um Cães de Aluguel do que propriamente aos filmes que eram realizados naquele período, Performance abusa de cortes bruscos, flashbacks, justaposições de tempo e de espaço em detrimento de uma estrutura mais linear, fatores que contribuem para torná-lo (de acordo com muitos críticos) o melhor filme de gângster do cinema inglês.

Mas o filme é claramente dividido em duas partes, e antes de chegar à metade, ocorre uma guinada repentina na narrativa, quando Chas por vias completamente tortas se refugia na mansão de um roqueiro recluso e decadente (Mick Jagger), que busca recuperar seu talento e sucesso. A narrativa policial é definitivamente abandonada para contar a metamorfose que culmina no ponto alto do filme, com Jagger cantando “Memo from Turner” para Chas, após uma jornada regada por orgias e consumo de drogas, acompanhados das concubinas do roqueiro: Pherbe (interpretada pela modelo Anita Pallenberg), uma partner loura, gostosa e esperta, e Lucy (a francesa Michele Breton), adolescente, andrógena e calada, que mais parece um menino.

Ao mesmo tempo em que há um choque entre o estilo de vida ao qual o gângster estava habituado em contraste e confronto com o habitat em que vive o roqueiro, o primeiro fica completamente perturbado pelo comportamento lascivo do segundo. O convívio faz crescer o fascínio de Chas ao ponto de sua personalidade esvair-se, literalmente sugada pelo roqueiro. Inspirado em “Desespero”, de Vladimir Nabokov, o roteiro tem toques borgeanos confessos em torno de conceitos como crises de masculinidade e identidades que se esfarelam em um quebra-cabeça quase labiríntico. Na época do lançamento, a relação dos personagens chegou a ser comparada por alguns como uma versão masculina de Persona situada na Londres dos anos 60.

Por outro lado, Performance marcou a estréia na direção de dois profissionais que já atuavam em outras áreas no cinema: o roteirista Donald Cammell (responsável sobretudo pelas idéias de Performance) e o já consagrado como fotógrafo Nicolas Roeg (que seria decisivo no tratamento de imagens no filme). Uma rara parceria na direção que rendeu um grande fruto, a dupla dirige Performance com o entusiasmo dos que experimentam pela primeira vez sem medo de arriscar ou perder reputação. Roeg dirigiria mais alguns grandes filmes nas duas décadas seguintes, para depois desaparecer quase sem deixar vestígios. O caso de Cammell foi bem mais dramático. Demorou sete anos para lançar um segundo filme (o curioso e interessante Geração Proteus, com Julie Christie), mas não conseguiu tocar a carreira de diretor, suicidando-se já sexagenário nos anos noventa, pouco depois de seu último filme ser arrancado de suas mãos e remontado pelo produtor (o polêmico Wild Side, mais famoso pela cena de lesbianismo entre Anne Heche e Joan Chen). O ponto alto na carreira de cada um de seus diretores é mesmo Performance. É de dar nó no cérebro, merecendo ser conferido mais de uma vez, mas sempre muito, muito prazeroso de se ver e reassistir.

por Vlademir Lazo em Cineplayers

Premiações
Indicado ao BAFTA de melhor edição em 1972.

Curiosidades
-Contribui para o mito a própria história do diretor escocês Donald Cammell (1934-96), que era pintor famoso e filho de milionário falido. Ele estreou no cinema com "Performance", que é co-assinado pelo fotógrafo Nicolas Roeg, encarregado da parte técnica e que faria longa carreira. Cammell também dirigiu "Geração Proteus" (1977), ficção cientifica com Julie Christie, "O Maníaco do Olho Branco" (1987) e "Nas Garras do Crime" (1995). Matou-se com um tiro de espingarda depois que os produtores refizeram a montagem de seu último filme.
-O impacto de "Performance" no ator James Fox foi tão forte que logo depois ele largou o cinema durante oito anos para ser pregador religioso.
-Foi proibido no Brasil pela sensura da época.

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517. M*A*S*H (1970)

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Durante a Guerra da Coréia, dois competentes jovens cirurgiões, Duke e Hawkeye transformam a rotina de horror e sangue em algo divertido e irônico, através de seu modo descontraído de viver a vida - claramente para evitar os choques e traumas causados pelo que eles passam diariamente, salvando seus companheiros da morte.

Premiações
*Oscar (1971)
-Vencedor na categoria Oscar de melhor roteiro adaptado
-Indicado nas categorias : Melhor filme, Melhor diretor, Melhor atriz coadjuvante (Sally Kellerman), Melhor edição.
*Globo de Ouro (1971)
-Vencedor na categoria melhor comédia ou musical.
-Indicado nas categorias: Melhor diretor, Melhor ator em comédia ou musical (Donald Sutherland e Elliott Gould), Melhor atriz coadjuvante (Sally Kellerman), Melhor roteiro
*Festival de Cannes (1970)
-Vencedor da Palma de Ouro
*BAFTA Awards (1971)
-Venceu o UN Award (United Nation)
-Indicado nas categorias de Melhor Ator (Elliott Gould ), Melhor Direção, Melhor Filme, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora.
*Laurel Awards (1971)
-Vencedor nas categorias de melhor Ator e Melhor Atriz em Comédia, respectivamente Elliott Gould e Sally Kellerman.
-Segundo Lugar em Melhor Fotografia e Melhor Ator em Comédia Donald Sutherland

Crítica
Existem filmes que nascem sob o estigma do fracasso. Alguns correspondem, outros não. M.A.S.H., por exemplo, tinha tudo para dar errado. Baseado num romance que ninguém leu, dirigido por um diretor até então inexpressivo e com um orçamento de fazer corar o mais independente dos realizadores, este longa-metragem atípico abriu a década de 70 fundindo a cuca da crítica e do público. Virou clássico. Mais do que isso: virou seriado de tevê, cujos 250 episódios permaneceram no ar por dez anos acumulando um caminhão de prêmios.

A vitalidade de M.A.S.H. (abreviatura de Mobile Army Surgical Hospital) reflete o espírito de um tempo em que hippies queimavam cartas de convocação em praça pública, a contracultura revirava os ícones da América e a marginalidade assumia condição heróica. A história dos cirurgiões que servem num posto militar na Coréia é pretexto para uma crítica aguda ao poder, à hierarquia dos campos de guerra e às convenções religiosas e sexuais. O choque de informações se estabelece desde o início, quando soldados feridos são mostrados ao som da melosa canção "Suicide is painless" ("suicido ? indolor") e prossegue no humor negro de Donald Sutherland e Elliott Gould nas ensangüentadas mesas de operação.

Muito antes de a correção política minar os arroubos de criatividade, M.A.S.H. já fazia troça multicultural. O que dizer de um personagem, anglo-americano típico, que ao ser desbancado por um oficial negro retruca: "racista"? Ou ainda como se comportar com correção diante das constantes humilhações sofridas pela oficial boazuda maliciosamente apelidada pelo pelotão de Hot Lips (Lábios Quentes)? Pura molecagem.

Até cair nas mãos de Robert Altman, o roteiro de M.A.S.H. foi recusado por uma dúzia de diretores que sentiram cheiro de roubada. M.A.S.H. foi a oportunidade para Altman exibir sua incomparável habilidade em lidar com inúmeros personagens, conduzir tramas episódicas, refinar o humor pastelão e acima de tudo fazer de um microcosmo uma referência universal. Quem viu Assassinato em Gosford Park sabe bem do que estou falando. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro e da Palma de Ouro em Cannes, M.A.S.H. é um exemplo do cinema americano possível, capaz de driblar as convenções comerciais, afirmando-se nas entrelinhas. É bom saber que Altman, um libertário por excelência, continua sendo a referência de nove entre dez diretores independentes e que M.A.S.H. continua sendo uma resposta humorada ao horror da guerra. Aliás, de todas as guerras.

por Ricardo Cota em criticos.com.br

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VERSÃO BDRip (pq este filme merece)

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