Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

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domingo, 11 de setembro de 2011

534. OPERAÇÃO FRANÇA (1971)

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Marselha, França. Um assassino profissional, Pierre Nicoli (Marcel Bozzuffi), mata um detetive francês. Paralelamente em Nova York, Jimmy "Popeye" Doyle (Gene Hackman), um detetive da polícia, e Buddy "Cloudy" Russo (Roy Scheider), seu parceiro, investigam discretamente Salvatore "Sal" Boca (Tony Lo Bianco), um pequeno comerciante, que está tendo gastos muito acima da sua renda. Cada vez existem mais indícios que grande parte da renda de Sal é ganha ilegalmente e, no processo, é ajudado pela esposa, Angie Boca (Arlene Farber). Isto os leva a descobrir que um grande carregamento de droga está para chegar no país, assim Popeye e Buddy recebem ordens para trabalhar com os agentes federais Bill Mulderig (Bill Hickman) e Bill Klein (Sonny Grosso). Acontece que Doyle e Mulderig têm desavenças, pois uma vez os instintos de Doyle falharam, o que provocou a morte do parceiro. O cérebro da operação é Alain Charnier (Fernando Rey), que esconde 60 quilos de heroína no Lincoln Continental, um carro de luxo que pertence a Henri Devereaux (Frédéric de Pasquale), um astro de cinema que, em razão da sua fama, não deverá ser importunado quando estiver filmando em Nova York. Alain contata Sal para organizar a venda da heroína, mas Doyle vigia Sal e logo começará um jogo de gato e rato.

Premiações
*Oscar 1972 (EUA)
- Vencedor nas categorias de melhor filme, melhor diretor (William Friedkin), melhor ator (Gene Hackman), melhor montagem, melhor roteiro adaptado.
- Indicado nas categorias de melhor ator coadjuvante (Roy Scheider), melhor som, melhor fotografia.
*Globo de Ouro 1972 (EUA)
- Vencedor nas categorias de melhor filme, melhor diretor (William Friedkin), melhor ator drama (Gene Hackman).
- Indicado na categoria de melhor roteiro.
* NYFCCA 1971 (New York Film Critics Circle Awards, EUA).
- Venceu na categoria de melhor ator (Gene Hackman).
*Prêmio David di Donatello 1972 (Itália)
- Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.
* BAFTA 1973 (Reino Unido)
- Venceu nas categorias de melhor ator (Gene Hackman) e melhor edição.
- Indicado nas categorias de melhor diretor, melhor filme e melhor trilha sonora.
* Prêmio Edgar 1972 (Edgar Allan Poe Awards, EUA)
- Venceu na categoria de melhor filme.

Curiosidades
- Steve McQueen recebeu uma proposta para atuar em Operação França, mas a recusou por já ter interpretado um policial em Bullitt (1968).- Jackie Gleason esteve cotado para interpretar Jimmy "Popeye" Doyle, mas foi vetado pela 20th Century Fox devido ao fracasso comercial de Gigot (1962). - James Caan e Peter Boyle recusaram o personagem Jimmy "Popeye" Doyle.
- Segundo o diretor William Friedkin, o colunista Jimmy Breslin, de um jornal de Nova York, foi contratado para interpretar o personagem Jimmy "Popeye" Doyle. Porém, após 3 semanas de ensaios, o diretor decidiu por substituí-lo.
- Fernando Rey foi contratado por engano para atuar em Operação França. William Friedkin queria um ator que ele lembrava ter visto em A Bela da Tarde (1967), mas não lembrava o nome. O diretor de elenco disse que era Rey, que foi então contratado. Ao encontrá-lo no aeroporto é que Friedkin percebeu que não era ele o ator que tinha em mente, além de descobrir que Rey não falava francês. Friedkin chegou a pensar em demiti-lo, mas ao saber que Francisco Rabal, o ator que tinha em mente para o papel, não estava disponível e não falava inglês, decidiu por manter Rey no elenco.
- Gene Hackman e Roy Scheider fizeram patrulha com os policiais Eddie Egan e Sonny Grosso durante um mês, antes do início das filmagens, para pegar melhor o espírito de seus personagens. Posteriormente Egan e Grosso fizeram pequenas pontas como supervisores da polícia.
- Todos os extras usados na 1ª cena no bar eram na verdade oficiais de polícia.
- A sequência de perseguição foi rodada fora de ordem, durante um período de 5 semanas.
- A batida de carro que ocorre durante a sequência de perseguição não foi planejada, mas foi mantida no filme devido ao seu realismo. O homem que teve seu carro atingido tinha deixado sua casa a poucas quadras daquele local, sem saber que ali seria rodada esta cena. Posteriormente os produtores pagaram os danos causados ao carro.
- As filmagens ocorreram entre dezembro de 1970 e fevereiro de 1971.
- Foi o 2º filme de censura R a ganhar o Oscar de melhor filme. O anterior foi Perdidos na Noite (1969).
- William Friedkin, aos 36 anos, foi o mais jovem vencedor do Oscar de melhor diretor. - Seguido por Operação França 2 (1975) e Popeye Doyle (1986).
- O orçamento de Operação França foi de US$ 1,8 milhão.

Crítica
Um dos melhores policiais urbanos que Hollywood já produziu, Operação França faturou nada mais nada menos do que cinco dos oito Oscar que disputou em 1972, inclusive filme e diretor. Serviu para impulsionar também a carreira de Hackman, em uma produção difícil, que quase não saiu do papel, por nenhum estúdio acreditar no projeto – alguns, inclusive, chegaram a recusá-lo duas vezes. Isso porque não era um filme tradicional que Hollywood estava acostumada a produzir, pois o mocinho não tinha nenhum receio de ser durão, mal educado e de utilizar da grosseria – no pior sentido da palavra – para conseguir o que quisesse, a história também não era tradicional, ou seja, poderia ser um tiro pela culatra de qualquer um. No mínimo irônico, não?Mas o filme foi produzido e conquistou tudo o que já foi citado, inclusive o carinho e a identificação do público e da crítica. William Friedkin, o diretor mais jovem a ganhar um Oscar até hoje, conseguiu, graças a sua experiência em documentários, levar as telas de forma realista a história real da maior apreensão de heroína da história americana, realizada pelo durão Popeye (vivido por Hackman) e Cloudy (Roy Scheider). Seguidos pelo instinto de Popeye, a dupla contrariou a tudo e a todos na polícia para prosseguir com o caso e tudo isso é mostrado na tela, desde quando Popeye começa a desconfiar dos traficantes em uma hilária cena no bar até o desfecho psicológico dos personagens. Aliás, esse desenvolvimento é um grande trunfo do filme, já que o roteiro não prioriza somente a ação desenfreada, como nos filmes do gênero hoje em dia, e sim há um minucioso trabalho por trás dos sentimentos, pensamentos de cada um, que convidam você ainda mais a adentrar na interessante história que está sendo contada. Digamos que seja o tempero certo para o prato perfeito.Somos apresentados a uma Nova York diferente da que estamos acostumados a ver, suja, melancólica, deteriorada. Quando os atores estavam sendo preparados, a dupla de policiais real (Popeye e Cloudy em carne e osso) os levaram para dar um ‘passeio’ por esse submundo desconhecido pela grande maioria. E foi um espanto quando se soube que, a cinco quarteirões apenas de onde um dos membros da equipe morava, havia um centro pesado de injeção de drogas. Eles visitaram o lugar, viram pessoas com seringas grudadas no braço, elásticos apertando os braços, cenas que nenhuma pessoa teria o prazer de ver. Mas lógico que essa preparação funcionou, pois os atores entraram no clima e a vontade acabar com aquilo tudo poderia ser perfeitamente transposta para a tela.Hackman deslanchou como ator depois desse filme em uma interpretação convincente e que quase o selou ao personagem. Mais uma ironia do destino, já que o diretor simplesmente não o queria como seu protagonista (típico anti-herói). Inclusive chegou a brigar com ele durante a produção, por coisas simples. O estúdio citou grandes nomes para os personagens, como Paul Newman, mas o diretor achou que isso iria tirar o realismo de seu filme, o que até concordo, mas como solução chegou a cogitar usar os dois policiais reais para se auto-interpretarem na tela, o que é um pouco demais também (Friedkin tinha umas loucuras como essas, como a história do tiro que ele deu dentro do set de O Exorcista, por exemplo). A escolha de Hackman foi perfeita, pois o ator virou símbolo do filme, mesmo que não gostasse do papel no começo. Isso mesmo, ele era bonzinho demais para o seu personagem, que é racista e grosseiro a todo o tempo. Hackman, inclusive, não tinha a menor simpatia pelo Popeye real, mas com o tempo aprenderam a trabalhar juntos e todo o brilhantismo que vemos na tela funciona em uma química perfeita com Roy Scheider, o cérebro e balança para as ações da dupla.O livro de Robin Moore foi fielmente transposto para a tela, mas com um diferencial que só o filme possui: a famosa cena de perseguição do carro ao trem suspenso pelas ruas da cidade. Essa cena foi incluída no filme porque Friedkin achou que eles deveriam fazer a melhor cena de perseguição já feita, com o objetivo de superar a de Bullit. Pegaram um carro, colocaram um motorista no banco da frente e um câmera no banco de trás e saíram correndo pelas ruas de NY a 140 por hora, gravando tudo o que acontecia. Com isso, todos os acidentes vistos na cena foram reais, a batida no ônibus, no paredão, no carro que cruzou a pista... Todas imprevistos, mas mesmo assim utilizadas no filme. Ainda bem que ninguém saiu ferido. A única parte forjada de toda a perseguição é o quase atropelamento ao carrinho de bebê. Essa cena, da perseguição, tornou-se extremamente clássica e inspirou diversos outros filmes e até alguns jogos, como os da série Driver, por exemplo.O filme é também um soco no estômago de alguns conceitos, como uma das primeiras cenas de Hackman, que ele espanca um bandido vestido simplesmente de papai Noel. É um declarado foda-se ao espírito natalino, uma crítica justamente ao que os policiais deveriam estar defendendo. Há outras cenas pesadas, como o bandido comer um pedaço de pão do morto logo depois do assassinato. O filme inteiro é cheio dessas críticas minuciosas, que podem passar despercebidas pela maioria, principalmente pelo filme desprover de uma narração explicando o que está acontecendo. O filme vai pedir sua atenção para os fatos, principalmente na parte final, na genial cena do tiro.Ah, há mais uma cena de um tiro que eu gostaria de comentar, pois causou uma certa revolta por parte dos policiais reais. Em um certo momento fictício, criado para o filme, Popeye atira pelas costas em um dos bandidos. Obviamente isso revoltou os policiais reais, que acharam que a reação do público seria ruim, uma vez que poderia ser considerado uma covardia. Mas, quando na exibição teste, para cerca de 1.000 pessoas, elas comemoraram muito no momento do tiro, Friedkin provou para os dois que estava certo ao incluir a cena na versão final do filme (ainda mais com toda a personalidade apresentada no filme dos protagonistas).Pela coragem, Operação França conseguiu uma proeza (mesmo que eu não ache justo) de bater ninguém menos que Laranja Mecânica no Oscar daquele ano. É um excelente filme, com ação na medida certa, recheado de cenas clássicas que você já viu plagiadas em algum canto com certeza. É uma obra prima da ação policial urbana. Pede a sua atenção, não subestimando ninguém com uma narração mastigada que tiraria o gostinho de interpretação de diversas cenas. Hoje em dia Popeye já não está entre nós, vítima de um câncer em 1995, mas Cloudy dá diversas entrevistas para o DVD (duas horas de extras na edição dupla, imperdível) e é, inclusive, produtor de um dos documentários. Uma pena que Friedkin, esse figurão, só tenha acertado a mão duas vezes, uma com Operação França e outra com O Exorcista, pois esse seu jeito bem louco de fazer cinema virou um marco. Olha que ele jura de pés junto que nunca teve saco para ler o livro. É um filmaço que não deve ser deixado de lado.
Por Rodrigo Cunha

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sábado, 9 de julho de 2011

515. ORELHA (1970)

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Ludvik é um funcionário sênior na burocracia do partido Comunista que governa Praga. Ana é sua esposa alcoólatra, filha de um proprietário de um bar em uma província. O casal tem um filho jovem e mora em uma casa confortável, numa bela vizinhança. Regressando para casa após uma cerimônia política comum, Ludvik e Anna encontram o portão aberto e notam que as chaves extras da casa desapareceram. Aos poucos vão percebendo que estão sendo vigiados pelas autoridades comunistas e são levados ao limite da sanidade enquanto temem o partido do qual eles mesmos fazem parte e discutem sobre a vida de casados.

Curiosidade
A circulação do filme foi retida pelo governo comunista da época. Não sendo lançado até 1989, na época da primeira eleição democrática em 40 anos na Tchecoslováquia.

Premiações
Indicado ao Palma de Ouro em 1990.

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domingo, 19 de setembro de 2010

430. ONIBABA - A MULHER DEMÔNIO (1964)

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Um dos títulos de Shindo que ganhou alguma popularidade no Ocidente, «Onibaba» baseia-se num conto budista, mas o realizador extrapola largamente para lá do intuito da moralidade original, desenvolvendo uma história sobre sobrevivência em condições extremas e desejo sexual.
Durante um longo período de guerras, com apoiantes de dois imperadores a degladiarem-se pelo poder supremo no Japão, duas mulheres, sogra e nora, vivem numa cabana, no meio de um canavial. A escassez de alimentos força-as a tornarem-se numa espécie de abutres humanos: acabam com a miséria de samurais moribundos, para posteriormente trocarem as suas armaduras e espadas por arroz e outros bens essenciais. Certo dia, um vizinho regressa e os hormonios da mais nova entram em erupção. A sogra receia pelo fim da sociedade e tenta impedir os encontros noturnos.
«Onibaba» encerra uma dimensão simbólica — socialismo, luta de classes, etc... — mas é apreciado primordialmente pelos sentidos, pela sua forte estética (excelente composição scope a preto e branco) e pela exultação dos instintos básicos do ser humano: sobrevivência primeiro, sexo depois.

Crítica
Shindo Kaneto é autor de uma extensa obra que se iniciou ainda nos anos 50 e se prolongou até esta década. Os seus títulos mais conhecidos — no Ocidente, pelo menos — continuam a ser de há quatro décadas ou mais. Aí se inclui «Kuroneko» (1968) e este.

«Onibaba» tem como ponto de partida um texto budista com uma moral bem definida. Ainda que mantendo os elementos essenciais desse conto, canalizados no clímax da narrativa, Shindo não faz assentar o filme na moral religiosa — as suas preocupações são terrenas.
A premissa do filme indica um dos temas: a sobrevivência em condições extremas. Quando conhecemos as personagens centrais podemos ficar chocados, porquanto mesmo antes de lhes vislumbrarmos os rostos sabemos que são assassinas impiedosas. Mas o desenvolvimento da narrativa, à luz do contexto histórico, dilui o rótulo (“assassinas”). Pomos de parte os juízos que o filme não pretende fazer.
Com a chegada da personagem de Sato Kei, o desejo sexual assume-se como conceito essencial subjacente ao filme. As ervas altas (“suzuki”) preenchem o enquadramento, ondulando, sem parar, de um lado para o outro, agregando uma simbologia lata: guerra, dualidade, mas também os ímpetos carnais.
A jovem corre ao longo do campo para satisfazer desejos físicos, indiferente a condições atmosféricas e, mais no final do filme, resistindo a outras ameaças. Tal como Shindo nunca reveste com um contorno moral o acto de matar (é um modo de viver), também não se sugerem sentimentos de qualquer espécie entre ela e Hachi (é um modo de se saciarem).
Shindo Kaneto afirmou-se socialista e o conceito de luta de classes está presente, ainda que acompanhemos quase exclusivamente pessoas no fundo da pirâmide social (se tal expressão faz sentido numa sociedade desagregada, em ruínas). O tema torna-se mais notório nos momentos em que a sogra contracena com o samurai que esconde o rosto por detrás de uma máscara, mas impregna toda a obra: a situação limiar em que os camponeses se encontram tem origem nos conflitos dos poderosos. O período histórico caracteriza-se também por uma revolta de servos contra senhores (apropriando-se de terras, por exemplo) — algo que não é explicitamente abordado, mas que Shindo deverá ter tido presente.
Sendo uma obra que sugestiona ensaios de análise política, sociológica, histórica e até psicológica, «Onibaba» não se contém na componente formal. A óptima composição scope e a fotografia a preto e branco, pontuada por uma iluminação que ressalta as ânsias e os pulsares dos corpos, aliada à música e ao design sonoro dinâmico, dominado por tambores que exacerbam sentimentos primitivos, tornam o visionamento uma refinada experiência sensorial de grande cinema.

Filme espartano, rodado num cenário minimalista — um rio, ervas altas, cabanas, uma caverna —, num mundo cruel e violento, onde a realização dos instintos primários não deixa espaço para o amor, contém, ainda assim, uma visão optimista sobre a capacidade de sobrevivência da humanidade.

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segunda-feira, 26 de julho de 2010

400. FELLINI 8½ (1963)

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Prestes a rodar sua próxima obra, o cineasta Guido Anselmi (Marcello Mastroianni) ainda não tem idéia de como será o filme. Mergulhado em uma crise existencial e pressionado pelo produtor, pela mulher, pela amante e pelos amigos, ele se interna em uma estação de águas e passa a misturar o passado com o presente, ficção com realidade.

Premiações
*Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira
Oscar de Melhor Figurino
*Prêmios Bodil - Copenhague, Dinamarca
Bodil de Melhor Filme Europeu (Federico Fellini)
*Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália
Prêmio Fita de Prata de Melhor Diretor de Filme Italiano (Federico Fellini)
Prêmio Fita de Prata de Melhor Roteiro
Prêmio Fita de Prata de Melhor Trilha Sonora (Nino Rota)
Prêmio Fita de Prata de Melhor Produção
Prêmio Fita de Prata de Melhor Estória Original
Prêmio Fita de Prata de Melhor Fotografia
Prêmio Fita de Prata de Melhor Atriz Coadjuvante (Sandra Milo)
*Festival Internacional de Cinema de Moscou, Rússia
Grand Prix (Federico Fellini)
*Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA
Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro

Indicações
*Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Direção (Federico Fellini)
Oscar de Melhor Roteiro Original
Oscar de Melhor Direção de Arte
*Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Filme

Curiosidades
- O título Oito e Meio é uma referência à carreira do próprio Federico Fellini, que até então já havia dirigido 6 longa-metragens, 2 episódios de filme e havia co-dirigido um longa-metragem.
- Fellini certa vez declarou que escolhera o título Oito e Meio logo no início de sua produção e, como não pensou em um nome melhor posteriormente, terminou por mantê-lo.
- Fellini chegou a cogitar a possibilidade de escalar Laurence Olivier como o protagonista de Oito e Meio.

Crítica
Fellini oito e meio (1963) é um dos marcos diferenciais na carreira do grande cineasta italiano; se em A doce vida (1960) o realizador articulava palavras e símbolos num estilo exasperado mas realista, em Oito e meio tudo é fantástico, imaginoso, desde a forma como se aglomeram as seqüências (um barroco documentário da memória) até o conteúdo interno das imagens, uma intensa mistura de faces curiosas, interessantes, uma fauna que encontraria seu ponto talvez mais desequilibrado no filme seguinte de Fellini, o alucinado Julieta dos espíritos. A doce vida é um arrojo de roteiro e linguagem; Oito e meio é uma ousadia formal, um ponto em que Fellini começou a libertar-se do envolvimento dramático mais tradicional, construindo obras libertinas em sua estrutura até chegar ao vão documental e sóbrio de Amarcord (1973).

Diferentemente de Amarcord, outra escavação da memória do mais autobiográfico diretor de cinema, Oito e meio apela inteiramente para a fantasia, não se preocupando com juntar o real ao mágico sem mutilar o filme (algo que ocorreria em Amarcord). Oito e meio é magia pura, um exercício de arte onde novamente encontramos as obsessões de Federico Fellini e novamente topamos com sua surpreendente capacidade de renovação.

Realização extremamente coletiva, como costumam ser os trabalhos do cineasta a partir dos anos 60, Oito e meio faz desfilar diante das câmaras inquietas de Fellini uma série de personagens estranhas e situações insólitas que acabam por transformar o protagonista Guido Anselmi e seus dilemas pessoais num débil ponto de união entre os fragmentos da história. Assim voltaria a ocorrer em Julieta dos espíritos com a burguesa Julieta, em Amarcord com o moço Titã, em Casanova de Fellini com o amante insuperável; e tal não ocorreria bem assim com o jornalista Marcelo em A doce vida, pois a sociedade aí seria um “anagrama” explicativo dos conflitos psicológicos da personagem.

Basicamente, Federico Fellini conta em Oito e meio a história do cineasta Guido Anselmi, inquieto diante da perspectiva dum novo filme sem assunto e atravessando uma profunda crise de saúde que o leva a um sanatório onde o realizador investiga longamente com os recursos de sua poesia cinematográfica a fauna humana que o diverte e intriga. Segundo o romancista brasileiro Ignácio de Loyola Brandão, Oito e meio é seu filme, aquele universo cinematográfico em que ele gostaria de ter nascido, crescido, vivido, dali nunca ter saído. A obra-prima de Fellini merece tais alturas, pois trata-se de um dos mais inovadores filmes da história do cinema.

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Otto.e.mezzo.(aka.Eight.and.a.Half).(1963).DVDRip.DivX3LM.avi

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terça-feira, 1 de junho de 2010

352. ONDE COMEÇA O INFERNO (1959)

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John Wayne é John T. Chance, xerife de uma pequena cidade do Texas que precisa enfrentar um exército de pistoleiros dispostos a libertar um rico proprietário de terras preso por assassinato. Para a missão, conta com a ajuda de um quarteto inusitado: um bêbado (Dean Martin), um velho resmungão (Walter Brennan), um jovem e inexperiente pistoleiro (Ricky Nelson) e uma bela garota (Angie Dickinson). O diretor Howard Hawks é certeiro ao centrar a trama na relação entre os cinco personagens e na tensão gerada pela expectativa do confronto. Um clássico imprescindível do western.

Curiosidades
# Além de Dean Martin, o filme conta ainda com o cantor e ídolo da juventude estadunidense da época, Ricky Nelson, que chega a fazer um dueto com Martin.
# Nathan pede a músicos de um bar que cantem a canção mexicana conhecida por "De Guella" (Degola), que teria sido ouvida no cerco do Álamo, tocada por ordem do general mexicano Santa Anna. No filme dirigido por John Wayne no ano seguinte, The Alamo (1960), a canção abre os créditos.
# O diretor Hawks faria mais dois filmes nos anos seguintes, com histórias e cenas parecidas com as de Rio Bravo. O primeiro, El Dorado (1967), conta a história de um pistoleiro veterano e de um jovem que prefere usar facas, que ajudam um xerife bêbado. No segundo, Rio Lobo (1970), ex-soldados da União e ex-confederados se encontram no Texas depois da guerra, e enfrentam juntos uma quadrilha de bandoleiros.
# Rio Bravo é como os mexicanos chamam uma parte do Rio Grande

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terça-feira, 25 de maio de 2010

345. ORFEU NEGRO (1959)

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Primeira versão cinematográfica da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, Orfeu Negro transpõe o mito grego de Orfeu e Eurídice, uma trágica e bela história de amor, para os morros do Rio de Janeiro, durante o carnaval. Consagrado no mundo inteiro, tendo recebido muitos prêmios, o filme foi também um dos marcos fundadores da bossa nova, trazendo músicas clássicas do gênero assinadas por Tom Jobim, Vinícius, Luiz Bonfá e Antonio Maria, como A Felicidade, Manhã de Carnaval e O Nosso Amor.

Premiações
- Palma de Ouro, Festival de Cannes em 1959
- Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960
- Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 1960
- Indicado ao BAFTA, na categoria de Melhor Filme em 1961

Crítica
Orfeu Negro, lançado por aqui como Orfeu do Carnaval, já que se passa durante a festa, foi adorado mesmo por críticos renomados europeus. Saiu vencedor da Palma de Ouro, no Festival de Cannes, depois de assegurar o Oscar de filme estrangeiro. Só para comparar: na mostra francesa, Camus derrotou Truffaut (que estreava com Os Incompreendidos) e Buñuel (Nazarín). Não é difícil imaginar a razão. Mal os créditos iniciais surgem na tela e já irrompe uma escola de samba a ensaiar no morro — e assim será em grande parte da obra, com sambistas e mulatas na conhecida animação carnavalesca. Nada contra a imagem que costuma celebrar o Rio mais eloqüente.

É convincente, inclusive, para justificar o protagonista também músico e enraizado naquela cultura. Orfeu (Breno Mello, um ex-jogador ruim em campo e no filme) é a representação do conquistador malandro e querido por todos. Também tem o violão mais afinado do morro. Dele saem os trunfos do filme, canções de Tom Jobim e Carlos Lyra, como Manhã de Carnaval e A Felicidade. Impossível esperar mais de um Brasil para exportação. E foi nesse formato que o filme nasceu. A crítica da época explica que a idéia foi do produtor Sacha Gordine. Este sabia do amor de Marcel, o irmão de Albert Camus, pelo Rio de Janeiro e lhe entregou o projeto. O diretor subiu o morro sem pestanejar, inclusive destacando sua mulher, a americana Marpessa Dawn para o papel de Eurídice.

Ela literalmente some com as ótimas interpretações de Lourdes de Oliveira, como Mira, a namorada ciumenta de Orfeu, e Léa Garcia, a fogosa prima de Eurídice. São verdadeiras cabrochas. Por mais dedicadas, não conseguiram escapar da pasteurização. O mundo teria que ver gente feliz, bonita e orgulhosa de seu universo. Há indicações de que Camus se arrependeu não só deste, mas de muitos equívocos, mesmo tendo colhido sucesso pelo mundo. Ao tecer seu comentário demolidor na Cahiers du Cinéma, Jean-Luc Godard lembrou que conhecia o Rio de Janeiro e apontou, com detalhes, todos os erros e absurdos de roteiro e continuidade. Chegou a embirrar com a chegada de Eurídice na barca de Niterói e não no charmoso aeroporto Santos Dumont, onde a vista era fantástica.

Cacá Diegues lembraria da sugestão ao filmar o seu mito. Camus alegou que só depois das filmagens conheceu bem a cidade. Os deslizes transparecem nos movimentos da protagonista até chegar à favela; nos diálogos muitas vezes descuidados e sem sentido, nos recursos escolhidos para momentos fundamentais da trama. O mito dá conta do amor do casal acompanhado de perto pela morte (no filme é o atleta Ademar Ferreira da Silva). Quando Eurídice é vitimada, Orfeu desce aos infernos para buscá-la e o destino de ambos depende de nunca mais se olharem. Camus lança a mensagem numa das cenas mais emblemáticas — para o bem e para o mal —, quando o protagonista vai a um candomblé e ouve sua amada no corpo de uma velha. É essa sucessão de imagens clichês que aos poucos vai matando a boa intenção de servir um retrato honesto e comovente da vida brasileira. São ilusões de um estrangeiro que se esforçou em ser da terra.

Não deixa de ser tocante que se lembre de ícones como Cartola e Dona Zica numa ponta na repartição. Diegues também se deu ao luxo de encaixar — mesmo que fora de contexto — um ídolo musical, Caetano Veloso. Reveste também seu filme de exotismo e talvez não possa culpar tanto Camus pelo dele. É um das diversões do cinema. Com o tempo, alguns equívocos não se mostram mais tão marcantes.
(Fonte)

Curiosidade
- O prêmio de melhor filme estrangeiro ganho por Orfeu Negro foi dividido com outros 3 filmes: Kagi, a Ponte da Desilusão, Morangos Silvestres e Wir Wunderkinder.
- Refilmado como Orfeu (1999).

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

343. OS OLHOS SEM ROSTO (1959)

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Um famoso cirurgião, após desfigurar a filha num acidente de carro, lança-se no desenvolvimento de uma nova forma de transplante facial a partir de uma doadora viva, fato que o levava a matar suas pacientes para roubar-lhe os rostos. A técnica funcionou na sua assistente, mas o corpo da filha rejeita sucessivamente os novos rostos implantados, causando uma série infindável de crimes que logo chama a atenção da polícia, dando início às investigações.

Crítica
Este filme é uma daquelas preciosidades praticamente esquecidas que nos satisfazem imensamente quando vistas, geralmente por acaso. O filme sequer tem título em português e seu título original em francês “Les Yeux sans visage” significa literamente “Olhos Sem Face” mas foi traduzido bizonhamente como “The Horror Chamber of Dr. Faustus” ou “A Câmara de Horror do Dr. Faustus” nos EUA. Eca. O filme trata de um médico atormentado por ter causado um acidente em que sua filha fica com o rosto desfigurado e de suas tentativas, a quaisquer custo, de reconstruí-lo.

Esqueça esse terror atual com exceção, talvez, do neo-terror asiático, com suas cenas pingando sangue, suas explosões, seus assassinos e suas cenas completamente não críveis. Parece que o mundo atual está tão bagunçado que o terror deve transcender a realidade pra poder aterrorizar. “Simples” assassinatos, imoralidades e violências parecem ter se tornado comuns demais para causar efeito. “Olhos Sem Face” é uma espécie de terror fantástico, aterrorizante mesmo com poucas/nenhuma gota de sangue.

O filme inicia-se com uma mulher, que você descobre logo logo ser secretária do famosíssimo médico/pesquisador Dr. Génessier. Este simula o sumiço e morte de sua filha, Christine, de forma a poder trabalhar na reconstrução de sua face com mais calma pois em um acidente de carro no qual o Dr. Génessier dirigia sem cautela a face de sua filha foi calcinada. O método que escolhido pelo médio é fazer transplantes das faces de outras garotas, de mesmo porte e aparência de Christine a qual, enquanto isso, usa uma fantasmagórica máscara branca.

A falta de escrúpulos do talentoso e respeitado médico é chocante e a fidelidade absoluta de sua secretária provocam indagações. Até que ponto pode-se ir em busca de um “bem” maior, mesmo que inicialmente para sua filha mas logicamente estendível a todos? A utilização indiscriminada de cães como cobaias de suas técnicas também levanta várias questões.

Mas não pensem que é um filme para estômagos fracos. Cenas como a ida noturna ao cemitério com o corpo de uma garota, a visão desfocada da face de Christine sem a máscara e, principalmente, a operação de retirada completa da face de uma das garotas, com toda sua frieza e cuidados médicos, são extremamente chocantes.

Um grande filme, que não merece permanecer esquecido.
(postado no MKO)

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Les.Yeux.Sans.Visage.(aka.Eyes.Without.A.Face).(1960).CRiTERiON.DVDRip.XviD.avi [699.15 Mb]

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