Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

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domingo, 14 de novembro de 2010

466. O SAMURAI (1967)

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O matador Jeff Costello é um perfeccionista: ele sempre planeja com extremo cuidado todos os seus assassinatos para nunca ser pego. Uma noite, porém, ele finalmente é surpreendido por uma testemunha, e aos poucos, a partir daí, ele vai sendo cada vez mais pressionado.
O filme retrata a vida de um homem solitário, interpretado por Alain Delon, com valores similares aos dos Samurais, através da adaptação do “Bushido” à década de 60, em Paris. Ao decorrer do filme somos mandados para dentro da solidão do personagem, e o que o leva a cada ato cometido.

Crítica
É entre cenários provocantes, figurinos maravilhosos e direção de arte irretocável que se desenrola O Samurai, filme de Jean-Pierre Melville que trouxe o filme noir norte-americano dos anos 40 para o caldeirão fervente da cultura pop francesa dos anos 60. A fotografia é impecável; a música, um excelente jazz minimalista; o roteiro, preciso, ágil, tem poucos diálogos, curtos, praticamente declamados por um elenco para lá de cool. Tudo engendrado com maestria por Melville, um gentleman que não existe mais, nossa cultura “big brother” impede que se produza mais do tipo. O filme foi um sucesso, é hoje cult, tem edição de luxo em DVD pela Criterion Collection. Impossível não gostar de O Samurai.

Alain Delon, então com 32 anos, alcançaria o auge do sucesso ao fazer aqui um de seus papéis mais marcantes, praticamente o que lhe definiu a carreira como símbolo sexual, ator conhecido em escala planetária, estrelato. Até perfume tem por conta do filme: chama-se, obviamente, Samouraï, para homens. Definiu também toda uma idéia do que seria a chamada elegância masculina. Foi com esse filme que surgiu um ideário de beleza masculina que duraria pelo menos até meados dos anos 80, quando os músculos de Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone trocaram os finos ternos pretos perfeitamente ajustados em corpos magros pelos esteróides anabolizantes.

Delon faz o assassino encarregado de matar um homem, mas acaba reconhecido pelos freqüentadores do bar onde ocorreu o crime. É solto pelas artimanhas das mulheres que o amavam. A polícia não engole a história das apaixonadas e fica no seu encalço, enquanto os mandatários do crime, preocupados com a perseguição policial, resolvem liquidá-lo. Cabe a Delon fugir dos bandidos e da polícia, conquistar a mocinha e destilar seu código de ética, furadíssimo, em tese inspirado nos samurais do cinema japonês (não levem a sério, é cultura pop).

Poucos atores foram tão felizes na escolha de seus primeiros filmes como Delon. Estreou na tela grande em 1960 em O Sol por Testemunha, de René Clement, dando o imprescindível charme ao assassino Ripley de Patricia Highsmith. Na seqüência, bandeou-se para a Itália e fez dois dos mais conhecidos filmes de Lucchino Visconti: O Leopardo e Rocco e Seus Irmãos, esse último no papel título do boxeador. Com o sucesso de O Samurai, estava encastelada no céu mais uma estrela do cinema.

Sem Delon, O Samurai não funcionaria. Tudo parte dele e sem a sua persona artística o filme jamais teria o mesmo impacto, apesar de que nunca foi considerado um grande ator.

No IMDB, há quem diga que o filme é um estudo sobre a solidão ou uma alegoria sobre a França na época da ocupação nazista. Besteira. O filme é pura diversão, muito bem feita, terrivelmente estilosa e inteligente, de bom gosto – ou seja, dificílima de fazer, por isso a impressão de que se necessita de motivos externos para a admiração. Mas não é necessário ir muito além para se gostar sem culpa do filme. A Criterion Collection se esforçou: um ensaio de 29 páginas, Morte com Luvas Brancas, escrito por David Thomson, acompanha o DVD do filme com uma extensiva análise da obra e seus autores. Nele, de tão impressionado que ficou com as cenas detalhadas e impecáveis do filme, com a poderosa maneira de filmar do diretor, que lhe tascou uma daquelas famosas etiquetas: “neonoir”.

Afora os exageros, explicáveis, o filme é seu diretor, Jean-Pierre Melville, o padrinho ou pai espiritual da Nouvelle Vague. Foi ele o primeiro a testar, em 1946, as técnicas cinematográficas que os “jovens turcos” seguiriam nos anos seguintes. Reza a lenda que a gaiola com o pássaro no filme (metáfora da situação do protagonista) foi a única coisa que restou do incêndio que destruiu o estúdio de sua propriedade, construído como uma extensão de sua própria casa, em 1967, mesmo ano de filmagem de O Samurai. Outra lenda (o filme tem várias): Melville queria filmar a morte de Delon com ele sorrindo. Como ele já havia feito dessa maneira em outros filmes, o diretor e roteirista modificou na última hora, para o truque do revólver sem balas.

Segundo informa a Wikipedia, John Woo fez sua homenagem ao filme em O Matador (The Killer, 1989) – no DVD da Criterion tem um depoimento de Woo confessando sua admiração –, Chow Yun-Fat tirou seu Jeffrey Chow do Jef Costello de Delon, Walter Hill também se baseou no filme para Caçador de Morte (The Driver, 1975) e, por fim, Jim Jarmusch filmou os roubos de carros de seu Ghost Dog (1999) da mesma maneira que três décadas antes a dupla Melville-Delon o fizeram. Além disso, o persongem de You Shoot, I Shoot (2001), do chinês de Hong Kong Pang Ho-Cheung, idolatrava o Jef de Delon, vestindo-se como ele e “conversando” com ele por meio do pôster do filme.

Só uma amostra de quando o filme representou para o cinema, para a cultura francesa, para a cultura pop, para os anos 60 e até para a indústria da perfumaria – se não me engano, deve ser o único filme no mundo a ter sido engarrafado e vendido como essência. Da época em que os atores impunham seu bom gosto, e não como hoje, quando desfilam novo-ricos a serviço das marcas famosas – quem diz quem é elegante hoje são revistas de fofoca. Afinal, tinham inteligência, charme, personalidade, cultura e estofo cultural. Tudo isso nasceu e morreu nos anos 60.

Fonte Demetrius Caeser - Cineplayers

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

293. BOB, O JOGADOR (1955)

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Bob, Le Flambeur, (literalmente: “Bob, o estroina”) conta-nos a história de um antigo bandido que organiza um assalto ao casino de Deauville, cujo principal percalço será a sua própria paixão pelo jogo. Um filme noturno, sincero, dramático, que também é um magnífico retrato de Paris e um dos grandes momentos da obra de Melville, diretor imensamente admirado pelos maiores nomes da Nouvelle Vague

Curiosidade
Segundo a lenda, quando François Truffaut assistiu a Bob Le Flambeur gritou: "É isso que nós queremos fazer"! E assim nasceu a Nouvelle Vague.

Crítica
Se é certo que Godard apelidou Jacques Becker de frére Jacques, não é menos certo que o verdadeiro pai do movimento, aquele que inspirou e incentivou Godard, Truffaut, Rohmer, Rivette e Chabrol a filmar foi Jean-Pierre Melville.
Acaso restassem dúvidas, bastaria um visionamento de Bob le flambeur para confirmar o que acabou de ser dito. Melville tem todos os traços que nos habituaremos a reconhecer em obras seminais como À bout de souffle ou Les quatre cents coups. Melville, cultor de um genero dito menor, o noir, acabou por desconstruí-lo, sublimando-o e elevando-o a patamares de excelência dificilmente alcançáveis, à imagem do que Sergio Leone veio a fazer com o western. Voltando a Bob le flambeur, teremos o prazer de ver o tratamento de histórias simples, banais e, simultaneamente, teremos a oportunidade de ver a Paris nunca vista. A Paris do milieu, dos pequenos marginais, dos reis de bairro, povoada por figuras curiosas, castiças, irónicas. Enfim, por pessoas que todos nós somos capazes de identificar com facilidade na rua. A isto acresce o privilegiamento - óbvio - da luz natural e do som captado ao vivo, bem como um estilo marcado não para hipnotizar o espectador, mas sim, pelo contrário, para lhe apresentar a realidade à imagem de uma qualquer reportagem.
Melville funciona, pois, como pioneiro e, mais importante, é outro dos belos exemplos que comprovam que o Grande Cinema nasce da escassez de meios. Basta lembrar que Bob le flambeur - filme que poderia ser designado, embora de forma altamente redutora, como o filme da noite e das mesas de jogo - apenas privilegiou os espaços públicos em virtude de Melville não dispor dos meios suficientes para construir cenários. E em boa hora que tal aconteceu. Só assim pode ver a luz do dia uma das obras mais singulares e marcantes do Cinema. Em qualquer caso, essa escassez de meios foi compensada pelos inúmeros movimentos de câmara que, o mais das vezes, fazem com que tudo pareça deslizar diante dos nosssos olhos. Exemplos manifestos de virtuosismo e de talento. Para fazer Cinema é quanto basta.
E assim tivemos a oportunidade de ver, antes do tempo, ambientes em tudo semelhantes aos de obras posteriores como À bout de souffle de Godard ou de Tirez sur le pianiste de Truffaut, obras maiores da Sétima Arte. Porque todos têm gurus e mentores, nunca será demais lembrar e conhecer Melville. Porque é Cinema. Porque é Vida.

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