Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

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domingo, 17 de julho de 2011

522. O JARDIM DOS FINZI-CONTINI (1970)

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No final dos anos 30, em Ferrara, Itália, os Finzi-Contini são uma das importantes famílias da cidade. São aristocratas, ricos e judeus. Os filhos mais velhos - a bela Micol e o refinado Alberto - sempre reúnem os amigos para disputadas partidas de tênis, além de promover festas muito alegres. Giorgio é um dos amigos da família, apesar de ser um judeu de classe média. Ele está apaixonado por Micol. Mas eis que os italianos fascistas se aliam aos alemães nazistas, dando início à perseguição dos judeus.

Premiações
*Oscar 1972 (EUA)
-Venceu na categoria de Melhor Filme (estrangeiro) (Itália).
-Indicado na categoria de Melhor Roteiro (adaptado).
*BAFTA 1973 (Reino Unido)
-Recebeu o Prêmio UN.
-Indicado na categoria de Melhor Fotografia.
*Festival de Berlim 1971 (Alemanha)
-Recebeu o Urso de Ouro (Melhor Filme) e o Prêmio Interfilm - Prêmio de Cinema Otto Dibelius.
*Prêmio David di Donatello 1971 (Itália)
-Venceu na categoria de Melhor Filme e recebeu um Prêmio David especial.

Críticas
"A perseguição sob o fascismo de uma família de judeus cujos sonhos e esperanças são carregados pela tempestade antissemita. Do belo romance de Bassani, o filme consegue reconstituir a atmosfera às vezes singular e cativante. São sensíveis aqueles que observam de longe a vida de uma família judia muito aristocrata retraída entre seus vastos domínios e que, os anos passando, terminam por se aproximar, sem verdadeiramente reduzir, a distância daquela sociedade."
"O filme não é verdadeiramente um quadro da sociedade italiana de 1929 até 1943, nem uma evocação do meio judeu de Ferrara, mesmo que não faltem as cenas saborosas ou trágicas. Ele sugere, sobretudo, isso que poderia ter sido a cultura refinada e discreta dessa elite judia que a Europa do século XIX admitiu pouco a pouco e que ela em seguida quis exterminar. A personagem de Micol, moderna e impenetrável, é de uma grande poesia."
"marcou o retorno internacional de um diretor que nunca tinha deixado de trabalhar, mas cuja fama tinha decaído desde os tempos de obras-primas neo-realistas como Umberto D (1952)”. “Estilisticamente, o filme não é nenhuma obra-prima. Mas ganha vida nos momentos em que De Sica gruda sua câmara em closes de suas estrelas fascinantes (Dominique Sanda e Helmut Berger, especialmente) para observar o dardejar furtivo de seus olhos nobremente expressivos. O Jardim dos Finzi-Contini é uma parábola aguda e tocante sobre a relação entre os dramas pessoais e políticos, privados e públicos. O drama social que invade a história torna as palpitações românticas por vezes insignificantes, desesperadas, absurdas e pungentes."

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Il.Giardino.Dei.Finzi-Contini.(1970).DVDRip.XviD.avi


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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

436. A BATALHA DA ARGÉLIA (1965)

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A luta pela independência da Argélia, que põe em combate o exército francês e a Frente de Libertação Nacional (FLN). Dirigido por Gillo Pontecorvo (Queimada). Recebeu 3 indicações ao Oscar. Os eventos decisivos da guerra pela independência da Argélia, marco do processo de libertação das colônias européias na África. Entre 1954 e 1957 é mostrado o modo de agir dos dois lados do conflito, a Frente de Libertação Nacional e o exército francês. Enquanto que o exército usava técnicas de tortura e eliminava o maior número possível de rebeldes, a FLN desenvolvia técnicas não-convencionais de combate, baseadas na guerrilha e no terrorismo.

Crítica
A luta do povo argelino por sua libertação do jugo do colonialismo francês, apresentada no filme de Gillo Pontecorvo, tem como fio condutor a história de integrantes da Frente de Libertação Nacional (FLN), Ali-la-Pointe e seus companheiros que resistem na Casbah, o maior bairro popular da capital Argel. O filme apresenta um período desta luta, marco histórico no processo de libertação de colônias européias na África. A ação se passa entre 1954 e 1957 e o diretor, que mistura ficção e fatos reais, trata com veracidade a resistência argelina e a violência do exército francês, obtendo como resultado um “quase” documentário, intenso, emocionante, que mantém o espectador em suspense do início ao final do filme.

O coronel Mathieu (inspirado no coronel Jacques Massu – o carrasco de Argel) utiliza e defende abertamente a tortura para desbaratar a resistência argelina e manter o país sob domínio dos franceses. A tese - o uso da tortura e da humilhação como principal forma de combate - foi defendida publicamente em 1961, pelo coronel francês Roger Trinquier em seu livro "La guerre moderne", que serviu de “referência” para a “assessoria” de militares americanos em golpes de estado em países da América Latina. Há dois anos, segundo noticiou o jornal The New York Times, o filme foi exibido no Pentágono a militares norte-americanos inconformados com a tenaz resistência do povo iraquiano.

Em 1954, humilhados pela derrota da batalha de Diên Biên Phu imposta pelos vietnamitas, militares franceses radicalizam a violência contra os argelinos com o intento de manter seu domínio de mais de cem anos sobre o país, iniciado em 1830. A França ganharia uma batalha, mas perderia a guerra.

O filme, um clássico, traz ao final uma das mais belas e emocionantes cenas do cinema.

O filme foi banido na França até 1971 e o primeiro cinema que o exibiu sofreu um atentado. Ficou proibido no Brasil no período de ditadura militar.

Premiações
*Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1967
*Indicado ao Oscar de Melhor Direção e Melhor Roteiro em 1969
*Vencedor do BAFTA Awards em 1972
*Vencedor em 1967 do Fita de Prata no Italian National Syndicate of Film Journalists, nas categorias de Melhor Direção, Fotografia e Produção.
*Vencedor do FIPRESCI Prize e do Leão de Ouro no Festival de Veneza em 1966

Para maiores informações - Wikipédia

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The.Battle.Of.Algiers.(1966).DVDRip.XviD.cd1-DEViSE.avi
The.Battle.Of.Algiers.(1966).DVDRip.XviD.cd2-DEViSE.avi

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The.Battle.Of.Algiers.(1966).DVDRip.XviD-DEViSE.ptbr.srt
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

201. LADRÕES DE BICICLETA (1948)

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A história se passa logo após a Segunda Grande Guerra, com a Itália destruída e o povo passando necessidade. Ricci (Lamberto Maggiorani) consegue um emprego após muita espera. Só que esse emprego, de colador cartazes na rua, lhe pedia como obrigação uma bicicleta. Ricci e sua mulher Maria (Lianella Carell) conseguem um dinheiro para uma, possibilitando que ele realize o seu trabalho. Há também o menino Bruno (Enzo Staiola), filho do casal. Fascinado por bicicletas, o menino cai de cabeça com o pai na busca pela bicicleta que lhes foi roubada, quando Ricci trabalhava apenas em seu primeiro dia.

Premiações
* Locarno International Film Festival, Switzerland: Special Prize of the Jury, Vittorio De Sica; 1949.
* National Board of Review: NBR Award, Best Director, Vittorio De Sica; Best Film (Any Language), Italy; 1949.
* New York Film Critics Circle Awards: NYFCC Award, Best Foreign Language Film, Italy; 1949.
* Academy Awards: Honorary Award, Italy. Voted by the Academy Board of Governors as the most outstanding foreign language film released in the United States during 1949; 1950.
* Bucharest Film Festival: Golden Wolf for Best Film; 1950.
* British Academy of Film and Television Arts: BAFTA Film Award, Best Film from any Source; 1950.
* Bodil Awards, Copenhagen, Denmark: Bodil, Best European Film (Bedste europæiske film), Vittorio De Sica; 1950.
* Golden Globes: Golden Globe, Best Foreign Film, Italy; 1950.
* Cinema Writers Circle Awards, Spain: CEC Award, Best Foreign Film (Mejor Película Extranjera), Italy; 1951.
* Kinema Junpo Awards, Tokyo, Japan: Kinema Junpo Award, Best Foreign Language Film, Vittorio De Sica; 1951.
* Best Cinematography (Migliore Fotografia), Carlo Montuori.
* Best Director (Migliore Regia), Vittorio De Sica.
* Best Film (Miglior Film a Soggetto).
* Best Score (Miglior Commento Musicale), Alessandro Cicognini.
* Best Screenplay (Migliore Sceneggiatura), Cesare Zavattini, Vittorio De Sica, Suso Cecchi d'Amico, Oreste Biancoli, Adolfo Franci, and Gerardo Guerrieri.
* Best Story (Miglior Soggetto), Cesare Zavattini.
* Academy Awards: Oscar, Best Writing, Screenplay, Cesare Zavattini; 1950.

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Bicycle.Thieves.(1948).CRiTERiON.DVDRip.XviD-[fb].avi

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Bicycle.Thieves.(1948).CRiTERiON.DVDRip.XviD-[fb].srt

"Este é um dos meus filmes favoritos, simplesmente inesquecível e apaixonante a dura realidade do pós guerra transformada em poesia por isso busquei a melhor ripagem para que todos possam apreciar, só fui conhecer através do compartilhamento me foi indicado por uma grande amiga a gatíssima do eDonkers, este ripe não tem legendas em inglês forçadas, aproveitem"

sábado, 8 de agosto de 2009

184. PAISÁ (1946)

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Paisà traz seis episódios que mostram a luta das tropas aliadas para libertar diferentes regiões da Itália do domínio nazista, entre 1943 e 1944. São histórias de amor, amizade e lealdade, que focalizam o relacionamento do povo italiano com os soldados estrangeiros.No segmento inicial um soldado americano, Joe (Robert Van Loon), tem a tarefa de proteger uma jovem siciliana, Carmela (Carmela Sazio), em um castelo velho abandonado. Ela nada diz ou demonstra alguma emoção, enquanto Joe tenta suplantar a barreira do idioma. O 2º segmento se passa em Nápoles, nele um soldado americano negro tem seus sapatos roubados por um moleque de rua. Ele procura pelo garoto e descobre que o menino vive com vários napolitanos sem-teto. O 3º segmento se passa em Roma, nele um outro soldado americano, Fred (Gar Moore), chega na cidade com seu tanque e lhe é oferecida água por uma amável jovem, Francesca (Maria Michi), e ele rapidamente se sente atraído por ela. Meses mais tarde ele está bêbado e a encontra novamente, quando ela caminha pelas ruas procurando "clientes". Ele então se lembra de Francesca, mas não percebe que a prostituta e Francesca são a mesma pessoa. O 4º episódio acontece em Florença, quando uma enfermeira americana, Harriet (Harriet Medin), e um guerrilheiro italiano tentam atravessar as linhas alemãs. No 5º segmento há 3 capelães americanos: um católico, um protestante e um judeu, que pedem para monges franciscanos autorização para passar a noite no monastério deles. Os monges estão desacostumados com religiosos protestantes e judeus, mas descobrem que estão todos unidos sob o mesmo Deus. No 6º capítulo há um forte tiroteio entre forças britânicas e alemãs, em que há grandes perdas para ambos os lados.

Premiações
- Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro.
- Recebeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Filme.
- Recebeu 7 prêmios em festivais diversos.

Curiosidades
- Existem versões do filme com 115 (a do link ed2K) e 90 minutos.
- É o 2 º filme da chamada Trilogia da Guerra, dirigida por Roberto Rossellini. Os demais filmes são Roma, Cidade Aberta (1945) e Alemanha, Ano Zero (1947).

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Paisa.(1946).DVDRip.XviD-Making.Off.avi

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Paisa.(1946).DVDRip.XviD-Making.Off.srt

(Postado Originalmente por parkyns do MKO)

NEO-REALISMO ITALIANO

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O Neorrealismo italiano foi um movimento cultural surgido na Itália ao final da segunda guerra mundial, cujas maiores expressões ocorreram no cinema. Seus maiores expoentes foram Roberto Rosselini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti, todos fortemente influenciados pelos filmes da escola do realismo poético francês.

O cinema neorrealista italiano caracterizou-se pelo uso de elementos da realidade numa peça de ficção, aproximando-se até certo ponto, em algumas cenas, das características do filme documentário. Ao contrário do cinema tradicional de ficção, o neo-realismo buscou representar a realidade social e econômica de uma época.

O marco inicial do movimento é o lançamento do filme de Rossellini, Roma, città aperta (1944-1945), rodado logo após a libertação de Roma, nitidamente influenciado pelo realismo poético francês. A "paternidade do termo" é de dúbia possibilidade: a primeira diz que seria de Umberto Barbaro quando chamou de "neorrealístico" o filme Ossessione , do qual havia sido montador; e a outra possibilidade atribui o termo a Mario Serandrei, quando este usou o termo em uma resenha do filme Quai des Brumes.

Apesar de Roma... ter marcado o início do movimento, o primeiro filme daqueles dias é o documentário Giorni di Gloria, de Giuseppe de Santis, Marcello Pagliero, Mario Serandrei e Luchino Visconti), que traz cenas reais alternadas com cenas reconstituídas da ocupação nazi-fascista. Porém o filme foi exibido depois de Roma....

Características
O Neorrealismo italiano, por características comuns entre as obras e por uma ideologia difundida entre seus realizadores, tanto estética quanto política, constitui um "estilo de época" do Cinema. Teve lugar e tempo na Itália do final da Segunda Grande Guerra, em processo de "libertação" do regime fascista, como veículo estético-ideológico da resistência. Hasteava a bandeira da representação objetiva da realidade social como forma de comprometimento político. Seu período mais produtivo e significativo ocorreu entre 1945 e 1948.

Seus temas protagonizados por pessoas da classe operária imersas em um ambiente injusto e fatalista, sempre encontrando a frustração na eterna busca por melhores condições de vida, foram trazidos por influência do realismo poético francês.

Apesar de haver um certo consenso quanto às suas características, não existe uma delimitação exata quanto ao período de duração do movimento. Seguindo o paradigma observado na maior parte dos estilos estéticos da História da Arte e do Cinema, o nascimento dessa corrente aconteceu gradualmente, levando algum tempo até que se observasse o aparecimento de um filme genuinamente neo-realista. E, da mesma forma, sofreu uma decadência paulatina, sem um ponto delimitado de começo ou fim.

Neo-realismo como contraponto à estética fascista

Certamente, no entanto, não seria possível falar de Neorrealismo na Itália antes da decadência do regime fascista, que vigorou de 1922 a 1945. Esta, porém, não se limitava apenas a transformações de aspecto político, mas tinha também um projeto estético abrangente e definido. O Fascismo, muito além de puro fenômeno político, trazia consigo uma ideologia estética profundamente fincada em seus valores morais e sociais — e esta era, aliás, uma característica comum às manifestações de ideologias totalitárias.

Entre as várias propriedades dessa ideologia estética, estava a representação da sociedade por meio de uma ótica moralista/positivista, muito mais adequada à legitimação do regime do que à realidade das massas. Conseqüência direta dessa visão de mundo foi a produção em larga escala (estimulada e apreciada pelo governo) de filmes melodramáticos, épicos, romanceados, construindo na tela uma representação um tanto distante da vida cotidiana da sociedade italiana.

Um dos objetivos da geração neo-realista, posteriormente, seria a maior aproximação daquilo que acreditava ser a realidade do povo, para contrapor a essa "falsa imagem" da sociedade; os neo-realistas queriam apresentá-la, e não representá-la.

O que essa vanguarda pretende colocar na tela é um registro da vida das pessoas, no momento atual, contemporâneo à produção. Não interessava mais falar de tempos passados ou das tragédias folhetinescas. O cineasta neo-realista filmará a favela, a vila de pescadores, as ruas cheias de gente nos centros das cidades. A preocupação é com o "hic et nunc", num dos momentos mais críticos da História da Itália, e os jovens diretores acreditam no cinema como forma de expor os problemas — para que sejam resolvidos.

Esse comprometimento com o "retrato da verdade" faz com que a geração que desponta a partir da invasão aliada, em 1944/45 seja identificada como um movimento que os críticos Pietrangeli e Barbaro apelidam de Verismo (do it. vero, verdadeiro). O Neo-Realismo é percebido e nomeado enquanto os filmes estão sendo feitos, ou seja, o estilo é identificado no mesmo momento de sua produção artística, e não posteriormente. No mínimo, isso significa que a Itália notou que algo de diferente estava sendo feito.

Principais Autores e Obras
Luchino Visconti, com seu filme "Ossessione", de 1942, lançou a primeira pá na construção desse movimento. Adaptando o romance "The Postman Always Rings Twice" ("O Carteiro sempre toca duas vezes"), do norte-americano James Cain, o diretor conseguiu retratar um país de contrastes, que destoava da representação estilizada então dominante. Isso chocou os censores que, mesmo tendo aprovado anteriormente o roteiro, engavetaram a produção, até que o próprio Duce o tivesse visto — e apreciado!

Roberto Rossellini, ainda durante a guerra — e, mais especificamente, no próprio campo de batalha — filma "Roma, Città Aperta" (1945), inserindo registros de combates verdadeiros junto à dramatização. Rodado clandestinamente, como a própria resistência dos Partisans, o filme situa-se num limiar entre encenação e documento histórico. E, ainda, peça de propaganda contra o regime agonizante. No ano seguinte, realiza "Paisà", cujos 6 episódios acompanham o trajeto dos "libertadores", do sul para o norte, retratando a convivência entre italianos e aliados estrangeiros (com pessoas atuando nos papéis delas mesmas), com seus conflitos e choques inevitáveis.

Em "Germania, Anno Zero" (1947), Rosselini visita a outra nação derrotada (e destroçada), a Alemanha, para mostrar uma realidade muito semelhante à da Itália. Submetidos novamente a uma ocupação, a restrições e a toda sorte de privações, os alemães violam os valores éticos mais primários por causa da fome, e Rossellini espelha neles a própria crise italiana. Além desses, a "base teórica" do movimento deveu muito ainda a Cesare Zavattini, que adaptou e roteirizou vários dos filmes ("I Bambini Ci Guardano", 1944) ("Sciuscià", 1946) (Umberto D., 1952) e ao produtor/diretor Giuseppe Amato, que saiu da produção ativa do período fascista para patrocinar as experiências ousadas da geração Neo-Realista.

Mas é com Vittorio De Sica que o Neo-Realismo produz uma das obras mais expressivas e emblemáticas de sua estética. O filme Ladri di biciclette (1948) contém os principais elementos do filme Neo-Realista: a temática dos problemas sociais, a criança, os atores iniciantes ou desconhecidos, a ambientação in loco, a ausência de apelos técnicos ou dramatúrgicos e ao mesmo tempo um intenso conflito na trama (também escrita por Zavattini). Pela história do homem recém-empregado que tem seu instrumento de trabalho — a bicicleta — roubado, e assim ameaçado de perder o emprego, De Sica emoldura um quadro da classe trabalhadora urbana de então, assombrada pelo desemprego.

Ramificação e decadência
O mesmo ano de 1948 vê o aparecimento de vertentes distintas do mesmo movimento, que de certo modo significam estágios paralelos de desenvolvimento.

Em "La Terra Trema" (1948, de Visconti (Francesco Rosi e Franco Zeffirelli são os assistentes de direção), pescadores da Sicília interpretam eles próprios, num filme rodado de maneira semi-documental e crua - mais, talvez, do que "Ladri di Biciclette". Mas o apelativo "Riso Amaro", de Giuseppe DeSantis, constitui-se em outra face do movimento, ainda que se situe dentro da maleável fronteira do "estilo" Neo-Realista. Para muitos críticos, porém, observa-se nesse filme o início do declínio do movimento. A estética engajada comprometida em desnudar as contradições da sociedade acaba por se submeter à "exploração comercial", o que provoca "o começo do fim do movimento que havia trazido ao cinema italiano a vitalidade artística e significação social" (Ephraim Katz).

A chamada geração neo-realista— que ainda teve diretores menos significativos como Pietro Germi, Aldo Vergano, Alberto Lattuada, Luciano Emmer, Renato Castellani e Luigi Zampa — acaba, então, sucumbindo às circunstâncias.

Na década de 1950, o cenário já é outro, o quadro de crise econômica e social parece ter sido amenizado, a televisão ganha cada vez mais espaço como mídia e, para enfrentá-la, os produtores passam a investir no cinema do puro entretenimento escapista. Um pouco mais tarde, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni, que tinham participado do Neo-Realismo, afastam-se do Verismo ortodoxo e vão apelar à farsa exuberante ou ao drama existencial para redesenhar a Itália e suas novas questões.

Fonte

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

178. ROMA, CIDADE ABERTA (1945)

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Roma, 1944. Um dos líderes da Resistência, Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), é procurado pelo nazistas. Giorgio planeja entregar um milhão de liras para seus compatriotas. Ele se esconde no apartamento de Francesco (Francesco Grandjacquet) e pede ajuda à noiva de Francesco, Pina (Anna Magnani), que está grávida. Giorgio planeja deixar um padre católico, Don Pietro (Aldo Fabrizi), fazer a entrega do dinheiro. Quando o prédio é cercado, Francesco é preso pelos alemães e levado para um caminhão. Gritando, Pina corre em sua direção e é metralhada no meio da rua. Giorgio foge para o apartamento de sua amante, Marina (Maria Michi), sem imaginar que este seria o maior erro da sua vida.

Premiações
- Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro.(Federico Fellini)
- Ganhou o Grande Prêmio, no Festival de Cannes.

Curiosidades
- Roberto Rossellini usou verdadeiros soldados nazistas como extras em Roma, Cidade Aberta, na intenção de dar às cenas um efeito mais realista.
- É considerado o marco inicial do neo-realismo italiano.
- É o 1º filme da chamada Trilogia da Guerra, dirigida por Roberto Rossellini. Os demais filmes são Paisà (1946) e Alemanha, Ano Zero (1947).

Crítica

Neo-Realismo Italiano
Os traumas do pós-guerra levam cineastas e críticos italianos a assumirem posição mais crítica em relação aos problemas sociais e reagirem contra os esquemas tradicionais de produção. Surge assim, na Itália, o movimento neo-realista. A renovação ocorre na temática, na linguagem e na relação com o público. A experiência neo-realista tem duração relativamente curta mas causa enorme impacto sobre as demais cinematografias e se expressa de diferentes formas em outros países.

Com poucos recursos, linguagem mais simples, temáticas contestadoras, atores não-profissionais e tomadas ao ar livre os filmes retratam o dia-a-dia de proletários, camponeses e pequena burguesia. "Obsessão" (Ossessione - 1943), de Luchino Visconti, é considerada a obra inaugural do neo-realismo. A trilogia de Roberto Rosselini, Roma, "Cidade Aberta" (Roma, città aperta / Rome, Open City - 1945), "Paisà" (Paisà - 1946) e "Alemanha, Ano Zero" (Germania Anno Zero / Germany Year Zero - 1947), ao lado de "Ladrões de Bicicleta" (Ladri di Biciclette / The Bicycle Thief - 1948) e "Umberto D" (Umberto D - 1952), de Vittorio De Sica, constituem os grandes marcos do movimento. Destacam-se também "A Romana" (La Romana / Woman of Rome - 1954), de Luigi Zampa, "O Capote" (Il Cappotto / The Overcoat - 1952), de Alberto Lattuada, "O Ferroviário" (Il Ferroviere / Man of Iron / The Railroad Man - 1956), de Pietro Germi, e "A Terra Treme" (La Terra trema / The Earth Trembles - 1948), de Visconti.

" Por Denise Duarte -Em "Roma, Cidade Aberta", é possível observar claramente os elementos característicos do neo-realismo italiano: gravações em amplos exteriores, planos seqüência, participação de não-atores nos papéis principais (à exceção de Anna Magnani e mais alguns), a temática da miséria, da solidão, do sofrimento, o realismo em primeiro lugar, em certos momentos sendo documental, elementos que vieram influenciar cineastas do mundo inteiro em diferentes épocas, inclusive o Cinema Novo, no Brasil. O filme mostra a situação de opressão, medo e miséria a que ficou sujeita a população italiana durante a ocupação alemã na segunda guerra mundial. Rossellini mostrou ao mundo que, apesar de a Itália ter se aliado a Hitler no conflito, o povo italiano resistiu à ocupação e sofreu de forma similar aos demais povos europeus ocupados. O filme foi feito com muita dificuldade, com pedaços de filmes diferentes, o que é possível verificar pela diferença entre as imagens ao longo da película. Começou a ser rodado ainda durante a ocupação, com tomadas das tropas alemães sendo feitas às escondidas por Rossellini e seus ajudantes, dentre eles Federico Fellini. Este caráter documental do filme lhe soma em densidade. A participação da população de Roma como intérprete lhe presta ainda mais realismo. Na cena em que a personagem de Anna Magnani é morta por soldados alemães, estes são interpretados por soldados alemães presos após a guerra. Nesta mesma cena, diversos populares interpretam a si mesmos durante a ocupação, sendo cercados por alemães. Este realismo, associado a uma conjunção de outros elementos que compõem a narrativa fílmica típica do neo-realismo italiano, anteriormente descritos, faz de "Roma, Cidade Aberta", ainda hoje, uma preciosidade a ser preservada para muito além do século XXI."

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Roma.Citta.Aperta.(1945).(Dual.ITA.SPA).DVDRip.DivX5-by.ANDRES.avi

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Roma.Citta.Aperta.(1945).(Dual.ITA.SPA).DVDRip.DivX5-by.ANDRES.srt

quarta-feira, 29 de julho de 2009

165. OBSESSÃO (1943)

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Numa cidadezinha no meio do nada uma mulher e o amante que acabou de conhecer planejam a morte do marido, com resultados imprevisíveis. Obsessão (1943) é a uma adaptação (não-autorizada) do livro O destino bate à sua porta, de James M. Cain, e se não consegue ser uma obra tão bem acabada como sua fonte literária, é ainda assim muito melhor que as duas versões americanas (de 46 e 81) por recusar a super-estilização encontrada nos outros filmes para oferecer um tratamento desglamourizado e sujo, muito mais adequado à secura da narrativa e da história original. Esse olhar distante do estilo "telefone branco" (melodramas inofensivos bancados pelo sistema fascista) ocasionou não somente a ira do regime de Mussolini (que mandou destruir todas as cópias - Visconti conseguiu salvar uma), mas também um título posterior de marco inicial do movimento neo-realista. É uma afirmação pertinente, sem dúvida, mas o jogo de paixões e perturbações sexuais é o elemento mais forte, e está tanto aqui quanto em superproduções como O Inocente ou Sedução da Carne. Ainda em tempo: Clara Calamai e Massimo Girotti, atores profissionais, estão perfeitos nas intrigas policialescas e nos contornos melodramáticos e ao mesmo tempo completamente integrados no cenário do filme, sem trair a naturalidade do todo.
(por Saymon Nascimento)

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Ossessione.(1943).B&W.DVDRip.XviD-SeriesPando.avi

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