Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

terça-feira, 25 de maio de 2010

346. SOMBRAS (1959)

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Nos anos 50, na cidade norte-americana de Nova York, Lelia, de pele moreno-clara, apaixona-se pelo branco Tony. O relacionamento começa a desmoronar quando ele conhece os irmãos da moça, todos negros.

A vida de três irmãos na Nova Iorque dos anos 50 é explorada no primeiro filme realizado por John Cassavetes, actor e cineasta impulsionador do cinema independente. Neste objecto de puro improviso consegue capturar a essência da era beat e o início de uma grande mudança que se preparava para acontecer. O racismo deixava de ser tão evidente e tomava lentamente a forma de taboo, aqui evidente no confronto de um novo namorado da irmã mais nova com o resto da família, e o jazz a todos dominava. É também o retrato de uma geração perdida no desespero silencioso de não conseguir traçar um caminho para o seu futuro. Isso toma a forma nos dois irmãos mais novos: Ben, um trompetista que passa os seus dias com os amigos a deambular por Manhattan e Leila, cujo espírito tempestuoso acaba por subjugar involuntariamente todos aqueles que dela se aproximam. Shadows é um pequeno filme que quase esteve perdido para sempre e que merece ser visto, especialmente como marco essencial de uma nova era do cinema norte-americano.

Premiações
Indicado ao BAFTA em 3 categorias , incluindo melhor filme, em 1961. Venceu no Festival de Veneza , John Cassavetes ganhou o premio Pasinetti.

Curiosidades
Quase duas décadas após a sua morte, a filmografia do cineasta americano John Cassavetes, nascido em Nova York, ainda permanece como um exemplo da possibilidade de um cinema alternativo à estrutura paradigmática do cinema clássico, mesmo nos Estados Unidos.

Considerado o precursor do cinema independente americano, seus filmes foram realizados segundo princípios quase artesanais: orçamento reduzido, produção independente e com a mesma equipe de técnicos e atores.

Nascido em Nova York, filho de um imigrante grego que fez e perdeu fortuna, Cassavetes começou no cinema como ator e em 1957 criou a oficina teatral Variety Arts Studio.

Em paralelo à carreira de cineasta, fez importantes papéis em filmes como "Um Homem Tem Três Metros de Altura", "O Bebê de Rosemary" e "Os Doze Condenados", pelo qual recebeu a indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante em 1967. Das atuações em filmes alheios, reunia recursos para seus projetos pessoais, realizados praticamente em família, com a mulher, Gena Rowlands, e os amigos Seymour Cassel, Peter Falk, Ben Gazzara, o produtor e fotógrafo Al Ruban e o músico Bo Harwood.

Seus filmes são basicamente intimistas, centrados nas tensões e conflitos do relacionamento humano, com grande espaço para uma certa improvisação controlada do elenco. A proposta de Cassavetes, nos filmes como nas várias peças teatrais que escreveu, é fazer um grande painel da vida adulta americana. Seu estilo realista retrata pessoas que enfrentam crises de valores.

Os personagens, possuem seus próprios nomes reais, pois se trata de um naturalismo e emproviso.

Crítica
Um improviso jazzístico é algo permeado de acaso, mas também de distinção, técnica, cérebro criador. Distinção por que nunca podemos avaliar comparativamente. Por exemplo, quando Coltrane manifesta sua nova criação, não é preciso saber o que Sonny Rollins está fazendo. Sabemos sim que ambos se inscrevem num movimento de busca, uma autêntica busca no deserto, a música do vento. Eles podem se encontrar neste deserto e trocar umas idéias. Mas não será um encontro para determinar quem é melhor, mas para afirmar a distinção. A comparação, pois, é infecunda. E a técnica? Ora, a técnica. Tão necessária para engendrar um ato competente. Coltrane, Shafi e Rollins estudaram para atingir a técnica necessária para o que desejavam fazer. Os Beatles utilizaram a técnica a partir de sua necessidade. Hermeto e João Gilberto: repertório distinto para uma genialidade sem comparações; repertório técnico absolutamente variado e...sem importância. A super-valorização da competência (sempre uma competência em reproduzir) leva a uma consideração equivocada sobre a técnica. Mas assim é o mundo hoje, não entremos em conflito. A questão é mais complexa, mas podemos dizer, grosso modo, que técnica é informação. Cinema também é uma questão de técnica.

O problema é que um improviso suscita sobretudo uma idéia de acaso. Mas nesta manifestação existem tramas das mais diversas naturezas. Por exemplo: se Charles Mingus procura fazer um solo de contrabaixo sabemos que ele se manifesta ali pelo acaso. Sua intuição guia suas mãos através de um combinado de técnica e audição. A técnica fornece os meios; a intuição e a audição, pensam o solo. O cérebro criador, o ímpeto que faz com que acreditemos definitivamente no valor daquela música, é um diferencial interessante e intrínseco. Vejamos outro exemplo: Trilok Gurtu, um percussionista indiano que se meteu nos meios jazzísticos ocidentais, revela uma técnica surpreendente acoplando à bateria as técnicas da tabla. Quando toca a tabla em seu país Trilok não faz somente música, mas uma manifestação religiosa. No jazz, ou com Gilberto Gil no disco O sol de Oslo, seu trabalho é outro. Quando Trilok improvisa, há intuição, técnica, cérebro, distinção e acaso, mas dependendo do seu papel (religioso ou estético?) sabemos o que podemos esperar. O improviso religioso é de outra natureza, possui outros fins. Não quer dizer de modo algum que não podemos nos surpreender na Igreja. É uma questão de feeling diria o outro. É um problema estético, sócio-cultural ou qualquer outra coisa do tipo.

Deste modo, a questão do improviso pode se resolver no que podemos esperar do improvisador. Claro está que operamos aqui com reduções negligentes. O improviso sempre é carregado de um mistério. Não podemos dar conta deste mistério em poucas linhas. Mas, geralmente, ele encerra suas potencialidades neste mistério, que é o mistério do estilo. Ele é o fator de distinção e é por isso que Miles Davis e Clifford Brown são melhores que Winton Marsalis. Por isso que Mingus e Ron Carter são infinitamente melhores que o queridinho Christian MacBride. Por isso que entre Sganzerla e Walter Salles há um abismo. E é por isso que o jazz atual é tão patético, porque parece uma música religiosa às avessas. Se o jazz começa na igreja ele termina nos salões luxuosos de Nova York, 70 dólares por cabeça. Não porque virou artigo de luxo, mas porque se transformou num mar de reproduções vazias em que basta ter a técnica e os padrões e combiná-los "como deve ser". Pois existe um jazz mítico (melhor dizer, mitificado) e ele determina este "ser".

O improviso teatral é diferente do improviso musical. Nele há um feedback que determina a atuação. O ator que está no palco recebe da platéia a carga necessária para continuar. Numa comédia isso é flagrante: quem garante são os risos.

A ciência é a seguinte: delimitar os espaços e dispor os atores sambando no tempo. O que podemos esperar de um filme de improvisos? Um tempo fílmico, um tempo mágico e decepcionante. A decepção é o diferencial, uma arma para sacudir o espectador. Nunca nos decepcionamos com Walter Salles ou com Ivan Reitman. Nunca somos surpreendidos pelos mesmos. Mas podemos falar não de uma decepção estritamente estética. Se o resultado estético de um filme é ruim, se um improviso jazzístico não tem força, se o ator vacila, este não é o problema. A decepção pode ter o ritmo do cotidiano, o vibe de nossas decepções com o irmão mais velho, com nosso melhor amigo. Nossa namorada pode nos decepcionar e é doloroso. Improvisamos uma saída mental para continuar. O filme e a música podem ter estas armas para continuar, bem como, o dispositivo para nos deixar eternamente seqüelados. É problema da vida cotidiana. Seu intercâmbio com a arte é flagrante.

Shadows é um problema. Não se parece com um filme, mas com um improviso jazzístico e não é à toa que Shafi Hadi e Mingus compõem a trilha. Como dissemos, é uma questão de estilo. O ator que improvisa não obtém o retorno do público. Ele delineia sua voz, seus gestos e sua expressões como um improviso musical, sem retorno. Neste sentido é que o vibe do cotidiano é expresso por esse filme. O aviso no final do filme não é dado à toa. Busca o confronto entre o que vimos, o que sentimos, o que pensamos ao longo do trabalho. Se fosse dado no início, o filme seria esvaziado porque saberíamos de antemão e acreditaríamos numa dramaticidade do improviso. Trata-se de observarmos como os atores obtém força para continuar. Importa sabermos que aquilo foi uma espécie de manifestação, energias que afloraram, indeterminação. É desafiar certa "organização", certa competência que o cinema americano carregava e que neste filme é dissolvida em prol da surpresa, da verdade, da beleza e da força de sentimentos muito próximos e muito distantes do próprio cinema americano. A técnica é importante, tanto para o cineasta quanto para os atores. No entanto funciona como acessório. O que importa é a galeria de personagens e seus movimentos no tempo.

O importante em Shadows é fazer os atores bailarem na nossa frente, sem sabermos que se trata de um improviso. Deste modo eles figuram como profundos intérpretes de um texto, por si só, surpreendente. Suspeitamos de certos cacos, endossados pela câmara desordenada, pela música confusa e retumbante, pelos atores titubeantes "como na vida real". No entanto a dialética reside na liberdade da feitura e no talento intuitivo dos atores. As múltiplas virtudes do filme são reunidas nestes dados que o fazem semelhante ao jazz. Estórias da vida, as sombras do cotidiano, as sombras do amor, da morte, do acaso. O início do filme diz tudo: uma imensa alegria, um ponto de tristeza, uma oposição entre o grave e o agudo, mas uma oposição sintética. Identificamos esta oposição en bloc. E esta multiplicidade é que torna Shadows uma obra-prima incontestável da história do cinema. Por sua capacidade de nos reportar a um lugar muito árido e confuso. E ao mesmo tempo, estamos em casa, no quintal, regando as plantas.

Por Bernardo Oliveira

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345. ORFEU NEGRO (1959)

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Primeira versão cinematográfica da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, Orfeu Negro transpõe o mito grego de Orfeu e Eurídice, uma trágica e bela história de amor, para os morros do Rio de Janeiro, durante o carnaval. Consagrado no mundo inteiro, tendo recebido muitos prêmios, o filme foi também um dos marcos fundadores da bossa nova, trazendo músicas clássicas do gênero assinadas por Tom Jobim, Vinícius, Luiz Bonfá e Antonio Maria, como A Felicidade, Manhã de Carnaval e O Nosso Amor.

Premiações
- Palma de Ouro, Festival de Cannes em 1959
- Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960
- Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 1960
- Indicado ao BAFTA, na categoria de Melhor Filme em 1961

Crítica
Orfeu Negro, lançado por aqui como Orfeu do Carnaval, já que se passa durante a festa, foi adorado mesmo por críticos renomados europeus. Saiu vencedor da Palma de Ouro, no Festival de Cannes, depois de assegurar o Oscar de filme estrangeiro. Só para comparar: na mostra francesa, Camus derrotou Truffaut (que estreava com Os Incompreendidos) e Buñuel (Nazarín). Não é difícil imaginar a razão. Mal os créditos iniciais surgem na tela e já irrompe uma escola de samba a ensaiar no morro — e assim será em grande parte da obra, com sambistas e mulatas na conhecida animação carnavalesca. Nada contra a imagem que costuma celebrar o Rio mais eloqüente.

É convincente, inclusive, para justificar o protagonista também músico e enraizado naquela cultura. Orfeu (Breno Mello, um ex-jogador ruim em campo e no filme) é a representação do conquistador malandro e querido por todos. Também tem o violão mais afinado do morro. Dele saem os trunfos do filme, canções de Tom Jobim e Carlos Lyra, como Manhã de Carnaval e A Felicidade. Impossível esperar mais de um Brasil para exportação. E foi nesse formato que o filme nasceu. A crítica da época explica que a idéia foi do produtor Sacha Gordine. Este sabia do amor de Marcel, o irmão de Albert Camus, pelo Rio de Janeiro e lhe entregou o projeto. O diretor subiu o morro sem pestanejar, inclusive destacando sua mulher, a americana Marpessa Dawn para o papel de Eurídice.

Ela literalmente some com as ótimas interpretações de Lourdes de Oliveira, como Mira, a namorada ciumenta de Orfeu, e Léa Garcia, a fogosa prima de Eurídice. São verdadeiras cabrochas. Por mais dedicadas, não conseguiram escapar da pasteurização. O mundo teria que ver gente feliz, bonita e orgulhosa de seu universo. Há indicações de que Camus se arrependeu não só deste, mas de muitos equívocos, mesmo tendo colhido sucesso pelo mundo. Ao tecer seu comentário demolidor na Cahiers du Cinéma, Jean-Luc Godard lembrou que conhecia o Rio de Janeiro e apontou, com detalhes, todos os erros e absurdos de roteiro e continuidade. Chegou a embirrar com a chegada de Eurídice na barca de Niterói e não no charmoso aeroporto Santos Dumont, onde a vista era fantástica.

Cacá Diegues lembraria da sugestão ao filmar o seu mito. Camus alegou que só depois das filmagens conheceu bem a cidade. Os deslizes transparecem nos movimentos da protagonista até chegar à favela; nos diálogos muitas vezes descuidados e sem sentido, nos recursos escolhidos para momentos fundamentais da trama. O mito dá conta do amor do casal acompanhado de perto pela morte (no filme é o atleta Ademar Ferreira da Silva). Quando Eurídice é vitimada, Orfeu desce aos infernos para buscá-la e o destino de ambos depende de nunca mais se olharem. Camus lança a mensagem numa das cenas mais emblemáticas — para o bem e para o mal —, quando o protagonista vai a um candomblé e ouve sua amada no corpo de uma velha. É essa sucessão de imagens clichês que aos poucos vai matando a boa intenção de servir um retrato honesto e comovente da vida brasileira. São ilusões de um estrangeiro que se esforçou em ser da terra.

Não deixa de ser tocante que se lembre de ícones como Cartola e Dona Zica numa ponta na repartição. Diegues também se deu ao luxo de encaixar — mesmo que fora de contexto — um ídolo musical, Caetano Veloso. Reveste também seu filme de exotismo e talvez não possa culpar tanto Camus pelo dele. É um das diversões do cinema. Com o tempo, alguns equívocos não se mostram mais tão marcantes.
(Fonte)

Curiosidade
- O prêmio de melhor filme estrangeiro ganho por Orfeu Negro foi dividido com outros 3 filmes: Kagi, a Ponte da Desilusão, Morangos Silvestres e Wir Wunderkinder.
- Refilmado como Orfeu (1999).

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Orfeu.Negro.(1959).DVDRip.XviD-MakingOff.avi

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Orfeu.Negro.(1959).DVDRip.DivX5-filbradow.avi

segunda-feira, 24 de maio de 2010

344. O HOMEM QUE LUTA SÓ (1959)

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O pistoleiro Billy John é capturado pelo caçador de recompensas Ben Brigade. Mas a viagem até Santa Cruz não será nada tranqüila. Principalmente depois que se juntaram a eles uma mulher cuja vida Brigade salvou e dois foras-da-lei em busca de perdão.

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Ride.Lonesome.(1959).DVDRip.XviD.avi

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343. OS OLHOS SEM ROSTO (1959)

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Um famoso cirurgião, após desfigurar a filha num acidente de carro, lança-se no desenvolvimento de uma nova forma de transplante facial a partir de uma doadora viva, fato que o levava a matar suas pacientes para roubar-lhe os rostos. A técnica funcionou na sua assistente, mas o corpo da filha rejeita sucessivamente os novos rostos implantados, causando uma série infindável de crimes que logo chama a atenção da polícia, dando início às investigações.

Crítica
Este filme é uma daquelas preciosidades praticamente esquecidas que nos satisfazem imensamente quando vistas, geralmente por acaso. O filme sequer tem título em português e seu título original em francês “Les Yeux sans visage” significa literamente “Olhos Sem Face” mas foi traduzido bizonhamente como “The Horror Chamber of Dr. Faustus” ou “A Câmara de Horror do Dr. Faustus” nos EUA. Eca. O filme trata de um médico atormentado por ter causado um acidente em que sua filha fica com o rosto desfigurado e de suas tentativas, a quaisquer custo, de reconstruí-lo.

Esqueça esse terror atual com exceção, talvez, do neo-terror asiático, com suas cenas pingando sangue, suas explosões, seus assassinos e suas cenas completamente não críveis. Parece que o mundo atual está tão bagunçado que o terror deve transcender a realidade pra poder aterrorizar. “Simples” assassinatos, imoralidades e violências parecem ter se tornado comuns demais para causar efeito. “Olhos Sem Face” é uma espécie de terror fantástico, aterrorizante mesmo com poucas/nenhuma gota de sangue.

O filme inicia-se com uma mulher, que você descobre logo logo ser secretária do famosíssimo médico/pesquisador Dr. Génessier. Este simula o sumiço e morte de sua filha, Christine, de forma a poder trabalhar na reconstrução de sua face com mais calma pois em um acidente de carro no qual o Dr. Génessier dirigia sem cautela a face de sua filha foi calcinada. O método que escolhido pelo médio é fazer transplantes das faces de outras garotas, de mesmo porte e aparência de Christine a qual, enquanto isso, usa uma fantasmagórica máscara branca.

A falta de escrúpulos do talentoso e respeitado médico é chocante e a fidelidade absoluta de sua secretária provocam indagações. Até que ponto pode-se ir em busca de um “bem” maior, mesmo que inicialmente para sua filha mas logicamente estendível a todos? A utilização indiscriminada de cães como cobaias de suas técnicas também levanta várias questões.

Mas não pensem que é um filme para estômagos fracos. Cenas como a ida noturna ao cemitério com o corpo de uma garota, a visão desfocada da face de Christine sem a máscara e, principalmente, a operação de retirada completa da face de uma das garotas, com toda sua frieza e cuidados médicos, são extremamente chocantes.

Um grande filme, que não merece permanecer esquecido.
(postado no MKO)

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Les.Yeux.Sans.Visage.(aka.Eyes.Without.A.Face).(1960).CRiTERiON.DVDRip.XviD.avi [699.15 Mb]

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domingo, 23 de maio de 2010

342. ANATOMIA DE UM CRIME (1959)

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No Michigan, Paul Biegler é um advogado que é auxiliado por um alcoólatra, Parnell McCarthy. Após ter recusado o caso inicialmente, ele decide aceitar a defesa de Frederick Manion, um tenente do exército acusado de assassinato. O réu alega que a vítima violentou Laura Manion, sua mulher, mas seu oponente é Claude Dancer, um conceituado promotor que afirma que a alegação do réu é falsa e que Laura, que tem uma reputação de promíscua, estava realmente tendo um caso com o bartender assassinado, sendo que durante um acesso de cíúme Frederick teria intencionalmente cometido o crime.

Premiações
- Recebeu 7 indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (James Stewart), Melhor Ator Coadjuvante (Arthur O'Connell e George C. Scott), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia - Preto e Branco.
- Recebeu 3 indicações ao BAFTA, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Ator Estrangeiro (James Stewart) e Melhor Revelação (Joseph N. Welch).
- Ganhou o Volpi Cup de Melhor Ator (James Stewart), no Festival de Veneza.
- Ganhou o Grammy de Melhor Trilha Sonora para Cinema ou TV.

Curiosidade
- O personagem do juiz Weaver chegou a ser oferecido aos atores Spencer Tracy e Burt Ives, que o recusaram. Joseph N. Welch, intérprete do papel, era um juiz de verdade na época das filmagens.

Crítica
Baseado no livro homônimo de Robert Traver, "Anatomia de um Crime" é um magnífico filme de tribunal. Produzido e dirigido pelo cineasta Otto Preminger, sua trama gira em torno da batalha judicial que se trava quando um tenente do exército americano vai a julgamento pelo assassinato do homem que estuprou sua esposa.

O trabalho de Preminger beira a perfeição, na forma como apresenta cada detalhe e no ritmo dado à trama, mantendo o interesse do espectador da primeira à última cena. Sem dúvida, seu trabalho foi facilitado ao contar com um roteiro muitíssimo bem construído e com um elenco de primeiríssima linha.

A fotografia de Sam Leavitt e a brilhante trilha sonora do grande Duke Ellington complementam, tecnicamente, essa pérola do cinema hollywoodiano do final dos anos 50.

No elenco, James Stewart e George C. Scott estão ótimos como sempre. Arthur O'Connell nos brinda com uma de suas melhores interpretações. Lee Remick, no papel da esposa estuprada, mostra-se convincente. Merecem ainda ser destacadas as atuações de Joseph N. Welch e Eve Arden.
(70 anos de Cinema)

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Anatomy.Of.A. Murder.(1959).DVDRip.XviD.cd1.avi
Anatomy.Of.A. Murder.(1959).DVDRip.XviD.cd2.avi

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sábado, 22 de maio de 2010

341. QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (1959)

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Chicago, 1929. Joe e Jerry são músicos desempregados, que estão desesperados por trabalho. Eles acidentalmente testemunham o Massacre do Dia de São Valentim, assistindo o criminoso Spats Colombo e seu cúmplice aniquilarem Toothpick Charlie e sua gangue. Forçados a apressadamente deixarem a cidade, Joe e Jerry pegam o primeiro trabalho que podem arrumar: tocar na banda de garotas da Sweet Sue e suas Sincopadoras. Em trajes femininos, os dois se juntam ao resto da banda em um trem que vai para Miami, Flórida. Diante desta situação, Joe adota o nome de Josephine e Jerry torna-se Daphne. De repente eles vêem Sugar Kane, a vocalista da banda de Sweet Sue. Jerry se apaixona na hora, mas Joe o lembra que ele não pode se fazer notar. Porém, após chegarem a Miami, um milionário se apaixona por Daphne e Joe resolve se fazer passar por um milionário para tentar conquistar Sugar, tudo isto em meio à uma reunião dos Amigos da Ópera Italiana, uma convenção de criminosos que traz à cidade Spats Colombo e sua gangue.

Premiações
- Ganhou o Oscar de Melhor Figurino - Preto e Branco, além de ter recebido outras 5 indicações: Melhor Diretor, Melhor Ator (Jack Lemmon), Melhor Direção de Arte - Preto e Branco, Melhor Fotografia - Preto e Branco e Melhor Roteiro Adaptado.
- Ganhou 3 Globos de Ouro: Melhor Filme - Comédia/Musical, Melhor Ator - Comédia/Musical (Jack Lemmon) e Melhor Atriz - Comédia/Musical (Marilyn Monroe).

Curiosidades
- Inicialmente era idéia do diretor Billy Wilder que Frank Sinatra interpretasse Jerry e Daphne.
- A escolha inicial de Billy Wilder para a personagem Sugar Kane não foi Marilyn Monroe, mas sim Mitzi Gaynor.
- Marilyn Monroe queria que "Quanto Mais Quente Melhor" fosse rodado a cores, já que seu contrato estipulava que todos os seus filmes deveriam ser a cores. Monroe somente concordou com que o filme fosse rodado em preto e branco após ser convencida por Billy Wilder, que usou como argumento o fato de que a maquiagem utilizada por Jack Lemmon e Tony Curtis ao se travestirem de mulher deixava suas peles com um tom esverdeado.
- Foram necessárias 47 tomadas para que a cena em que a personagem de Marilyn Monroe diz a fala "It's me, Sugar" ficasse pronta. A atriz sempre trocava a fala ou para "Sugar, it's me" ou para "It's Sugar, me". Após a 30ª tomada, o diretor Billy Wilder resolveu escrever em um quadro-negro a fala correta, para que Monroe não mais se confundisse.
- Outra cena que precisou de um grande número de tomadas foi quando a personagem de Marilyn Monroe procurava em várias gavetas e precisava dizer "Where's the bourbon?". A atriz trocava sempre a fala para "Where's the whiskey?", "Where's the bottle?" ou "Where's the bonbon?" e, após a 40ª tomada, o diretor Billy Wilder resolveu escrever dentro de uma das gavetas a frase correta. Como ainda assim Monroe se confundia, pois se esquecia em qual gaveta estava a fala que precisava dizer, Wilder escreveu "Where's the bourbon?" dentro de todas as gavetas as quais a atriz precisaria abrir. Esta cena precisou ser rodada 59 vezes até que ficasse na forma correta.
- Após várias tomadas de uma cena em que precisava beijar Marilyn Monroe, o ator Tony Curtis comparou a sensação de beijar a atriz como sendo idêntico a beijar Adolph Hitler.
- Em uma pré-estréia de teste, o público riu tanto na cena em que Jack Lemmon anunciava seu noivado que muitos diálogos não foram acompanhados pelo público. O diretor Billy Wilder resolveu então rodar novamente a cena, colocando algumas pausas entre as falas e adicionando o movimento dos chocalhos, feito por Lemmon.

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

340. INTRIGA INTERNACIONAL (1959)

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O executivo publicitário Rogher O. Thornhill é confundido com um agente do governo por uma gangue de espiões. A partir daí, envolve-se em uma série de desventuras incríveis e passa a ser perseguido pelos Estados Unidos, tanto pelo governo quanto pelos espiões.

Premiações
-Festival Internacional de San Sebastián, Espanha
Prêmio Concha de Prata de Melhor Direção (Alfred Hitchcock)
-Indicado em 1960 ao Oscar de Melhor Direção de Arte, Melhor Edição e Melhor Roteiro Original.

Crítica
"Intriga Internacional" está entre as seis melhores realizações do grande cineasta do suspense, Alfred Hitchcock, e é sem dúvida uma de suas obras-primas.

A marca principal de "Intriga Internacional" é a forma como Hitchcock desenvolve o nível de tensão, num filme repleto de emoção e reviravoltas. O grande mestre trabalha como um verdadeiro arquiteto: cada cena, cada diálogo é muito bem estudado, antes de ter a versão final.

As cenas de ação são de tirar o fôlego como, por exemplo, nas seqüências em que Thornhill é perseguido por um avião monomotor ou na perseguição que tem efeito nas encostas do Monte Rushmore.

Como em "Janela Indiscreta", o protagonista tem uma garota que aceita incondicionalmente sua versão da história, mas, como em "Um Corpo Que Cai", ela não é exatamente o que inicialmente aparenta ser.

A trilha sonora é excelente, assim como, o trabalho de edição. No elenco, os maiores destaques ficam por conta das atuações de James Mason, Eva Marie Saint e Cary Grant.
(Fonte)

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