Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

quarta-feira, 2 de junho de 2010

354. ERVAS FLUTUANTES (1959)

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O filme conta a estória de uma companhia de atores de teatro kabuki que, durante suas excursões pelo Japão, resolvem aportar numa pequena ilha de pescadores. Komajuro, um ator de meia-idade que foi um dos formadores da companhia, passa a ir todos os dias visitar uma antiga amante, Oyoshi, que é dona de um bar de saquê. Há anos tiveram um filho juntos, Kiyoshi, que acabara de se formar na escola e foi trabalhar nos correios. Porque Komajuro sempre foi um ator viajante e apenas esporadicamente estava presente, ele e Oyoshi sempre esconderam de Kiyoshi a identidade do pai, dizendo que ele era apenas um tio e que o pai de verdade dele tinha morrido há muito tempo...

Curiosidades
- A presença de garrafas em diversos planos poderá ter uma justificação menos lírica: Ozu não só bebia bastante como defendia uma forte ligação entre o álcool e a criatividade. Chegou até a declarar:

"Se o número de copos que bebes é pequeno, não pode existir obra-prima; a obra-prima emerge do número de copos cheios que consigas tomar."
(Não é uma coincidência que o filme Ervas Flutuantes seja uma obra-prima, basta olhar para a cozinha e ver o número de garrafas vazias).

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terça-feira, 1 de junho de 2010

353. A UM PASSO DA LIBERDADE (1959)

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Homem que divide a cela numa prisão em Paris com mais de quatro priosioneiros, aceita elaborar um meticuloso plano de fuga com os companheiros. Explêndida e sombria direção, com uma iluminação fantástica, excelente interpretações e um roteiro que é uma verdadeira aula. Maravilhoso testamento fílmico de Becker, sem dúvida seu melhor filme.

Crítica
“A Um Passo da Liberdade” (ou, em tradução literal do título francês, “o buraco”) conta a história de cinco prisioneiros que tentam escapar da prisão La Santé, em Paris, pelos esgotos.

O diretor e roteirista Jacques Becker insistia que a história era totalmente baseada em fatos reais. Reforça essa suposta fidedignidade o fato de Jean Keraudy, um dos envolvidos no caso real, atuar como Roland, que praticamente é o líder dos fugitivos. É ele, também, que faz uma breve introdução ao filme, antes dos créditos iniciais. Além disso, outros dois participantes na fuga ajudaram na reconstituição dos detalhes, durante as filmagens.

Já bastante doente durante a produção, Becker, que morreria apenas alguns dias depois, teve a ajuda de seu filho, o também diretor Jean Becker, em algumas cenas.

O uso de atores não-profissionais em quase todos os papéis principais, aliado aos inúmeros longos planos dando ênfase às tarefas repetitivas da prisão e aos preparativos relacionados à fuga, garantiram uma narrativa naturalista, quase de documentário, que é o ponto alto do filme. O “realismo” é reforçado também pela ausência de qualquer música, até os créditos finais, sendo a trilha sonora composta unicamente pelos mais variados ruídos (como os de buracos sendo abertos em pisos e paredes ou de grades sendo serradas). É impossível não fazermos uma analogia com “Rififi” (“Du Rififi Chez Les Hommes”, dir. Jules Dassin, 1955) e sua antológica cena do assalto, com 27 minutos de duração sem qualquer trilha sonora ou diálogo. Também em “Le Trou”, os ruídos, sem música que os amenize, vão gradativamente criando uma enorme tensão no espectador.

Roland, Manu, Monsigneur e Geo dividem uma cela e planejam a fuga. Quando chega um novo preso para sua cela, Claude, hesitam em inclui-lo nos planos, afinal pode se tratar de um “dedo-duro” plantado ali por conta de alguma suspeita do diretor do presídio. Mais tarde, porém, Claude, que dizia ter sido preso injustamente, por conta de uma acusação falsa de sua esposa, ganha certa confiança dos demais (que nunca é total) e assume algumas tarefas nos preparativos.

As incursões dos presos aos subterrâneos, durante os preparativos, proporcionam cenas marcantes. Quando Manu e Claude conseguem abrir a última passagem e chegar até a rua (sem, no entanto, fugir, já que a fuga seria no dia seguinte, com todos os demais), Claude vê um táxi passando e diz que “quase poderia pegá-lo”. É o típico momento “tão perto, tão longe”.

“Le Trou” é, para mim, filme de prisão e fuga que pode facilmente ser colocados entre os melhores do gênero. Filmaço!
Fonte

Premiações
Indicado ao BAFTA nas categorias de Melhor Filme e Melhor Ator para Philippe Leroy, Indicado ao Palma de Ouro em 1960

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352. ONDE COMEÇA O INFERNO (1959)

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John Wayne é John T. Chance, xerife de uma pequena cidade do Texas que precisa enfrentar um exército de pistoleiros dispostos a libertar um rico proprietário de terras preso por assassinato. Para a missão, conta com a ajuda de um quarteto inusitado: um bêbado (Dean Martin), um velho resmungão (Walter Brennan), um jovem e inexperiente pistoleiro (Ricky Nelson) e uma bela garota (Angie Dickinson). O diretor Howard Hawks é certeiro ao centrar a trama na relação entre os cinco personagens e na tensão gerada pela expectativa do confronto. Um clássico imprescindível do western.

Curiosidades
# Além de Dean Martin, o filme conta ainda com o cantor e ídolo da juventude estadunidense da época, Ricky Nelson, que chega a fazer um dueto com Martin.
# Nathan pede a músicos de um bar que cantem a canção mexicana conhecida por "De Guella" (Degola), que teria sido ouvida no cerco do Álamo, tocada por ordem do general mexicano Santa Anna. No filme dirigido por John Wayne no ano seguinte, The Alamo (1960), a canção abre os créditos.
# O diretor Hawks faria mais dois filmes nos anos seguintes, com histórias e cenas parecidas com as de Rio Bravo. O primeiro, El Dorado (1967), conta a história de um pistoleiro veterano e de um jovem que prefere usar facas, que ajudam um xerife bêbado. No segundo, Rio Lobo (1970), ex-soldados da União e ex-confederados se encontram no Texas depois da guerra, e enfrentam juntos uma quadrilha de bandoleiros.
# Rio Bravo é como os mexicanos chamam uma parte do Rio Grande

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sábado, 29 de maio de 2010

351. HIROSHIMA MEU AMOR (1959)

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Hiroshima, 1959. Uma atriz francesa casada (Emmanuelle Riva) veio de Paris para trabalhar num filme sobre a paz. Ela tem um affair com um arquiteto japonês (Eiji Okada) também casado, cuja esposa está viajando. Nos dois dias que passam juntos várias lembranças vêem àtona enquanto esperam, de forma aflita, a hora da partida dela. Ela conta que foi "tosquiada", pois se apaixonou por um alemão (Bernard Fresson) quando tinha apenas 18 anos e morava em Nevers, sendo libertada no dia em que seu amor foi morto, já no final da 2ª Guerra Mundial. Por ter amado um inimigo ela foi aprisionada por sua famàlia numa fria e escura adega e agora, 14 anos depois, novamente sente o gosto de viver um amor quase impossível.

Premiações
Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
*Prêmio Nações Unidas (Alain Resnais)
Sindicato Francês dos Críticos de Cinema, França
*Prêmio de Melhor Filme
Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA
*Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro

Indicações
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
*Oscar de Melhor Roteiro Original
Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
*Prêmio de Melhor Filme
*Prêmio de Melhor Atriz Estrangeira (Emmanuelle Riva)
Festival Internacional de Cannes, França
*Prêmio Palma de Ouro (Alain Resnais)

Crítica
"Hiroshima, Meu Amor" é um extraordinário filme sobre a vida, o amor, o tempo e a memória... e também sobre a detonação da bomba atômica em Hiroshima, em 1945, e sobre os horrores da guerra.

Realizado pelo grande cineasta francês, Alain Resnais, o filme é um dos marcos da "nouvelle vague" francesa. Não se trata de um filme de fácil entendimento. Ao contrário, às vezes ele se mostra meio confuso, já que Resnais consegue fazer, de forma magistral, com que seus simbolismos estejam intimamente entrelaçados com a ação, com a realidade. Os diálogos e as imagens são muito bonitos.

"Hiroshima, Meu Amor" conta ainda com uma excelente fotografia e com a maravilhosa atuação de Emmanuelle Riva, no papel principal.
(70 Anos de Cinema)

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

350. PICKPOCKET - O BATEDOR DE CARTEIRAS (1959)

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Michael é um jovem que começa a bater carteiras por prazer e pela emoção de roubar. Mas o hábito acaba tornando-se uma compulsão. Ele é preso e passa a refletir sobre seus atos, ao perceber o forte choque causado em sua mãe, família e em seus amigos. Ainda assim, ao ser solto, ele volta ao crime, juntando-se a um ladrão veterano. Mais uma vez sua consciência vai pesar, agora também porque ele se apaixonou por Jeanne. Inspirado no romance "Crime e Castigo", de Dostoievski.

Crítica
Michel é um homem amargurado e depressivo que tenta sua sorte nas ruas de Paris, roubando bolsas e carteiras. A estória começa logo com Michel nas corridas de cavalo, se remoendo de dúvidas sobre roubar ou não a mulher à sua frente. Ele sabe que não é um grande ladrão, faz isto por pura necessidade e, se for pego, não há caminho de volta; ele está arriscando sua liberdade em troca do que tiver dentro da bolsa da mulher. Com tantas pessoas à sua volta, ele receia ser visto e, após alguns momentos de exitação, enfia a mão trêmula dentro da bolsa e tira um chumaço de dinheiro. Cria-se um nó na garganta quando a mulher de repente se vira mas, para a tranquilidade de Michel, era apenas a corrida que havia acabado. Filmada de uma forma inteiramente impessoal e controlada, como um teatro de marionetes, toda a tensão da cena não está no que ocorre, mas no que não ocorre, e é assim pelos outros 73 minutos do filme.

Uma das características mais marcantes do cinema de Bresson é a total passividade dos atores e da câmera que, à primeira vista, pode espantar os espectadores desacostumados com o estilo. Se na superfície o filme parece emocionalmente morto, são nas pequenas nuances e detalhes que ele revela toda sua força. Encarnando um personagem camuseano de uma complexidade invejável, Michel é um sujeito que, ao mesmo tempo se corrói por uma culpa passada, mas não faz nada para mudar seu estilo de vida. Desempregado e pobre, ele é um fiel seguidor de sua vontade, e considera-se de valor indispensável para a sociedade. Em um dado momento, ele conta ao inspetor de polícia sua filosofia de que alguém que faça tão bem para os outros não mereceria ser condenado por eventuais pequenos crimes que comete, mas, seria Michel uma dessas pessoas? Provavelmente não, e no fundo ele sabe disso, e recusa a ajuda de emprego de seu amigo Jacques por temer provar-se um inútil; a vida do crime é mais fácil. Ele tem como livro de cabeceira o "Prince of the Pickpockets", de George Barrington, que conta a história de um lendário batedor de carteiras da Londres vitoriana, mas, mesmo com esse "guia", ele não é um grande ladrão, e suas ações desajeitadas e muitas vezes frustradas chamam a atenção de um ladrão profissional, que o toma como pupilo e o ensina toda a arte de bater carteiras.

Sim, é uma arte, e um dos aspectos fascinantes do filme é mostrar isso; Michel passa o dia inteiro treinando suas recém-adquiridas habilidades, seja jogando pinball para exercitar os reflexos ou aperfeiçoando a mão leve na técnica de de roubar um relógio do pulso de alguém, e se sente muito bem com isso. Finalmente ele é bom no que faz. Mas toda sua atenção para o ofício faz com que se descuide da vida, e outras pessoas passem a suspeitar dele, incluindo Jacques e o inspetor de polícia. A única que nada percebe é Jeanne, vizinha de sua mãe e agora namorada de Jacques. À medida em que o tempo passa, as ações de Michel vão ficando mais ousadas, culminando numa incrivelmente coreografada sequência na estação de trem, onde ele e outros comparsas vão roubando diversos passageiros à medida que andam, sem jamais levantarem suspeitas. Com o inspetor cada vez mais perto, Michel usa sua pequena fortuna para viajar, mas retorna a Paris dois anos depois, falido, onde a vida do crime o esperava. Desta vez, entretando, ele tem a oportunidade de fazer uma boa ação, roubando de um senhor que ele julga ter conseguido o dinheiro ilegalmente. Mas desta vez era uma cilada, e ele é preso. Na prisão, Jeanne (agora mãe solteira) vai visitá-lo, e disso começa a nascer um romance que o faz se arrepender de sua vida passada.

É um final talvez abrupto, mas ao meu ver encerra brilhantemente o filme. Não é um simples romance, a última cena mostra que era algo que Michel desejava há tempos, o que nos leva a perceber que, na verdade, há outro filme sendo rodado por trás deste. Não só em muitos casos a ação principal é omitida por fade-outs inesperados, como a própria estória está presente em fragmentos. Michel não é apenas o personagem principal, ele está presente em todas as cenas, e o nosso conhecimento está diretamente ligado ao dele. Vemos o que ele vê, ouvimos o que ele ouve, e por aí vai... mas todo o filme é um relato escrito por ele na cadeia, e nisso, detalhes importantes de sua vida são completamente esquecidos, como, por exemplo, seu amor secreto por Jeanne. Michel sempre foi egocêntrico, e esse novo relacionamento é uma chance de construir uma vida compartilhada com outra pessoa; também é a possibilidade de consertar aquilo que mais o corroía, não os crimes, e sim sua solidão. Ele sempre viveu isolado de todos, mesmo de seu amigo ou de sua mãe, e seu apartamento se transformou ao mesmo tempo em seu refúgio e sua prisão. Mas ao menos lá, ele tinha total controle sobre o espaço, e se sente extremamente orgulhoso quando a polícia investiga seu quarto atrás de provas e não consegue achá-las. Ao contrário do personagem de "Crime e Castigo", Michel não se sente bem na prisão, e busca refúgio em seus pensamentos, onde ele transcende as barras e paredes, mas aumenta assim sua isolação do mundo, e é aí que entra Jeanne.

Tecnicamente o filme também impressiona, com uma edição ao mesmo tempo ágil mas quase invisível, alternando a imobilidade e o movimento com grande destreza. A fotografia é belíssima e bastante nítida, trabalhando minimamente com variações de luz nos interiores. As atuações estão praticamente omissas, uma vez que Bresson não permite que ninguém atue em seus filmes, e o fato de transporem tamanha simpatia e cumplicidade ao espectador apenas com o olhar e as falas prova não só a genialidade do diretor, mas dos próprios atores (cuja atenção principal é Martin Lasalle como Michel, já que ele é quem tem mais tempo de tela). Mas, se por um lado as expressões e ações são tão contidas, um elemento se desprende do resto e parece assumir vida própria, que são as mãos. Tão presentes quanto os rostos, senão mais, as mãos estão sempre a fazer algo, por mais detalhado que seja, com destaque (é claro) para as cenas de furto. A já citada sequência na estação de trem nos proporciona com um verdadeiro balé de mãos, que estão sempre a roubar alguém e passar o produto para o cúmplice de trás, numa perfeita e incessante coreografia, que mostra toda a audácia e organização do grupo (em especial uma cena onde um deles rouba a carteira de um homem na sua frente, tira o dinheiro e a devolve no mesmo lugar). Toda a sequência é filmada mostrando apenas as mãos, em vários cortes desconexos que nos dão a sensação do espaço como um todo (Eisenstein teria se orgulhado se estivesse vivo).

Minimalista ao extremo, este filme consolida o estilo tão característico do diretor, e é talvez a melhor introdução a este, uma vez que esse estilo bressoniano de filmar não está tão presente em obras anteriores, e é muito forte a partir de A Grande Testemunha, culminando no insuportavelmente inerte Lancelot. Filmado na mesma época do nascimento da Nouvelle Vague, esse filme prova que Bresson estava anos a frente de seus conterrâneos, e era bastante admirado por estes, em especial Truffaut e Godard (este homenageou Pickpocket ao dar o nome ao personagem de Acossado de Michel). Aliás, faço das palavras de Jean-Luc as minhas: "Bresson é o cinema francês, assim como Dostoiévsky é a literatura russa e Mozart é a música alemã".

Por Roberto Ribeiro
28/05/2005

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349. BEN-HUR (1959)

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Em Jerusalém no início do século I vive Judah Ben-Hur (Charlton Heston), um rico mercador judeu. Mas, com o retorno de Messala (Stephen Boyd), um amigo da juventude que agora é o chefe das legiões romanas na cidade, um desentendimento devido a visões políticas divergentes faz com que Messala condene Ben-Hur a viver como escravo em uma galera romana, mesmo sabendo da inocência do ex-amigo. Mas o destino vai dar a Ben-Hur uma oportunidade de vingança que ninguém poderia imaginar.

Premiações
- Ganhou 11 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Charlton Heston), Melhor Ator Coadjuvante (Hugh Griffith), Melhor Direção de Arte - A Cores, Melhor Fotografia - A Cores, Melhor Figurino - A Cores, Melhores Efeitos Especiais, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Som. Foi ainda indicado na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.
- Ganhou 3 Globos de Ouro: Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor e Melhor Ator Coadjuvante (Stephen Boyd), além de ter recebido um prêmio especial, dado a Andrew Marton, devido à sua direção na cena da corriga de bigas em Ben-Hur.

Curiosidades
- O ator Burt Lancaster recusou o papel de Judah Ben-Hur porque, segundo o ator, a história continha morais violentas as quais discordava. Além de Lancaster, os atores Marlon Brando e Rock Hudson também recusaram o papel-título de
Ben-Hur.
- A produção de Ben-Hur foi uma bem-sucedida tentativa da MGM de sair da ameaça de falência.
- Gore Vidal declarou certa vez que o roteiro original previa um relacionamento homossexual entre Ben-Hur e Messala. Como o diretor William Wyler sabia que Charlton Heston nunca aceitaria interpretar um personagem com nuances homossexuais, Vidal instruiu Wyler a apenas contar a Stephen Boyd, intérprete de Messala, sobre este relacionamento. Este fato pode ser notado no próprio filme pelas diferenças no modo de falar de Ben-Hur e Messala.
- A MGM, produtora do filme, queria que um autêntico barco romano fosse utilizado nas cenas de batalha de Ben-Hur.Para tanto, contratou um engenheiro que havia estudado durante toda sua carreira arquitetura romana. Quando ele apresentou o design do barco aos engenheiros da MGM, estes disseram que o barco afundaria, pois era muito pesado. Ainda assim o barco foi construído e, ao ser colocado no oceano, inicialmente flutuou. Porém, logo após uma pequena onda fez com que o barco afundasse. Deste modo, a MGM resolveu colocar o barco em um gigantesco tanque onde suas cenas seriam rodadas, com cabos prendendo o barco ao tanque.
- Após a construção do tanque, um problema enfrentado era conseguir dar à água o tom azul-mediterrâneo necessário para que as cenas ali rodadas parecessem reais. A água inicialmente era marrom e escura e, para conseguir a tonalidade de cor necessária, foi utilizado um composto químico que, apesar de fazer com que a água ficasse azul, fez também com que fosse formada uma crosta em toda a superfície da água, que precisou ser toda retirada do tanque por operários da MGM.
- Durante as filmagens de uma das cenas de batalha realizadas no tanque, um dos extras caiu na água e lá ficou por muito tempo. Ao sair, este extra estava totalmente azul e teve seu salário pago pela MGM até que a cor saísse de sua pele.
- Só a construção do circo para a corrida de quadrigas (na Cinecittà, em Roma) custou 1 milhão de dólares. Nessa sequência - dirigida em 94 dias por Andrew Marton, Mario Soldati e Yakima Canutt, especialista em cenas de perigo - , utilizaram-se cinco câmeras, 8.000 extras e 76 cavalos.
- Para a entrada dos corredores, o diretor de fotografia Robert Surtees usou uma grua de mais de 30 metros de altura: o espectador vê as quadrigas desfilando na pista como se estivesse sobrevoando o circo. O efeito é realçado pela utilização do processo cinematográfico Camera 65, um aperfeiçoamento do cinemascope.
- Apesar de haver na Itália cavalos brancos, os quatro cavalos brancos utilizados durante as filmagens vieram da Tchecoslováquia, trazidos na primeira classe de um avião fretado para o transporte e que teve seus assentos retirados.
- O estádio confeccionado para Ben-Hur foi feito seguindo detalhes do estádio utilizado na versão da história lançada nos cinemas em 1926.
- Após o término das filmagens, os cenários utilizados em Ben-Hur foram todos destruídos por ordem do produtor Sam Zimbalist, que temia que eles fossem utilizados em produções menores realizadas por produtores italianos.
- Miklós Rózca compôs a trilha sonora de Ben-Hur em 8 semanas.
- Esta é a 3º adaptação para as telas de cinema de Ben-Hur. As anteriores ocorreram em 1907 e em 1926, ambas sendo mudas e também se chamando Ben-Hur.
-Ben-Hur é um dos recordistas de Oscars recebidos, com 11 estatuetas, estando empatado com Titanic (1997) e O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei (2003).

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Ben.Hur.(1959).(Dual.ENG.PTBR).DVDRip.XviD.PARTE.1-by.alsena.avi
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348. ACOSSADO (1959)

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Após roubar um carro em Marselha, Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo) ruma para Paris. No caminho mata um policial, que tentou prendê-lo por excesso de velocidade, e em Paris persuade a relutante Patricia Franchisi (Jean Seberg), uma estudante americana com quem se envolveu, para escondê-lo até receber o dinheiro que lhe devem. Michel promete a Patricia que irão juntos para a Itália, no entanto o crime de Michel está nos jornais e agora não há opção. Ele fica escondido no apartamento de Patricia, onde conversam, namoram, ele fala sobre a morte e ela diz que quer ficar grávida dele. Ele perde a consciência da situação na qual se encontra e anda pela cidade cometendo pequenos delitos, mas quando é visto por um informante começa o final da sua trágica perseguição.

Curiosidades
- No início das filmagens o diretor Jean-Luc Godard ainda não tinha o roteiro concluído, escrevendo cenas no período da manhã para que fossem rodadas mais tarde.
- Refilmado como A Força do Amor (1983).

Premiações
BAFTA 1962 (Reino Unido)
* Indicado na categoria de melhor atriz estrangeira (Jean Seberg).
Festival de Berlim 1960 (Alemanha)
* Recebeu o Urso de Prata na categoria de melhor diretor.
* Indicado ao Urso de Ouro.
French Syndicate of Cinema Critics 1961 (França)
* Venceu na categoria de melhor filme.

Crítica
A estréia de Jean-Luc Godard, “Acossado” (À Bout de Souffle, França, 1960), atingiu o mundo do cinema como um choque elétrico. O filme que deu o pontapé inicial ao movimento da Nouvelle Vague transpirava uma vontade juvenil de quebrar regras, e por isso atingiu em cheio a juventude inquieta e politizada da época. A virada das décadas de 1950 e 60 representou o momento em que os jovens de todo o mundo ganharam voz real dentro da sociedade – o nascimento do rock’n’roll, a queima de sutiãs e os protestos de maio de 1968 são reflexos diretos disso. E o filme de Godard representou, principalmente nos aspectos técnicos, a chegada dessa juventude ao cinema.

De certa forma, não é errado enxergar em “Acossado” o elo perdido de ligação entre o cinema clássico dos anos 1950 e os filmes transgressores da década seguinte. O raciocínio é o seguinte: os críticos franceses da revista Cahiers du Cinema (Godard incluído) admiravam os diretores proscritos como Nicholas Ray que, nos EUA, dirigiam sob fortes amarras de estilo, contrabandeando para dentro dos filmes temas ousados, mas sempre de forma dissimulada. Godard não estava em Hollywood e não tinha dinheiro, mas em compensação não precisava dissimular nada. Fez “Acossado” com US$ 90 mil, do jeito que quis, e mudou o cinema para sempre.

Alguns anos antes, Hollywood já havia percebido que filmes sobre jovens eram um grande filão, mas sempre os fez de forma conservadora. “Acossado” rompeu esse paradigma e eletrizou a juventude em todo o mundo. Até então, ninguém jamais havia visto, em filme, um personagem virar para a câmera e se dirigir diretamente ao espectador. Michael Poiccard (Jean-Paul Belmondo), o herói de “Acossado”, não só fazia isso como mandava a platéia se f… A própria personalidade do rapaz era transgressora, uma espécie de James Dean de celulóide: um ladrão de carros que roubava apenas pelo prazer da velocidade. Um jovem que gostava de se vestir bem e fumar cigarros caros. Alguém cuja única preocupação era viver o momento, sem dar bola para o futuro; alguém para quem o amanhã é sempre longe demais. A filosofia “viva aqui e agora”, sempre tão sedutora para os jovens, acabava de ganhar um ícone cinematográfico.

“Acossado” possui apenas um fiapo de história; o que importa no filme de Godard é menos o enredo e mais a forma de contá-lo. Trata-se da história de um rapaz francês, o já citado Poiccard, que está apaixonado por uma garota norte-americana (Jean Seberg). A moça, que passa uma temporada em Paris, gosta dele – e de muitos outros rapazes. Ela dorme a cada noite com um homem diferente, e encara essa atitude com uma naturalidade que deve ter chocado os puritanos da época. Patricia Franchisi (nome dela) também virou ícone para as garotas. O corte de cabelo curto, as minissaias e o comportamento libertário viraram uma coqueluche entre as jovens francesas do começo dos anos 1960.

Quando o filme começa, Poiccard acabou de roubar um carro em Marselha e dirige para Paris em alta velocidade. Ele é seguido por um policial e acaba tendo que matá-lo para não ser preso. O resto do filme trata dos esforços do rapaz para fugir da polícia e, ao mesmo tempo, conquistar o coração de Patricia. Godard filma tudo isso com um senso de urgência impressionante, um ritmo nervoso acentuado pela montagem inovadora, que pula no meio das cenas como um disco de vinil arranhado. “Acossado” foi o primeiro filme a apresentar uma técnica chamada de “jump cut”, em que os cortes quebram a sensação de continuidade e surgem nos momentos mais inesperados, apenas para acelerar o ritmo geral. Observe, por exemplo, como os cortes rápidos dão à perseguição de carro que abre o filme uma sensação alucinante.

O longa-metragem surgiu de uma idéia de François Truffaut, que escreveu o roteiro a partir de uma notícia de jornal e o entregou ao amigo Godard. Nos anos seguintes, os dois diretores foram se afastando, tanto em termos de temática quanto na parte técnica (Godard sempre gostou de experimentar novidades, enquanto Truffaut preferia mergulhar no personagem em detrimento da técnica). Juntos, porém, os dois foram capazes de criar um clássico instantâneo, um filme de transição entre dois períodos difíceis do cinema. “Acossado” fez Hollywood acelerar a montagem dos seus filmes, introduziu novas modas entre os jovens e foi, por isso, influência básica para diretores como Arthur Penn e William Friedkin, gente que renovaria o combalido cinema norte-americano do pós-guerra, alguns anos depois. Por isso é um filme que todos os cinéfilos deveriam ter em casa.

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

347. O MUNDO DE APU (1959)

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Com APUR SANSAR (O Mundo de Apu), Satyajit Ray concluiu a Trilogia de Apu e assim criou a melhor e mais bela trilogia da História do Cinema. Apu logrou tragicamente sua ânsia de independência e sente reforçada sua ânsia de conhecimento. Os desejos de escrever, sonhar e amar parecem cumprir-se ao conhecer Aparna e contrair matrimônio. Recuperada a finais dos anos 90, depois do incêndio que destruiu os negativos originais, é uma obra-prima do cinema mundial, e uma das mais ternas e sensíveis histórias de amor.

Premiações
Indicado ao BAFTA em 1962

Nota na 24° Mostra Internacionaç de Cinema de São Paulo.
A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo reverencia o mais importante diretor do cinema indiano. Exibe seis de seus filmes. Dois deles compõem a célebre trilogia de Apu. A mostra vai exibir o primeiro, Pather Panchali, ou Canção da Estrada, e o terceiro, Apu Sansar, ou O Mundo de Apu. Fica faltando o segundo, Aparajito, O Invencível. Dos outros quatro filmes há um que é fundamental na carreira do autor – A Deusa. O ciclo todo é imperdível. A Índia possui uma das maiores cinematografias do mundo. É o único lugar que produz mais filmes que Hollywood, mas a maioria deles, melodramas cantados, é consumida só pelo público interno, não se destina à exportação. Satyajit Ray foi um dos raros diretores indianos a conseguir projeção internacional.
Até Hollywood se rendeu ao diretor que nasceu em 1921. Ele já estava no hospital, quando recebeu um Oscar especial de carreira, em 1992. Morreu menos de um mês depois. Deixou o legado de uma obra que pode ser desequilibrada estruturalmente, mas é sempre rigorosa do ponto de vista filosófico, humano e poético. Canção da Estrada, o primeiro filme da trilogia, inicia a história de Apu. O garoto nasce logo no começo e o filme mostra a dificuldade da família para sobreviver numa aldeia pobre. Apu, o pai, a mãe e a irmã. Uma narrativa de inspiração neo-realista, mas que adquire uma dimensão meio mágica com a personagem da parente, a ‘tia’, que conta histórias.
No segundo filme, que não passa na mostra, a família muda-se para a cidade. Apu não se adapta, distancia-se da mãe. É quando vem a cena maravilhosa – ele recita uma poesia na aula. É como se Ray quisesse dizer que a beleza pode refulgir no ambiente mais miserável. Esse homem era um humanista – por mais que a palavra seja estranha nesses tempos de globalização. No Mundo de Apu, o herói casa-se com uma mulher rica e desenvolve um olhar contemplativo sobre o mundo. Os três filmes compõem um comentário sobre a evolução da Índia como sociedade industrial. Ray critica essa sociedade por ser corrupta, mas sua idéia é a de que o homem não precisa (nem deve) se corromper.
Ele era filho de um poeta e pintor que morreu quando tinha apenas 2 anos. A família empobreceu, Ray teve de trabalhar muito cedo. Foi ser desenhista de publicidade. Os desenhos o aproximaram do cinema. Resolveu ser cineasta e em 1947 fundou a Film Society. No começo dos anos 50, teve o encontro decisivo com Jean Renoir, que fora à Índia para fazer O Rio Sagrado. Superando dificuldades, Ray fez, ao longo de vários anos, Canção da Estrada, que ganhou o prêmio de melhor documento humano em Cannes, em 1956. No ano seguinte, ganhou o Leão de Ouro de Veneza com Aparajito. O resto é história.
Uma poderosa influência foi exercida sobre ele por Rabindranath Tagore. O poeta foi seu professor. Ray dedicou-lhe um belíssimo documentário no começo dos anos 60 e foi além – adaptou três histórias de Tagore em Três Mulheres. A influência do poeta também é perceptível em A Deusa. É um ataque à religião e à superstição, importante num país como a Índia, no qual ela é sempre fonte de espanto e admiração, principalmente para os ocidentais. A religião indiana eleva, mas em nome dela também se praticam a discriminação e a segregação. Ray investe contra a religião, mas o faz com tal nobreza que impede o filme de se transformar num panfleto. É um clássico.

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