Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

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sábado, 30 de julho de 2011

523. WANDA (1971)

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Casada com um mineiro da Pensilvânia e mãe de duas crianças, Wanda não trata deles, nem da casa, e passa a maior parte do dia no sofá as sala, em roupão, chinelos e rolos de cabelo. Sem desejos, motivações ou força de caráter, Wanda deixa que o marido peça o divórcio e fique com a custódia dos filhos. Sozinha, sem casa, nem dinheiro, Wanda vagueia sem destino. Até que acaba por conhecer um ladrão, Dennis, de quem se torna amante e cúmplice. Um dos mais cultuados e idolatrados filmes americanos dos anos 70.

Crítica
Barbara Loden não é propriamente uma estranha para aqueles que amam o universo da sétima arte, já que estamos a falar daquela que foi mulher do cineasta Elia Kazan, para o bem e para o mal. Possuidora de uma beleza cativante, começa a sua carreira no mundo da moda, surgindo como capa em muitas revistas, mas aquela loura tinha muito mais para oferecer e será no Teatro que Kazan a irá conhecer e dirigir, oferecendo-se então para a introduzir no mundo do cinema em “Wild River” / “Quando o Rio se Enfurece” (ela é a secretária de Montgomery Clift) e no mais que famoso “Esplendor na Relva” / “Splendor in the Grass” (ela é a irmã de Warren Beatty). Após estas aparições, ela torna-se esposa oficial do realizador, mas esse estatuto não lhe irá abrir as portas do cinema como actriz, regressando aos palcos, onde interpreta a célebre peça de Tennesse Williams “Jardim Zoológico de Cristal”, participando também em algumas produções na televisão. Mas será a convivência com Elia Kazan que lhe irá abrir os horizontes da realização. Porém os tempos são outros e todas as portas se fecham aos seus projectos, recorde-se que nessa época o cineasta tinha trocado a câmara pela caneta e dedicava-se à literatura. Começa então a fervilhar na sua cabeça o projecto “Wanda” e com ajuda do marido consegue o financiamento para o filme, que será uma verdadeira pedrada no charco da indiferença.

“Wanda” é simultaneamente o nome da personagem principal e o título do filme, porque o que nasce perante os nossos olhos é a história de uma mulher que perdeu tudo: o emprego, o marido, os filhos e que só deseja partir estrada fora ao encontro dessa encruzilhada da vida que nos reserva um destino. Depois de travarmos conhecimento com a forma como Wanda encara a vida, temos que estar atentos à forma como essa mesma vida é filmada por Nicholas Proferes, que também escreveu o argumento a meias com Barbara Loden e assinou a montagem, num 16 mm onde o grão prolifera, oferecendo-nos de forma perfeita os tons sombrios da vida sem rumo de Wanda. A pouco e pouco vamos assistindo à via-sacra da protagonista, rejeitada por tudo e todos, terminando por oferecer o seu corpo a um gangster de terceira ordem, que depois de ter roubado o dinheiro da caixa de um bar que estava a encerrar, mata o proprietário e descobre depois que não estava só… porque Wanda mais uma vez estava no sítio errado à hora errada. O pequeno gangster planeia atacar um banco e decide fazer de Wanda a sua cúmplice; ela, a rapariga sem eira nem beira, irá segui-lo e obedecer às suas ordens, só que para sua sorte desta vez irá chegar tarde demais ao local do assalto conseguindo desta forma salvar a vida para retomar o seu calvário, rumo a um paraíso inexistente.

O realismo que nos é oferecido neste filme por Barbara Loden (um verdadeiro road-movie do desespero) é de uma lucidez absoluta, todos aqueles personagens, verdadeiros filhos bastardos da vida, surgem perante o nosso olhar em profunda perdição, aqui não há lugar para o politicamente correcto, aqui habitam pessoas de carne e osso sem qualquer luz de esperança ao fundo do túnel. E aqui o único responsável é, na realidade, Barbara Loden que veste a pele da protagonista de forma sublime e filma a dor e a angústia sem qualquer rasgo de esperança, porque o mundo é cruel para os que não se integram na sociedade ou são expulsos por ela.

Barbara Loden, após a feitura de “Wanda”, viu mais uma vez as portas fecharem-se-lhe no rosto, ela era/é uma cineasta inconformada e as feridas que mostrava o seu filme deviam permanecer invisíveis. Por esta mesma razão, o seu projecto seguinte de passar ao grande écran o romance de Kate Chopin,“The Awakening”, nunca viu nascer a luz do dia. Depois a doença decidiu tomar conta do seu corpo e embora tenha realizado duas curtas-metragens cinco anos depois (“The Frontier Experience” e “The Boy Who Loved Deer”), viria a morrer em 1980 sem nunca ter visto seu filme “Wanda” estreado comercialmente nos Estados Unidos. Descobrir “Wanda” é obrigatório para todos aqueles que gostam de cinema, ao mesmo tempo que prestamos uma justa homenagem a uma cineasta chamada Barbara Loden.

Por Rui Luís Lima e Paula Nunes Lima em A Memória do Cinema

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(Todas as Informações , inclusive o rip foram retirados do post do usuário guilherme giorgio do MKO)

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