Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

328. A EMBRIAGUEZ DO SUCESSO (1957)

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O maior colunista jornalístico de Nova York, J.J. Hunsecker, quer a todo custo evitar que sua irmã case-se com Steve Dallas, um músico de jazz. Assim, ele contrata Sidney Falco, um agente inescrupuloso, para atrapalhar o caso dos dois.

Premiações
Tony Curtis em 1958 foi indicado ao prêmio BAFTA de melhor ator.

Crítica
O filme cobre um período de aproximadamente 36 horas, com duas longas seqüências noturnas, e abre com vistas de ruas e arranha-céus de Manhattan, também à noite, sob os créditos, com marquises de teatro e anúncios de produtos iluminados a néon. Soa uma campainha quando a câmera penetra no edifício de um grande jornal. Um caminhão passa, com um grande cartaz na lateral: "Venha para The Globe, Leia J.J.Hunsecker, os Olhos da Broadway". No topo do cartaz, um logotipo retangular com os olhos atrás dos óculos do famoso colunista.

Este primeiro filme de Alexander Mackendrick nos Estados Unidos expõe os pervertidos e corrompidos bastidores da glamourosa vida noturna da cidade de Nova York. Revela sua brutalidade, prevaricação, ganância, traição, cinismo, e corrupção. O vigoroso e estilizado roteiro de Lehman (Sabrina, O Rei e Eu, Intriga Internacional, Amor, Sublime Amor, A Noviça Rebelde) e do aclamado dramaturgo Odets (Conflito de Duas Almas, Acordes do Coração, A Grande Chantagem) é baseado na novela do primeiro, intitulada Tell Me About It Tomorrow, publicada na revista Cosmopolitan, em 1950. Como se não bastasse, apresenta duas das melhores interpretações dramáticas masculinas da época, sendo que a de Tony Curtis talvez seja a melhor de sua carreira.

J.J.Hunsecker (Lancaster) é o colunista de jornal mais poderoso de Nova York. Ele faz e desfaz carreiras com algumas linhas impressas. O personagem é baseado no temido Walter Winchell, durante décadas o mais famoso e insultado colunista de fofocas da América. Sidney Falco (Curtis) é um detestável assessor de imprensa que tenta promover um cliente através da coluna de Hunsecker. Este o mantém afastado, até perceber que ele pode ajudá-lo em seu propósito de arruinar, de qualquer forma, o músico de jazz Steve Dallas (Milner), que "ousa" estar apaixonado por sua irmã (Harrison) e querer casar com ela. Para conseguir isso, os dois fazem as maiores baixezas, dispostos até a cometer sérios crimes.

Enquanto Falco sente ocasionais pontadas de remorso, Hunsecker ficou tão acostumado com a bajulação dos que o cercam que acabou acreditando em sua própria onipotência.

Apesar de Curtis ficar muito mais tempo visível, é Lancaster que encabeça o elenco, talvez por ter sido co-produtor do filme. O que fica exposto como uma ferida aberta é o mundo dos chamados tablóides, com seus vícios, fraudes e chantagens. Filmando em locação e geralmente à noite, Mackendrick e Wong Howe captam o bas-fond de Nova York, num áspero preto-e-branco que destaca as sombras da cidade, enquanto o inteligente diálogo, utilizando a gíria local de forma corrosiva, é típico de Odets. A trilha jazzística de Elmer Bernstein (e o Quinteto de Chico Hamilton) acentua o turbilhão do submundo das casas noturnas, da área dos teatros, das calçadas superlotadas e dos becos sombrios.

Quase 20 anos depois, muita influência desse clima se encontra em pelo menos dois filmes de Martin Scorsese em que Nova York é tratada como um personagem: Caminhos Perigosos e Taxi Driver - Motorista de Táxi. E, mais explicitamente, em dois de Barry Levinson: um dos personagens de Quando os Jovens se Tornam Adultos cita literalmente alguns dos seus diálogos, e uma seqüência aparece na televisão do quarto de hotel onde Dustin Hoffman está hospedado, em Rain Man. Menosprezado pela crítica e pelo público, na época do lançamento, as qualidades do filme foram sendo reconhecidas aos poucos, sendo colocado, na lista de 1995 dos 100 Maiores de Todos os Tempos, da Time Out, em sexagésimo lugar, ao lado de Blade Runner, O Caçador de Andróides (Ridley Scott), Veludo Azul (David Lynch), Canção da Estrada (Satyajit Ray), O Samurai (Jean-Pierre Melville) e Sans Soleil (Chris Marker).
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327. GLÓRIA FEITA DE SANGUE (1957)

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Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, Mireau (George Meeker), um general francês, ordena um ataque suicida e como nem todos os seus soldados puderam se lançar ao ataque ele exige que sua artilharia ataque as próprias trincheiras. Mas não é obedecido neste pedido absurdo, então resolve pedir o julgamento e a execução de todo o regimento por se comportar covardemente no campo de batalha e assim justificar o fracasso de sua estratégia militar. Depois concorda que sejam cem soldados e finalmente é decido que três soldados serão escolhidos para servirem de exemplo, mas o coronel Dax (Kirk Douglas) não concorda e decide interceder de todas as formas para tentar suspender esta insana decisão.

Premiações
Indicado ao BAFTA de Melhor Filme em 1958.

Curiosidades
- O exército suíço censurou Glória Feita de Sangue até 1970, pelo fato do filme conter diversas informações sobre o know-how da guerra.
- Devido a questões de bilheteria, era intenção do diretor Stanley Kubrick em forçar um final feliz para Glória Feita de Sangue. Porém, após várias revisões do roteiro, Kubrick mudou de idéia e resolveu por manter o final do livro ao qual o filme foi baseado.
- Foi durante as filmagens de Glória Feita de Sangue que Stanley Kubrick conheceu Christiane Kubrick, sua terceira esposa. Christiane cantou a música do final do filme e, após conhecê-la, Kubrick se separou de sua segunda esposa para poder se casar com ela.

Crítica
Logo após ter feito seu filme sobre o assalto ao hipódromo, “O Grande Golpe”, Stanley Kubrick dirigiu esta versão do romance de Humphrey Cobb, fotografada na Alemanha. Não é tanto um filme antiguerra quanto um ataque ao pensamento militar. Parte da imprensa se apaixonou (“lacerante em sua intensidade”, e coisas desse tipo), mas o filme não foi popular. Tem uma fascinante qualidade nervosa, sobretudo quando Timothy Carey, que parece um precursor dos viciados moderninhos dos anos 60, está em cena, e o forte tom liberal-intelectual o torna autenticamente polêmico, embora sem dúvida fos-se mais fácil ser antimilitarista num filme (feito em tempos de paz) passado durante a Primeira Guerra Mundial do que o teria sido num passado durante a Segunda. A história trata da estrutura de classe dentro do exército francês – os generais aristocratas em seus castelos espaçosos e ensolarados, e os soldados proletários nas trincheiras escuras; es-premido no meio deles está o coronel Dax (Kirk Douglas), que se compadece dos homens, mas não tem poder bastante – cumpre ordens do alto comando. Quando os sol-dados se recusam a lutar numa batalha sem dúvida suicida, três deles são escolhidos para ser julgados por covardia; Dax recebe a incumbência de defendê-los. O ritmo do filme é impressionante – sente-se o temperamento do diretor. E há um componente de implacabilidade na maneira como ele decide demonstrar a inexorável crueldade do “sis-tema”. (O filme foi proibido na França durante alguns anos). É um filme irado, que parece pretender aplicar-se a todas as forças armadas.

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quinta-feira, 22 de abril de 2010

326. QUANDO VOAM AS CEGONHAS (1957)

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Durante os ataques alemães às tropas russas no estopim da Segunda Guerra, o jovem rapaz Boris decide se alistar, deixando sua amada Veronika à esperar por ele em Moscou. Com o passar dos meses, nenhuma notícia chega de Bóris, apesar das outras mulheres da vizinhança receberem com frequência cartas dos fronts, Veronika acaba se casando com Mark, um primo de Bóris. Mas o desespero e falta de aceitação dos absurdos da guerra fazem com que ela fique na eterna espreita, esperando a volta do antigo namorado.

Premiações
O filme venceu o Palma de Ouro em 1958, e foi indicado ao BAFTA nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz Estrangeira Tatyana Samojlova.

Crítica
"...A inventividade da dupla Kalatozov/Urusevsky impressiona pela composição dos planos. A fotografia de Urusevsky (que é um elemento de forte destaque em Soy Cuba) é composta de fortes contrastes entre os tons de branco e preto, até mesmo nos closes dos personagens (como o close de Veronika que aparece nessa sequência).

O rigor na escolha dos enquadramentos, a câmera na mão (influência que será de grande valia para os cubanos) e os diversos plano-sequência impressionam pelo efeito que geram sobre a trama. Escolhas certas." por Renato Batata

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The.Cranes.Are.Flying.(aka.Letyat.Zhuravli).(1957).DVDRip.XviD.avi

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325. MÃE ÍNDIA (1957)

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O mais proeminente filme lançado durante a "Época de Ouro" do cinema indiano (década de 1950), Mãe Índia acompanha a vida de uma mulher camponesa através das desventuras e atribulações da pobreza, da dívida, e da fome. Mehboob incorpora o modus operandi tradicional de Bollywood – uma dose maciça de melodrama entremeado por interlúdios musicais e cômicos. Uma das maiores bilheterias do cinema indiano e mundial, o filme continua a ser exibido nos cinemas indianos até hoje.

Premiações
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1958

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Mother.India(aka.Bharat.Mata).(1957).DVDRip.XviD.avi

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terça-feira, 20 de abril de 2010

324. A PONTE DO RIO KWAI (1957)

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Na 2ª Guerra Mundial vários soldados ingleses se tornam prisioneiros em um campo de concentração japonês. Este grupo é escolhido pelo chefe do campo para construir uma ponte sobre o rio Kwai. O coronel Nicholson (Alec Guinness), um oficial inglês, planeja a construção para demonstrar a superioridade britânica, mas Shears (William Holden), um americano que é prisioneiro do mesmo campo, planeja a destruição da ponte.

Premiações
Oscar 1958 (EUA)
* Venceu nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Alec Guinness), melhor fotografia, melhor edição, melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora.
* Indicado na categoria de melhor ator coadjuvante (Sessue Hayakawa).
Globo de Ouro 1958 (EUA)
* Venceu nas categorias de melhor filme - drama, melhor diretor e melhor ator - drama (Alec Guinness).
Grammy 1959 (EUA)
* Indicado na categoria melhor álbum de trilha sonora para filme - drama.
BAFTA 1958 (Reino Unido)
* Venceu nas categorias de melhor filme, melhor filme britânico, melhor ator britânico (Alec Guinness) e melhor roteiro britânico.
Prêmio David di Donatello 1958 (Itália)
* Venceu na categoria melhor filme estrangeiro.
Premios Sant Jordi 1959 (Espanha)
* Venceu na categoria de melhor ator estrangeiro (Alec Guinness).

Curiosidades
-É baseada no romance de Pierre Boulle Le pont de la rivière Kwai de 1952.
-O filme foi rodado na Inglaterra e no Sri Lanka.
-Os autores do roteiro, Carl Foreman e Michael Wilson, estavam na "lista negra", acusados de pertencer a organizações comunistas, pelo que tiveram de trabalhar secretamente, e sua contribuição não foi credenciada na primeira versão. Por essa razão, o prêmio Oscar ao melhor roteiro adaptado foi concedido unicamente a Pierre Boulle, autor da novela original, que nem sequer sabia inglês. Em 1984, a Academia concedeu um prêmio póstumo aos dois roteiristas.
-Enquanto no filme os prisioneiros construiram a ponte em dois meses , a empresa britânica contratada cobrou 250 mil dólares para construir a ponte e levou oito meses para finalizá-la, usando 500 trabalhadores e 35 elefantes. A ponte foi demolida em poucos segundos na cena final do filme.

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The.Bridge.on.the.River.Kwai.(1957).(Dual.TURK.ENG).DVDRip.XviD.PRODJi.avi

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

323. SEM LEI, SEM ALMA (1957)

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O famoso duelo de OK Curral (26 de outubro de 1881), aquele que colocou Wyatt Earp e "Doc" Holliday frente a frente com a quadrilha dos Clanton, foi refilmado várias vezes pelo cinema, mas NÃO de forma tão espetacular como neste clássico. Earp (burt Lancaster) é um homem da lei que chega a tombstone para limpar a cidade dos bandidos. Holliday (Kirk Douglas) é um dentista de formação, famoso pela rapidez no gatilho e pelo gosto pelos jogos de carta. Eles se unem para enfrentar Ike Clanton (Lyle Bettger) e seu perverso bando.

Premiações
O filme foi indicado para o Oscar nas categorias de melhor som e melhor edição.

Curiosidade
O ator DeForest Kelley se tornaria conhecido, anos depois, como o dr. Leonard McCoy, do seriado Star Trek. Ele voltaria ao cenário do famoso duelo, no episódio Spectre of the Gun (1968), mas desta vez é forçado (por alienígenas) a ficar do lado dos Clanton.

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Gunfight.At.The.O.K.Corral.(1957).DVDRip.XviD-SHAKTi.avi

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domingo, 18 de abril de 2010

322. O INVENCÍVEL (1957)

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Segundo filme da Trilogia de Apu ( O Primeiro é A Canção da Estrada)
Após a morte do pai e de viver algum tempo em Benares, o jovem Apu, de dez anos, muda-se com a mãe para casa de um tio. Apu frequenta a escola local onde é um bom aluno, ao ponto de receber uma bolsa de estudo para ir estudar para Calcutá. Apu decide partir. A mãe fica angustiada com a sua partida e com a sua crescente independência. Ela ama muito o filho e pretende o seu sucesso, mas não quer ficar sozinha.

Crítica (Trilogia)
O que acho de mais legal no meu fascínio por filmes é que, de vez em quando, esbarro com coisas surpreendentes, seja pelo lado positivo como pelo lado negativo. Existem algumas obras cinematográficas que se mantêm intactas sobre um altar imaginário, em que críticos do mundo inteiro costumam borrifar soluções multiuso e dar leves toques de espanador, tudo com muito zelo e atenção, como se fossem bibelôs do mais fino cristal, de beleza irretocável. Há quem faça cara de desdém para tais objetos de admiração, tentando desvendar "o que tem de tão belo naquilo tudo". Isso também acontece muito comigo (aliás, acontece com todo mundo). Existem, porém, aquelas obras das quais dificilmente um ser vivo, em sã consciência, se atreveria a falar mal. Obras cuja força e impacto são de tamanha intensidade que ninguém (ou quase ninguém) conseguiria cometer a injustiça de apontar defeitos. Isso, naturalmente, ocorre mesmo na literatura, na música e em qualquer meio de expressão artística, mas, como estou focado a discutir cinema por aqui, falo de minhas descobertas “fílmicas” e só.

Já fazia alguns anos que eu estava tentando assistir à famosa saga do personagem Apu, dirigida pelo indiano Satyajit Ray. Sempre escutara elogios pra lá de rasgados acerca dos três filmes que a compõem — A Canção da Estrada, O Invencível e O Mundo de Apu —, aumentando ainda mais minha curiosidade cinéfila. "Se todo mundo diz que é bom, então deve ser mesmo", imaginava eu. As referências eram excelentes: o primeiro filme da trilogia ganhara um importante prêmio no Festival de Cannes, o segundo, o Leão de Ouro em Veneza; Satyajit Ray foi escolhido pela British Film Academy como um dos dez maiores cineastas de todos os tempos; a Trilogia Apu completou inúmeras listinhas de "melhores filmes do século 20" (ah, como adoro essas listinhas!), etc. Só poderia esperar coisa boa, não? Eu só tinha visto um único filme dele — O Salão de Música, que achei ótimo, apesar de não ter gostado nem um pouquinho das lamuriosas canções hindus (obs: é um musical) —, sendo, portanto, minha única referência de comparação. De qualquer modo, conforme minhas leituras prévias, eu poderia relaxar e esquecer todo o lance musical, pois o “Projeto Apu” era, na verdade, um drama social.

Quando finalmente pude conferir os longas, um atrás do outro, constatei o seguinte: eu tinha acabado de assistir a uma das maiores maravilhas do cinema. Era tudo verdade, os críticos estavam certos. A sensibilidade com que Satyajit radiografa seu herói, a cada fita de um modo integralmente novo, chega a ser comovente. Apu é um menino que vive num vilarejo rural onde não há absolutamente nada além de mato (nada de escolas, igrejas, hospitais, supermercados, farmácias... nadinha mesmo). Ele divide um casebre com a irmã mais velha, a mãe e a bisavó; o pai, um pregador itinerante, está sempre fora e aparece esporadicamente para visitá-los e trazer algum dinheiro. O círculo social é limitado a poucos vizinhos e parentes dali mesmo. Tudo é improvisado, a precariedade preenche cada centímetro quadrado, a magreza se transforma em inerência natural daqueles homens e mulheres. É neste desolador contexto que Satyajit centraliza o poder de sua narrativa — simples, é verdade, mas de uma eficiência exorbitante — e nos faz ter piedade dos atores da mesma forma com que os cineastas americanos operavam nos anos pós-Depressão (Luzes da Cidade, Beco Sem Saída, Vinhas da Ira) e os italianos cultivavam uma lenda no pós-Guerra (Vítimas da Tormenta, Ladrões de Bicicleta, Europa ‘51).

Nada de rodeios: A Canção da Estrada é, de longe, o mais deprimente dos três, elaborado como um documentário da Unicef, só que sem fins lucrativos. Não há momentos para ganhar fôlego, a tragédia domina a cena até o fim (a mãe permanece assolada pelas dúvidas e preocupações; o pai é idealista, mas muito azarado e distante; a filha é acusada de roubo; a bisavó, enrugada e curvada pelo reumatismo, arrasta-se pelos cantos da casa, à espera da morte, conformando-se com a decadência física e com a rejeição ou indiferença dos mais jovens). Os problemas são examinados sob o ponto de vista do pequeno Apu, mas ele é muito pequeno para entender a verdadeira essência de cada fato. Sendo assim, a fita transmite os dramas de maneira crua, sem lirismo, tal qual uma criança enxerga a face abatida da mãe sem fazer análises psicológicas, apenas vê, pede para a mãe sorrir, não ficar triste e pronto, sem a mínima noção da própria impotência perante os fatos. Apu sabe que a vida não é fácil, mas, em A Canção da Estrada, ele só conhece aquela realidade em que vive, aceitando-a sem resistência, diferentemente do pai, que é otimista e sonha com uma vida nova no meio urbano.

A partir de O Invencível, quando Apu se muda para uma cidade maior, as situações se modificam. O caráter universal sugerido pelo primeiro título da série se desmancha em parte para dar vazão a uma narrativa mais isolada. Apu, agora adolescente e órfão de pai, ganha uma bolsa de estudo em Calcutá. Na plena Índia colonial, aquela oportunidade era como ganhar na loteria. A mãe se vê diante de um conflito: por um lado, ela sonha com um futuro promissor para o filho; por outro, não quer ficar sozinha e, a princípio, pede para que Apu fique com ela e siga o ofício do pai como pregador. O rapaz, no entanto, agora ciente da realidade e das possibilidades de progresso, refuta um possível retorno ao passado miserável, preferindo aceitar a chance de estudar em Calcutá e ter uma profissão. Nesse período, faz raras visitas à mãe e, durante essas visitas, mal fala com ela. Certo dia, vai vê-la e descobre que está morta, o que o enche de arrependimento por não ter sido um filho mais presente ou carinhoso naqueles últimos anos.

Já em O Mundo de Apu, as tradições (ou superstições?) do Oriente permitem ao espectador acompanhar um inusitado diálogo do racional com o absurdo numa brincadeira do acaso. Apu, agora adulto, acompanha seu colega de faculdade a um casamento, mas o noivo em questão revela ser um doido-varrido. O casório é cancelado pelo pai da noiva, entretanto, segundo crendices locais, a moça precisa se casar na data destinada para escapar de uma maldição. Eis que o nosso herói é solicitado para se casar com a jovem, que ele jamais havia visto antes. Após refletir um pouco, aceita a missão. Leva a (inesperada) esposa para o quartinho alugado onde vive em Calcutá e, com o tempo, os dois passam a se amar. A vida dava ares de estar entrando num inédito ciclo de felicidade. Mesmo sem ganhar muito, Apu nunca esteve tão satisfeito com suas conquistas. Contudo, o roteiro de Satyajit Ray, também creditado ao escritor Bibhutibhushan Bandyopadhyay, reservava mais uma tragédia para o personagem, desta vez afunilando o alvoroço provocado pelas circunstâncias (sempre superlativas, de conseqüências devastadoras) até extrair um epílogo de resignação e perspectivas.

A biografia traçada por Satyajit percorre um caminho extenso e lento, mas sem edificações majestosas. Os personagens não têm suas vidas maquiadas ou glorificadas, não temos cinderelas nem abóboras transformadas em carruagens. A possibilidade de nos identificarmos com os fatos aqui descritos, uma vez que a temporada de vacas magras está por todos os lados, não importando em qual país ou continente estejamos, faz da trilogia um produto deprimente. A sensação de exotismo está lá a todo minuto, desde a primeira cena, mas é possível enxergar o (abundante) paralelismo com o universo ocidental de todos nós. É dessa mesma matéria-prima que os autores do neo-realismo italiano, por exemplo, moldavam seus filmes (ao contrário dos americanos, os diretores europeus se valiam de atores não-profissionais e de recursos independentes, o que também se dá na saga filmada por Satyajit). Deprimente, sim, mas com um sincero amor pelo meio com que a mensagem é transmitida. Satyajit é um artesão apaixonado pelo próprio cinema, o que se ratifica na cuidadosa escolha da equipe técnica, embora esta fosse composta, àquela época, por pessoas de pouca experiência. Notamos a incrível evolução na fotografia de Subrata Mitra a cada trabalho (dos desajeitados e tímidos ângulos de câmera em A Canção da Estrada, passamos a admirar elegantes e sofisticadas tomadas em O Mundo de Apu); a trilha de Ravi Shankar lança melodias que se ajustam com perfeição, uma a uma, ao enfoque emocional das cenas (mistério, romance, drama, desespero, etc.); a cenografia de Bansi Chandragupta é a mais fiel possível à realidade (do casebre do primeiro filme ao quartinho na pensão do último título, há sempre aquela sensação de aperto e limitação). Carregada de promessas, a conclusão nasce subitamente, como uma tempestade de verão, lavando uma fase de má sorte e trazendo a esperança de um novo começo. Fechando o zíper de ouro dessa espetacular tríade, Satyajit Ray oferece a mim (e, por conseqüência, a qualquer cinéfilo de maneira global) uma amostra do que há de mais puro e imprevisto nas (re)descobertas daquela que chamamos de sétima arte.

Resenhas e reflexões sobre grandes filmes, por Pierre Willemin.

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Aparajito.(1957).DVDRip.XviD.cd1.avi
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321. O INCRÍVEL HOMEM QUE ENCOLHEU (1957)

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A vida de um homem muda completamente quando uma bizarra nuvem de poeira atômica atravessa sobre ele, fazendo-o diminuir de tamanho progressivamente. Quanto menor ele fica, maiores são os problemas que ele deve enfrentar como batalhas contra aranhas e até o risco de ser esmagado...

Crítica (by.palanca CST)
Embora fã incondicional de filmes fantásticos já hà algum tempo, apenas em 2001 tive a oportunidade de conferir o clássico "O Incrível Homem que Encolheu" (The Incredible Shrinking Man, 1957), de Jack Arnold. Fiquei impressionado com a competência desse filme. De longe o melhor trabalho do conhecido diretor de "O Monstro da Lagoa Negra" (54), que também é Ótimo.

Escrito e roteirizado pelo mestre Richard Matheson, a partir de seu romance homônino, O Incrível Homem que Encolheu narra a dramática odisséia de Scott Carey (Grant Williams), um pacato cidadão americano que acidentalmente atravessa uma estranha nuvem radioativa durante um passeio de barco e passa a diminuir de tamanho progressivamente, diante da impossibilidade dos médicos de frearem o processo. O pesadelo se inicia. Espiralando-se de encontro ao inevitável, ele sabe que está prestes a dar um mergulho sem volta ao misterioso universo quântico. E se isso NÃO bastasse, ainda existe a certeza de que esse universo é único, inédito; e o pior - ele será engolido e deixado para trás por coisas que anteriormente dominava com indiferença.

O próprio Matheson considerava essa história mais como fantasia do que ficçãoo científica, ou antes um pesadelo de horror, pois a ciência é utilizada de forma frouxa, livre, sem fornecer campo algum para a especulação; mas com esse argumento essencialmente simples em sua estrutura, o autor cria uma avalanche de situações física e emocionalmente assustadoras, que se ancoram nos efeitos especiais magníficos de Clifford Stine para formar um dos maiores clássicos do cinema fantástico.

Pela sutiliza perversa da história e pelo modo como testemunhamos as mirabulosas aventuras do personagem diante de sua tragédia, esse filme é considerado por muitos como uma verdadeira fantasia de horror e medo. Mas aqui o terror NÃO se apresenta com monstros; funciona antes - e muito melhor - na angústia vivida pelo personagem. A verdade que ele precisa escapar de seu próprio gato; precisa derrotar uma aranha para ter domínio completo sobre seu território - o porão -, mas ele sabe (e não sabemos) que a sua luta diária, por mais árdua que seja, terá¡ sido em vão. Quando muito, ele será um vencedor temporário, indo direto ao encontro de novos níveis de perigo, ainda maiores (ou menores?).

Um dos momentos mais angustiantes é quando o desafortunado liliputiano, a ponto de ser tragado por uma inesperada inundação, concentra toda sua energia nos gritos aterrorizados que jamais vibrarão nos tímpanos de um possível salvador. Sua micro voz já NÃO pertence À esfera de nosso mundo. Se houve alguma esperança no passado, ela se desmorona nesse momento.

O mais interessante é que o filme NÃO explora clichês. Seria fácil, por exemplo, dedilhar o roteiro e colocar Scott Carey como um prisioneiro de cientistas "entusiasmados" com sua estranha doença e tendo que fugir (vide O Mundo em Perigo: "não queremos danificar o formigueiro"; ou O Monstro do Ártico: "Precisamos conservá-lo para estudo"...), ou , pior ainda, de maneira ainda mais mirabulosa que o próprio encolhimento, um modo de reverter o processo e trazer o personagem de volta À normalidade.

Seria fácil, mas o que fez a diferença foi Richard Matheson e sua visão do que seria estar verdadeiramente no limiar do desespero sem volta, ainda que o final, contornando o pessimismo completo, se apresente de maneira poética: À proporção que o universo se expande, Corey diminui; pequeno ou grande, porém, ele está dentro desse universo em expansão. A metáfora final se apresenta quando:
bom pessoal, vejam o filme!

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The.Incredible.Shrinking.Man.(1957).(Dual.SPA.ENG).DVDRip.XviD.avi

Legendas Exclusivas Palanca.CSTBR.ORG

sexta-feira, 16 de abril de 2010

320. TRONO MANCHADO DE SANGUE (1957)

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Japão, século XVI. As guerras civis sacodem o país. Dois valentes samurais, os generais Washizu e Miki, regressam aos seus domínios depois de uma batalha vitoriosa. No caminho, uma misteriosa senhora profetizao futuro de Washizu: o guerreiro se converterá no Senhor do Castelo do Norte. A partir deste fato, Washizu se vê imerso numa trágica e sangrenta luta pelo poder. Kurosawa no ápice de sua carreira e com seu ator predileto (Toshiro Mifune), translada o universo de Shakespeare ao violento japão medieval. A força expressiva de Kurosawa brilha nas sequências antológicas que já fazem parte da história do cinema. A melhor adaptação de "Macbeth".

Curiosidades
- Inicialmente Akira Kurosawa pretendia que o castelo fosse construído em escala menor. Entretanto esta possibilidade foi descartada ao perceber que seria impossível construído com as seções previstas. Desta forma, foi construído um castelo em tamanho natural;
- Para a construção do castelo a produção teve a ajuda do exército americano, dono da área onde foi feita a construção;
- Takeshi Kitô, o guarda que é morto por Toshirô Mifune, estava preocupado com a lâmina da espada de Mifune antes de rodar a cena. Desta forma, colocou um bloco de madeira de forma a proteger o braço. Apesar do cuidado, Mifune usou tanta força ao rodar a cena que perfurou o bloco e machucou o ator.

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Kumonosu.Jô.(1957).(Dual.JAP.ENG.Commentary).DVDRip.XviD-DaveRip.avi [1.47 Gb]

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