Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

sábado, 12 de dezembro de 2009

261. ANJO DO MAL (1953)

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O ladrão Skip McCoy rouba a bolsa de uma mulher no metrô, sem saber que dentro dela está um microfilme com segredos de governo. Ele passa, então, a ser perseguido pela vítima do roubo e por agentes.

Premiações
Indicado ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Thelma Ritter ) em 1954 e em 1953 Indicado ao Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Veneza.

Crítica
Admirável lição de cinema da qual cada plano é marcado pela sensibilidade vibrante de Fuller, Anjo do mal é ao mesmo tempo o mais impessoal e mais autoral de seus filmes. Ele se inscreve na veia documentária do filme noir, ou seja: é um filme que utiliza diversas externas e descreve uma investigação que poderia dar um excelente artigo de jornal.

Quando era jornalista, Fuller com frequência andou pelos meios marginais aqui representados. Os méritos de Pick up são aqueles de um bom filme de ação, sacudidos ainda pelo frêmito elétrico que Fuller impõe a todas as suas histórias: caracterização aguda dos protagonistas secundários, e mesmo das "pontas" (o homem se empanturrando de arroz que vende informações para Jean Peters e cata com pauzinhos as notas que ela põe sobre a mesa); tempo vivo e às vezes ofegante; sábia utilização da profundidade de campo e de longos movimentos de câmera, com o fim de dar à ação sua dose justa de pimenta e realismo. (Aliás, o barroco de Fuller privilegia sempre os planos muito comprimidos ou muito largos, em detrimento dos planos médios).

Não esqueçamos também o humor, um certo humor sardônico e insolente que não é exclusividade de Fuller (ver os filmes de Don Siegel) e que tem um duplo efeito contraditório, muito freqüente no cinema hollywoodiano do pós-guerra; num certo grau, este humor distancia o espectador do filme. Mas ao mesmo tempo liga este espectador de modo mais eficaz à ação, solicitando sua cumplicidade. Fuller, aliás, deixa de lado este humor quando lhe parece adequado, ou seja, no meio da história.

Podemos julgar a respeito de seu talento, virtuosidade e controle do filme pelo fato de que a cena mais engraçada e a seqüência mais trágica da intriga tenham por protagonista o mesmo personagem, a velha Moe (interpretada pela perfeita Thelma Ritter, cujas composições foram inesquecíveis em Lettres to three wives, The mating season de Mitchell Leisen, 1951, e Janela indiscreta, etc).

Na primeira destas sequências, ela vende Widmark à polícia, segundo seus hábitos “profissionais”. Na segunda seqüência, ela se deixa assassinar, velha mulher fatigada, corajosa e íntegra à sua maneira, clamando pela morte como uma libertação.

Passemos ao aspecto mais estritamente “fulleriano” do filme. Toda a ação é vista segundo a perspectiva de dois exluídos socialmente, dois personagens que “de nada valem”, segundo os valores burgueses da sociedade; vistos, portanto, como traidores destes mesmos valores.

A semelhança profunda que existe entre Jean Peters, a aventureira e Richard Widmark, o batedor de carteiras (passado suspeito, dinamismo e vitalidade poderosos, situação precária de sobrevivência na selva das cidades) torna crível a paixão fulminante – “coup de foudre”- que eles, entre uma porrada e outra , passam a sentir um pelo outro. (Aliás, eles não vão parar de “se pegar” ao longo do filme).

O ponto de vista de Fuller é o de mostrar uma certa solidariedade, uma certa integridade entre estes personagens marginais, assumindo mais ou menos sua condição e adeptos semi-conscientes de uma moral que eles poderiam facilmente voltar contra os pilares sociais.

Personagens deslocados, desorientados, constantemente em desequilíbrio entre o universo dos bons e dos maus e sem pertencer propriamente a nenhum desses, eles permitem ao autor exprimir, no seio de seu pessimismo explosivo, uma visão moral e anti-convencional do mundo.

O anti-comunismo tratado no filme serve de critério de julgamento acerca da relativa putrefação dos personagens. Aqueles aos quais Fuller particularmente se identifica, como o batedor de carteiras interpretado por Widmark, se postam no limite do mal absoluto, mas jamais ultrapassam esta tênue fronteira. Quando são tentados a fazê-lo, seu anjo bom os impede (cena onde Jean Peters arrasta Richard Widmark).

Talvez por serem estes personagens os mais “superexpostos”, são também - dramática e moralmente - os mais tocantes.

Nota: Em uma sequência de emissão televisiva Cinéma Cinémas, Fuller comenta na moviola os primeiros planos de seus filmes e indica, em especial, que a estação do metrô e a cabine são, contra toda espectativa, cenários construídos no estúdio.

Jacques Lourcelles. Tradução de Luiz Soares Júnior. Fonte

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(Postado Originalmente por macbeth e Ângelo no MKO)

260. O PREÇO DE UM HOMEM (1953)

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Howard Kemp (James Stewart) é um caçador de prêmios em busca do criminoso Roy Andersen (Ralph Meeker), cuja captura vale uma generosa recompensa. Contudo, quando o consegue apanhar, a situação já se alterou consideravelmente. Primeiro, porque Roy Andersen não andava a monte sozinho; acompanhava-o a jovem Lina Patch (Janet Leigh), filha de um outro criminoso. E segundo, porque entretanto, Howard Kemp fez dois sócios sem querer: o garimpeiro Jesse Tate (Millard Mitchell) e o ex-soldado Ben Vandergroat (Robert Ryan). Assim, o que se iniciou como uma simples perseguição do rato e do gato, culmina num jogo a cinco, com uma recompensa no meio.

Premiações
Indicado ao Oscar de melhor Roteiro Original.

Curiosidades
- Este é o 3º de 8 filmes em que o diretor Anthony Mann e o ator James Stewart trabalharam juntos. Os demais foram Winchester'73 (1950),E o Sangue Semeou a Terra
(1952),Borrasca (1953),Música e Lágrimas(1953),Região do Ódio(1954),Comandos do Ar
(1955) e Um Certo Capitão Lockhart(1955).

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

259. O SALÁRIO DO MEDO (1953)

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Mario (Yves Montand) é um estrangeiro que vive de bicos na América do Sul e sonha em voltar para a França. Uma companhia de petróleo americana, que domina a região, propõe a Mario e outros três homens estrangeiros que levem um carregamento de nitroglicerina para explodir um poço de petróleo em chamas. Em troca eles receberão U$ 2 mil dólares. Todos estão dispostos a arriscar a vida e fazem a viagem nas esburacadas estradas, onde qualquer solavanco mais forte poderá jogar os aventureiros pelos ares.

Premiações
- Ganhou o BAFTA de Melhor Filme.
- Ganhou o Grande Prêmio do Festival e uma Menção Especial (Charles Vanel), no Festival de Cannes.
- Ganhou o Urso de Ouro, no Festival de Berlim.

Curiosidades
- O Grande Prêmio do Festival de Cannes, ganho por O Salário do Medo, é o equivalente da época à hoje chamada Palma de Ouro.
- Em seu lançamento nos Estados Unidos O Salário do Medo sofreu um corte de 21 minutos. As cenas cortadas mostravam os interesses comerciais dos Estados Unidos na exploração da América Latina.
- Refilmado como O Comboio do Medo (1977).

Crítica
Logo nas primeiras cenas, Clouzout expõe a síntese cruel daquele cenário urbano degradado onde irá se desenrolar o thriller em seus primeiros momentos: uma criança nativa brinca com insetos numa poça de lama. A seguir, vislumbra-se o cenário de subdesenvolvimento absoluto. Ao lado de transeuntes miseráveis, vê-se alguém pedindo esmolas. Uma mulher carrega uma lata d’água na cabeça (é provável que não exista saneamento básico em Las Piedras). Uma senhora idosa vende algum petisco num carrinho. Aos seus pés, um vira-lata atento ao que se passa. Enfim, o thriller de O Salário do Mêdo passa-se num cenário de subdesenvolvimento perverso, típica "República das Bananas", quintal do imperialismo yankee. É o cenário pleno da exceção da modernização capitalista. É nele que se desenrola o drama existencial de homens estranhados imerso num thriller de mêdo e de angústia. Fonte

Crítica Cineplayers - Alexandre Koball

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

258. A PRINCESA E O PLEBEU (1953)

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A Princesa e o Plebeu é uma espécie de história de Cinderela às avessas. Uma princesa riquíssima tem uma crise nervosa por causa da agenda cheia de compromissos repetitivos e entediantes: o que ela quer é apenas viver como uma garota normal. Então durante a noite foge do seu palácio e acaba encontrando não um príncipe encantado, e sim um jornalista interesseiro, que a reconhece (embora ela não saiba disso) e quer conseguir uma reportagem exclusiva que lhe renderá uma enorme quantia de dinheiro.

Curiosidades
- O projeto de levar às telas de cinema A Princesa e o Plebeu inicialmente era do diretor Frank Capra, que tinha a intenção de colocar nos papéis principais do filme os atores Cary Grant e Elizabeth Taylor.
- O diretor William Wyler inicialmente queria que a atriz Jean Simmons interpretasse a Princesa Ann. Quando ele soube que Simmons não poderia atuar em A Princesa e o Plebeu Wyler chegou inclusive a cancelar temporariamente a produção do filme.
- Quando a cena em que a princesa se despede de Joe foi rodada, a atriz Audrey Hepburn não conseguia de maneira alguma derramar as lágrimas necessárias na cena. Após várias tomadas desperdiçadas, o diretor William Wyler reclamou com ela e fez com que Hepburn começasse a chorar. Somente após isto ocorrer a cena pôde ser rodada com sucesso.
- Após o término das filmagens, o ator Gregory Peck disse aos produtores que, como era bem provável que Audrey Hepburn fosse indicada ao Oscar por seu papel em
A Princesa e o Plebeu , que seria melhor que o nome dela aparecesse logo após o título do filme.
- Na década de 70 chegou a ser proposta uma sequência para A Princesa e o Plebeu , que reuniria mais uma vez Audrey Hepburn e Gregory Peck. No filme Ann já seria uma rainha e Joe Bradley um romancista de sucesso, com a história central se passando entre seus filhos, que se apaixonariam. Porém, tal filme nunca chegou a sair do papel.
-A Princesa e o Plebeu foi refilmado para a TV americana em 1987.

Premiações
Oscar 1954 (EUA)
* Venceu nas categorias de melhor atriz (Audrey Hepburn), melhor figurino - preto e branco e melhor roteiro original.
* Indicado nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator coadjuvante (Eddie Albert), melhor roteiro, melhor edição, melhor direção de arte - preto e branco e melhor fotografia - preto e branco.
Globo de Ouro 1954 (EUA)
* Venceu na categoria de melhor atriz - drama (Audrey Hepburn).
BAFTA 1954 (Reino Unido)
* Venceu na categoria de melhor atriz britânica (Audrey Hepburn).
* Indicado nas categorias de melhor filme e melhor ator estrangeiro (Gregory Peck e Eddie Albert).
NYFCC Award 1953 (New York Film Critics Circle Awards, EUA)
* Venceu na categoria de melhor atriz (Audrey Hepburn).

Crítica
A comédia romântica é um gênero ingrato. Nos dias de hoje, tem contra si o facto de ser direccionada muito acentuadamente ao público feminino (o que afasta muitas vezes o público masculino da sua visualização), e o de ser um gênero onde a inovação é muito pouca; aliás, arrisco-me até a dizer que, se ao filme lhe fosse dado a optar, decerto que a comédia romântica seria das últimas escolhas que ponderaria. Isto, hoje, porque, na sua golden age, Hollywood produziu comédias românticas que podem muito bem ser consideradas alguns dos melhores filmes de sempre.

É o caso deste "Roman Holiday" (Férias em Roma). Esqueçam Love Actually ou The Holiday; por muito que as comédias românticas contemporâneas divirtam, Roman Holiday está numa liga completamente diferente, à qual pertence também o incontornável The Philadelphia Story.
Realizado por William Wyler, este foi o filme-catapulta para Audrey Hepburn, que recebeu um Oscar pela sua interpretação de Ann, uma princesa jovem e cansada de todas as obrigações implicadas pela sua posição na sociedade. A história, resumidamente, segue as suas aventuras em Roma a partir da sua fuga nocturna, em que lhe é possível fazer coisas com que sempre sonhou, com a ajuda de Joe Bradley (Gregory Peck), um jornalista que vê na entrevista com ela a solução para os seus problemas financeiros e Irving Radovich (Eddie Albert), o companheiro fotógrafo dele.

O argumento é uma delícia. As personalidades das personagens, que os diálogos rápidos e perspicazes que estabelecem entre si vão revelando, e as situações originadas pelos seus actos formam um cocktail imperdível. A mestria com que Hepburn se transforma de uma cena para a seguinte, retratando ora a curiosidade juvenil e a vivacidade de Ann, ora a tristeza da castração a que é submetida, merece ser aplaudida. Gregory Peck confere charme a um Joe Bradley perto da ruína, mas mesmo assim fascinado pela companhia da princesa; já Eddie Albert encarna o terceiro elemento deste triângulo, criando com Peck um estado de conflito hilariante entre as duas personagens. Tudo isto acompanhado por uma realização impecável, que se adapta às diferentes fases do filme e respectivas exigências.

Roman Holiday é um clássico imperdível, que consegue fazer-nos rir com uma inteligência graciosa, e que nos comove sem se tornar piegas ou recorrer ao habitual melodrama. Durante grande parte da sua duração, trata-se de um filme alegre, contagiado pelo estado de espírito da sua própria protagonista, à medida que ela descobre a vida e, mais inesperadamente, o amor. A cena da moto é um ponto-chave da história, uma vez que personifica a liberdade à qual Ann sempre aspirou, e a imagem do casal em cima do veículo é memorável. Isto só para exemplificar.

Porém, é nas últimas cenas que o filme se torna verdadeiramente comovedor, à medida que o dia de sonho chega ao fim e os protagonistas voltam à realidade. A cena no carro, por exemplo, é das mais poderosas a que já assisti. Conseguindo despertar no espectador emoções distintas daquelas até aí proporcionadas, o final é a prova derradeira de que filmes como este são cada vez mais uma raridade. Roman Holiday brinda-nos com uma cena magnífica e que significa, para as duas personagens principais, a promessa incerta de algo improvável de acontecer, e tem a coragem de terminar numa nota realista e séria, que merece também ser louvada. Os últimos segundos do filme, o último plano, são, a meu ver, algo de fenomenal, e compõem um dos melhores finais que o Cinema já produziu.
Em suma: um filme obrigatário.

Ruben Gonçalves

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Roman.Holiday.(1953).FS.DVDRip.DivX3LM.cd2-SChiZO

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

257. ERA UMA VEZ EM TÓQUIO (1953)

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Um casal de idosos vai a Tóquio visitar seus filhos. Eles percebem então que a relação entre eles mudou. A Vida os tornou mestre de suas próprias existências, com seus acertos e erros. Eles apesar de até quererem, não possuem mais tempos para os pais. Eles encontram no entanto a compreensão na viúva de um dos filhos.Existe ali a ternura oriunda de buscarem cada um no outro traços daquele que já partiu dessa vida. Eles também encurtam a estadia em Tóquio. Ao retornarem ao seu lar a mãe tomba esgotada. Desconfia-se que foi devido a tristeza que ela imagina ter causado ao seus filhos.A doença faz com que seus filhos façam a viagem inversa, mas é tarde.Muitos consideram a obra de Ozu conformista demais.É ledo engano, Ozu talvez seja um conformado.É preciso aceitar aquilo que não pode ser mudado: a velhice, a morte, as doenças. Em suma é a ordem natural das coisas. Em Ozu, a câmera parece estar num canto, tamanha a captação do cotidiano que surge naturalmente diante de nossos olhos. È sabido que Ozu a mantém na altura do olhar de uma pessoa sentada no tatame. Este filme faz parte das obras que elevaram o cinema ao posto de arte. Considerado a obra-prima máxima do diretor.

Crítica (Contracampo)

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

256. A UM PASSO DA ETERNIDADE (1953)

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Em 1941, Robert E. Lee Prewitt (Montgomery Cliff) pede transferência do exército e vai parar na base militar de Schofield, no Havaí. Seu novo capitão, sabendo que ele é um exímio boxeador, deseja que ele faça parte da equipe de boxe, mas ele se recusa terminantemente. Irritado, o capitão consegue que seus subordinados transformem a vida do novo recruta em um inferno. Paralelamente, o Sargento Warden (Burt Lancaster), ouvindo histórias que a esposa do capitão procura relações extra-conjugais por ter sérios problemas no casamento, começa a se interessar por ela e acaba sendo correspondido. Para complicar a situação na base, Maggio (Frank Sinatra), um amigo de Prewitt, é vítima de Fatso (Ernest Borgnine), um sádico sargento, e Prewitt se apaixona por uma prostituta. Mas enquanto todos estes acontecimentos têm andamentos algo muito mais grave está para acontecer: o ataque japonês a Pearl Harbor.

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255. DESEJOS PROIBIDOS (1953)

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Esta interessante história gira ao redor de um par de brincos dados a uma mulher, Louise, pelo seu marido e os quais ela tem de vender para pagar dívidas pessoais, sem o marido saber. Por sua vez, o marido compra-os de novo e através de sua amante, os brincos vão parar nas mãos de um diplomata (interpretado por Vittorio de Sica) por quem Louise se apaixona.

Curiosidades
Max Ophuls é considerado um importante estilista e mestre do cinema. Entrou para a história como o cineasta da valsa. Nenhum outro diretor mexeu tanto a câmera, utilizando-a para criar um bailado com (e em torno) de seus personagens.

Kubrick amava Ophuls, cujos travellings homenageou em "Glória Feita de Sangue" e "2001", dois filmes que bebem na fonte deste sensível e refinado judeu austríaco que foi um dos maiores diretores do cinema sem ter, a rigor, nada parecido com ele. Grande Ophuls. O cineasta, filho de industriais nascido em Sarrebruck, operava, de dentro do romantismo aristocrático e burguês, a destruição do segundo.

Max Ophuls foi jornalista durante a 1a. Guerra Mundial e depois tornou-se francês por adoção. Estreou no teatro em 1919 como ator para depois se desenvolver como diretor, encenando desde o teatro clássico até a opereta, No cinema, começou como assistente de Anatole Litvak, em 1930, ano em que realizou seu primeiro filme.

O primeiro sucesso só veio com Uma história de amor, realizado na Alemanha com o título de Libelei, em 1932. Neste filme, seu estilo elegante e refinado já se definia na adaptação de Arthur Schnitzler, em quem Ophuls mais tarde se inspiraria para criar um dos seus mais importantes filmes, Conflitos de amor, em 1950.

A ascensão de Hitler ao poder na Alemanhar obrigou Ophuls a abandonar o país e a instalar-se na França, onde o êxito de Uma história de amor lhe permitiu prosseguir carreira - com o parênteses de duas obras realizadas na Itália e na Holanda. Na França, pôde desenvolver um estilo romântico e nostálgico e de grande elaboração formal em filmes de sucesso como La tendre ennemie (1936), Sans Lendemain (1939) e De Mayerling a Saravejo (1940), onde narrou os amores do Arquiduque Francisco Fernando com a condessa tcheca Sofia Chotek.

O avanço das tropas alemãs levou-o à Suíça e, em seguida, aos Estados Unidos, onde a ajuda de Douglas Fairbanks lhe possibilitou continuar sua carreira, a partir de 1947, com The exile, Cartas de uma desconhecida, em 1948 - uma adaptação de Stefan Zweig - e The reckless moment, de 1949, seu último filme na América.

Em 1950, reiniciou sua filmografia na França onde, com o prestígio de ter sido descoberto pela nova crítica da revista Cahiers du Cinéma, realizou suas obras de maturidade. A este período de apogeu correspondem Conflitos de amor — novamente uma adaptação de Arthur Schnitzler; O prazer - baseado em várias narrativas de Maupassant; Madame De... - segundo uma novela de Louise de Vilmorin - e a reconstituição romanceada da vida da bailarina de flamenco Lola Montez, filme que sofreu a mutilação de uma remontagem, perpetrada pela produtora com vistas à sua distribuição comercial.

Nesta obra, Ophuls realizou — da mesma forma que seus contemporâneos Vidas Amargas de Elia Kazan e Nasce uma estrela de George Cukor - a primeira utilização esteticamente criativa do então discutido formato Cinemascope.

A mutilação de sua obra mais importante e ambiciosa abalou Max Ophuls que — afetado por problemas cardíacos — morreu um mês depois da apresentação da nova montagem, em 1957. Até 1968 - quando graças ao produtor Pierre Braunberger - foi relançada a versão integral de 140 minutos, só se pôde conhecer a discutível edição realizada pelos produtores, suprimindo quase todas as cenas do circo, que representavam a parte mais contundente do filme.

Max Ophuls, no entanto, não estava só. Uma "carta aberta" redigida por famosos diretores da França - que atendiam ao apelo de François Truffaut de que "é necessário participar" - protestava contra os ataques sofridos pelo filme à época do seu lançamento, em dezembro de 1955, afirmando que "o filme faz pensar e acreditamos que o público queira pensar".

Foi debaixo de chuva que uma multidão entusiasmada fez fila para ver a versão restaurada de Lola Montès no Festival de Cannes 2008, a obra-prima de Max Ophuls. O que Cannes fez foi uma justiça histórica, devolvendo Lola Montès, de roupa nova, para o reconhecimento que Ophuls não teve, na época, salvo por alguns solitários defensores.
Fonte

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Madame.de.(1953).Dual.(FR.ENG.commentary).Criterion.DVDRip.XviD-by.Theycame2001.avi

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(Informações by.deadmeadow MKO)

254. A RODA DA FORTUNA (1953)

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Astro decadente pretende reviver seus dias de glória nos palcos da Broadway. Seus melhores amigos, também compositores, conseguem com que o melhor diretor de teatro do momento aceite o desafio de dirigi-lo e torná-lo novamente famoso. Mas Hunter descobrirá que o novo teatro é bem diferente daquele a que ele estava acostumado.

Premiações
Indicado a 3 Oscars, Melhor Figurino, Trilha Sonora e Roteiro.

Curiosidades
A canção "That's Entertainment", composta para esse filme, se tornou uma das mais famosas da história do cinema e deu título à famosa série de documentários sobre os musicais da Era de Outro da MGM.

O filme é baseado em situações reais. Fred Astaire estava de fato considerando aposentadoria na época, acreditando que sua carreira havia chegado ao fim.

Crítica
"O maior de todos os musicais." - Stuart Klawans, THE NATION

Habilmente dirigido por Vincente Minnelli, Fred Astaire encanta seus fãs com números encenados em uma estação de trem (cantando By Myself), em uma passarela (cantando A Shine on Your Shoes), no Central Park (ao som de Dancing in the Dark) e em um café enfumaçado (ao som de Girl Hunt), algumas vezes acompanhado pela incomparável Cyd Charisse. E quando ele, Nanette Fabray e Jack Buchanan interpretam bebês que "se odeiam muito uns aos outros!" no inesquecível Triplets, se tem mais uma razão para idolatrar muito está produção. E como se costumou dizer nos palcos da Broadway e nos bastidores do cinema, o show não pode parar! (Contra-capa do dvd)

Um dos últimos grandes musicais de Hollywood – e ponha-se grande nisso. Como Cantando na Chuva, escrito pela mesma dupla de roteiristas, Betty Comden e Adolph Green, um ano antes, o filme dirigido pelo veterano Vincente Minnelli é uma história de bastidores que tira suas piadas sem dó (mas com muita classe) da experiência real dos envolvidos. (Estação Veja)

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domingo, 29 de novembro de 2009

253. O BÍGAMO (1953)

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Harry Graham (Edmond O'Brien), um pacato vendedor ambulante de San Francisco, é casado há vários anos com Eve (Joan Fontaine). O casal decide adotar uma criança, mas o comportamento suspeito de Graham durante a entrevista na agência acaba chamando a atenção do responsável pelo processo de adoção (Edmund Gwenn). Ele investiga a vida de Graham e passa a desconfiar de suas repetidas viagens a Los Angeles, até finalmente descobrir que Harry tem uma vida dupla. Um filme belo e sensível que bem representa a curta porém brilhante filmografia de Ida Lupino atrás das câmeras.

Crítica - Contracampo

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(Traduzida e sync para ptbr por Vicente Ribeiro do MKO)

252. A CARRUAGEM DE OURO (1952)

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Uma das obras-primas de Jean Renoir (1894 - 1974), o grande mestre do cinema francês, diretor dos geniais "A Regra do Jogo", "A Grande Ilusão", entre outros. A inesquecível atriz Anna Magnani ("Roma, Cidade Aberta") brilha como Camilla, a estrela de uma trupe italiana de commedia dell'arte que viaja para se apresentar em uma colônia espanhola da América Latina no século XVIII. Junto com a companhia teatral, chega da Europa uma carruagem de ouro encomendada pelo vice-rei. É o início de uma série de eventos inusitados. Renoir experimenta com a cor e brinca com a fronteira entre a realidade e a representação da realidade nesta monumental homenagem ao teatro.

Crítica
Com a eclosão da Segunda Guerra, Jean Renoir mudou-se para os Estados Unidos. Ao contrário de seus compatriotas René Clair e Julien Duvivier, sua experiência americana não foi bem-sucedida. Talvez por ser o mais francês dos diretores, na afirmação de Georges Sadoul, ele não tenha conseguido se adaptar à cultura daquele país, nem ao processo de produção de filmes em Hollywood. Ele só voltaria ao cinema europeu, não na França, mas na Itália, com "A Carruagem de Ouro", e entre este e seu último filme americano, realizou, na Índia, "The River", que Andrè Bazin alçou à altura de obra-prima.
Pelo que se depreende do depoimento de Renoir nos Extras do DVD, a peça "Le Carrose de Saint Sacrement", de Prosper Mérimée, serviu, digamos, apenas como um ponto de partida para a concepção de "A Carruagem de Ouro". Na verdade, um amante do teatro, Renoir foi movido pelo propósito de prestar uma homenagem à "Commedia dell' Arte", um popularíssimo gênero teatral originário da Itália. Ele pretendeu fazer um filme que absorvesse o espírito do gênero, isto é, que a trama tivesse que se despojar de qualquer resquício de realismo, ou naturalismo. E além disso, eliminasse a fronteira entre o que se passa no palco e na realidade - realidade aqui no sentido da trama do filme. Quer dizer: que as apresentações realizadas pela trupe italiana que vai parar numa colônia espanhola (não identificada) na América do Sul se confundissem com a história (realidade) do filme. É o que ocorre com Colombina (Anna Magnani) no palco e, fora deste, Camila, cortejada por três homens: o Vice-Rei (Duncan Lamont), que lhe presenteia a carruagem de ouro que mandara buscar na Itália e transportada no mesmo navio em que Camila viera; o oficial espanhol Felipe (Paul Campbell), que a acompanhara na excursão, e o toureiro Ramon (Riccardo Rioli). No envolvimento com este, aliás, há um momento em que Camila passa de atriz para espectadora. Uma cena de belo efeito cinematográfico, iniciada com um "close" do rosto dela, seguida por um "traveling" que vai até à arena.
Por falar em Anna Magnani, não se pode deixar de relevar o desafio de Renoir ao escolhê-la para viver um personagem tão diverso, até mesmo antagônico, dos que ela interpretara até então. E devido à natureza do seu personagem, La Magnani contém certos excessos que marcaram os seus desempenhos, a despeito do seu inquestionável talento interpretativo. Ela, inclusive, teve que aprender inglês (o filme tem uma versão nesse idioma, que é a deste disco, com vistas a atingir o mercado anglo-americano), porque Renoir pretendia que o inglês falado pela atriz, impurificado pelo forte acento italiano, tivesse um efeito expressivo, confrontado com o dos intérpretes nativos da Inglaterra, que compõem a maioria do elenco.
Com uma carreira iniciada ainda no cinema mudo, apenas pela segunda vez Renoir fazia uso da cor, sendo a primeira no já mencionado "The River". E ela constitui-se em um elemento fundamental no resultado do filme. Contando com a colaboração valiosa do fotógrafo e seu sobrinho Claude (com quem trabalhou em tantos filmes), o diretor empenhou-se em que a cor casasse perfeitamente com o cenário, os figurinos e a iluminação. Há outro importante colaborador, e, como diz Renoir em tom de "blague", é do tipo que não dá problema, que concorda com o realizador em tudo, pois já não está neste mundo. Trata-se de Vivaldi, que com seu peculiar estilo musical contribui para que o filme tenha a leveza de outros tantos do diretor.
Pelas qualidades artísticas e pela atração do enredo, "A Carruagem de Ouro" talvez seja o filme em que Renoir tenha conseguido promover a união dessas duas categorias geralmente inconciliáveis, ou seja, a crítica e o público.

Escrito por Francisco Sobreira

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(Postado Originalmente por Mfcorrea do MKO)