Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

sábado, 12 de junho de 2010

359. A AVENTURA (1960)

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Um grupo de Italianos ricos está em um cruzeiro pela costa da Sicília, quando uma das integrantes desaparece misteriosamente. Enquanto seu namorado e sua melhor amiga a procuram pela Itália, eles começam a ter um caso. Filme que abre a trilogia da incomunicabilidade, na qual Antonioni fal a sobre a mulher contemporânea.

Crítica
Cinéfilos nunca concordam em nada, mas quando a questão é decidir qual o melhor filme de Michelangelo Antonioni, os admiradores do diretor italiano costumam dividir-se em dois grupos. O primeiro deles prefere um de seus filmes em inglês, ou seja, sua obra-prima seria ou Profissão: Repórter, com Jack Nickholson (sobretudo por conta do virtuosístico plano-seqüência do final), ou Depois Daquele Beijo, com Vanessa Redgrave (nesse caso, os brasileiros sofreram muito, pois somente no ano passado foi lançada a versão original, com a metragem e as cores imaginadas pelo cineasta; antes só havia disponível uma cópia da Warner editada e esmaecida à disposição).

O segundo grupo prefere como auge da carreira de Antonioni um dos três filmes da chamada Trilogia da Incomunicabilidade. Neste caso, os cinéfilos brigam entre três filmes: A Aventura (os americanos são os que mais gostam), A Noite (a maioria dos cinéfilos, é seu filme mais conhecido) ou o desfecho, O Eclipse (considerado o mais radical de seus filmes). Para os brasileiros, essa escolha foi praticamente impossível, pois a Trilogia nunca fora antes lançada em vídeo (VHS ou DVD). Exceto A Noite, sempre presente em mostras pelo país, os outros dois filmes eram raridades em Pindorama.

Pois a Versátil acaba de corrigir esse defeito 45 anos depois do lançamento do lançamento da Trilogia. Os DVDs podem ser comprados ou alugados, finalmente, no Brasil. Bom, antes tarde do que nunca. É interessante notar que as distribuidoras estão sempre dispostas a lançar no país os mais infames filmes de Hollywood e nunca clássicos como esses. Antigamente chamavam isso de “imperialismo”, mas a palavra saiu de moda e agora se diz “lógica de mercado”.

A Aventura conta a história de um grupo de seis burgueses entediados (três casais) que partem para um cruzeiro a uma ilha inabitada e isolada da Sicília. Uma das moças, Anna, em briga constante com o namorado e com o pai, desaparece. Não se sabe se ela simplesmente foi embora por tédio ou se tentou o suicídio. O filme se deterá na busca à mulher e o impacto que o desaparecimento teve em seus amigos – que é quase nenhum.

Um dos grandes achados do filme é usar as ilhas, rochas, igrejas, cidades abandonadas e outras maravilhas arquitetônicas e naturais do sul da Itália como metáfora visual do vazio existencial das personagens. A melhor amiga da desaparecida, Claudia (Mônica Vitti), e seu namorado, Sandro (Gabriele Ferzetti), partem à procura da cidadã em cidades vizinhas. Logo se tornam amantes, não se sabe se por atração física ou se porque não tinham nada melhor mesmo para fazer.

A Aventura venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 1960 e catapultou a carreira internacional de Antonioni. Entre as cenas que poderíamos chamar de chocantes são os atos mesquinhos cometidos pelos endinheirados sem explicação, apenas por tédio. Um deles deixa cair um vaso histórico e valioso. Sandro derruba a tinta de um pintor só para iniciar uma briga. Nenhum deles deixa de freqüentar a festa à noite, mesmo sabendo que a amiga poderia estar morta naquele momento ou precisando da ajuda deles.

O mistério do desaparecimento não será revelado, de forma que a trama de suspense importa pouco no filme. Pode-se entender o desaparecimento de várias maneiras, mas, em vista do pouco interesse dos demais na morte da amiga, o melhor talvez seja mesmo o de não prestar atenção ao sumiço e focar-se no mundo de futilidades, de sexo apenas para passar o tempo, da sensação de poder que sentem os habitantes da alta classe italiana e a manipulação que eles podem fazer a si mesmos e com os outros.

Antonioni faria na seqüência A Noite com Marcello Mastroianni e Jeanne Moreau vivendo um casal entediado que vê o casamento acabar por falta de estímulos. Passado numa única noite, Mastroianni encontrará numa festa chique uma igualmente entediada Mônica Vitti e com ela tentará dar um sentido nas relações amorosas.

Atriz e diretor fariam ainda a parte final da trilogia, O Eclipse, com o galã francês Alain Delon, e o primeiro filme em cores do diretor, Deserto Vermelho. Era a época da industrialização da Itália e Antonioni filmou as transformações físicas e sociais em curso. Delon interpreta um ambicioso negociador da Bolsa de Valores obcecado em ganhar dinheiro. Em Deserto Rosso, a musa Vitti é a depressiva burguesa que vaga sem rumo portos italianos recém-construídos a procura de algo – não precisamente nada.

Depois da Trilogia e Deserto Vermelho, Antonioni faria seus próximos filmes para grandes estúdios americanos e ingleses com o produtor Carlo Ponti, marido de Sophia Loren, dando início a uma segunda fase em sua carreira sempre tão discutida, amada e detestada com fúria, mas felizmente não mais ignorada (afinal, os DVDs foram lançados).

(Cineplayers - Demetrius Caesar)

Premiações
*Festival Internacional de Cannes, França
Prêmio do Júri (Michelangelo Antonioni)
*Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália
Prêmio Fita de Prata de Melhor Trilha Sonora

Indicações
*Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Filme
Prêmio de Melhor Atriz Estrangeira (Monica Vitti)
*Festival Internacional de Cannes, França
Prêmio Palma de Ouro (Michelangelo Antonioni)
*Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália
Prêmio Fita de Prata de Melhor Trilha Sonora (Giovanni Fusco)

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

358. ATIREM NO PIANISTA (1960)

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O pianista de um bar, Charlie Koller (Charles Aznavour), é na verdade o concertista Edouard Saroyan, que resolveu mudar de nome após o suicídio de sua esposa, Thérèse (Nicole Berger). Sua vida começa a complicar quando seu irmão Richard Saroyan (Jean-Jacques Aslanian), que é um vigarista, se refugia no bar, pois está sendo caçado por dois gângsters, Momo (Claude Mansard) e Ernest (Daniel Boulanger). Richard é cúmplice de Chico (Albert Rémy), que é também seu irmão e outro pilantra. Charlie começa a temer pela segurança do irmão mais novo, Fido (Richard Kanayan), que mora com ele. Após esta noite Charlie caminha para casa com sua colega de trabalho, Léna (Marie Dubois). Ele se sente interessado nela, mas não tem coragem de segurar sua mão. Charlie retorna para seu apartamento e passa a noite com Clarisse (Michèle Messier), uma amigável prostituta que mora no mesmo andar e cuida de Fido. Seu apartamento continua sendo vigiado por Momo e Ernest, que planejam seqüestrar Fido no caminho da escola. Porém os bandidos acabam mesmo pegando Charlie e Lena. Eles conseguem escapar quando o carro é parado por um policial, em virtude de uma infração provocada por Lena, mas os problemas deles estão bem longe de terminar.

Crítica
Segundo longa-metragem de François Truffaut (1932 – 1984), Atirem no Pianista (Tirez sur le Pianiste) dá início ao percurso que o cineasta francês de Os Incompreendidos empreenderia pela obra de escritores de novelas policiais da série negra norte-americana que ele tanto amava. O filme está em cartaz no Espaço Unibanco – Sala Norberto Lubisco, em Porto Alegre, encerrando a primeira temporada do projeto Estação de Clássicos.

Aqui Truffaut utiliza um dos mais conhecidos romances de David Goodis como base para um filme policial que faz uma espécie de homenagem aos filmes hollywoodianos do gênero, produções de segunda linha, os chamados filmes B da produção dos grandes estúdios. Essa trajetória seria seguida ao longo da carreira de Truffaut com a adaptação de obras de autores como Cornell Woolrich/William Irish (A Noiva Estava de Preto, A Sereia do Mississipi), Henry Farrell (Uma Jovem tão Bela Como Eu) e Charles Williams (De Repente num Domingo), seu último filme.
Charles Aznavour, um dos grandes cantores franceses de todos os tempos, é o protagonista de Atirem no Pianista. Ele vive o papel de um virtuoso do paino que, depois da morte da mulher, entra em depressão. Torna-se pianista de um bar. Lá ele conhece uma garota que namora o dono do bar, a quem o pianista mata durante uma cena de ciúmes. Em companhia da garota, ele se refugia na casa de seu irmão que, por sua vez, é perseguido por dois gângsteres.

Para contar essa história, Truffaut faz um policial com uma batida diferente daqueles da série negra que ele admirava. Ou dos similares franceses do gênero assinados por Alex Joffé ou Ralph Habib. O tom descontraído da narrativa de Truffaut não exclui o suspense, mas privilegia o lado humano do drama de cada um dos personagens.

Além de Aznavour, o elenco de Atirem no Pianista inclui alguns rostos conhecidos dos primeiros anos da nouvelle vague e do cinema francês da época. Entre as estrelas, Marie Dubois, Nicole Berger e Michèle Mércier, que depois interpretaria os famosos filmes da série Angélica, a Marquesa dos Anjos. À sua maneira, Truffaut acrescenta alguns inesperados toques de humor à narrativa, sendo sempre citados dois deles. Em um desses momentos, um gângster diz a seu parceiro que sua mãe morreria se ele estivesse mentindo. No plano seguinte, uma velha cai morta no chão. Em outra cena, o cantor Bobby Lapointe interpreta a canção francesa Avanie et Framboise.(Tuio Becker/Zero Hora/Agência RBS)

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domingo, 6 de junho de 2010

357. TUDO COMEÇOU NO SÁBADO (1960)

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Em uma pequena cidade perto de Nottingham, Arthur Seaton (Albert Finney) é um operador de torno mecânico em uma fábrica. Arthur tem um bom salário, o que lhe permite gastar dinheiro em noitadas e isto o faz suportar o emprego que odeia. Ele está tendo um caso com Brenda (Rachel Roberts), que é casada com um colega de trabalho dele, Jack (Bryan Pringle). Mas Arthur conhece Doreen Gretton (Shirley Anne Field), que é jovem e bonita, mas tem princípios morais rígidos.

Curisidades
Foi o primeiro longa dirigido por Karel Reisz, diretor de origem checa e nome-chave na chamada British New Wave. Tony Richardson, diretor de "Um Gosto de Mel" e "A Solidão da Corrida Sem Fim", foi um dos produtores do filme.

A banda de rock britânica Arctic Monkeys foi fortemente influenciada pelo filme. O título de seu álbum de estréia "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not" é uma citação direta do filme, e muitas das canções foram inspiradas pelo personagem de Albert Finney.Também o design do álbum foi influenciado pelas imagens realistas dos bairros operários britânicos e da vida noturna contidas no filme.

O filme também deu origem ao título do álbum ao vivo "Saturday Night, Sunday Morning", dos Stranglers.

A escolha inicial do produtor Harry Saltzman para o papel de Arthur Seaton era Peter O'Toole

Crítica
Das peças de culto da chamada Nottinghamia, Saturday Night, Sunday Morning ocupa um lugar cimeiro de como ainda hoje muitos dos habitantes de Nottingham vêem a cidade, um dos bastiões da revolução industrial britânica, rodeada de minas e onde o movimento dos Luddites nasceu. O filme de Karel Reisz está para Notts como o posterior Os Verdes Anos de Paulo Rocha está para Lisboa, uma espécie de viagem pela classe operária, substituindo aqui o aprendiz de sapateiro e a sopeira pelo operário da fábrica que se torna um ladykiller de pint em punho e a adolescente que ainda vive com a família e que espera encontrar um marido que lhe permita sair de casa.

Mas ao contrário da magnífica obra de Paulo Rocha "Saturday Night..." é apenas um relato neo-realista do no future dos 'jovens adultos' da classe operária inglesa nos anos 50/60, presos à rotina aborrecida da fabrica e cujo 'sonho da minha vida' seria o de casar e com sorte comprar uma das novas casas feitas à saída da cidade (ainda existem!) onde terão uma vida frugal e suburbana. O filme tornou Albert Finney no herói da classe operária, que representava uma personagem que, fora do 'ambiente profissional' vivia para ir ao Pub com uma fatiotas catitas e que mantinha uma relação mais-ou-menos-séria e de contornos algo dúbios com uma mulher dona de casa casada com um dos colegas da fábrica.

Mesmo assim, Saturday Night, Sunday Morning tem claras virtudes, que permitiram ser visto como um dos filmes que trouxe uma lufada de ar fresco que transformou o panorama cinematográfico britânico (tal como o já citado filme de Rocha fez em Portugal), e criou o ideal do jovem herói do proletariado inglês, uma figura que desde então foi apreciada pelas audiências britânicas que apenas se tornou uma figura do passado quando as célebres 'renovações' da era Tatcher destruiram o herói da fábrica para dar o seu lugar ao herói da sociedade de consumo, o Yuppie.

O filme retrata com muita exactidão o quotidiano da maior parte das cidades inglesas em meados no século passado (e que pode ainda ser francamente observado nos dias de hoje), e sobretudo, e aqui o filme consegue ter um valor acrescido, a forma como são retratadas as personagens femininas, com Shirley Anne Field e Rachel Roberts a representarem duas duas personagens centrais que aguentam a personagem de Finney até ao final, e que evitam tornar o filme desinteressante.

Claro que para um habitante da cidade o filme ganha logo outro valor, tentando-se de forma atenta reconhecer algumas das landscapes urbanas que possam ainda ter sobrevivido, sobretudo as vizinhanças dos bairros operários e das fábricas, hoje em dia desaparecidas ou re-aproveitadas para outros fins. Este filme poderá ser um possível (e deprimente) renovar daquele espirito próprio em Nottingham, que sempre tentou ter viva a memória de um dúbio ladrão (tornado herói do povo) que conseguiu desafiar os poderes instituidos e que parece viver ciclicamente em personagens como a que Finney interpreta, de forma algo atabalhoada diga-se, neste clássico do cinema britânico.
Fonte

Premiações
Em 1961 vencedor de 3 BAFTAS (melhor Atriz Inglesa (Rachel Roberts), Melhor Filme Inglês, Melhor Ator Coadjuvante (Albert Finney), indicado em outras 3 categorias. Também Vencedor de Melhor Ator (albert Finney), Melhor Filme e premio FIPRESCI no Mar del Plata Film Festival.

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(Legenda e Informações postado por franciscon do MKO)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

356. A DOCE VIDA (1960)

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Roma, início dos anos 60. O jornalista Marcello (Marcello Mastroianni em desempenho memorável) vive entre as celebridades, ricos e fotógrafos que lotam a badalada Via Veneto. Neste mundo marcado pelas aparências e por um vazio existencial, freqüenta festas, conhece os tipos mais extravagantes e descobre um novo sentido para a vida.

Premiações
Oscar 1962 (EUA)
- Venceu na categoria de Melhor Figurino - Preto e Branco.
- Indicado nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Direção de Arte - Preto e Branco.

BAFTA 1961 (Reino Unido)
- Recebeu uma indicação na categoria de Melhor Filme.

Festival de Cannes 1960 (França)
- Vencedor da Palma de Ouro.

Prêmio NYFCC 1961 (EUA)
- Venceu na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

Sindacato Nazionale Giornalisti Cinematografici Italiani 1961 (Itália)
- Venveu nas categorias de Melhor Ator (Marcello Mastroianni), Melhor História Original e Melhor Cenografia.

Curiosidades
- O personagem "Paparazzo", fotógrafo interpretado por Walter Santesso, que trabalha com Marcello Rubini, é a origem do termo que descreve os fotógrafos intrusivos, denominados paparazzi, no plural.

- Uma das maiores sequências do filme, sobre o relacionamento de Marcello com uma velha escritora que vivia em uma torre e que seria interpretada pela atriz Luise Rainer, foi cortada do filme após uma série de problemas entre Rainer e Fellini. Ela reagiu furiosamente dizendo que: "havia estragado uma peça de roupa caríssima para vestir uma personagem que nunca existiria!".

- No filme aparece Christa Paffgen, que adotou o pseudônimo de Nico, e fez parte da banda Velvet Underground.

- Na "festa dos nobres" alguns dos garçons eram aristocratas verdadeiros. A modelo e cantora Nico interpreta a si própria nesta cena.

- Na cena do clube romano de estilo antigo, na qual Marcello faz sua primeira investida em "Sylvia" (Anita Ekberg), aparece Adriano Celentano, que anos mais tarde se tornou famoso na Itália como cantor e ator.

Crítica
Exercício curioso de observação crítica é perceber como um mesmo tema pode gerar filmes radicalmente diferentes, dependendo do cineasta que o aborda. O clássico inquestionável "A Doce Vida" (La Dolce Vita, Itália, 1960), grande obra-prima de Federico Fellini e presença quase obrigatória nas listas de dez melhores filmes de cinéfilos e cineastas mundo afora, é uma excelente maneira de comprovar isto. Basta colocá-lo ao lado de outros grandes momentos do cinema italiano da década de 1960, em especial os três exemplares da trilogia da incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni, feitos praticamente ao mesmo tempo em que Fellini erguia seu monumento de 174 minutos.

Os dois diretores trabalharam com o mesmo material: uma crítica ao vazio existencial dos ricos, à pobreza espiritual e à degradação moral daqueles que vivem na frivolidade da aristocracia. Fellini apareceu com uma história alegórica e espalhafatosa, cheia de símbolos circenses e psicanalíticos que celebravam aquela típica euforia nostálgica que marcaria seu trabalho futuro: artistas circenses, mímicos, personagens extravagantes, mulheres fogosas – enfim, um filme alegremente melancólico, com teor sutil mas firme de crítica social. Antonioni, ao contrário, realizou uma trinca de filmes depressivos, tristes (o primeiro, "A Aventura", foi lançado no mesmo ano de "A Doce Vida"), com longas e silenciosas caminhadas e personagens amargurados. Ambos dizem basicamente as mesmas coisas, cada um a seu modo.

Embora também seja reconhecido como gênio do cinema, Antonioni deixou menos marcas na memória dos cinéfilos do que Fellini. "A Doce Vida" gerou algumas das imagens mais poderosas e icônicas do cinema europeu, a principal delas sendo o célebre banho de madrugada da deusa sueca Anita Ekberg, junto com o charmoso Marcello Mastroianni, na famosa Fontana di Trevi. Muita gente que nunca viu o longa de Fellini reconhece o filme por causa desta cena. Ela é tão famosa que transcendeu o cinema. Em 19 de dezembro de 1996, dia em que Mastroianni faleceu, centenas de fãs foram espontaneamente até Trevi, sem que ninguém pedisse, para depositar rosas na fonte, como forma de homenagear a memória do ator.

A história de "A Doce Vida", parodiada por Woody Allen em "Celebridades" (1998), traz Mastroianni como um jornalista de origem humilde, trabalhando em Roma como colunista social. Ele exerce seu ofício sobretudo à noite, rondando os bares e boates luxuosos da Via Veneto, a mais famosa e glamourosa avenida da capital italiana. A estrutura narrativa é episódica, com segmentos praticamente independentes mostrando o cotidiano noturno de Marcello, também nome do personagem interpretado pelo ator. Marcello leva uma vida doce: come nos melhores restaurantes, bebe a melhor champanhe, dorme com mulheres belas e ricas. Mas está triste. Ele sente que algo está errado, embora não saiba direito verbalizar o sentimento.

Fellini utiliza uma forma ímpar de contar sua história, sempre leve e bem-humorada, recheando cada episódio vivido pelo jornalista com diálogos saborosos que circulam o tema sem jamais abordá-lo diretamente. Suas cenas são quase sempre alegóricas, indiretas, causando na platéia uma sensação permanente de que algo está passando despercebido. É um cinema diferente, lúdico, que apela para climas e sensações, e não dá muita bola para essa palavrinha chamada lógica. Vale lembrar que com "A Doce Vida" Fellini rompia em definitivo com o movimento neo-realista, mergulhando cada vez mais, nos filmes seguintes, nesta técnica peculiar de fazer cinema, algo que lhe dava um prazer quase infantil.

Tome como exemplo a famosa seqüência de abertura. Nela, Marcello sobrevoa Roma de helicóptero e o aparelho pára acima de uma luxuosa cobertura, onde belas mulheres seminuas tomam sol. O jornalista flerta com uma delas e lhe pede o número do telefone, para que possa ligar mais tarde. Ela não escuta o que ele está dizendo, e ele também não compreende quando ela tenta lhe dizer isto. Os críticos interpretam a cena como uma alegoria do tema principal do filme, a incomunicabilidade – ninguém consegue se entender, e mesmo quando tentamos desesperadamente falar com o próximo, ele não nos ouve, ainda que se esforce para fazê-lo.

Há passagens memoráveis em "A Doce Vida", como a breve e divertida visita que o pai do protagonista faz a ele, vindo da humilde cidade interiorana onde mora a família, mas as seqüências mais importantes parecem ser aquelas que incluem o personagem Steiner (Alain Cony), o rico empresário que Marcello elege como ídolo: homem rico e inteligente, bem-sucedido no trabalho e no casamento, pai amoroso de lindos filhos, sereno e tranqüilo. Steiner é um espelho para o jornalista, espécie de prova de que alguém pode manter a integridade pessoal e a riqueza de espírito, mesmo vivendo em meio à luxúria vazia dos ricos. É a partir de certo acontecimento radical envolvendo o personagem que "A Doce Vida" toma o rumo amargo do final inesperado em que, mais uma vez, Marcello tenta conversar com uma mulher, sem conseguir. Tire conclusões por si mesmo, e aproveite a galeria de imagens inesquecíveis adornadas pela música especial de Nino Rota.

Por: Rodrigo Carreiro

(Informações postados por Silenzio no MKO)

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

355. ROCCO E SEUS IRMÃOS (1960)

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Em busca de uma vida melhor a viúva Rosaria Parondi e seus filhos - Rocco, Simone, Vincenzo, Ciro e Luca, partem da miserável Sicília (Sul da Itália) para a industrial Milão. Na cidade grande, cada irmão segue um rumo diferente. Simone (Renato Salvatori) tenta ganhar a vida como pugilista enquanto Rocco (Alain Delon) sonha em voltar à sua terra natal. Quando Simone é abandonado pela amante, que se envolve com Rocco, tem início a degradação de uma família corrompida pelos valores e costumes de uma sociedade hostil. Apresentado em sua versão integral e restaurada, Rocco e Seus Irmãos é um dos maiores clássicos do cinema mundial.

Premiações
*Prêmios Bodil - Copenhague, Dinamarca
Bodil de Melhor Filme Europeu (Luchino Visconti)
*Prêmios David di Donatello, Itália
David de Melhor Produção
*Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália
Prêmio Fita de Prata de Melhor Diretor de Filme Italiano (Luchino Visconti)
Prêmio Fita de Prata de Melhor Roteiro
Prêmio Fita de Prata de Melhor Fotografia
*Festival Internacional de Veneza, Itália
Prêmio FIPRESCI (Luchino Visconti)
Prêmio Especial (Luchino Visconti)

Indicações
*Festival Internacional de Veneza, Itália
Prêmio Leão de Ouro (Luchino Visconti)
*Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Filme
Prêmio de Melhor Atriz Estrangeira (Annie Girardot)

Crítica
"Rocco e Seus Irmãos" é mais uma pérola do neo-realismo italiano. Realizado pelo famoso cineasta Luchino Visconti, o filme narra a trajetória de uma família pobre que deixa sua cidade natal, no sul da Itália, e parte em direção à rica e industrial Milão, na esperança de uma vida melhor.

Muito embora a família, em questão, seja constituída de uma viúva e de seus cinco filhos, o coração da trama foca os relacionamentos entre os irmãos Rocco e Simone, e a prostituta Nadia, por quem eles se apaixonam. São suas histórias que promovem os momentos mais dramáticos do filme.

A fotografia de Giuseppe Rotunno e a música de Nino Rota emolduram este clássico imperdível. O elenco é uniformemente bom. Annie Girardot nos brinda com uma memorável atuação, ao interpretar a prostituta Nadia. Katina Paxinou também está magnífica no papel da mãe e viúva. Merecem, ainda, destaques, as atuações de Alain Delon e Renato Salvatori. A bela Cláudia Cardinale, com apenas 22 anos, interpreta a noiva de Vincenzo Parondi.

Fonte - 70 Anos de Cinema

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Rocco.E.I.Suoi.Fratelli.(1960).DVDRip.XviD.avi

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

354. ERVAS FLUTUANTES (1959)

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O filme conta a estória de uma companhia de atores de teatro kabuki que, durante suas excursões pelo Japão, resolvem aportar numa pequena ilha de pescadores. Komajuro, um ator de meia-idade que foi um dos formadores da companhia, passa a ir todos os dias visitar uma antiga amante, Oyoshi, que é dona de um bar de saquê. Há anos tiveram um filho juntos, Kiyoshi, que acabara de se formar na escola e foi trabalhar nos correios. Porque Komajuro sempre foi um ator viajante e apenas esporadicamente estava presente, ele e Oyoshi sempre esconderam de Kiyoshi a identidade do pai, dizendo que ele era apenas um tio e que o pai de verdade dele tinha morrido há muito tempo...

Curiosidades
- A presença de garrafas em diversos planos poderá ter uma justificação menos lírica: Ozu não só bebia bastante como defendia uma forte ligação entre o álcool e a criatividade. Chegou até a declarar:

"Se o número de copos que bebes é pequeno, não pode existir obra-prima; a obra-prima emerge do número de copos cheios que consigas tomar."
(Não é uma coincidência que o filme Ervas Flutuantes seja uma obra-prima, basta olhar para a cozinha e ver o número de garrafas vazias).

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Ukigusa.(aka.Floating.Weeds).(1959).DVDRip.XviD-MDX.avi

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terça-feira, 1 de junho de 2010

353. A UM PASSO DA LIBERDADE (1959)

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Homem que divide a cela numa prisão em Paris com mais de quatro priosioneiros, aceita elaborar um meticuloso plano de fuga com os companheiros. Explêndida e sombria direção, com uma iluminação fantástica, excelente interpretações e um roteiro que é uma verdadeira aula. Maravilhoso testamento fílmico de Becker, sem dúvida seu melhor filme.

Crítica
“A Um Passo da Liberdade” (ou, em tradução literal do título francês, “o buraco”) conta a história de cinco prisioneiros que tentam escapar da prisão La Santé, em Paris, pelos esgotos.

O diretor e roteirista Jacques Becker insistia que a história era totalmente baseada em fatos reais. Reforça essa suposta fidedignidade o fato de Jean Keraudy, um dos envolvidos no caso real, atuar como Roland, que praticamente é o líder dos fugitivos. É ele, também, que faz uma breve introdução ao filme, antes dos créditos iniciais. Além disso, outros dois participantes na fuga ajudaram na reconstituição dos detalhes, durante as filmagens.

Já bastante doente durante a produção, Becker, que morreria apenas alguns dias depois, teve a ajuda de seu filho, o também diretor Jean Becker, em algumas cenas.

O uso de atores não-profissionais em quase todos os papéis principais, aliado aos inúmeros longos planos dando ênfase às tarefas repetitivas da prisão e aos preparativos relacionados à fuga, garantiram uma narrativa naturalista, quase de documentário, que é o ponto alto do filme. O “realismo” é reforçado também pela ausência de qualquer música, até os créditos finais, sendo a trilha sonora composta unicamente pelos mais variados ruídos (como os de buracos sendo abertos em pisos e paredes ou de grades sendo serradas). É impossível não fazermos uma analogia com “Rififi” (“Du Rififi Chez Les Hommes”, dir. Jules Dassin, 1955) e sua antológica cena do assalto, com 27 minutos de duração sem qualquer trilha sonora ou diálogo. Também em “Le Trou”, os ruídos, sem música que os amenize, vão gradativamente criando uma enorme tensão no espectador.

Roland, Manu, Monsigneur e Geo dividem uma cela e planejam a fuga. Quando chega um novo preso para sua cela, Claude, hesitam em inclui-lo nos planos, afinal pode se tratar de um “dedo-duro” plantado ali por conta de alguma suspeita do diretor do presídio. Mais tarde, porém, Claude, que dizia ter sido preso injustamente, por conta de uma acusação falsa de sua esposa, ganha certa confiança dos demais (que nunca é total) e assume algumas tarefas nos preparativos.

As incursões dos presos aos subterrâneos, durante os preparativos, proporcionam cenas marcantes. Quando Manu e Claude conseguem abrir a última passagem e chegar até a rua (sem, no entanto, fugir, já que a fuga seria no dia seguinte, com todos os demais), Claude vê um táxi passando e diz que “quase poderia pegá-lo”. É o típico momento “tão perto, tão longe”.

“Le Trou” é, para mim, filme de prisão e fuga que pode facilmente ser colocados entre os melhores do gênero. Filmaço!
Fonte

Premiações
Indicado ao BAFTA nas categorias de Melhor Filme e Melhor Ator para Philippe Leroy, Indicado ao Palma de Ouro em 1960

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352. ONDE COMEÇA O INFERNO (1959)

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John Wayne é John T. Chance, xerife de uma pequena cidade do Texas que precisa enfrentar um exército de pistoleiros dispostos a libertar um rico proprietário de terras preso por assassinato. Para a missão, conta com a ajuda de um quarteto inusitado: um bêbado (Dean Martin), um velho resmungão (Walter Brennan), um jovem e inexperiente pistoleiro (Ricky Nelson) e uma bela garota (Angie Dickinson). O diretor Howard Hawks é certeiro ao centrar a trama na relação entre os cinco personagens e na tensão gerada pela expectativa do confronto. Um clássico imprescindível do western.

Curiosidades
# Além de Dean Martin, o filme conta ainda com o cantor e ídolo da juventude estadunidense da época, Ricky Nelson, que chega a fazer um dueto com Martin.
# Nathan pede a músicos de um bar que cantem a canção mexicana conhecida por "De Guella" (Degola), que teria sido ouvida no cerco do Álamo, tocada por ordem do general mexicano Santa Anna. No filme dirigido por John Wayne no ano seguinte, The Alamo (1960), a canção abre os créditos.
# O diretor Hawks faria mais dois filmes nos anos seguintes, com histórias e cenas parecidas com as de Rio Bravo. O primeiro, El Dorado (1967), conta a história de um pistoleiro veterano e de um jovem que prefere usar facas, que ajudam um xerife bêbado. No segundo, Rio Lobo (1970), ex-soldados da União e ex-confederados se encontram no Texas depois da guerra, e enfrentam juntos uma quadrilha de bandoleiros.
# Rio Bravo é como os mexicanos chamam uma parte do Rio Grande

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