Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

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sábado, 25 de setembro de 2010

440. BADALADAS À MEIA-NOITE (1965)

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O velho e gordo Falstaff é um grande amigo de Henry IV, o herdeiro do trono da Inglaterra. Juntos passariam por experiências divertidas e, em outras ocasiões, perigosas, sendo constituído um vínculo de amizade cada vez maior. Quando Henry IV se torna rei, Falstaff finalmente acha que sua vida melhoraria, com a ajuda do seu então companheiro.

William Shakespeare e a paixão que Orson Welles tinha pela Espanha desde sua primeira visita em 1933, finalmente coincidiram em 1965. O pretexto foi rodar este filme, cujas origens remetem a diversas versões de uma montagem teatral dirigida pelo próprio Welles, reunindo fragmentos de diversas obras de Shakespeare, como "Ricardo III", "Enrique IV" e "As Alegres Senhoras de Windsor", em torno do personagem Sir John Falsfatt. A traição e a amizade, a contradição entre mundos opostos e a ambição de poder, são três dos temas cruciais na obra de Orson Welles. O tempo tem dado valor a esta produção, que contém algumas das seqüências (como a da batalha) mais emblemáticas da filmografia de um dos grandes mestres do cinema.

Premiações
*Orson Welles foi indicado ao BAFTA de Melhor Ator Estrangeiro em 1968
*Venceu o 20th Anniversary Prize bem como o Technical Grand Prize no Festival de Cannes em 1966 ainda neste mesmo ano foi indicado ao Palma de Ouro.

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domingo, 25 de abril de 2010

330. A MARCA DA MALDADE (1958)

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Ramon Miguel Vargas (Charlton Heston) está em lua de mel com sua bela mulher Susan Vargas (Janet Leigh), no México, bem perto da fronteira com os EUA. Quando um assassinato ocorre, os conceitos da ética policial de Ramon se confrontam diretamente com os de Hank Quinlan (Orson Welles), o corrupto capitão da polícia local.

Curiosidades
- A produção de A Marca da Maldade foi recheada de contratempos, que resultaram na demissão de Orson Welles e na reedição do filme de forma que ele ficasse diferente do que Welles havia planejado.

- Inicialmente, Orson Welles havia sido contratado apenas para trabalhar como ator em A Marca da Maldade. Entretanto, devido a um engano o ator Charlton Heston entendeu que Welles iria atuar e dirigir o filme. Para agradar a Heston, o produtor Albert Zugsmith resolveu então convidar Welles a também dirigir o filme.

- Após assumir a direção de A Marca da Maldade, Orson Welles passou a fazer profundas alterações no roteiro já pronto para o filme.

- Quando Orson Welles soube que A Marca da Maldade seria reeditado por ordem de seu produtor, ele escreveu uma carta a ele explicando como queria que o filme fosse editado. Durante anos se pensou que esta carta estivesse perdida, mas na verdade ela esteve com Charlton Heston, um dos atores principais do filme.

- Orson Welles foi demitido durante a pós-produção de A Marca da Maldade e o filme foi realmente reeditado de forma diferente à qual havia solicitado. Antes de sua morte, Welles deixou por escrito instruções sobre como gostaria que o filme fosse editado. Estas instruções foram seguidas em 1998, quando a Universal lançou uma nova versão de A Marca da Maldade, desta vez seguindo as regras estipuladas por Welles.

- A versão com a edição estipulada por Orson Welles possui 16 minutos a mais do que a versão que foi lançada nos cinemas em 1958.

- A atriz Janet Leigh quebrou seu braço esquerdo pouco antes do início das filmagens de A Marca da Maldade, mas pôde participar normalmente das filmagens.

Crítica
A seqüência inicial de A Marca da Maldade, filmada em um meticuloso plano-seqüência de duração aproximada a três minutos, é o convite perfeito para adentrarmos em uma das mais complexas e intrincadas tramas da história do film noir: uma bomba, após ser acionada, é colocada no porta-malas de um veículo estacionado, onde, logo após, entrarão um importante político e sua acompanhante. O veículo, que partirá do lado mexicano de uma cidade fronteiriça à parte americana, é seguido pela câmera de Orson Welles através de um dos trabalhos de grua mais geniais já vistos, até o momento em que a bomba explode, logo após atravessarem a fronteira. Após esta pequena, mas generosa amostra de um verdadeiro cinema de gênio, o espectador já se encontra em estado de total perplexidade, pronto para desfrutar de um dos momentos mais fabulosos do cinema hollywoodiano de todos os tempos.

É claro que, indiscutivelmente, no que concerne à relevância e herança histórica, o grande trabalho da carreira de Welles é Cidadão Kane. Neste filme, o autor apresentara algumas das mais importantes revoluções cinematográficas já ocorridas e, em pleno ano de 1941, terminara por mudar completamente o jeito de se fazer cinema. Entretanto, jamais seria capaz de negar minha maior admiração a A Marca da Maldade, cujo lançamento se deu exatos 17 anos após o referido filme. A comparação entre as duas obras, aparentemente, é ingrata e bastante incoerente, ao passo que ambas utilizam-se de estilos completamente diferentes para o desenvolvimento narrativo. Porém, se analisarmos com maior profundidade seus temas e personagens, notaremos que, apesar de suas colossais diferenças genéricas, ambas trabalham acerca de temas muito semelhantes, como ambição, ganância, dualidade moral, corrupção, arrogância, sentimentos de culpa e de perda, valores éticos e, o melhor: juntando tudo isto, traçam um belíssimo estudo sobre a personalidade humana.

A história de A Marca da Maldade sucede o acontecimento descrito no primeiro parágrafo. Devido ao fato de a bomba ter percorrido os dois países (fora armada no México e explodira nos Estados Unidos), policiais de ambas as nações juntam-se para a investigação do caso. O detetive americano Quinlan, interpretado magistralmente pelo próprio Welles, e o oficial da Narcóticos mexicana Vargas, vivido farsescamente por Charlton Heston (convenhamos, bigodinho estereotipado aquele, não?), entram em conflito quando começam a discordar abruptamente em seus métodos investigativos. Ao mesmo tempo, a personagem de Janet Leigh, mulher de Vargas, passa por maus bocados nas mãos de uma quadrilha de traficantes que, por conseqüência da prisão de seu líder, decide se vingar de seu marido a qualquer custo.

À princípio, A Marca da Maldade segue basicamente as mais genuínas características do cinema noir: cenas predominantemente noturnas; fotografia escura, com forte definição de claro/escuro; história desenvolvida a partir de um crime; numerosas investigações; personagens imorais e corruptos; e ambientes sujos e degradados fazem parte de toda a composição estética da obra. Entretanto, dois importantes elementos do gênero foram deixados de fora: a femme fatalle (em português, fêmea fatal, mulher que acaba seduzindo e complicando a vida da personagem principal) e, obviamente, o próprio protagonista. A carência destes dois elementos poderia levar um film noir ao fracasso total, ao passo que ambos são praticamente imprescindíveis às obras do gênero – na verdade, compõem fundamentalmente a narrativa de quase todas elas. Mas, neste filme, esta ausência acaba sendo a chave mestra para a revelação de um mistério muitas vezes despercebido pelo público: A Marca da Maldade não é meramente um film noir. Aliás, vai muito, mas muito além disso.

Tanto quanto Cidadão Kane, esta obra-prima de Orson Welles é, na verdade, um maravilhoso estudo de personagens, ou melhor, um genuíno estudo sobre o ser humano. Aqui, o alvo central é Hank Quinlan, protagonizado, a exemplo de Charles F. Kane, pelo próprio Welles. Quinlan é um detetive gordo e ex-alcoólatra, que carrega nos ombros o peso de nunca ter conseguido capturar o assassino de sua esposa, estrangulada já há muitos anos. Este fato é um divisor de águas, não apenas em sua carreira policial, mas também em sua personalidade. A partir daí, Quinlan jamais deixara qualquer outro caso ser encerrado sem que houvesse alguma punição, mesmo que, para isso, fosse necessário corromper sua moralidade e sua decência policial. Forjava provas e falsificava testemunhos, sem qualquer preocupação a respeito dos prejuízos que viriam a ser criados às partes envolvidas. Acabou construindo, para si, uma nova e desprezível personalidade.

Já Vargas, oficial mexicano interpretado por Charlton Heston, aparentemente, é justamente o oposto de Quinlan (maniqueísmo necessário para a construção de um duelo de personalidades): sua honestidade e seu inconformismo para com as injustiças que percebe no decorrer da investigação levam-no a uma disputa contra a podridão obsoleta das atitudes de seu colega de ofício. [Atenção, o restante do paráfrafo contém revelações sobre a história]. Após notar que Quinlan, motivado em encerrar o caso o quanto antes (e, de preferência, com um suspeito apreendido), forjara uma prova incriminadora, que praticamente definiria o veredicto da história, Vargas inicia uma pequena investigação sobre o passado do colega e descobre, com a ajuda do próprio parceiro de Quinlan, que toda sua reputação era, na verdade, uma farsa tão grande quanto às mirabolantes falsificações evidenciais de seus casos.

Esse interessantíssimo paradoxo entre as facetas das duas personalidades, separadas intrinsecamente pelos bons e maus princípios do ser humano (ao menos na estrutura superficial do quadro de personagens), é o centro de A Marca da Maldade. Embora acreditemos, inicialmente, que acompanharemos uma obra alinhada ordinariamente à estrutura habitual de um filme noir, somos surpreendidos com uma narrativa complexa e cheia de pequenas subtramas (ainda há vários outros caminhos narrativos importantíssimos, envolvendo, principalmente, a família Grandi - a supracitada gangue, traficante de drogas – e a mulher de Vargas), que tornam um filme que já seria excepcional em uma verdadeira obra-prima. Ademais, alguns outros grandiosos e profundos detalhes, ainda ligados à contextualização das personagens, em especial a Hank Quinlan, conferem a esta produção de Welles uma complexidade extraordinária, sob ponto de vista até mesmo filosófico, em relação à própria personalidade humana.

Nos escritos de filósofos como Friederich Nietzsche, fruto do radicalismo intelectual alemão do século XIX, é comumente encontrada uma interessantíssima relação entre a humanidade e os princípios de bondade ou maldade. Segundo Nietzsche, ninguém pode ser classificado superficialmente dentro de um destes princípios, já que, devido à complexidade do ser humano, bem como suas escolhas e as características da sociedade em que vive, todos agem devido à situação em que se encontram, tanto física quanto psicologicamente (ou seja, as pessoas possuem atitudes boas ou más, dependendo não apenas de sua personalidade – algo que é reforçado ainda mais quando o pensador afirma, em sua obra-prima Além do Bem e do Mal, que esse passeio entre os extremos do maniqueísmo nada mais é do que uma forma de sobrevivermos diante da hostilidade do mundo).

Estruturando a obra acerca de pensamentos semelhantes aos de Nietzsche, Welles transforma A Marca da Maldade em um verdadeiro documento histórico a respeito do referido tema, construindo um painel meticuloso de personagens e situações imorais e, de certa forma, até mesmo amorais, sem jamais filmar qualquer persona sob um ponto de vista pré-conceituoso – e, mesmo assim, a exemplo do filósofo alemão, Welles não se priva de mostrar que pode sim ser feito um julgamento dessas atitudes. Dentro do universo fílmico de Welles (e a exemplo do que ocorre no mundo real) não existem vilões, nem muito menos heróis. Certo e errado são relativados pela dualidade do ser. A complexidade humana é pintada na tela com talento picassiano, porém com esta grande diferença de abordagem em relação às habituais obras cinematográficas de semelhante tema. A dubiedade do paradoxo “certo e errado” jamais esteve tão acentuada em uma obra de arte cinematográfica. E isto é quase um fato.

Porém, tão importante quanto os personagens e a complexidade filosófica de sua composição, é o elenco que os personifica. Orson Welles, em seus mais de 120 quilos de massa corpórea, encarna Quinlan de maneira maravilhosa. O jeito truculento e arrogante, a voz grave e amedrontadora e, para completar, o incrível detalhe da perna manca (que serve também para a criação de uma curiosa brincadeira acerca dos instintos humanos – que resulta em um final lírico e melancólico), criam uma imagem incrivelmente arrepiante, transformando-se quase em uma identidade do filme. Já Heston, reforço, não combina de maneira muito interessante com o personagem mexicano, mas seu habitual talento impede qualquer crítica a respeito da atuação. Enquanto isso, a ótima Janet Leigh enfrenta, neste filme, a primeira experiência traumatizante com motéis de estrada (a idéia de sua personagem de Psicose, inclusive, veio deste filme, bem como a caracterização de Anthony Perkins, inspirada no personagem), e apresenta uma atuação extremamente parecida com a sua mais notável participação no cinema, na fabulosa obra de Alfred Hitchcock.

Não bastando toda esta incrível complexidade moral encontrada em A Marca da Maldade, ainda existem outros e relevantes valores que transformam o filme em uma de minhas obras preferidas de todo o cinema. Se em Cidadão Kane, Welles já demonstrava total controle em sua direção, principalmente em virtude das incríveis experimentações e revoluções técnicas, aqui o diretor nos brinda com um dos trabalhos visuais mais fantásticos já concebidos. Cada plano, cada enquadramento ajeitado por Welles é hipnoticamente delirante, compondo um trabalho visual apurado, inventivo e que brinca gostosamente com as principais características da linha de cinema na qual fora estruturado. As experimentações de angulações, cortes e movimentos de câmera feitas em A Marca da Maldade criam um visual extraordinário para a obra, que, inclusive, podem resultar em estranhamento, à primeira vista. O trabalho técnico é repleto de pequenos, porém significantes detalhes, algo que exala fascínio a cada centímetro de celulóide utilizado.

Um dos grandes destaques dentro deste inigualável e subversivo domínio de linguagem cinematográfica apresentado por Welles em A Marca da Maldade é a seqüência final, que, a exemplo do filme, é uma das minhas preferidas de todo o cinema:: a perseguição de Vargas a Quinlan e seu parceiro (este, com uma escuta), enquanto aguarda certa confissão do policial. Nesta seqüência, Welles compõe enquadramentos milimetricamente planejados, nos quais coloca a câmera em posições ousadas e extremamente inconvencionais, com constantes inclinações diagonais, que, visualmente, proporcionariam um momento de singular beleza. Para tanto, é auxiliado pela espetacular fotografia de Russel Metty, que contorna perfeitamente os traços cenográficos da decadente e indispensável locação, atribuindo aos ambientes uma forma que condiz com o estado emocional das personagens durante o clímax da obra – que, por sinal, é poético como poucos encerramentos fílmicos conseguiram ser até hoje.

Não raramente, A Marca da Maldade é considerado o último grande filme do movimento noir. Porém, ouso ir além: este não só é o último, mas, também, junto da obra-prima maior de Billy Wilder, Crepúsculo dos Deuses, é o grande momento deste inesquecível período do cinema hollywoodiano. Vez por outra, aparecem “malucos” (especialistas ou não) que ousam ir ainda mais além: para estes, A Marca da Maldade é melhor produto cinematográfico do que aquela que é considerada não apenas a grande obra da filmografia de Orson Welles, mas também o melhor filme de todo o cinema. Cidadão Kane pode até ser o filme mais importante feito por Welles, mas não poderia mentir para mim mesmo: minha preferência por A Marca da Maldade extrapola toda e qualquer áurea de inquestionabilidade que o filme possa ter criado nesses anos todos. Sim, faço parte deste pequeno grupo de “malucos”. E o mais importante: faço com orgulho.
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Touch.Of.Evil.(1958).DVDRip.XviD.avi

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terça-feira, 11 de agosto de 2009

209. A DAMA DE SHANGAI (1948)

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Filme noir com crimes desconcertantes, reviravoltas, uma bela fotografia e um notável trabalho de câmara contribuem para este clássico, escrito, realizado e interpretado por Orson Welles. Welles interpreta o papel de um homem inocente, contratado para trabalhar no iate do marido de uma mulher fatal (Rita Hayworth), que se vê envolvido numa perigosa teia de intriga e morte. Sujeito a uma grande controvérsia e escândalo após a sua estreia, A Dama De Xangai chocou os espectadores de 1948 ao apresentar Hayworth com o seu flamejante cabelo ruivo cortado e pintado de louro, cor de champanhe. Cinquenta anos mais tarde, A Dama De Xangai é considerado um Welles de qualidade superior, com o seu famoso final na sala dos espelhos saudado como uma das sequências mais extraordinárias da história do cinema.

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The.Lady.From.Shanghai.(1948).DVDRip.AC3.XviD.

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(Postado originalmente por zumzum do cstbr.org)

sábado, 8 de agosto de 2009

187. O ESTRANHO (1946)

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Em 1946, o senhor Wilson da Comissão das Nações Unidas para os Crimes de Guerra descobre que um fugitivo líder nazista, Franz Kindler, está nos EUA usando uma identidade falsa. Depois de seguir outro nazista, que deixara fugir deliberadamente, Wilson passa a desconfiar de Charles Rankin, um professor universitário que está noivo de Mary Longstreet, filha de um juiz da Suprema Corte.

Crítica (Por Lucian Chaussard)
Esse deve ser um dos filmes com a chamada imagem de Orson Welles. Creio que Isso nada mais significa que o estilo marcante de Welles está impresso no filme. Agora, a expressão imagem de Orson Welles teria tom pejorativo por que este estilo seria um exagero, um maneirismo, ou um conjunto de elementos caricatos do universo de Welles e do noir?

Não sei. Vejo algumas coisas que acho que são típicas, principalmente na fotografia com as sombras, os enquadramentos de ângulo estranho. Não sei se esse é o estilo de Welles. Tem também outras coisinhas, como referências literárias aqui e ali, uma certa pessoalidade na narração, uma confusão na identificação emocional com os personagens, coisas pequenas que não sei se somadas compõe o estilo do diretor, mas que me dão a impressão de ser uma projeção da sua personalidade.

O filme me agradou como espetáculo. A estrutura dramática funciona, empolga. Mas só o sentir esse suposto estilo do Welles no filme já me foi suficiente para ter prazer. Sem sentir isso, acho que o filme só seria mais um filme médio --ou até medíocre--, pois ele não tem brilho. Brilho é essa tal coisa que aparece nos melhores filmes do Welles, como A Marca da Maldade, Cidadão Kane e A Dama de Shangai e que obviamente eu não sei descrever.

Premiações
Academy Awards, USA - Nominated Oscar - Best Writing, Original Story - Victor Trivas
Venice Film Festival - Nominated Golden Lion - Orson Welles

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The.Stranger.(1946).DVDRip.XviD

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(Postado Originalmente no MKO por Glaucondovale..muito obrigado)

domingo, 19 de julho de 2009

155. SOBERBA (1942)

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Baseado no romance de Booth Tarkington, com roteiro, produção e direção de Welles, a história se passa entre o final do século 19 e início do 20, quando duas famílias da aristocracia rural enfrentam a decadência. O conflito se dá por causa da arrogância de ambas, num contexto geral, e por razões amorosas, em particular.

Holt é o jovem que se apaixona pela filha (Baxter) de um rico fabricante de automóveis (Cotten). Mas este é um antigo amor não correspondido de sua mãe (Costello), com quem ela pretendia se casar depois de enviuvar, e que o jovem não é favorável.

Premiações
- Recebeu 4 indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Agnes Moorehead), Melhor Direção de Arte - Preto e Branco e Melhor Fotografia - Preto e Branco.

Curiosidades
- Antes do lançamento do filme o diretor Orson Welles diminuiu a duração do filme de 148 para 131 minutos, atendendo a pedidos dos produtores.
- Quando Soberba foi lançado o filme não teve uma boa repercussão. Temendo um desastre financeiro os produtores ordenaram um corte brutal no filme, que passou de 131 para 88 minutos. Este corte foi feito por Robert Wise, editor do filme, durante viagem de Orson Welles para fora dos Estados Unidos.
- As cenas filmadas por Welles e que foram cortadas na versão final foram posteriormente destruídas. Hoje a única lembrança de como seria o filme idealizado pelo diretor é o roteiro por ele usado durante as filmagens.
- Todos os créditos são citados oralmente por Orson Welles, ao término do filme.
- Filmado anteriormente como Pampered Youth (1925) e refilmado, para a TV americana, como Os Magníficos Ambersons (2002).
- O orçamento de Soberba foi de US$ 850 mil.

Crítica
Soberba é o filme mutilado de Orson Welles. Tendo viajado para o Rio de Janeiro para filmar “It´s All True”, dirigiu boa parte da montagem por telegramas. Depois de alguns testes de público mal sucedidos, a RKO decidiu radicalizar nos cortes. A cena final, que leva a um final esperançoso, foi filmada por Robert Wise, que também assina a montagem. Esteticamente, é muito diferente do resto do filme, todo filmado com luzes duras e profundidade de campo.

A idéia de Welles era filmar a decadência dos Amberson paralelamente ao nascimento do império dos automóveis. O final seria a sociedade caótica, poluída, tomada por carros em toda a parte, sem esperança. A questão dos automóveis continua no filme, mas perdeu importância com os cortes e o novo final impostos pelo estúdio.

Apesar de todos esses problemas, Soberba é um grande filme. A estrutura narrativa é construída sobre a narração de Welles, em off, e os comentários dos moradores da cidade, que funcionam como uma espécie de coro. Às vezes comentam as ações, às vezes fazem previsões, às vezes aconselham. Talvez ainda uma herança do trabalho anterior de Welles no rádio, a palavra é muito importante para a narrativa de Soberba.

Apesar de não ter podido contar com Greg Tolland, a fotografia segue a estética de Cidadão Kane: Planos longos, muito contraste, profundidade de campo. Com essa imagens sem meios tons e uma interpretação em alguns momentos bem intensa, o filme chega a aproximar-se do expressionismo, principalmente nas cenas entre o personagem George Minafer e sua tia, interpretada por Agnes Moorehead.

Talvez o mais forte de Soberba sejam as cenas de brigas e discussões em família, amparadas pelos excelentes desempenhos que Welles consegue dos seus atores. Se falta um pouco de coesão ao filme, principalmente na parte final, há grandes momentos espalhados pelo filme. Segundo Welles, se não tivesse perdido quarenta minutos nos cortes da RKO, Soberba seria um filme superior a Kane.
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(Postado Originalmente por wfriche do makingoff.org many tks)

sábado, 18 de julho de 2009

141. CIDADÃO KANE (1941)

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Quando dirigiu, produziu, protagonizou e foi co roteirista de Cidadão Kane, Welles tinha 25 anos e conquistara fama no rádio: em 1939 fez história ao transmitir programa que simulava uma invasão dos Estados Unidos por marcianos. A primeira entrada da reportagem no ar relatou acontecimentos imprecisos que, nos flashes seguintes, foram se tornando cada vez mais claros e ameaçadores; eram entrevistados populares, autoridades, especialistas etc., compondo um quadro cada vez mais assustador. Baseado no livro A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, o show radiofônico criou habilmente a ilusão de veracidade, levando os ouvintes ao pânico.

Graças à notoriedade assim conquistada, o diretor novato recebeu da produtora RKO carta branca para dirigir e um orçamento generoso. Confirmando sua índole polêmica, ele fez um filme no qual se identificavam alusões ao magnata das comunicações William Randolph Hearst.

A história conta como o repórter Thompson (Joseph Cotten) reconstitui a trajetória do empresário da imprensa Charles Foster Kane (Welles), buscando decifrar o significado de sua última palavra no leito de morte: "rosebud". A morte de Kane comovera a nação e descobrir o porquê daquela palavra se torna uma obsessão para o jornalista, que acredita poder encontrar nela a chave do significado daquela vida atribulada.

O repórter entrevista, então, as pessoas próximas ao figurão. Um emaranhado de informações vai se costurando à frente dos olhos do espectador, desde a infância pobre, revelando um Kane por vezes perturbado, mas sempre ambicioso. Essa multiplicidade de fontes usadas pelo repórter cria um conjunto de perspectivas diferentes, funcionando como peças do quebracabeças que os espectadores vão montando.

Kane herda uma fortuna e deixa de viver com os pais para ser criado por um banqueiro, Walter Parks Thatcher (George Coulouris). Dentre todos os negócios que passam às suas mãos na maioridade, resolve dedicar se a um dos menos rentáveis: um jornal convencional e pouco influente.

Atraindo as estrelas dos veículos concorrentes com salários maiores e praticando um jornalismo agressivo (que freqüentemente descamba para o sensacionalismo), Kane consegue sucesso como homem de mídia, criando uma reputação de campeão dos pobres e oprimidos. Tenta carreira na política, concorrendo a governador como candidato independente; quando parece ter a vitória nas mãos, um escândalo provoca sua derrota. Depois de dois casamentos fracassados, passa seus últimos dias sozinho no palácio que construiu e para o qual levou tudo que o dinheiro podia comprar desde obras de arte de valor inestimável até os animais mais exóticos do planeta.

O filme faz uso de flashbacks, sombras, tem longas seqüênciãs sem cortes, mostra tomadas de baixo para cima, distorce imagens para aumentar a carga dramática; a iluminação é pouco convencional, o foco transita do primeiro plano para o background, os diálogos são sobrepostos e os closes usados com contenção. Revolucionário.

O personagem central vai, aos poucos, perdendo suas virtudes e aumentando seus defeitos. Pode ser visto retrospectivamente como alguém amargo, sombrio, arrogante, manipulador, cruel e impiedoso. Sua trajetória, no entanto, encerra muito do sonho americano: idealismo, espírito de iniciativa, fama, dinheiro, poder, mulheres, imortalidade.

O óbvio paralelo de Kane (e seu Inquirer) com Hearst (e seu Exnminer) gerou controvérsias e pressões para impedir a montagem e exibição do filme. As similaridades são muitas: Kane construiu um palácio extravagante na Flórida, Hearst tinha um em San Simeon; o personagem teve um caso com uma cantora sem talento, Susan Alexander (Dorothy Comingore), lembrando o que Hearst teve com a jovem atriz Marion Davies. Enquanto o magnata da vida real comprou o estúdio Cosmopolitan Pictures para promover o estrelato de Davies, Kane comprou para Susan um teatro. Entretanto, enquanto Hearst nasceu rico, Kane era filho de uma família humilde.

Premiações
- Ganhou o Oscar de Melhor Roteiro, além de ter sido indicado em outras 8 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Orson Welles), Melhor Direção de Arte em Preto e Branco, Melhor Fotografia em Preto e Branco, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora em Drama.

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Citizen.Kane.(1941).FS.DVDRip.XviD.cd1-HFDX.avi
Citizen.Kane.(1941).FS.DVDRip.XviD.cd2-HFDX.avi

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Citizen.Kane.(1941).(Legendado.PTBR).DVDRip.XviD-Os.iLUMiNADOS.avi

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