Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

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terça-feira, 27 de julho de 2010

403. O INDOMADO (1963)

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Hud Bannon é um jovem rebelde que está sempre entrando em conflito com o pai, Homer, um velho e respeitado fazendeiro, ao mesmo tempo que tenta seduzir a empregada da casa, Alma. Seu sobrinho Lonnie - filho de um irmão mais velho, falecido tragicamente, em parte por causa da irresponsabilidade de Hud - de início simpatiza com ele, mas depressa dá-se conta de sua falta de caráter e de princípios. A perda de todo o rebanho bovino de Homer com aftosa, contaminado com gado comprado barato do México, e o avanço sexual de Hud sobre Alma, depois de uma noite de bebedeira, conduzem a história para seu drámatico final.

Premiações
*Oscar 1964 (EUA)
-Venceu nas categorias de melhor ator coadjuvante (Melvyn Douglas), melhor atriz (Patricia Neal) e melhor fotografia em preto e branco.
-Indicado também nas categorias de melhor ator (Paul Newman), melhor direção de arte, melhor diretor (Martin Ritt) e melhor roteiro adaptado.
*Globo de Ouro 1964 (EUA)
-Indicado nas nas categorias de melhor filme - drama, melhor ator - drama (Paul Newman), Melhor Diretor (Martin Ritt), melhor ator coadjuvante (Melvyn Douglas), melhor atriz coadjuvante (Patrícia Neal).
*BAFTA 1964 (Reino Unido)
-Foi vencedor na categoria de melhor atriz estrangeira (Patrícia Neal).
-Indicado nas categorias de melhor ator estrangeiro (Paul Newman) e melhor filme.
*Festival de Veneza 1963 (Itália)
-Martin Ritt recebeu o prêmio OCIC.
-Indicado ao prêmio Leão de Ouro.
*Prêmio Eddie 1964 (American Cinema Editors, EUA)
-Venceu na categoria de filme melhor editado.
*NYFCCA 1963 (New York Film Critics Circle Awards, EUA)
-Venceu nas categorias de melhor atriz (Patricia neal) e melhor roteiro.

Crítica
Baseado no livro "Horseman, Pass By", de Larry McMurtry, "O Indomado" é um ótimo e moderno filme do faroeste. Aqui, os famosos cavalos com mocinhos e bandidos são substituídos por camionetas e Cadillacs.

Realizado pelo cineasta Martin Ritt, o filme mostra a revolta de Hud contra seu pai e tudo o que ele representa. Seu magnífico roteiro procura fazer um estudo de personalidades de modo que, as ações são muito mais conseqüências dos relacionamentos entre os diversos personagens do que de eventos externos. Os valores de decência e honestidade do velho Homer são contrastados com o comportamento amoral do filho.

Martin Ritt apresenta um excelente trabalho e todos os atores brilham sob sua direção. Tendo concorrido a 7 Oscars, "O Indomado" foi agraciado com três estatuetas, duas das quais como resultado da atuação excepcional de seu elenco principal. Merece ainda grande destaque, a bela fotografia do veterano James Wong Howe.

Curiosidade
Para se preparar para o papel, Paul Newman trabalhou num rancho no Texas durante diversas semanas.

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

340. INTRIGA INTERNACIONAL (1959)

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O executivo publicitário Rogher O. Thornhill é confundido com um agente do governo por uma gangue de espiões. A partir daí, envolve-se em uma série de desventuras incríveis e passa a ser perseguido pelos Estados Unidos, tanto pelo governo quanto pelos espiões.

Premiações
-Festival Internacional de San Sebastián, Espanha
Prêmio Concha de Prata de Melhor Direção (Alfred Hitchcock)
-Indicado em 1960 ao Oscar de Melhor Direção de Arte, Melhor Edição e Melhor Roteiro Original.

Crítica
"Intriga Internacional" está entre as seis melhores realizações do grande cineasta do suspense, Alfred Hitchcock, e é sem dúvida uma de suas obras-primas.

A marca principal de "Intriga Internacional" é a forma como Hitchcock desenvolve o nível de tensão, num filme repleto de emoção e reviravoltas. O grande mestre trabalha como um verdadeiro arquiteto: cada cena, cada diálogo é muito bem estudado, antes de ter a versão final.

As cenas de ação são de tirar o fôlego como, por exemplo, nas seqüências em que Thornhill é perseguido por um avião monomotor ou na perseguição que tem efeito nas encostas do Monte Rushmore.

Como em "Janela Indiscreta", o protagonista tem uma garota que aceita incondicionalmente sua versão da história, mas, como em "Um Corpo Que Cai", ela não é exatamente o que inicialmente aparenta ser.

A trilha sonora é excelente, assim como, o trabalho de edição. No elenco, os maiores destaques ficam por conta das atuações de James Mason, Eva Marie Saint e Cary Grant.
(Fonte)

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North.By.Northwest.(1959).DVDRip.XviD.cd1-iNCiTE.avi
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339. OS INCOMPREENDIDOS (1959)

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Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) é o filho negligenciado de Gilberte Doinel (Claire Maurier), que parece ter tempo para tudo menos o bem-estar da criança. Julien Doinel (Albert Rémy) não é o pai biológico, mas cria o menino como se fosse seu filho. Gilberte está tendo um caso e não se surpreende quando, por acaso, Julien fica sabendo que Antoine não está indo à aula, pois ela sabia que na hora do colégio o filho a tinha visto com seu amante. A situação se agrava quando Antoine, para justificar sua ausência no colégio, "mata" a mãe. Quando seus pais aparecem na escola, a verdade é descoberta e Julien o esbofeteia na frente de seus colegas. Após isto ele foge de casa e arruma um lugar para dormir. Paralelamente seus pais culpam um ao outro pelo comportamento dele, após lerem a carta na qual ele se despede. No outro dia Antoine vai à escola normalmente. Lá sua mãe o encontra e se mostra preocupada por ele ter passado a noite em uma gráfica. Ela alegremente o aceita de volta, mas os problemas não acabam. Antoine se desentende com um professor, que o acusa de plagiar Balzac. Como ele odeia a escola, sai de casa de novo e para viver é obrigado a fazer pequenos roubos.

Premiações
- Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original.
- Recebeu 2 indicações ao BAFTA, nas categorias de Melhor Filme e Melhor Revelação (Jean-Pierre Léaud).
- Ganhou o Prêmio Bodil de Melhor Filme Europeu.
- Ganhou o prêmio de Melhor Diretor e o Prêmio OCIC, no Festival de Cannes.

Curiosidades
- Filme de estréia de François Truffaut como diretor.
- O título original é uma referência à expressão francesa "faire les quatre cents coups".
- As filmagens ocorreram entre 10 de novembro de 1958 e 5 de janeiro de 1959.
- O diretor François Truffaut aparece em uma pequena ponta, como um homem fumando um cigarro.

Crítica
"Os Incompreendidos" é um excelente filme e um dos marcos da "nouvelle vague" francesa. Dirigido e produzido pelo grande cineasta François Truffaut, que também co-escreveu o roteiro, o filme conta o destino de um adolescente em período de crise. Em "Os Incompreendidos", o modelo paternal não existe. Na casa de Antoine, é a mãe que toma as decisões, ficando a autoridade paterna excluída. Na casa de René, a autoridade paterna também não existe. Os adultos parecem egoístas, indiferentes, violentos, fracos e incapazes de responderem às necessidades dos jovens. Em "Os Incompreendidos", reconhece-se Truffaut no personagem de Antoine, já que ele teve também uma infância difícil ao lado da mãe e do padrasto.

Com a magnífica direção de Truffaut e, fotografado em preto e branco, o filme conta ainda com a ótima atuação de Jean-Pierre Léaud, na época com apenas 15 anos de idade.
(70 anos de Cinema)

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Les.Quatre.Cents.Coups.(aka.The.400.Blows).(1959).(+Comment.x2).CRiTERiON.B&W.DVDRip.XviD.avi

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OBS :Este release tem dois áudios comentários além do áudio original em francês, um comentário em Inglês do professor de cinema Brian Stonehill e outro em francês de um amigo de longa data de François Truffaut , Robert Lachenay.

domingo, 18 de abril de 2010

322. O INVENCÍVEL (1957)

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Segundo filme da Trilogia de Apu ( O Primeiro é A Canção da Estrada)
Após a morte do pai e de viver algum tempo em Benares, o jovem Apu, de dez anos, muda-se com a mãe para casa de um tio. Apu frequenta a escola local onde é um bom aluno, ao ponto de receber uma bolsa de estudo para ir estudar para Calcutá. Apu decide partir. A mãe fica angustiada com a sua partida e com a sua crescente independência. Ela ama muito o filho e pretende o seu sucesso, mas não quer ficar sozinha.

Crítica (Trilogia)
O que acho de mais legal no meu fascínio por filmes é que, de vez em quando, esbarro com coisas surpreendentes, seja pelo lado positivo como pelo lado negativo. Existem algumas obras cinematográficas que se mantêm intactas sobre um altar imaginário, em que críticos do mundo inteiro costumam borrifar soluções multiuso e dar leves toques de espanador, tudo com muito zelo e atenção, como se fossem bibelôs do mais fino cristal, de beleza irretocável. Há quem faça cara de desdém para tais objetos de admiração, tentando desvendar "o que tem de tão belo naquilo tudo". Isso também acontece muito comigo (aliás, acontece com todo mundo). Existem, porém, aquelas obras das quais dificilmente um ser vivo, em sã consciência, se atreveria a falar mal. Obras cuja força e impacto são de tamanha intensidade que ninguém (ou quase ninguém) conseguiria cometer a injustiça de apontar defeitos. Isso, naturalmente, ocorre mesmo na literatura, na música e em qualquer meio de expressão artística, mas, como estou focado a discutir cinema por aqui, falo de minhas descobertas “fílmicas” e só.

Já fazia alguns anos que eu estava tentando assistir à famosa saga do personagem Apu, dirigida pelo indiano Satyajit Ray. Sempre escutara elogios pra lá de rasgados acerca dos três filmes que a compõem — A Canção da Estrada, O Invencível e O Mundo de Apu —, aumentando ainda mais minha curiosidade cinéfila. "Se todo mundo diz que é bom, então deve ser mesmo", imaginava eu. As referências eram excelentes: o primeiro filme da trilogia ganhara um importante prêmio no Festival de Cannes, o segundo, o Leão de Ouro em Veneza; Satyajit Ray foi escolhido pela British Film Academy como um dos dez maiores cineastas de todos os tempos; a Trilogia Apu completou inúmeras listinhas de "melhores filmes do século 20" (ah, como adoro essas listinhas!), etc. Só poderia esperar coisa boa, não? Eu só tinha visto um único filme dele — O Salão de Música, que achei ótimo, apesar de não ter gostado nem um pouquinho das lamuriosas canções hindus (obs: é um musical) —, sendo, portanto, minha única referência de comparação. De qualquer modo, conforme minhas leituras prévias, eu poderia relaxar e esquecer todo o lance musical, pois o “Projeto Apu” era, na verdade, um drama social.

Quando finalmente pude conferir os longas, um atrás do outro, constatei o seguinte: eu tinha acabado de assistir a uma das maiores maravilhas do cinema. Era tudo verdade, os críticos estavam certos. A sensibilidade com que Satyajit radiografa seu herói, a cada fita de um modo integralmente novo, chega a ser comovente. Apu é um menino que vive num vilarejo rural onde não há absolutamente nada além de mato (nada de escolas, igrejas, hospitais, supermercados, farmácias... nadinha mesmo). Ele divide um casebre com a irmã mais velha, a mãe e a bisavó; o pai, um pregador itinerante, está sempre fora e aparece esporadicamente para visitá-los e trazer algum dinheiro. O círculo social é limitado a poucos vizinhos e parentes dali mesmo. Tudo é improvisado, a precariedade preenche cada centímetro quadrado, a magreza se transforma em inerência natural daqueles homens e mulheres. É neste desolador contexto que Satyajit centraliza o poder de sua narrativa — simples, é verdade, mas de uma eficiência exorbitante — e nos faz ter piedade dos atores da mesma forma com que os cineastas americanos operavam nos anos pós-Depressão (Luzes da Cidade, Beco Sem Saída, Vinhas da Ira) e os italianos cultivavam uma lenda no pós-Guerra (Vítimas da Tormenta, Ladrões de Bicicleta, Europa ‘51).

Nada de rodeios: A Canção da Estrada é, de longe, o mais deprimente dos três, elaborado como um documentário da Unicef, só que sem fins lucrativos. Não há momentos para ganhar fôlego, a tragédia domina a cena até o fim (a mãe permanece assolada pelas dúvidas e preocupações; o pai é idealista, mas muito azarado e distante; a filha é acusada de roubo; a bisavó, enrugada e curvada pelo reumatismo, arrasta-se pelos cantos da casa, à espera da morte, conformando-se com a decadência física e com a rejeição ou indiferença dos mais jovens). Os problemas são examinados sob o ponto de vista do pequeno Apu, mas ele é muito pequeno para entender a verdadeira essência de cada fato. Sendo assim, a fita transmite os dramas de maneira crua, sem lirismo, tal qual uma criança enxerga a face abatida da mãe sem fazer análises psicológicas, apenas vê, pede para a mãe sorrir, não ficar triste e pronto, sem a mínima noção da própria impotência perante os fatos. Apu sabe que a vida não é fácil, mas, em A Canção da Estrada, ele só conhece aquela realidade em que vive, aceitando-a sem resistência, diferentemente do pai, que é otimista e sonha com uma vida nova no meio urbano.

A partir de O Invencível, quando Apu se muda para uma cidade maior, as situações se modificam. O caráter universal sugerido pelo primeiro título da série se desmancha em parte para dar vazão a uma narrativa mais isolada. Apu, agora adolescente e órfão de pai, ganha uma bolsa de estudo em Calcutá. Na plena Índia colonial, aquela oportunidade era como ganhar na loteria. A mãe se vê diante de um conflito: por um lado, ela sonha com um futuro promissor para o filho; por outro, não quer ficar sozinha e, a princípio, pede para que Apu fique com ela e siga o ofício do pai como pregador. O rapaz, no entanto, agora ciente da realidade e das possibilidades de progresso, refuta um possível retorno ao passado miserável, preferindo aceitar a chance de estudar em Calcutá e ter uma profissão. Nesse período, faz raras visitas à mãe e, durante essas visitas, mal fala com ela. Certo dia, vai vê-la e descobre que está morta, o que o enche de arrependimento por não ter sido um filho mais presente ou carinhoso naqueles últimos anos.

Já em O Mundo de Apu, as tradições (ou superstições?) do Oriente permitem ao espectador acompanhar um inusitado diálogo do racional com o absurdo numa brincadeira do acaso. Apu, agora adulto, acompanha seu colega de faculdade a um casamento, mas o noivo em questão revela ser um doido-varrido. O casório é cancelado pelo pai da noiva, entretanto, segundo crendices locais, a moça precisa se casar na data destinada para escapar de uma maldição. Eis que o nosso herói é solicitado para se casar com a jovem, que ele jamais havia visto antes. Após refletir um pouco, aceita a missão. Leva a (inesperada) esposa para o quartinho alugado onde vive em Calcutá e, com o tempo, os dois passam a se amar. A vida dava ares de estar entrando num inédito ciclo de felicidade. Mesmo sem ganhar muito, Apu nunca esteve tão satisfeito com suas conquistas. Contudo, o roteiro de Satyajit Ray, também creditado ao escritor Bibhutibhushan Bandyopadhyay, reservava mais uma tragédia para o personagem, desta vez afunilando o alvoroço provocado pelas circunstâncias (sempre superlativas, de conseqüências devastadoras) até extrair um epílogo de resignação e perspectivas.

A biografia traçada por Satyajit percorre um caminho extenso e lento, mas sem edificações majestosas. Os personagens não têm suas vidas maquiadas ou glorificadas, não temos cinderelas nem abóboras transformadas em carruagens. A possibilidade de nos identificarmos com os fatos aqui descritos, uma vez que a temporada de vacas magras está por todos os lados, não importando em qual país ou continente estejamos, faz da trilogia um produto deprimente. A sensação de exotismo está lá a todo minuto, desde a primeira cena, mas é possível enxergar o (abundante) paralelismo com o universo ocidental de todos nós. É dessa mesma matéria-prima que os autores do neo-realismo italiano, por exemplo, moldavam seus filmes (ao contrário dos americanos, os diretores europeus se valiam de atores não-profissionais e de recursos independentes, o que também se dá na saga filmada por Satyajit). Deprimente, sim, mas com um sincero amor pelo meio com que a mensagem é transmitida. Satyajit é um artesão apaixonado pelo próprio cinema, o que se ratifica na cuidadosa escolha da equipe técnica, embora esta fosse composta, àquela época, por pessoas de pouca experiência. Notamos a incrível evolução na fotografia de Subrata Mitra a cada trabalho (dos desajeitados e tímidos ângulos de câmera em A Canção da Estrada, passamos a admirar elegantes e sofisticadas tomadas em O Mundo de Apu); a trilha de Ravi Shankar lança melodias que se ajustam com perfeição, uma a uma, ao enfoque emocional das cenas (mistério, romance, drama, desespero, etc.); a cenografia de Bansi Chandragupta é a mais fiel possível à realidade (do casebre do primeiro filme ao quartinho na pensão do último título, há sempre aquela sensação de aperto e limitação). Carregada de promessas, a conclusão nasce subitamente, como uma tempestade de verão, lavando uma fase de má sorte e trazendo a esperança de um novo começo. Fechando o zíper de ouro dessa espetacular tríade, Satyajit Ray oferece a mim (e, por conseqüência, a qualquer cinéfilo de maneira global) uma amostra do que há de mais puro e imprevisto nas (re)descobertas daquela que chamamos de sétima arte.

Resenhas e reflexões sobre grandes filmes, por Pierre Willemin.

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Postado por mfcorrea do MKO (many tks)

321. O INCRÍVEL HOMEM QUE ENCOLHEU (1957)

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A vida de um homem muda completamente quando uma bizarra nuvem de poeira atômica atravessa sobre ele, fazendo-o diminuir de tamanho progressivamente. Quanto menor ele fica, maiores são os problemas que ele deve enfrentar como batalhas contra aranhas e até o risco de ser esmagado...

Crítica (by.palanca CST)
Embora fã incondicional de filmes fantásticos já hà algum tempo, apenas em 2001 tive a oportunidade de conferir o clássico "O Incrível Homem que Encolheu" (The Incredible Shrinking Man, 1957), de Jack Arnold. Fiquei impressionado com a competência desse filme. De longe o melhor trabalho do conhecido diretor de "O Monstro da Lagoa Negra" (54), que também é Ótimo.

Escrito e roteirizado pelo mestre Richard Matheson, a partir de seu romance homônino, O Incrível Homem que Encolheu narra a dramática odisséia de Scott Carey (Grant Williams), um pacato cidadão americano que acidentalmente atravessa uma estranha nuvem radioativa durante um passeio de barco e passa a diminuir de tamanho progressivamente, diante da impossibilidade dos médicos de frearem o processo. O pesadelo se inicia. Espiralando-se de encontro ao inevitável, ele sabe que está prestes a dar um mergulho sem volta ao misterioso universo quântico. E se isso NÃO bastasse, ainda existe a certeza de que esse universo é único, inédito; e o pior - ele será engolido e deixado para trás por coisas que anteriormente dominava com indiferença.

O próprio Matheson considerava essa história mais como fantasia do que ficçãoo científica, ou antes um pesadelo de horror, pois a ciência é utilizada de forma frouxa, livre, sem fornecer campo algum para a especulação; mas com esse argumento essencialmente simples em sua estrutura, o autor cria uma avalanche de situações física e emocionalmente assustadoras, que se ancoram nos efeitos especiais magníficos de Clifford Stine para formar um dos maiores clássicos do cinema fantástico.

Pela sutiliza perversa da história e pelo modo como testemunhamos as mirabulosas aventuras do personagem diante de sua tragédia, esse filme é considerado por muitos como uma verdadeira fantasia de horror e medo. Mas aqui o terror NÃO se apresenta com monstros; funciona antes - e muito melhor - na angústia vivida pelo personagem. A verdade que ele precisa escapar de seu próprio gato; precisa derrotar uma aranha para ter domínio completo sobre seu território - o porão -, mas ele sabe (e não sabemos) que a sua luta diária, por mais árdua que seja, terá¡ sido em vão. Quando muito, ele será um vencedor temporário, indo direto ao encontro de novos níveis de perigo, ainda maiores (ou menores?).

Um dos momentos mais angustiantes é quando o desafortunado liliputiano, a ponto de ser tragado por uma inesperada inundação, concentra toda sua energia nos gritos aterrorizados que jamais vibrarão nos tímpanos de um possível salvador. Sua micro voz já NÃO pertence À esfera de nosso mundo. Se houve alguma esperança no passado, ela se desmorona nesse momento.

O mais interessante é que o filme NÃO explora clichês. Seria fácil, por exemplo, dedilhar o roteiro e colocar Scott Carey como um prisioneiro de cientistas "entusiasmados" com sua estranha doença e tendo que fugir (vide O Mundo em Perigo: "não queremos danificar o formigueiro"; ou O Monstro do Ártico: "Precisamos conservá-lo para estudo"...), ou , pior ainda, de maneira ainda mais mirabulosa que o próprio encolhimento, um modo de reverter o processo e trazer o personagem de volta À normalidade.

Seria fácil, mas o que fez a diferença foi Richard Matheson e sua visão do que seria estar verdadeiramente no limiar do desespero sem volta, ainda que o final, contornando o pessimismo completo, se apresente de maneira poética: À proporção que o universo se expande, Corey diminui; pequeno ou grande, porém, ele está dentro desse universo em expansão. A metáfora final se apresenta quando:
bom pessoal, vejam o filme!

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sábado, 9 de janeiro de 2010

282. O INTENDENTE SANSHÔ (1954)

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No final do período Heian (século XI-XII), uma mulher da aristocracia, acompanhada do filho Zushio, da filha Anju e de uma serva, viaja por uma praia de Echigo. A mulher é Tamaki, esposa de Masauji Taira, exilado por tentar defender camponeses pobres. Durante a jornada, os viajantes são enganados por mercadores de escravos. Tamaki é levada para a longíqua ilha Sado, a criada se mata e os dois irmãos são vendidos como escravos ao cruel intendente Sansho.
Passam-se dez anos. Quando chega ao campo de trabalho uma escrava vinda de Sado, os irmãos ficam sabendo que na ilha vive uma mulher que todos os dias canta uma triste canção por Zushio e Anju. Para que o irmão consiga fugir do campo, Anju atrai os guardas e sacrifica sua vida. O jovem vai a Kyoto, apela para o conselheiro do imperador e consegue provar que é filho do finado Masauji Taira.
Nomeado governador de Tango - a província onde fica o campo de trabalho do intendente Sansho - Zushio liberta todos os escravos e confisca a propriedade. Dando por encerrada sua tarefa, Zushio renuncia ao cargo de governador e parte para a ilha Sado à procura da mãe.

Premiações
O filme recebeu o Leão de Prata em 1954, dando a Mizoguchi seu terceiro prêmio consecutivo no Festival de Veneza.

Curiosidade
O filme se baseia no romance de Ogai Mori ( 1862-1922), que por sua vez se inspirou no conto popular conhecido como Anju e Zushio. Mizoguchi faz uma descrição realista do sistema feudal e da escravidão no período medieval japonês. Além de sua equipe habitual, o diretor contou com a colaboração de especialistas como Yoshikasu Fujiwara (arquitetura) e Hosei Ueno (figurinos). Elogiado pela perfeição visual, "O Intendente Sansho" é ritmado pelo canto da mãe que chama pelos filhos. Através da lenta elaboração dos elementos visuais e sonoros, o estilo de Mizoguchi conduz a um sutil despertar dos sentidos. Em sua última noite de liberdade, os irmãos vão procurar lenha para o fogo e penduram-se num galho que se quebra. Os dois caem por terra, e nesse momento ouvem a voz da mãe, que modula seus nomes em infinitas variações. Dez anos depois, no campo de Sansho, Anju é fiel ao passado mas Zushio endureceu-se com os sofrimentos da escravidão. Uma noite, sem se dar conta, os dois repetem os gestos do passado. O galho partido provoca uma vaga lembrança e novamente se ouve a voz da mãe. Real ou fantástico, o chamado tem o dom de provocar a súbita iluminação de Zushio.

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sábado, 8 de agosto de 2009

193. INTERLÚDIO (1946)

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Após seu pai alemão ser condenado como espião, uma jovem mulher (Ingrid Bergman) passa a se refugiar em bebida e homens. É assim que se aproxima de um agente do governo (Cary Grant), que pergunta se ela concorda em ser uma espiã americana no Rio de Janeiro, onde nazistas amigos do pai dela estão operando. Ela acaba se casando com um espião nazista, mas se apaixona pelo seu contato no governo americano.

Premiações
- Recebeu 2 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Claude Rains) e Melhor Roteiro Original.

Curiosidades
- A história original na qual Interlúdio foi baseado originalmente pertencia ao produtor David O. Selznick, que pretendia levá-la ao cinema. Entretanto, Selznick resolveu por vender os direitos da história à Vanguard Film Productions para poder finalizar outro filme, Duelo ao Sol, que já havia estourado seu orçamento previsto e estava com as filmagens atrasadas.
- Originalmente o produtor David O. Selznick pretendia que a atriz Vivien Leigh interpretasse a personagem Alicia em Interlúdio.
- Este é o 2º de 3 filmes em que o diretor Alfred Hitchcock e a atriz Ingrid Bergman trabalharam juntos. Os demais foram Quando Fala o Coração (1945) e Sob o Signo de Capricórnio (1949).
- A tradicional aparição do diretor Alfred Hitchcock surge com aproximadamente uma hora de filme, em meio à festa realizada na mansão de Alexander Sebastian.
- Foi refilmado para a TV americana em 1992, tendo recebido o título Interlúdio.

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

97. IRENE A TEIMOSA (1936)



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Homem mora debaixo de uma ponte por conta da crise econômica e é convidado por uma socialite para trabalhar como seu mordomo. Chegando lá, descobre uma família amalucada - a mãe vive em outro mundo; o pai só quer saber de negócios; uma das irmãs quer vê-lo despedido; e a outra apaixona-se por ele.

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My.Man.Godfrey.(1936).FS.CRiTERiON.DVDRip.XviD.avi

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terça-feira, 26 de maio de 2009

81. IT'S A GIFT (1934)



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Harold Bisonette não consegue ter tranquilidade. Ele tem problemas na sua loja e em casa é perseguido pela sua ansiosa esposa, Amélia. Para ter um pouco de paz, ele decide comparar uma fazenda por correspondência. Mas ao chegar na sua nova propriedade, descobre que comprou gato por lebre.

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Its.a.Gift.(1934).DVDRip.XviD.avi

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