Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

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domingo, 12 de junho de 2011

513. A ESTRATÉGIA DA ARANHA (1970)

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O jovem Athos Magnani Junior retorna a sua cidade natal a pedido de Draifa, viúva de seu pai, morto em circunstâncias estranhas há 30 anos. À medida em que Athos investiga o passado do pai, ele se envolve na teia criada por Draifa e passa a se identificar cada vez mais com Athos Senior, até se perder em alucinações onde eles são a mesma pessoa. A Estratégia da Aranha (em língua italiana: Strategia del Ragno) de Bernardo Bertolucci éconsiderado por muitos o seu melhor filme, apesar de ser feito para a RAI uma rede de televisão italiana.
O filme é inspirado em um livro do autor argentino Jorge Luís Borges que se passava
originalmente na Irlanda.

Crítica
O cinema, quando Bertolucci começou a filmar levado em parte por Pasolini (primeiro assistente de direção de Accatone, 1961; em seguida com o roteiro de seu primeiro longa-metragem, La commare secca, 1962) e em parte pela lembrança dos filmes vistos com o pai (Attilio Bertolucci, poeta crítico de literatura e de de cinema), em parte pelas leituras de Alberto Moravia (que adaptou em O conformista) e de Jorge Luís Borges (que adaptou em A estratégia da aranha), o cinema, na década de 1960, questionava o velho costume de se mostrar como uma perfeita imitação da realidade. Passava a se discutir como uma realidade à parte, verdade fotográfica, verdade imaginação, verdade mentira, fotografia e som em movimento. O cinema, então, traçava uma estratégia (como a da aranha) para mostrar ao espectador o filme não como um retrato objetivo da vida mas como uma visão subjetiva, a de um autor que fala da realidade por meio de um espetáculo. Bertolucci, então, propõe uma mistura de cinema e ópera.
Numa cidade como Parma, muitos tempo depois da morte do pai assassinado durante o fascismo, o filho chega para ver o que de fato se passou. A gente da cidade está nas ruas, de pé em cima de cadeiras para escutar mais de perto a ópera transmitida nos alto-falantes pendurados nas colunas da praça central. No começo de A estratégia da aranha |La strategia del ragno (1970), antes de ver a cidade, antes de entrar na história, o espectador vê o movimento sinuoso da câmera – ela corta o espaço da cidade, constrói um labirinto, faz do cenário aberto um palco fechado, algo semelhante ao telão por trás dos cantores de uma ópera. Depois, vê cenas que cortadas e remontadas aparecem aos olhos como árias cantadas: a cena vale mais pela musicalidade da imagem (a repetida expressão de um homem que vê o filho igual ao pai: “uguale!uguale!) do que a direta informação fotográfica que ela nos traz.

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La.Strategia.Del.Ragno.(1970).(subbed.PTBR).VHSRip.XviD-By.Carabina.[MKO].avi

Obtido em torrent no MKO , postado pelo usuário Valdemar

sábado, 19 de fevereiro de 2011

499. O CONFORMISTA (1969)

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Marcello Clerici (Jean-Louis Trintignant) quer ser normal, igual a todo mundo. Esse desejo foi se transformando em obsessão ao longo de uma vida enfadonha e burguesa, a qual nos é apresentada por meio de flashbacks, extraídos da mente do protagonista no decorrer de uma misteriosa viagem de carro. Na realidade, Marcello é a efígie de uma geração narcotizada pelo fascismo de Mussolini, no fim dos anos 30. Contudo, isso não explica sua busca desenfreada pela normalidade. As lembranças, que vão sendo pouco a pouco reveladas, tentam esboçar o perfil psicológico do rapaz — perfil entremeado por uma sexualidade malresolvida, uma ideologia política resignada, uma ausência latente de fé e um ambiente familiar sem qualquer solidez.

Crítica
Provavelmente o mais bem-finalizado filme de Bernardo Bertolucci, O Conformista é muito mais do que uma alegoria política. O elenco adquire um tratamento de extrema frieza e decadência, algo tão comum na obra de diretores italianos do mesmo período (de Fellini a Pasolini), porém sem jamais abandonar o crível dos episódios descritos. Impregnado até os cabelos de elementos subliminares e metafóricos, o filme faz apelo para discussões filosóficas sobre o amadurecimento de um indivíduo em meio a uma sociedade reprimida pela ditadura. O protagonista esconde dentro de si uma angústia que o faz sofrer em silêncio desde a infância. Já crescido, segue não encontrando apoio ou exemplos positivos nos pais — a mãe é um fantasma dos tempos áureos da Itália pré-fascista, uma mulher que vive de aparências e artificialidades; o pai é uma figura doente e letárgica, aprisionada em um sanatório. Curiosamente, a concepção máxima de normalidade, para ele, é o matrimônio. Marcello então se casa com a rica e pouco inteligente Giulia (Stefania Sandrelli), apesar de não amá-la.

Adaptado do livro de Alberto Moravia, o roteiro (indicado ao Oscar) unifica uma série de detalhes numa composição cíclica: uma experiência homossexual na juventude é relatada após uma cena em que Marcello, já adulto e noivo de Giulia, se insere na Polícia Secreta do "Duce". Em seguida, vemos a proposição de uma tarefa arriscada: matar um dissidente que agora vive em Paris. O sujeito, no caso, é o Professor Quadri (Enzo Tarascio), com quem Marcello, aliás, teve aulas na época da faculdade. Acusado de subversão pelos "camisas negras", Quadri conseguiu escapar da execução na Itália. Exilado agora na França, ele aceita a visita do ex-aluno, ignorando por completo o trágico destino que o aguarda.

Antes de realizar aberrações pseudo-eróticas como O Último Tango em Paris ou Os Sonhadores, Bertolucci propôs aqui um trabalho de tensão sexual muito mais refinado. A bissexualidade dos personagens principais — Marcello e Anna (Dominique Sanda), a bela esposa do Professor Quadri — é somente sugerida, nunca escancarada ou explicada. Um seduz o outro por meio da frágil e inocente Giulia, habilmente convertida em objeto de fetiche nas mãos do cineasta. Um objeto e nada mais.

A perplexidade de Marcello em face à autoconfiança de todos os demais personagens é resumida em dois momentos específicos: no primeiro, ele conversa com o Professor Quadri acerca do Mito da Caverna, de Platão; no segundo, ele vira o centro de um redemoinho humano numa pista de dança. A queda do fascismo, em 1943, por sua vez, abala em definitivo o espírito do homem. É o acontecimento que o faz enxergar a realidade pela primeira vez. Até então, sua existência havia sido fundamentada sobre um palácio de mentiras e traições para si próprio. Ele nunca pôde fazer aquilo que, de fato, gostaria de fazer. Nunca pôde falar aquilo que realmente queria dizer. Tudo era conduzido de acordo com o que os outros — os “normais” — pensavam ou agiam. A revolta chega tarde demais. A histeria final, antecedendo uma falsa tranqüilidade (aquele olhar desesperado em direção à câmera), surge como uma tentativa de punir ou responsabilizar os demais pelo fato de nunca ter tido a coragem de tomar uma decisão. Daí o título da fita, Marcello sempre viveu em conformidade com o mundo. É um “covarde”, segundo Manganiello (Gastone Moschin), seu colega na missão.

Inquisidor, o filme é ainda tecnicamente impecável. A fotografia de Vittorio Storaro manipula os contrastes das cores frias e quentes — sobretudo com a utilização bem-dosada dos azuis e alaranjados — em diversos planos angulosos. A música de Georges Delerue é nostálgica e imponente desde os créditos iniciais, uma notável inspiração para a trilha da série Poderoso Chefão, iniciada dois anos depois. Bertolucci, decerto, não entra no rol de meus cineastas preferidos, mas posso garantir que seu Conformista permanece entre os grandes longas da década de 70.

por Pierre Willemin - Em Cinema-Filia

Premiações
*Festival de Berlim 1970 (Alemanha)
-Ganhou os prêmios Especial dos Jornalistas e Interfilm - Recomendação.
-Indicado ao Urso de Ouro (melhor filme).
*Prêmio David di Donatello 1971 (Itália)
-Venceu na categoria de melhor filme.
*Oscar 1972 (EUA)
-Indicado na categoria de melhor roteiro daptado.
*Globo de Ouro 1972 (EUA)
-Indicado na categoria de mehor filme estrangeiro.
*Prêmio da Associação Nacional dos Críticos de Cinema 1972 (EUA)
-Venceu nas categorias de melhor diretor e melhor fotografia (Vittorio Storaro).

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domingo, 29 de agosto de 2010

426. ANTES DA REVOLUÇÃO (1964)

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Parma, 1964. Fabrizio, um jovem de 22 anos, passa por uma fase de indecisão política e afetiva. Apesar de renegar a burguesia, não se sente à vontade no movimento revolucionário, pois se considera à frente das ideologias da esquerda. Ao mesmo tempo, vive um amor conturbado com sua tia.

Critica
Antes da Revolução, filme de Bernardo Bertolucci, é inspirado nas personagens do excepcional livro A Cartuxa de Parma, do escritor francês Sthendal. Bertolucci nasceu em Parma. Na sua transposição para o cinema do clássico, fez as duas coisas que não acontecem na trama original: a consumação por meio do sexo do amor platônico que a tia marquesa de Sanseverina sentia pelo sobrinho Fabrizio del Dongo (e era correspondida, em termos) e o casamento de Fabrizio com Clelia Conti, seu grande amor.

O clima é de maio de 1964. Politizado, Fabrizio, que no original sai do castelo dos pais para se juntar às tropas de Napoleão, agora é um comunista, mas não crê na “revolução de um dia”. Gina, a tia, depois de um casamento fracassado, casa-se por dinheiro e muda-se para a sofisticada Milão. Nos feriados, volta para a casa da irmã e passa as noites no leito com o sobrinho e os dias passeando por Parma, fazendo compras e procurando ao máximo não se envolver com política.

Nas melhores cenas os dois incestuosos passeiam por Parma, cidade que começava a despontar como uma das catedrais da moda e do design mundiais, e onde a tia compra inúmeros óculos, capas de gabardine (para ele) e sapatos ingleses (“mesmo durante a guerra não faltaram sapatos ingleses em Parma”, disse um dos personagens). Lá, ela se entedia com o excesso de Verdi (“Prefiro Mozart, Verdi demais enjoa”).

As discussões variavam desde política engajada até a Nouvelle Vague francesa (“Anna Karina será o que é Louise Brooks hoje, a marca de uma geração”), a Hollywood clássica (“Cinema é Humphrey Bogart e Lauren Bacall num filme de Howard Hawks”, citando Godard) e o poeta italiano Cesare Pavese, que tem um de seus mais belos poemas declamados às margens do Rio Pó.

Bertolucci faria melhor a mistura de política e sexo, amor e sedução nos filmes seguintes, como O Último Tango em Paris, Os Sonhadores, 1900, La Luna, O Conformista etc. São os grandes temas do seu melhor cinema. Mas o germe da criação está nesse que é seu segundo filme: nos letreiros, uma citação diz que quem não conheceu o clima antes da revolução não sabe o que é viver.

Fonte - Demetrius Caesar - Cineplayers

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