Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

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sábado, 10 de setembro de 2011

532. SALMO VERMELHO (1971)

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Salmo Vermelho, como a maior parte dos filmes de Jancsó da época, baseia-se em eventos da história húngara. Aqui trata-se de uma revolta de camponeses em 1890. Na história, um grupo de camponeses demanda do proprietário das terras em que vivem alguns direitos básicos, e todos os poderes e seus representantes - o conde proprietário das terras, o clero e o exército - tentam dissuadir os revoltosos, mas as tentativas resultam infrutíferas. Em seu ápice, a revolta assume a forma de uma celebração: os camponeses cantam e dançam em torno de uma árvore, símbolo da chegada da primavera e da fertilidade, e novas canções adquirem vida: os salmos vermelhos.

Crítica

Dois Cinemas na Hungria

Há imagens no mundo que não são de se acreditar. De verdade mesmo. E no cinema também, principalmente porque existem imagens como as que vi dias atrás, em dois filmes que, sinceramente, não se encontram palavras (e estas mesmas são nulas, assim como são inúteis quando tentam expressar sentimentos) para que se consiga acreditar ou não acreditar na natureza impressa por aquelas epifanias em movimento, de uma poesia absurda, dentro da concepção dos sentidos no ser.
Falo num filme chamado Condenação / Kárhozat, 1988, do diretor húngaro Bela Tarr, e em outro, chamado O Salmo Vermelho / Még Kér a Nép, 1972, do também húngaro Miklos Jancsó. Estes dois filmes possuem uma direção de câmera simplesmente fascinante, seguindo parâmetros puramente poéticos, que constroem, "desenhando" com as imagens, o espaço da ação, da clareza, da coesão que emana do próprio cenário que, em nenhum momento, parece ser um cenário feito para ser fotografado pela câmera.
Andrei Tarkovsky dizia que a montagem no cinema deveria obedecer uma cadeia lógica de combinações dos ritmos presentes nas diferentes imagens captadas pela câmera, dando, assim, uma unidade e fluidez ao filme, dotando-lhe um espírito e uma vida, como se fosse uma pessoa a se mover e respirar. Bela Tarr, em Condenação, radicalizou essa máxima do cineasta russo, praticamente conseguindo construir um filme todo em cima de um único ritmo: o da chuva. A chuva como objeto cênico, indissociável à imagem, uma banda sonora que não está ali apenas para um efeito estético. A chuva, a umidade(outra influência de Tarkovsky em Tarr), estão presentes no roteiro como alusões ao passado, à lentidão em esquecer, e da dor aguda de sempre lembrar do que se sente. Mas a chuva é também opressão dentro das imagens, donas de uma leveza inacreditável e de uma profundidade excepcionalmente objetiva, mas que, não curiosamente, não cessa em si.
O olhar de Tarr é lento, mas sem peso o que reforça essa objetividade que não produz imagens simples, mas que conseguem passar, pela insistência física num único plano, sem dificuldades, a significação que certos objetos têm em cena. A composição aqui é levada a um grau elevado de importância no âmbito da representação na imagem. Sim, pois como interpretar aquele enquadramento inicial, quando a câmera move-se lentamente de fora para dentro do cenário, focalizando, sem cortes, um homem de costas enquanto elementos da imagem focada no enquadramento primeiro, mesclam-se dando origem a uma imagem híbrida que evoca e alerta para uma atenção especial ao som, no decorrer do filme?
Aliás, é o som da chuva - assim como o tempo dela - que é precioso nessa poesia imagética: o tempo: numa cena, há um travelling tratando a chuva quase como fumaça dispersa, ligeira, e a câmera movendo-se para a direta, encontrando um homem, o protagonista, que parece esperar o simples posionamento final do enquadramento para ir em direção às gotas d´água, feitas penumbra, ilusão. Noutro momento, outro travelling: uma parede tem sua representação na imagem, enquanto a chuva, novamente chega e vai tomando, quase aos poucos, a sua totalidade; quando esta parede está com sua superfície imersa em água, a câmera desloca-se novamente para a direita, nesse movimento tranquilo, rítmico, passando por objetos e pessoas que parecem deslumbrarem-se com a chuva, de rostos normais, meio enfadonhos... e esta câmera continua seu percurso, entendendo a umidade da cena, o peso contrastante da chuva, até se deter numa outra parede, no outro extremo espacial da imagem, do cenário. Essa parede permanece seca, e Tarr possibilida a prática do ensinamento de Tarkovsky, sem um único corte: a água chega, deslizando de cima para baixo, nessa parede. É o tempo da chuva impresso no cinema. Mas não só esse tempo. O tempo do ser, do mover, do compreender e do sentir-se vivo. É o tempo do ser humano tal como ele deveria captar e entender.

O tempo diegético da imagem enquanto reprodutora de uma realidade que se cria sob o olhar da câmera, parece ser uma fixação explícita em O Salmo Vermelho, de Jancsó. Partindo de uma situação tensa e triste, o filme começa a traçar paralelos com a música, em seu ritmo também contínuo, impassível e liso. O uso da música é um toque na personalidade dos camponeses socialistas que protagonizam o filme: ela os firma ainda mais no seu chão, na sua terra, nas idéias, criando momentos de interlúdios musicais não deslocados e ditados pela ação. A ação pede determinada canção, que executada dentro da própria composição(e não acima dela), estreita os laços entre os personagens(que, vale ressaltar, são conhecidos pelos seus rostos, apenas) e caracterizam seu pensar.
A construção de movimentos de câmera obedece uma composição que jamais está estática: são blocos de imagens sem cortes, com as lentes voltando-se desproporcionalmente dentro do espaço real, compondo-o como ele é, reproduzindo-o aos olhos, alcançando os personagens conforme eles invadem o quadro e os acompanhando em seguida, até um outro personagem surgir e tomar para si a atenção do olho da câmera, que vai registrar os seus gestos e olhares, sempre num misto de plano incerto, meio médio. Esta estrutura faz-nos remeter novamente a Tarkovsky, quanto à montagem, que não deve ter dado muito trabalho a Janscó, já que as imagens capturadas possuem um mesmo e obssessivo ritmo.
O tempo da forma pela qual é retratado em O Salmo Vermelho difere-se enormemente do retratado em Condenação: em Jancsó, o tempo é construído na câmera, nos movimentos que ressaltam aquele certo aspecto de sonho e fábula meio que sonhada por um camponês socialista do próprio filme, dada a interpretação "distante" dos seus atores, e é determinado pela movimentações de seres e de objetos; ao passo de que o tempo, em Bela Tarr, desenvolve-se no nível das suas imagens por meio da montagem (sim, pois o filme de Tarr, apesar da edificação de um espaço real, não é e nem trata-se de apenas um espaço como em Jancsó, mas de vários numa mesma cidade), que "encaixa" precisamente os fluxos de tempos semelhantes em imagens de mesma natureza, mas de diferentes composições.
São reflexões de imagens inesquecíveis e inacreditáveis, com seus andamentos espirituais, finos, lisos e calmos, flutuantes apesar das pesadas chuvas que caem num preto e branco de poesia, e da perseguição e morte de camponeses socialistas. Dois cinemas para se ver e conhecer.

por Ranieri Brandão do MKO

Premiações
- Indicado ao Palma de ouro em 1972
- Melhor Diretor no Festival de Cinema de Cannes em 1972

(Postado por mfcorrea do MKO)

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Link ed2K
Meg.Ker.A.Nep.(aka.Red.Psalm).(1972).DVDRip.XviD-by.crasus.avi

Legenda
Meg.Ker.A.Nep.(aka.Red.Psalm).(1972).DVDRip.XviD-by.crasus.ptbr.eng.fra.srt
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

471. CSILLAGOSOK, KATONÁK (VERMELHOS E BRANCOS) (1967)

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Considerado por alguns, como propaganda comunista, o filme é na verdade uma evocação minimalista da falta de sentido da guerra. A história segue o exército vermelho e o exército branco que se enfrentam em meio a revolução russa, liderada por Lênin, transformando o país em uma guerra civil pela formação da União Soviética. O filme mostra os detalhes dessa guerra. Considerado um dos mais fortes e contundentes filmes de guerra já realizados, esta obra-prima é quase desconhecida no Brasil e consagrou o importante cineasta húngaro Miklos Janksó.

Curiosidade
Maior nome do cinema húngaro, Jancsó foi revelado internacionalmente no Festival de Cannes de 1965, com o drama político Os Não Reconciliados. Famoso por construir seus filmes com longos e elaboradíssimos planos-seqüência, Jancsó é uma referência obrigatória para cinéfilos e estudantes de cinema no mundo.

Nascido em 1921 e ainda hoje em atividade, Jancsó dirigiu vários filmes hoje considerados clássicos, como Vermelhos e Brancos (1966), o cartaz do Raros Silêncio e Grito, Salmo Vermelho (1973) e Vícios Privados, Virtudes Públicas (1976).

Premiação
Vencedor do Sindicato de Críticos Franceses de Cinema

Crítica
Esta produção de 1967 foi uma das primeiras realizadas pelo cineasta húngaro Miklós Jancsó a ter impacto definitivo nos Estados Unidos da América. Já se notam nela com toda a clareza e virtuosidade estilística, a força ritualista e a pura beleza do seu trabalho. Neste épico histórico a preto e branco, situado durante os "dias seguintes" da Revolução Russa, os vermelhos são os revulocionários e os brancos as forças governamentais com ordem para os aniquilar. Sevindo-se de longos planos elaboradamente coreaografados, muitas vezes com panorâmicas espectaculares, Jancsó convida-nos a estudar os mecanismos do poder de uma forma quase abstracta, com um erotismo frio que poderá, de relance, sugerir a obra consequente de Stanley Kubrick.
Para já, os elementos marcadamente nacionalistas de Vermelhos e Brancos podiam ser, e foram, interpreatados como anti-russos, especialmente se se considerar que o filme foi feito menos de uma década após a repressão soviética da revolução Hungara que deixou mais de 7000 mortos. E é significativo que, sendo o filme uma co-produção hungaro-russa, as autoridades Russas se recussassem a exibi-lo na União Soviética.
A preferência de Jancsó pelos planos longos não se pode interpretar como qualquer tipo de desdém pelos actores. Jósef Mandaras, um dos habituais intérpretes de Jancsó, explicou que "com ele, a face do actor representa um papel subordinado: o realizador exprime a psique através dos movimentos das massas humanas. É este aspecto que o público, habituado a representações convencionais, poderá estranhar. Mas ele insiste numa colaboração dos actores 100% criativa- só que de uma maneira se afasta da convencional. Nunca faz psicologia. Nunca analisa. Obriga-nos a mover. E do modo como nos faz mover eu posso concluir o que ele quer que eu faça e como visualiza uma personagem. Pensa em termos de música e ritmo".

Fonte My One Thousand Movies

Screens


Link ed2K
Csillagosok.Katonak.(aka.The.Red.And.The.White).(1967).DVDRip.XviD.avi

Legenda (PTBR,ENG,FR)
Csillagosok.Katonak.(aka.The.Red.And.The.White).(1967).DVDRip.XviD.ptbr.en.fr.srt
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