Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

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quarta-feira, 23 de junho de 2010

367. SPARTACUS (1960)

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Spartacus (Kirk Douglas), um homem que nasceu escravo, labuta para o Império Romano enquanto sonha com o fim da escravidão. Ele, por sua vez, não tem muito com o que sonhar, pois foi condenado à morte por morder um guarda em uma mina na Là­bia. Mas seu destino foi mudado por um lanista (negociante e treinador de gladiadores), que o comprou para ser treinado nas artes de combate e se tornar um gladiador. Até que um dia, dois poderosos patrà­cios chegam de Roma, um com a esposa e o outro com a noiva. As mulheres pedem para serem entretidas com dois combates até à morte e Spartacus é escolhido para enfrentar um gladiador negro, que vence a luta mas se recusa a matar seu opositor, atirando seu tridente contra a tribuna onde estavam os romanos. Este nobre gesto custa a vida do gladiador negro e enfurece Spartacus de tal maneira que ele acaba liderando uma revolta de escravos, que atinge metade da Itália. Inicialmente as legiões romanas subestimaram seus adversários e foram todas massacradas, por homens que não queriam nada de Roma, além de sua própria liberdade. Até que, quando o Senado Romano toma consciência da gravidade da situação, decide reagir com todo o seu poderio militar.

Premiações
*Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Fotografia
Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Peter Ustinov)
Oscar de Melhor Direção de Arte
Oscar de Melhor Figurino
*Prêmios Globo de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Filme - Drama

Indicações

*Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Edição
Oscar de Melhor Trilha Sonora
*Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Filme
*Prêmios Globo de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Direção (Stanley Kubrick)
Prêmio de Melhor Trilha Sonora Original
Prêmio de Melhor Ator em um Drama (Laurence Olivier)
Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (Peter Ustinov e Woody Strode)

Curiosidades
- Além de estrelar Spartacus , o ator Kirk Douglas foi também produtor executivo do filme.
- Em 1991 foi lançada uma versão restaurada de Spartacus , que continha 13 minutos a mais que o original. Nesta nova versão, o ator Anthony Hopkins dublou a voz de Laurence Olivier na cena de banho entre seu personagem, Crassus, e Antoninus (Tony Curtis).
- Inicialmente, o filme seria dirigido por Anthony Mann, que inclusive dirigiu a cena inicial do filme. Entretanto, desentendimentos com os produtores fizeram com que ele se afastasse do projeto e Stanley Kubrick assumisse seu lugar.
- O som da multidão gritando "Spartacus! Spartacus!" foi na verdade gravado durante uma partida de futebol americano no Spartan Stadium, sede do time da Universidade de Michigan.
- Mais de 8500 extras foram utilizados nas cenas de batalha entre o exército romano e a rebelião liderada por Spartacus.
- Refilmado para a TV como Spartacus (2004).

RELEASE by.constantini

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Spartacus.(1960).(Dual.PTBR.ENG).WS.DVDRip.AC3.XviD.Parte.1-by.costantini.avi [1.75 Gb]
Spartacus.(1960).(Dual.PTBR.ENG).WS.DVDRip.AC3.XviD.Parte.2-by.costantini.avi [1.37 Gb]

Legenda (ptbr e eng)
Spartacus.(1960).(Dual.PTBR.ENG).WS.DVDRip.AC3.XviD.Parte.1.e.Parte.2-by.costantini.ptbr.en.srt
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RELEASE CaLLiOpeD

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Spartacus.50th.Anv.Edt.(1960).BDRip.XviD.AC3-CaLLiOpeD.avi [3.73 Gb]

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Spartacus.50th.Anv.Edt.(1960).BDRip.XviD.AC3-CaLLiOpeD.ptbr.en.srt
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quinta-feira, 17 de junho de 2010

366. SE MEU APARTAMENTO FALASSE (1960)

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Um funcionário ambicioso (Jack Lemmon) descobre um atalho para subir na companhia em que trabalha: ceder seu apartamento para os encontros amorosos de seus superiores na empresa. A tática inicialmente dá certo, mas passa a ser ameaçada quando ele se apaixona pela amante de seu chefe.

Premiações
- Ganhou 5 Oscars: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Direção de Arte - Preto e Branco e Melhor Edição. Foi ainda indicado em outras 5 categorias: Melhor Ator (Jack Lemmon), Melhor Atriz (Shirley MacLaine), Melhor Ator Coadjuvante (Jack Kruschen), Melhor Fotografia - Preto e Branco e Melhor Som.
- Ganhou 3 Globos de Ouro: Melhor Filme - Comédia/Musical, Melhor Ator - Comédia/Musical (Jack Lemmon) e Melhor Atriz - Comédia/Musical (Shirley MacLaine).
- Ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza.

Crítica
Bom cinema é muito mais do que a simples soma de palavras e imagens. Os melhores filmes funcionam como passes de mágica. Nestas produções, não é raro que a soma de 2 mais 2 dê 5, ou mais. Os melhores diretores são aqueles que aplicam a teoria básica da montagem de Eisenstein (o significado é construído a partir do choque de duas tomadas) em um nível mais profundo. Você soma diálogos, música, fotografia, direção de arte, atuações para conseguir um significado que dois ou três destes elementos, sozinhos, não dariam conta. Um dos diretores que mais fez filmes neste nível superior foi o austríaco Billy Wilder. “Se Meu Apartamento Falasse” (The Apartment, EUA, 1960), uma das comédias românticas mais brilhantes de todos os tempos, é um deles.

A idéia que está na base de “Se Meu Apartamento Falasse” começou a germinar na cabeça de Billy Wilder quase vinte anos antes, em 1946. O diretor austríaco roubou-a de um filme de David Lean chamado “Desencanto”, que ele viu no mesmo ano. O filme tematizava o affair proibido de um homem e uma mulher, ambos casados com outras pessoas. Para se encontrar, eles usavam o apartamento de um amigo, um sujeito que aparece em apenas duas cenas. Na cabeça de Wilder, este personagem quase invisível tinha uma história mais interessante do que a do casal. Podia virar um protagonista.

No entanto, Wilder não era bobo. Ele sabia que naquela época o sistema de censura existente em Hollywood jamais permitiria um filme cuja trama tinha como base geográfica um apartamento usado para encontros sexuais proibidos. Anotou-a para o futuro. Esperou até 1959, quando a ocasião propícia finalmente apareceu. Na época, vários fatores pareciam convergir em favor do projeto: Wilder se tornara um dos diretores mais respeitados do mundo; a mentalidade das pessoas estava mudando e as noções de infidelidade e sexo fora do casamento eram muito mais naturais; e a censura em Hollywood enfraquecia a olhos vistos.

Para completar, o diretor acabara de encontrar o ator perfeito para o personagem: Jack Lemmon. Junto com o roteirista parceiro I.A.L. Diamond, Wilder desenvolveu o enredo de modo bem diferente de uma comédia romântica clássica, mas de forma que o filme pudesse aproveitar todo o potencial cômico do ator. É uma história simples, calcada em uma situação curiosa: uma das centenas de funcionários anônimos de uma mega-seguradora, C.C. Baxter (Lemmon), empresta seu apartamento em Nova York para que os superiores hierárquicos, como o chefão Sheldrake (Fred MacMurray), possam se encontrar com as amantes, enquanto ele mesmo é obrigado a passar quase todas as noites no frio da calçada, esperando para voltar para casa.

O grande segredo da excelência de “Se Meu Apartamento Falasse” foi o cuidado com que o diretor austríaco construiu os dois personagens principais – além de Baxter, há a ascensorista Fran Kubelick (Shirley MacLaine), que é o interesse romântico do protagonista na história. O cineasta recusou os estereótipos das comédias de costumes tradicionais, onde os protagonistas normalmente têm os perfis situados em situações-limite. Ou seja, em geral os personagens principais de tais filmes são pessoas puras e ingênuas, ou são canalhas a caminho de uma inevitável redenção. Aqui, porém, não há nada disso. Wilder não gosta de pretos e brancos; prefere explorar a área cinzenta e muitas vezes indefinível que fica no meio.

Baxter e Fran são jovens, mas já conhecem os caminhos traiçoeiros da vida. Já levaram muitas sarrafadas do destino e se acostumaram à derrota. Mantêm uma ponta de esperança, sim, mas sem fazer devaneios impossíveis. São dois seres resignados. “Este filme não é sobre como a vida é bela. É sobre como a vida é”, costumava dizer Wilder. Com este conceito em mente, os roteiristas criaram um protagonista rico, complexo, tridimensional, cheio de camadas. Um homem de carne e osso, alguém cuja existência extrapola os limites retangulares de uma tela de cinema.

Seria fácil transformar Baxter em um personagem artificial e unidimensional, uma marionete do diretor, calcada nos clichês do gênero. Ele poderia ser um homem simplório manipulado por gente mais esperta, ou um espertalhão ambicioso que empresta o apartamento aos chefes apenas com a intenção de galgar a hierarquia da empresa. Mas Baxter é ambos, ou melhor, transcende as duas coisas. É um rapaz meio tímido, esforçado no trabalho, à procura de uma chance na vida, e incapaz de dizer “não”. De fato, o roteiro do filme é tão bom que Baxter, quando se vê preso na armadilha do apartamento, desenvolve uma tortuosa linha de raciocínio sobre ser um parasita social. Ele acredita mesmo nisso. Mas a gente sabe que não é verdade. Baxter não passa de um homem comum, alguém que se meteu inadvertidamente em uma situação complicada e não consegue sair dela.

As qualidades impecáveis de Wilder como diretor se manifestam não apenas na construção dos dois personagens inesquecíveis, mas nos outros departamentos. A direção de arte é um excelente exemplo. Observe como o apartamento citado no título parece apertado, sufocante, um peso que o personagem carrega nos ombros; para conseguir este efeito, Wilder mandou o responsável pelo setor, Alexander Trauner, retirar a cor branca dos cenários, de forma a suprimir os espaços vazios e acentuar essa impressão claustrofóbica.

Outro exemplo é a maravilhosa tomada em que Baxter some atrás de uma verdadeira multidão de escrivaninhas, todas idênticas, no espaçoso salão em que os vendedores de seguro, como ele, se acotovelam para trabalhar. A câmera inicialmente mostra apenas o nosso herói, mas aos poucos vai se afastando até revelar a imensidão do escritório – Baxter senta na escrivaninha número 831. Esta tomada mostra como é importante que o movimento da câmera seja planejado não de forma gratuita, mas em função da história. Da forma como a cena foi filmada, Wilder comunica ao público exatamente que tipo de homem é Baxter: um reles funcionário sem importância, um pequeno parafuso numa enorme engrenagem. Um zero à esquerda. Um de nós, enfim.

Quer mais um exemplo? Então confira a antológica seqüência em que Baxter utiliza uma raquete de tênis para escorrer o espaguete, ao cozinhar para a mulher amada. Duas coisas diferentes são comunicadas ao mesmo tempo: o fato de que Baxter é um solteiro bagunçado (caso contrário, certamente teria um escorredor) e, também, que possui um charme espontâneo impossível de ignorar (o ato de cozinhar para uma mulher é sempre simpático). Portanto, a mesma cena estabelece duas características importantes do personagem, e de quebra consegue sacramentar um inspirado e refinado momento cômico.

Se C.C. Baxter é responsável pela maior parte dos bons momentos cômicos, Fran Kubelick é uma personagem dramática por excelência. Ascensorista cobiçada por todos os homens da empresa, ela parece ser a garota dos sonhos de Baxter: linda, simpática, inteligente, não sai com qualquer um. O filme vai revelando aos poucos os detalhes da vida de Fran, até que descobrimos que ela não é o que parece; é na verdade uma mulher presa a uma paixão devastadora, uma paixão da qual não consegue se livrar. Ela sabe que o namoro é um beco sem saída e tem consciência de que deveria seguir em frente, mas simplesmente não consegue – e todos nós já vivemos, ou conhecemos alguém que viveu, uma situação assim, não é mesmo?

Para completar, a escalação do elenco é perfeita, do começo ao fim. Jack Lemmon é tudo o que Jim Carrey gostaria de ser, um ator dramático intenso com timing cômico perfeito. Shirley MacLaine, além de linda, possui um rosto angelical, que exala inocência, o que se revela fundamental para despertar um choque no público, quando passamos a conhecer o atormentado passado dela. Por fim, a cereja no topo do bolo: Fred MacMurray como o chefão Sheldrake, um canalha egoísta, fazendo uma sutil alusão ao papel que o ator interpretou em “Pacto de Sangue” (1944), do mesmo Wilder – Sheldrake seria exatamente o homem que o protagonista do clássico noir teria se tornado, caso não houvesse entrado no mundo do crime, duas décadas antes.

A união de tudo isso resulta em um filme perfeito, romântico de pé no chão, um filme perfeito para casais que, no entanto, jamais abdica de ter um pé da realidade dura e fria (neste caso, considerando o inverno da Nova York mostrada em cena, literalmente). As escolhas estéticas do diretor aperfeiçoam e dão consistência extra ao que realmente importa: uma galeria de personagens maravilhosa, gente de carne e osso, com quem a gente se importa mesmo depois de terminada a projeção.

Tanto isto é verdade que, até o fim da vida, Billy Wilder teve que responder a uma pergunta recorrente dos admiradores: o que ocorreu com Baxter e Fran depois da sensacional frase “cale a boca e dê as cartas”, que encerra a produção? A resposta de Wilder revela o diretor sensacional que ele era: quando escreveu o filme, o diretor pensava que dois personagens tão pobres e sem imaginação não conseguiriam viver juntos por muito tempo; ao terminar de filmar, não tinha mais certeza. Os dois haviam adquirido vida própria.

Por Rodrigo Carreiro (Cine Repórter)

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The.Apartment.(1960).DVDRip.DivX3LM.avi

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The.Apartment.(1960).DVDRip.DivX3LM.ptbr.srt
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365. A TORTURA DO MEDO (1960)

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Quando estreou na Inglaterra, em 1960, Peeping Tom foi, de imediato, denegrido pela crítica e alvo de severas condenações por parte do público. As reações foram tão hostis que o distribuidor retirou o filme das salas ao fim de apenas uma semana de exibição e a carreira de Michael Powell sofreu um forte revés. O autor de obras tão estimadas como The Thief of Bagdad (1940), Black Narcissus (1946) ou Red Shoes (1948), foi ostracizado pela indústria cinematográfica, realizando apenas mais três filmes nos trinta anos que se seguiram, até à sua morte, em 19 de Fevereiro de 1990.

Muitas das reações negativas que o filme despertou relacionam-se, por um lado, com o fato de Powell traçar um retrato de um pervertido sexual que, apesar de cometer as mais terríveis atrocidades, revela uma enorme vulnerabilidade a ponto de inspirar no público sentimentos de pena e simpatia e, por outro, com a insinuação sutil de que o espectador é, também ele, um voyeur e, de certa maneira, um cúmplice da sua crueldade assassina.

Com Peeping Tom, Powell e o argumentista Leo Marks criaram uma das mais perturbadoras e inquietantes explorações psicológicas e visuais de uma obsessão sádica pelo medo vivida por um assassino psicopata. O protagonista do filme é Mark Lewis , um fotógrafo e operador de câmara que leva uma vida discreta e aparentemente normal mas que esconde, no seu íntimo, um terrível segredo: na penumbra sombria do seu quarto dedica-se ao visionamento das imagens que capta dos últimos momentos de vida das mulheres que matou.

Crítica
Do you know what the most frightening thing in the world is…? É a pergunta essencial em torno da qual se constrói um dos mais desprezados e vilificados filmes da história do cinema britânico, Peeping Tom, que destruiu a carreira do realizador Michael Powell.

É difícil de acreditar nestes tempos em que a sociedade é completamente submersa em voyeurismo a uma escala sem precedentes que um dos mais laureados realizadores britânicos da idade de ouro do cinema clássico tenha sido totalmente crucificado pela crítica porque se atreveu a criar o que era visto como uma aberração na altura (1960), sendo forçado a pôr um fim à sua gloriosa carreira de cineasta.

Michael Powell é talvez mais conhecido pela sua associação a Emerich Pressburger, a lendária colaboração que originou alguns do melhores filmes das décadas 40 e 50, como A Matter of Life and Death, The Red Shoes, Black Narcissus, The Life and Death of Colonel Blimp, Tales of Hoffman.

Todos nós já vimos pelo menos um filme da dupla Powell & Pressburger, mesmo que os nomes não sejam familiares. A criatividade de ambos tornou-se icónica e hoje muitos dos seus filmes são clássicos bem amados que expressaram a admiração de Powell & Pressburger por arte e literatura, bem como o compromisso que assumiram perante a realidade da vida.

Para compreender Peeping Tom é necessário compreender como é uma criação muito à frente do seu tempo. Do lado americano, a década de 60 iniciou-se com dificuldades financeiras para os grandes estúdios e os primeiros sinais do fim da era clássica dourada são as fracas receitas de bilheteira do dispendioso épico Cleopatra e a compra dos estúdios por companhias multinacionais que levou ao início do novo cinema moderno e independente. Muitos consideram The Misfits, com duas grandes estrelas da era clássica (Marilyn Monroe e Clark Gable no que foi curiosamente o último filme de ambos em vida) como o filme de transição de uma idade em crepúsculo para uma nova era florescente a anunciar os novos rumos da sétima arte.

Mas há muito a dizer sobre a influência dos britânicos na produção cinematográfica da década de 60. Se por um lado, providenciaram um contributo decisivo na preservação dos valores clássicos em filmes históricos como Lawrence of Arabia, Dr. Zhivago, A Man For All Seasons, The Lion of Winter, por outro, deram origem a novos dramas de angry men que se procuravam libertar das expectativas da sociedade, com realizadores a descreverem as suas vidas de uma forma honesta e crua nunca antes vista.

E é nesse contexto que se insere Peeping Tom. O seu conteúdo afasta-se da visão puritana herdada do cinema clássico, e aproxima-se do britânico Kitchen Sink Drama que iria destruir as aparências e abrir todas as cortinas de realidade, quebrando os mitos tão esforçadamente criados pelos grandes estúdios de cinema.

Se Peeping Tom teve uma recepção exacerbadamente negativa à altura é porque o seu realizador, Michael Powell, era um dos cineastas britânicos mais consagrados e cada novo filme seu produzia elevadas expectativas por parte de um público e crítica que exigiam mais do mesmo material.

Mas Peeping Tom é matéria da mais negra. Mark Lewis (o alemão Karl Böhm), fotógrafo de profissão, leva uma vida normal e discreta, encerrado num sótão do seu próprio casarão. Nas sombras cerradas do seu quarto esconde um terrível segredo. Observa filmes por ele criados dos últimos momentos de vida de mulheres que matou. Observa, fascinado e obcecado pelos rostos de medo que ele próprio induz.

O que eleva Mark Lewis para além da figura redutora de um psicopata é a justificação psicológica para as suas acções. Um homem torturado na sua infância pelas experiências científicas do seu pai, nunca tendo conhecido um momento de privacidade, foi sempre constantemente perseguido pelas câmaras do seu pai, e foi de tal modo absorvido por esse pesadelo orwelliano que cresce para se tornar num assassino voyeur que se deleita com o terror estampado nos rostos das suas vítimas.

Longe de ser retratado como um monstro de enorme crueldade e um pervertido sexual, Mark revela, apesar de tudo, uma enorme vulnerabilidade e em vez de o público fugir do horror dos seus actos, não pode deixar de sentir pena e até simpatia para com o diabo. O seu lado mais sensível é revelado através da sua inquilina, Helen, a quem ele gradualmente revela a negritude da sua infância.

O filme caminha para o seu fim inevitável trágico. Mark pergunta a Helen Do you know what the most frightening thing in the world is…? Para induzir o terror nas suas vítimas, Mark força-as a assistir aos seus próprios rostos distorcidos por medo, retirando daí satisfação dos seus desejos mais negros. A presença omnipotente da câmara no filme, o objecto fetiche de Mark, força-nos a associar os homens por detrás da câmara a voyeurs, intrusos na privacidade, vítimas de desejos inconfessados.

Moira Shearer, a estrela de The Red Shoes, tem um pequeno papel como uma das vítimas de Mark, enterrando ainda mais Michael Powell no desagrado da crítica, incapaz de o perdoar por sujeitar uma das mais estrelas adoradas do cinema e ballet à temática perturbante de Peeping Tom.

Mas é a figura do pai a mais perturbadora, revelada através de filmes antigos. Ele é o principal vilão, responsável pela tragédia do seu filho, e ao colocar-se a si próprio na pele da figura do pai, Michael Powell é condenado, incompreendido, para sempre marginalizado pela crítica. O seu primeiro compromisso era para com as histórias que queria contar, as visões que queria denunciar, indiferente aos gostos e expectativas do público. O realizador nunca mais voltou a fazer filmes à altura das suas glórias passadas (realizou apenas mais três filmes até à sua morte) e foi preciso outra década e realizadores em ascendência como Martin Scorsese e Francis Ford Coppola para reabilitar a imagem de Michael Powell e redefinir a sua obra cinematográfica, incluíndo Peeping Tom, como uma das mais influentes e precursoras do século XX.
Fonte

Curiosidades
- As primeiras escolhas para o papel de Mark incluíram Dirk Bogarde e Laurence Harvey.
- A revista Première elegeu o filme como um dos 25 mais assustadores de todos os tempos.

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Peeping.Tom.(1960).CRiTERiON.DVDRip.AC3.XviD-C00LdUdE.avi

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Peeping.Tom.(1960).CRiTERiON.DVDRip.AC3.XviD-C00LdUdE.ptbr.srt
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364. A MALDIÇÃO DO DEMÔNIO (1960)

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Na Moldávia do séc.XVII, a diabólica princesa Asa é condenada a morte por bruxaria e vampirismo, junto com seu irmão Igor. Acidentalmente, 200 anos depois,dois médicos que viajam para participar de uma Convenção, de passagem pela região, descobrem a cripta da princesa Asa e presenciam sua ressurreição. Com a ajuda do ressuscitado Igor e outros seguidores, Asa prepara-se para fazer mais uma vítima: a Princesa Kátia, sua descendente.

Curiosidades
-Na versão em lingua italiana, a princesa Asa e Igor são irmãos, o que sugere uma possivel relações incestuosa entre ambos. Mas não na versão em inglês;
-Na edição 17-23, de outubro de 1998 do "TV Guide", o diretor Tim Burton declarou que este era seu filme de terror favorito;
-Bava afirmou que uma produtora americana tentou concvencê-lo a fazer um remake à cores. Ele recusou;
-Barbara Steele (Princesa Asa) não tinha conhecimento prévio do script: era dado a ela uma folha por dia.
-O Filme é baseado no apavorante conto russo "Viy", de Gogol,e um dos maiores clássicos do cinema de horror.

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Black.Sunday.(1960).DVDRip.XviD-ODiN.avi

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Black.Sunday.(1960).DVDRip.XviD-ODiN.ptbr.srt
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Versão Dual (Original audio Italiano e em Espanhol)
La.Maschera.Del.Demonio.(1960).(Dual.Ita.Spa).DVDRip.XviD.avi

(A Legenda synca para as duas versões que possuem o memso fps, o texto inicial parece ter sido modificado na versão em inglês na qual a legenda se baseia e por isso a mesmaa parece estar fora de sync mas qdo as falas se iniciam a sync se acerta)

363. PSICOSE (1960)

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Psicose começa com a secretária Marion dando um desfalque de 40 mil dólares na imobiliária onde trabalha. É uma tarde quente de sexta-feira e ela pede licença ao patrão para sair mais cedo, e leva consigo o pacote contendo o dinheiro, certa de que seu crime só seria percebido após o final de semana. Com pouco mais de dois dias para fugir, Marion sai dirigindo sem destino pelas estradas. Cansada, vai parar no Motel Bates, um lugar decadente, que quase fechou suas portas após o desvio da auto-estrada. Lá, é recepcionada por um simpático mas estranho rapaz, Norman Bates, um tímido, dominado pela mãe. Após um bate-papo e um rápido sanduíche, acontece o inesperado.

Premiações
Oscar 1961 (EUA)
* Foi indicado nas categorias de melhor atriz coadjuvante (Janet Leigh), melhor fotografia, melhor direção de arte e melhor direção.
Globo de Ouro 1961 (EUA)
* Venceu na categoria de melhor atriz coadjuvante (Janet Leigh).
Prêmio Edgar 1961 (Edgar Allan Poe Awards, EUA)
* Venceu na categoria de melhor filme.

Curiosidades
* Psicose foi filmado em preto e branco porque Hitchcock temia que a cena do chuveiro ficasse chocante demais, com o vermelho do sangue.
* A tradicional aparição de Hitchcock, neste filme, acontece durante aproximadamente quatro minutos, do lado de fora do escritório em que Marion trabalha, e ele está usando um chapéu de cowboy.
* Janet Leigh não estava nua na famosa cena do chuveiro: ela usava uma roupa colante à pele. Uma dublê de corpo também foi utilizada.
* O som das facadas, nesta mesma cena, na realidade é o som de um melão sendo esfaqueado.
* O sangue desta mesma cena é, na verdade, calda de chocolate.
* O chuveiro que se vê filmado de baixo para cima na realidade tinha dois metros de diâmetro, para que a câmera captasse os jatos d'água com maior intensidade.
* A cena do chuveiro demorou sete dias para ser filmada, e utilizou 70 diferentes posições de câmera.
* Hitchcock recebeu uma carta de um pai enfurecido, dizendo que sua filha, apavorada, recusava-se a entrar no chuveiro, após ver o filme. Hitchcock respondeu a carta, sugerindo ao pai que levasse a garota para uma lavagem a seco.
* Psicose é o primeiro filme da história do cinema americano a focalizar um vaso sanitário dando descarga, o que era considerado de mau gosto, na época.
* Houve três sequências: Psicose 2 foi lançada em 1983, Psicose 3 em 1986, e o capítulo final foi lançado em 1990. Houve também um especial chamado Bates Motel em 1987 e um remake em 1998.

Crítica
Clássico dos clássicos do cinema mundial. Psicose não é só um dos melhores filmes da história, mas também um dos mais plagiados, satirizados e ousados também. Partindo de uma premissa bem simples, o filme virou o marco que é por ter um segredo muito bem guardado, um roteiro que se desenvolve de maneira bem assustadora, atores inspirados conduzidos de maneira mágica pelo gênio Alfred Hitchcock e muito mais. Para mim, sua obra máxima.

A história é baseada em um livro de Robert Bloch e teve seu roteiro escrito por Joseph Stefano, sendo muito feliz na adaptação. Marion Crane é uma bela secretária de uma imobiliária. Certo dia, após seu patrão ter fechado um belo negócio e recebido 40.000 dólares em dinheiro, a loira dos olhos claros não resiste à tentação e rouba a quantia, a fim de conseguir viver com seu amante. Assim se tem início uma fuga da loira para que seu patrão e os outros não a capturem. Só que esse desenvolvimento não é como nos filmes atuais, cheio de perseguição, explosões e ação desenfreada, e sim é um minucioso desenvolvimento psicológico de Marion, onde você sente claramente tudo o que ela está sentindo, sejam pelas falas bem escritas ou pela perfeita direção de Hitch. As expressões de Janet falam por si só muitas das vezes.

O fato curioso é que, no meio da história, o filme troca de protagonistas. Marion deixa de importar para entrar em cena um dos personagens mais marcantes da história: Norman Bates (Anthony Perkins). Norman é dono de um motel de estrada deserto e cuida da mãe, que nunca o deixa se relacionar com outras mulheres, talvez pelo medo de perder o filho para uma moça qualquer. Só que o rapaz se importa, e muito, a ponto de fazer qualquer coisa para que a polícia não descubra um crime que sua mãe cometeu em um passado recente. É nessa parte que temos o brilhantismo e a profundidade do personagem trabalhado. Perkins convence a todo o momento, seu olhar cínico para os policiais, seu carisma, tudo faz com que nos identifiquemos com ele. E tudo contribui para a surpresa que o final do filme nos reserva.

O legal é que nenhum personagem do filme está lá gratuitamente, todos têm sua importância, mesmo que não seja de maneira tão clara. O amante, por exemplo, aparece só no início, mas no final ele retorna e tem uma importante participação no caso. O detetive dá um ponto de equilíbrio para o raciocínio dos personagens envolvidos na história. O policial que pára Marion serve para aprofundar ainda mais o estado psicótico dela. Enfim, nada é gratuito, nada é por acaso. Muito menos as cenas de suspense.

Psicose possui uma das cenas que considero dentre as três mais famosas da história do Cinema: o assassinato no chuveiro. A cena é perfeita. Desde o momento em que o assassino entra no banheiro até a parte final, em que a vítima fica com o rosto colado no chão, sem piscar, enquanto a câmera vai afastando de um lindo close, tudo funciona da maneira certa. Os cortes são usados de maneira rítmica. Ao mesmo tempo em que é desferida uma facada, há um corte. É uma dança de montagem, tudo perfeitamente acompanhado pelo clássico tema de Bernard Herrmann. Como curiosidade, o sangue que rola na cena, na verdade, é calda de chocolate, e os barulhos das facadas são, na verdade, facas sendo encravadas em melões. A ousadia também marca a cena: além de uma dublê nua em certos momentos (nada absurdo, tudo com a sutileza típica de Hitch), nesse filme é que foi pela primeira vez exibido um vaso sanitário nas telas, até então item proibido pela censura.

Outro fator curioso é que Psicose foi extremamente barato. Custou apenas 800.000 dólares e faturou mais de 40 milhões somente em bilheterias. Lógico, digo ‘apenas’ por causa dos padrões cinematográficos de orçamento, mas até para a época o custo foi baixo, mesmo se comparado a outros filmes anteriores de Hitch, como Um Corpo que Cai e Intriga Internacional, que custaram mais de 3 milhões de dólares cada. O custo foi muito bem utilizado, como o preço dos direitos autorais do livro (apenas 9 mil) e ter-se a participação de vários atores do show que Hitch tinha na TV. Orçamento não foi o motivo que levou o diretor a filmar em preto-e-branco, e sim porque ele achava que o filme ficaria sangrento demais à cores, o que acabou acontecendo com a recente refilmagem.

O tema criado por Bernard Herrmann já foi citado anteriormente, mas não é só da música que Psicose brilha na parte sonora. Claro, ela ajuda muito a manter o clima de tensão que quase sempre está presente, mas o som também é usado de maneira brilhante no aspecto narrativo. Além de criar totalmente um personagem, há momentos interessantíssimos que valem ser citados, como quando Maire está fugindo de carro. A imagem fica fixa no rosto da atriz, mas o som está em outro lugar, mais precisamente onde o chefe se encontra procurando a secretária em fuga. Ficamos vendo seu rosto, completamente alterado do estado normal, enquanto o som nos ambienta do que está acontecendo em outro lugar.

Recentemente, mais precisamente em 1998, o filme recebeu uma péssima refilmagem. Dirigida por Gus Van Sant (que não é um mau diretor), o remake peca em tudo o que pretendeu. Desde a personificação de Norman Bates, que aqui está caracterizado de uma forma que estrague tudo o que Hitch preservou em guardar segredo, Gus ainda usa exatamente todos os planos idênticos a versão de 1960. Ao invés de criar sua versão sobre o filme, ele apenas fez uma cópia barata, menor e dispensável. Transformou o clássico em um banho de sangue, além de estragar para muitas pessoas toda a surpresa que Hitch preservava em guardar (tanto que, em 1960, não era permitida entrar em uma sessão de Psicose após ela já ter tido início).

O filme também passou em branco na premiação do Oscar na época. Chegou a ser indicado para 4 estatuetas, de melhor diretor (prêmio nunca recebido pelo gênio em questão), atriz coadjuvante, fotografia e direção de arte. Nem a melhor filme chegou a ser indicado, uma das maiores injustiças das inúmeras que a Academia já cometeu. Pelo menos Janet recebeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante no Globo de Ouro do ano. Mas vamos deixar as dores de cotovelo de lado, pois o filme supera tudo isso.

Talvez a única falha de Psicose seja justamente o finalzinho do filme, o final mesmo, os últimos instantes, que o torna auto-explicativo demais, quando não era necessário e todas as cartas da manga já haviam sido reveladas. Tudo o que era necessário para a compreensão de tudo o que houve na trama já havia sido dito. Mas não é um defeito grave, é apenas uma cena gratuita para os que não acompanharam as resoluções dos acontecimentos, nada que atrapalhe o resultado final da obra.

Psicose é tudo isso e mais um pouco. Poderia escrever páginas e mais páginas me desmanchando em elogios ao filme, mas não conseguiria dizer o quanto o aprecio. É o thriller número 1 de todos os tempos no AFI, está entre os 25 mais votados no popular TOP 250 do site imdb, entre muitas outras importantes posições. É uma pedida indispensável para todos que curtem o bom cinema.

(por Rodrigo Cunha)

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362. HANYO (1960)

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"A Criada" (The Housemaid) é um thriller que narra a destruição de uma família quando uma bela empregada se apaixona pelo patrão, um professor de piano. A esposa dele e os dois filhos passam a ser ameaçados pela empregada que está obcecada em fazer do pianista seu marido.

Crítica
Obra-prima do diretor coreano Kim ki-young (1919-1998) é um daqueles trabalhos em que o final do filme abrilhanta toda uma narrativa angustiante, surreal e de intenso clima de pesadelo. É notável a forma como o diretor constrói a narrativa angustiante ora de forma leve, ora de forma brusca em intensas dramatizações utilizando-se da variação de luzes para compor os estados de espírito das personagens.

Curiosidade
O jovem ator Sung-kee Ahn que interpreta o filho do professor pianista seguiu carreira de ator e tinha apenas 8 anos quando atuou em Hanyo.

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Em Breve

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Hanyo.(aka.The.Housemaid).(1960).DVDRip.XviD.cd1-Ace.avi
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Sem Legendas até o Momento

domingo, 13 de junho de 2010

361. MEGHE DHAKA TARA (1960)

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"Aqueles que sofrem pelos outros sofrem para sempre", declara um personagem do filme mais famoso de Ritwik, um melodrama que chega perto da tragédia, sendo o defeito trágico da heroína o pecado da omissão,. Ela deixa de protestar contra a injustiça, a injustiça contra ela e seus sonhos, que é impetrada por aqueles a quem ela mais ama. Nita trabalha dia e noite para pagar as contas de sua família de bengaleses refugiados. O pai é um professor mas ganha muito pouco. O irmão mais velho quer ser cantor e invoca seu direito como artista a ter um tempo que os outros não podem suportar. Enquanto isso, a mãe espera que o estudante de ciências que é o pretendente de Nita volte as atenções para sua irmã.
Meghe Dhaka Tara ( A Estrela Encoberta de Nuvens) é uma obra contundente, de bela composição e ressonância e demosntrou também ser um raro sucesso comercial para um diretor na Índia. Com toda a crítica implícita sobre as duras condições sociais enfrentadas pelos refugiados, este é um filme menos explicitamente político do que a obra subsequente de Ghatak, especialmente Subarnarekha (1965) e Titash Ekti Nadir Naam (1973). "Não acuso ninguém", diz o velho em uma cena crucial no final do filme. Veja a graça do mise-en-scenede Ghatak, a concepção expressionista do som e o enorme sentimento de perda que provoca.

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Meghe.Dhaka.Tara.(1960).TVRip.DivX5.avi

Legenda (tradução por Caroline_Rondinelli..many tks)
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sábado, 12 de junho de 2010

360. A ADOLESCENTE (1960)

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Uma pérola rara na carreira do mestre do surrealismo. Inspirado num conto do escritor Peter Matthiessen, A Adolescente, é o único filme dirigido nos Estados Unidos pelo cineasta espanhol, que construiu carreira entre a Espanha, o México e a França. A produção, que conta com a brilhante fotografia em preto e branco de Gabriel Figueroa, e tem como tema central a história de um homem que vive em uma ilha isolada na costa da Carolina, tendo como companhia apenas uma adolescente. Porém, um clima de tensão é formado com a chegada de um fugitivo negro e de um padre. Tocante!

Premiações
Buñuel Ganhou uma Menção Especial no Festival de Cannes, por "La Jovem" (1960)
Foi indicado à Palma de Ouro em 1960

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359. A AVENTURA (1960)

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Um grupo de Italianos ricos está em um cruzeiro pela costa da Sicília, quando uma das integrantes desaparece misteriosamente. Enquanto seu namorado e sua melhor amiga a procuram pela Itália, eles começam a ter um caso. Filme que abre a trilogia da incomunicabilidade, na qual Antonioni fal a sobre a mulher contemporânea.

Crítica
Cinéfilos nunca concordam em nada, mas quando a questão é decidir qual o melhor filme de Michelangelo Antonioni, os admiradores do diretor italiano costumam dividir-se em dois grupos. O primeiro deles prefere um de seus filmes em inglês, ou seja, sua obra-prima seria ou Profissão: Repórter, com Jack Nickholson (sobretudo por conta do virtuosístico plano-seqüência do final), ou Depois Daquele Beijo, com Vanessa Redgrave (nesse caso, os brasileiros sofreram muito, pois somente no ano passado foi lançada a versão original, com a metragem e as cores imaginadas pelo cineasta; antes só havia disponível uma cópia da Warner editada e esmaecida à disposição).

O segundo grupo prefere como auge da carreira de Antonioni um dos três filmes da chamada Trilogia da Incomunicabilidade. Neste caso, os cinéfilos brigam entre três filmes: A Aventura (os americanos são os que mais gostam), A Noite (a maioria dos cinéfilos, é seu filme mais conhecido) ou o desfecho, O Eclipse (considerado o mais radical de seus filmes). Para os brasileiros, essa escolha foi praticamente impossível, pois a Trilogia nunca fora antes lançada em vídeo (VHS ou DVD). Exceto A Noite, sempre presente em mostras pelo país, os outros dois filmes eram raridades em Pindorama.

Pois a Versátil acaba de corrigir esse defeito 45 anos depois do lançamento do lançamento da Trilogia. Os DVDs podem ser comprados ou alugados, finalmente, no Brasil. Bom, antes tarde do que nunca. É interessante notar que as distribuidoras estão sempre dispostas a lançar no país os mais infames filmes de Hollywood e nunca clássicos como esses. Antigamente chamavam isso de “imperialismo”, mas a palavra saiu de moda e agora se diz “lógica de mercado”.

A Aventura conta a história de um grupo de seis burgueses entediados (três casais) que partem para um cruzeiro a uma ilha inabitada e isolada da Sicília. Uma das moças, Anna, em briga constante com o namorado e com o pai, desaparece. Não se sabe se ela simplesmente foi embora por tédio ou se tentou o suicídio. O filme se deterá na busca à mulher e o impacto que o desaparecimento teve em seus amigos – que é quase nenhum.

Um dos grandes achados do filme é usar as ilhas, rochas, igrejas, cidades abandonadas e outras maravilhas arquitetônicas e naturais do sul da Itália como metáfora visual do vazio existencial das personagens. A melhor amiga da desaparecida, Claudia (Mônica Vitti), e seu namorado, Sandro (Gabriele Ferzetti), partem à procura da cidadã em cidades vizinhas. Logo se tornam amantes, não se sabe se por atração física ou se porque não tinham nada melhor mesmo para fazer.

A Aventura venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 1960 e catapultou a carreira internacional de Antonioni. Entre as cenas que poderíamos chamar de chocantes são os atos mesquinhos cometidos pelos endinheirados sem explicação, apenas por tédio. Um deles deixa cair um vaso histórico e valioso. Sandro derruba a tinta de um pintor só para iniciar uma briga. Nenhum deles deixa de freqüentar a festa à noite, mesmo sabendo que a amiga poderia estar morta naquele momento ou precisando da ajuda deles.

O mistério do desaparecimento não será revelado, de forma que a trama de suspense importa pouco no filme. Pode-se entender o desaparecimento de várias maneiras, mas, em vista do pouco interesse dos demais na morte da amiga, o melhor talvez seja mesmo o de não prestar atenção ao sumiço e focar-se no mundo de futilidades, de sexo apenas para passar o tempo, da sensação de poder que sentem os habitantes da alta classe italiana e a manipulação que eles podem fazer a si mesmos e com os outros.

Antonioni faria na seqüência A Noite com Marcello Mastroianni e Jeanne Moreau vivendo um casal entediado que vê o casamento acabar por falta de estímulos. Passado numa única noite, Mastroianni encontrará numa festa chique uma igualmente entediada Mônica Vitti e com ela tentará dar um sentido nas relações amorosas.

Atriz e diretor fariam ainda a parte final da trilogia, O Eclipse, com o galã francês Alain Delon, e o primeiro filme em cores do diretor, Deserto Vermelho. Era a época da industrialização da Itália e Antonioni filmou as transformações físicas e sociais em curso. Delon interpreta um ambicioso negociador da Bolsa de Valores obcecado em ganhar dinheiro. Em Deserto Rosso, a musa Vitti é a depressiva burguesa que vaga sem rumo portos italianos recém-construídos a procura de algo – não precisamente nada.

Depois da Trilogia e Deserto Vermelho, Antonioni faria seus próximos filmes para grandes estúdios americanos e ingleses com o produtor Carlo Ponti, marido de Sophia Loren, dando início a uma segunda fase em sua carreira sempre tão discutida, amada e detestada com fúria, mas felizmente não mais ignorada (afinal, os DVDs foram lançados).

(Cineplayers - Demetrius Caesar)

Premiações
*Festival Internacional de Cannes, França
Prêmio do Júri (Michelangelo Antonioni)
*Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália
Prêmio Fita de Prata de Melhor Trilha Sonora

Indicações
*Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Filme
Prêmio de Melhor Atriz Estrangeira (Monica Vitti)
*Festival Internacional de Cannes, França
Prêmio Palma de Ouro (Michelangelo Antonioni)
*Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália
Prêmio Fita de Prata de Melhor Trilha Sonora (Giovanni Fusco)

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Link ed2K (postado originalmente pelo amigo UserOffline do CST)
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