Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

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domingo, 27 de dezembro de 2009

268. O DIABO RIU POR ÚLTIMO (1953)

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Quatro vigaristas a caminho da África, acompanhados por um casal de golpistas, ficam relidos na Itália, enquanto aguardam que sejam realizados reparos no barco no qual viajam. Os criminosos se apresentam como vendedores de aspiradores de pó, mas na verdade planejam se apropriar, através de um esquema fraudulento, de terras valiosas no Quênia, as quais eles acreditam estar repletas de urânio. Um outro casal surge em cena, aparentemente com as mesmas intenções, atrapalhando os planos da quadrilha.

Aventura cômica, em locações na Itália e em estúdios ingleses e com o roteiro de John Huston em parceria com Truman Capote. Huston convenceu o amigo Bogart, através de sua companhia Santana, a produzir o filme. Mas, como era hábito seu, isso era só uma desculpa para passear mundo afora às custas de uma produção, e o ator investiu muito dinheiro. Huston defende o trabalha em sua autobiografia como à frente de seu tempo, com um elenco de primeiríssima. Apesar de ter seus admiradores e até um certo culto, é defendido por muitos críticos europeus, um manjar para os fãs de Bogart e de Peter Lorre. Uma bem humorada sátira ao gênero "film-noir".

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

267. OS BRUTOS TAMBÉM AMAM (1953)

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Pistoleiro solitário chega a um vilarejo e decide ajudar os pequenos proprietários locais contra um rico fazendeiro e explorador. Ao encarar a batalha decisiva, Shane (Alan Ladd) vê o final de seu próprio estilo de vida. A lendária versão do mais perfeito mito do gênero western, do aclamado diretor George Stevens.

Prêmios
Ganhou o Oscar de Melhor Fotografia e foi Indicado para Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção (George Stevens), Melhor Ator Coadjuvante (Jack Palance, Brandon De Wilde),Melhor Roteiro
Na Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra indicado aos Prêmios de Melhor Filme e Melhor Ator Estrangeiro (Van Heflin)

Crítica
Baseado no best-seller homônimo de Jack Schaefer, "Os Brutos Também Amam" é, sem dúvida, um dos melhores faroestes produzidos por Hollywood nos anos 50. Realizado pelo cineasta George Stevens, o filme aborda temas como amizade, lealdade, honra e coragem. Embora haja uma meia-dúzia de mortes, este faroeste gira mais em torno de princípios do que de ação.

Partindo de um excelente roteiro, assinado por A. B. Guthrie Jr., e contando com a bela fotografia de Loyal Griggs e com uma magnífica trilha sonora, Stevens realiza um trabalho exemplar na direção desse clássico. As locações levadas a efeito na região noroeste do Estado do Wyoming, capturam ao fundo a beleza das montanhas que formam a cordilheira de Grand Tetons.

Embora em nenhum momento seja explicitado, fica patente a atração que Marion e Shane sentem um pelo outro, principalmente por parte dela.

O elenco é de primeira linha, com atuações marcantes de Van Heflin, Jack Palance e Brandon De Wilde, este último com apenas 11 anos de idade. Merecem ainda ser mencionadas as boas atuações de Alan Ladd, Elisha Cook Jr., Edgar Buchanan, Ben Johnson e Jean Arthur.

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Shane.( 1953).(Dual.SPA.ENG).DVDRip.DivX5.avi

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Shane.( 1953).(Dual.SPA.ENG).DVDRip.DivX5.ptbr

266. CONTOS DA LUA VAGA (1953)

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Durante a guerra civil japonesa no século 16, dois camponeses ambiciosos pretendem fazer fortuna. O ceramista Genjuro quer vender toda sua mercadoria por um preço alto. O cunhado Tobei deseja se tornar um samurai. Mas quando o vilarejo deles é atacado, ambos se vêem na obrigação de priorizar seus objetivos. E o primeiro deles é defender suas famílias.

Premiações
Indicado ao Oscar de Melhor Figurino em 1956 e Ganhou o Leão de Prata no festival de Veneza de 1953

Crítica
Obra-prima do diretor japonês Kenji Mizoguchi (1898-1956), o filme mais famoso de sua curta carreira de apenas dez anos, durante a qual ficou conhecido como o "cineasta das mulheres", por sua paixão em retratar o sofrimento e espírito de sacrifício femininos. Que tinha origem na infância do diretor, quando o pai se envolveu em negociações infelizes dilapidando a fortuna da família e levando a irmã querida a ser vendida como gueixa.

Daí ser muito pessoal e próxima ao diretor essa fábula baseada em contos famosos de Akinari Ueda e que se passa no Japão feudal do século XVI, durante a guerra civil, tratando justamente da ambição sem consciência que leva à ruína e tragédia. Não aos homens que buscam miragens, mas sim às suas sensatas e amorosas esposas. Tudo é narrado com poesia e grande beleza visual em uma cuidadosa reconstituição de época, com muitos planos gerais em belos enquadramentos e movimentos de câmera delicados e discretos.

E mais um toque de sobrenatural, com a predileção que os japoneses têm por fantasmas e espíritos que voltam do além. Um grande clássico do cinema japonês, ganhador do Leão de Prata em Veneza (e que, curiosamente, concorreu ao Oscar de melhor figurino). A cena mais lembrada do filme é a do lago que sintetiza seu clima misterioso. A tradução literal do título original é "Contos da Lua Vaga Depois da Chuva". A atriz que faz o fantasma Machiko Kyo é a mesma de "Rashomon", de Kurosawa, e trabalhou no cinema americano em "A Casa de Chá do Luar de Agosto" (1956), com Marlon Brando. por Rubens E.F.

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Ugetsu.Monogatari.(1953).(Dual.JAP.+ENG.Commentary).CRiTERiON.DVDRip.XviD.avi

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Ugetsu.Monogatari.(1953).(Dual.JAP.+ENG.Commentary).CRiTERiON.DVDRip.XviD.srt

(Postado Originalmente pelo amigo UserOffline do CSTBR.ORG)

265. ROMANCE NA ITÁLIA (1953)

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Um casal em crise viaja para a Itália a fim de vender a propriedade que herdou. Em suas andanças pelas belas paisagens do país, os dois descobrem um novo sentido para suas vidas e, sobretudo, para seu amor. Katherine pressentirá, no contato com o passado italiano - tão remoto, e ao mesmo tempo tão próximo - a existência de um outro tempo, muito diferente do que rege a sociedade moderna. Nesse abismo entre o imediato e o eterno, ela começa notar a falta de sentido de sua vida sem amor. Enquanto isso, Alexander, num encontro casual com uma prostituta, se depara também com seu próprio vazio existencial. Ao final, a viagem à Itália se revela um mergulho no grande mistério da existência.
Marco do cinema moderno, o filme influenciou grandes cineastas, como Michelangelo Antonioni, François Truffaut e Jean-Luc Godard

Crítica
Katherine (Ingrid Bergman) experimenta uma crise conjugal enquanto faz turismo em Nápoles. Sente ciúmes e ressentimento do marido, que faz questão de fazer seus passeios sozinho. Assustada e ao mesmo tempo ávida em parecer indiferente diante de sua dependência afetiva, ela arrisca ir também sozinha aos lugares de seu interesse. Num museu, ao deparar-se com monumentos milenares, a heroína não reage, não sorri, não fala, talvez esboce algum desconforto no olhar. Ela apenas foi ao museu; ela apenas viu as estátuas. Seus problemas conjugais fogem – ou não são evidentes - nesta e noutras seqüências, mas existem na esfera global que é erigida a partir da mera exposição de semelhantes fragmentos de puro real. Noutro destes fragmentos, ela dirige o automóvel entre edifícios arruinados e vê populares correndo para todos os lados; suas faces silenciosas deduzem inquietação. Mas o que presumir de tal indício?

Tudo o que temos à frente é mise-en-scène, encarada agora como a instituição que distancia a subjetividade da heroína do nosso entendimento imediato, ao mesmo tempo esclarecendo-a. Tudo parece simultaneamente óbvio e obtuso. A princípio, não há função narrativa em tais seqüências (quando há, a impressão provém justamente do caráter global supracitado, que diz respeito ao contexto ao qual se inserem os fragmentos); tampouco razão documental - como deixava entrever os primeiros filmes neo-realistas. Temos o primado do factual e estamos em 1953, onde o neo-realismo não morreu: ao contrário, e graças a Rossellini, intensificou-se e atingiu a plenitude estética.

Muito polêmicas foram as mudanças de postura de Rossellini, que foi injustamente acusado pela crítica italiana de abandonar e involuir a causa social do neo-realismo para retratar a burguesia através de um posicionamento cada vez mais ambíguo. A sua defesa, claro, veio da França, de onde, evocada pela voz de André Bazin, a crítica argumentou a respeito do neo-realismo não como manifestação datada, mas como arcabouço de inúmeras potencialidades que não se limitam ao uso temático que outrora lhe dera origem, nome e condição. E, segundo eles, Rossellini foi o grande responsável por este desdobramento.

Para Bazin e seus discípulos, Rossellini detinha uma consciência global sobre os fatos, e tal consciência, antes de ser virtuosismo do artista, fazia parte de sua moral. Então, o que acontecia quando ele fazia filmes era a transformação de sua consciência e de sua moral em estilo, sendo este a quintessência do neo-realismo, que transcende a mera abordagem social defendida pelos italianos.

Não é difícil reconhecer nestas assertivas dados do aporte do que viria a se condensar na rubrica “Política dos Autores” e o papel fundamental de Rossellini no ensejo, mesmo incônscio, deste contexto. A obra está, enfim, aberta; e o cinema moderno, devidamente alicerçado.

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sábado, 12 de dezembro de 2009

264. AS FÉRIAS DO SR. HULOT (1953)

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Sr. Hulot sai de férias para um hotel na praia, mas sua chegada transtorna a vida dos veranistas, pois não há ninguém como ele para provocar catástrofes, e suas melhores intenções degeneram em desastres que só o seu otimismo permite suportar alegremente. Apesar das confusões, Hulot consegue despertar simpatia, admiração e amizade. No filme, Tati satiriza a burguesia francesa caricaturando seus personagens.

Crítica - Contracampo

Premiações
Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e História em 1956 e No Festival de Cannes de 1953 indicado Jacques Tati ao Grande Prêmio do Festival.

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Les.Vacances.de.Monsieur.Hulot.(1953).FS.B&W.CRiTERiON.DVDRip.XviD-FRAGMENT.avi

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263. OS CORRUPTOS (1953)

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O sargento Bannion (Glenn Ford) está investigando o aparente suicídio de um policial corrupto e inesperadamente é ordenado a interromper o trabalho. Tentado a descobrir o mistério, Bannion continua investigando, até que uma explosão destinada a ele mata sua esposa. Ele deixa a polícia e logo descobre que por trás de tudo está o poderoso submundo liderado por Mike Lagana (Alexander Scourby) levando-o a um confronto de vida ou morte.

Críticas
Tal como em You Only Live Once, de 1937, Fritz Lang trata de instituições sociais que se voltam contra um cidadão comum. No caso de The Big Heat, é a instituição policial que está degradada pela corrupção. É contra ela que o justiceiro indignado reage e busca fazer justiça com as próprias mãos. De um lado, a sociedade burguesa degradada e suas instituições sociais; de outro o pequeno homem que busca justiça. É o ideal de justiça que move o herói problemático. A justiça como fonte da lei e do direito. Mas a indignação do herói hollywoodiano possui, antes de mais nada, uma motivação pessoal particular; no caso de The Big Heat, vingar-se do assassinato da mulher amada. É um tema candente na filmografia de Fritz Lang e que percorre os filmes de Hollywood, inclusive, este é o mote trágico do filme histórico, O Gladiador, de Oliver Stone. Fonte

Clássico considerado um dos melhores films noirs já produzidos. De fato, pode ser considerado o melhor Fritz Lang, capaz de reviver a atmosfera assustadora de "M". Glenn Ford dá um show como o ex-policial que planejava levar uma vida pacata, mas tem que encontrar o assassino de sua mulher. Lee Marvin faz o bandido sádico, no filme que o transformou em astro. Mas quem domina as cenas em que aparece é Gloria Grahame, como a namorada do bandido, que simpatiza com Ford e o ajuda. A cena em que Marvin joga café quente em seu rosto é uma das mais marcantes do gênero. Fonte

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The.Big.Heat.(1953).DVDRip.XviD-MakingOff.avi

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(Postado Originalmente por Distanásia do MKO)

262. OS HOMENS PREFEREM AS LOIRAS (1953)

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Lorelei (Marilyn Monroe) e Dorothy (Jane Russell) são duas belas dançarinas que embarcam em um cruzeiro rumo à Paris, bancado pelo noivo de Lorelei. Porém, seu sogro contrata um detetive particular para tentar confirmar sua desconfiança de infidelidade da moça, criando muitas confusões.

Curiosidades
Existiu uma versão muda de Gentlemen Prefer Blondes, dirigida por Malcolm St. Clair em 1928, e co-escrito por Anita Loos, autora do romance original em que se baseou o roteiro do filme. Não se conhece a existência de exemplares; presume-se perdido desde então.

Inicialmente, a Fox pretendia contratar Betty Grable para para o papel de Lorelei. Entretanto, após o sucesso de Torrente de Paixão, de 1953, o estúdio decidiu chamar a novata Marilyn Monroe, por acreditar que ela daria ao filme um maior sex appeal, além de seu salário ser bem menor que o de Grable. Marilyn Monroe ganhou cerca de 18 mil dólares para integrar o elenco de Gentlemen Prefer Blondes. O salário de Jane Russell, a outra estrela da produção, girava em torno de cem mil dólares.

O número de Diamonds Are a Girl's Best Friend, uma das canções interpretadas por Monroe, foi copiado por Madonna, Kylie Minogue e Anna Nicole Smith. A canção Diamonds Are a Girl's Best Friend foi adaptada e inserida ao filme Moulin Rouge!.

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Gentlemen.Prefer.Blondes.(1953).FS.DVDRip.XviD-SOUTHSiDE.avi

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(Postado Originalmente pelo amigo Palanca do CSTBR.ORG)

261. ANJO DO MAL (1953)

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O ladrão Skip McCoy rouba a bolsa de uma mulher no metrô, sem saber que dentro dela está um microfilme com segredos de governo. Ele passa, então, a ser perseguido pela vítima do roubo e por agentes.

Premiações
Indicado ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Thelma Ritter ) em 1954 e em 1953 Indicado ao Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Veneza.

Crítica
Admirável lição de cinema da qual cada plano é marcado pela sensibilidade vibrante de Fuller, Anjo do mal é ao mesmo tempo o mais impessoal e mais autoral de seus filmes. Ele se inscreve na veia documentária do filme noir, ou seja: é um filme que utiliza diversas externas e descreve uma investigação que poderia dar um excelente artigo de jornal.

Quando era jornalista, Fuller com frequência andou pelos meios marginais aqui representados. Os méritos de Pick up são aqueles de um bom filme de ação, sacudidos ainda pelo frêmito elétrico que Fuller impõe a todas as suas histórias: caracterização aguda dos protagonistas secundários, e mesmo das "pontas" (o homem se empanturrando de arroz que vende informações para Jean Peters e cata com pauzinhos as notas que ela põe sobre a mesa); tempo vivo e às vezes ofegante; sábia utilização da profundidade de campo e de longos movimentos de câmera, com o fim de dar à ação sua dose justa de pimenta e realismo. (Aliás, o barroco de Fuller privilegia sempre os planos muito comprimidos ou muito largos, em detrimento dos planos médios).

Não esqueçamos também o humor, um certo humor sardônico e insolente que não é exclusividade de Fuller (ver os filmes de Don Siegel) e que tem um duplo efeito contraditório, muito freqüente no cinema hollywoodiano do pós-guerra; num certo grau, este humor distancia o espectador do filme. Mas ao mesmo tempo liga este espectador de modo mais eficaz à ação, solicitando sua cumplicidade. Fuller, aliás, deixa de lado este humor quando lhe parece adequado, ou seja, no meio da história.

Podemos julgar a respeito de seu talento, virtuosidade e controle do filme pelo fato de que a cena mais engraçada e a seqüência mais trágica da intriga tenham por protagonista o mesmo personagem, a velha Moe (interpretada pela perfeita Thelma Ritter, cujas composições foram inesquecíveis em Lettres to three wives, The mating season de Mitchell Leisen, 1951, e Janela indiscreta, etc).

Na primeira destas sequências, ela vende Widmark à polícia, segundo seus hábitos “profissionais”. Na segunda seqüência, ela se deixa assassinar, velha mulher fatigada, corajosa e íntegra à sua maneira, clamando pela morte como uma libertação.

Passemos ao aspecto mais estritamente “fulleriano” do filme. Toda a ação é vista segundo a perspectiva de dois exluídos socialmente, dois personagens que “de nada valem”, segundo os valores burgueses da sociedade; vistos, portanto, como traidores destes mesmos valores.

A semelhança profunda que existe entre Jean Peters, a aventureira e Richard Widmark, o batedor de carteiras (passado suspeito, dinamismo e vitalidade poderosos, situação precária de sobrevivência na selva das cidades) torna crível a paixão fulminante – “coup de foudre”- que eles, entre uma porrada e outra , passam a sentir um pelo outro. (Aliás, eles não vão parar de “se pegar” ao longo do filme).

O ponto de vista de Fuller é o de mostrar uma certa solidariedade, uma certa integridade entre estes personagens marginais, assumindo mais ou menos sua condição e adeptos semi-conscientes de uma moral que eles poderiam facilmente voltar contra os pilares sociais.

Personagens deslocados, desorientados, constantemente em desequilíbrio entre o universo dos bons e dos maus e sem pertencer propriamente a nenhum desses, eles permitem ao autor exprimir, no seio de seu pessimismo explosivo, uma visão moral e anti-convencional do mundo.

O anti-comunismo tratado no filme serve de critério de julgamento acerca da relativa putrefação dos personagens. Aqueles aos quais Fuller particularmente se identifica, como o batedor de carteiras interpretado por Widmark, se postam no limite do mal absoluto, mas jamais ultrapassam esta tênue fronteira. Quando são tentados a fazê-lo, seu anjo bom os impede (cena onde Jean Peters arrasta Richard Widmark).

Talvez por serem estes personagens os mais “superexpostos”, são também - dramática e moralmente - os mais tocantes.

Nota: Em uma sequência de emissão televisiva Cinéma Cinémas, Fuller comenta na moviola os primeiros planos de seus filmes e indica, em especial, que a estação do metrô e a cabine são, contra toda espectativa, cenários construídos no estúdio.

Jacques Lourcelles. Tradução de Luiz Soares Júnior. Fonte

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Pickup.on.South.Street.(1953).CRiTERiON.FS.DVDRip.XviD-FiNaLe.avi

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Pickup.on.South.Street.(1953).CRiTERiON.FS.DVDRip.XviD-FiNaLe.srt
(Postado Originalmente por macbeth e Ângelo no MKO)