Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

sábado, 23 de outubro de 2010

456. MASCULINO-FEMININO (1966)

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Paul tem 21 anos. Tendo acabado de prestar o serviço militar, ele é um jovem tímido, desajeitado, mas preocupado em se integrar, um idealista simpatizante do movimento contra a guerra do Vietnã.Seu amigo Robert, é politicamente engajado, seguro da legitimidade de suas convicções, militante entusiasta que só se acha à vontade com aqueles que, como ele, pretendem mudar o mundo.
Madeleine, que deseja tornar-se cantora, tem a mesma idade dos dois rapazes. Ela é um produto perfeito da sociedade de consumo, seguindo cegamente todas as modas e solicitações do meio em que vive. Elisabeth parece um pouco com Madeleine, de quem tem ciúmes principalmente pela atração que ela exerce sobre os rapazes. Catherine-Isabelle tem um posicionamento próximo ao de Robert, que se sente atraído por ela. Mas é Paul quem a atrai, embora este só tenha olhos para Madeleine.
Esses jovens, 'filhos de Marx e da geração Coca-Cola', confrontam-se com os problemas do mundo dos anos anos 60: a violência cotidiana, a guerra do Vietnã, a revolução sexual, o racismo, a confusão dos valores.

Premiações
No Festival de Berlin em 1966 ganhou o Interfilm Award - Menção Honrosa, O Urso de prata para Jean-Pierre Léaud como Melhor Ator, o Youth Film Award e ainda Jean-Luc Godard recebeu a indicação ao Leão de Ouro.

Crítica (Excelente por sinal...)
"Sento-me para escrever sobre MASCULIN, FÉMININ: 15 FAITS PRÉCIS e j´hesite.., j’hesite… E faço-o porque me dou conta que já estou mais próximo dos 34 de Godard quando realizou o filme, do que dos 21 de Léaud quando nele participou, que é como quem diz, mais próximo da celebração de uma juventude do que da própria juventude. E essa não é sensação vã, mas sim determinante na forma de tomar o pulso à habitualmente rica cartografia histórica e artística que define a obra do realizador francês. Mas também importante ao evitar colocar na sombra o prolongamento emocional, a identificação, como tarefa de coração do espectador.

O ano de 1965, prolífico, aliás como o viriam a ser todos os da década para Godard, viu o produtor Anatole Dauman encomendar um filme de tom “erótico” a Godard para servir de acompanhamento ao relançamento de um filme de Astruc. Influências iniciais a este filme, propostas pelo produtor, foram: A FILOSOFIA NA ALCOVA de Sade e o conto LE SIGNE de Maupassant, conto que Godard já tinha adaptado em 1955, uma curta de 10 minutos rodada em 16mm chamada UNE FEMME COQUETTE. Godard decidiu abandonar o texto de Sade e juntar outro conto de Maupassant, LA FEMME DE PAUL. Estas fontes combinaram-se com a vontade do cineasta fazer um filme sobre jovens de esquerda e jovens de direita. A ideia que tinha tido inicialmente era uma mulher com influências revolucionárias e um jovem permeável às indústrias de consumo. Ainda que sem provas palpáveis, o recente divórcio de Ana Karina e o exercício de dura redenção que foi PIERROT, LE FOU, erá provavelmente estado na origem da ideia de Godard ter trocado os papéis. Assim, em MASCULIN, FÉMININ, Paul (Léaud) é o jovem de esquerda e Madeleine (Chantal Goya) a rapariga capitalista.

E desse fundo erótico, sobrou, ou antes, cresceu, uma reflexão de género que é, ela própria, determinada pelo comentário crítico a uma sociedade política francesa mas também ocidental. A guerra do Vietname, a beat generation, os métodos contraceptivos, as eleições francesas, os filhos perdidos entre “Marx e a Coca-Cola”. Este retrato surge na sociedade francesa como presente envenenado. Se por um lado era uma afirmação de vitalidade e manifesto de identificação com uma geração de jovens intelectuais franceses que era crítica do establishment, que era “à part”; por outro, o veneno vinha da ironia de Godard, das raparigas desmioladas e dos rapazes agitados mas inconsequentes (Philippe Garrel, jovem à data não se terá revisto nesta “acusação” e terá rejeitado o filme). Mas parece-me que ao olhar de hoje, essa ironia bem-disposta, sinal de maior juventude de todo o filme, é a razão de MASCULIN, FÉMININ: 15 FAITS PRÉCIS continuar a ser um dos filmes mais bem-amados de Godard de entre os seus filmes mais bem-amados que reconstruíram os filmes e género de Hollywood à luz da critica vigente ao esprit du temps e liberdade poética e estilística.

Mas comecei por advertir quando aos perigos de nos perdermos na leitura intelectual e história(s) de masculino feminino de Godard. É que essa ironia, esse comentário político, essa visão sociológica do que é ser masculino e do que é ser feminino, convergem num único facto preciso: a conversão do mundo, todo, febrilhante, numa visão ímpar do cinema. A atestá-lo, três exemplos.

Um. Os suicídios/homicídios de MASCULIN, FÉMININ. Os “mortos” de uma revolução ideológica, funcionam como uma espécie de punch line para um espaço performativo que é a França de 66 e a câmara de Godard nessa França de 66.

Dois. A cena em que Paul fala com o seu amigo Robert na lavandaria sobre a sensação de estar a ser perseguido, jump cuts utilizados e... não importa por quem. Apenas a sensação.

Três. A conversão de Paul repórter em realizador de inquéritos. Godard, pondo a câmara de um só lado, num olhar “veja-se a si próprio e como se apequena” criou escola no documentário e popularizou a forma dos inquéritos de rua nos programas de televisão. Já na recusa do campo contra campo no início do filme, Godard mostra menos um diálogo entre um homem e uma mulher e mais uma confissão entre um e outro. Uma confissão que tem de pedir para que se olhem nos olhos. Um do outro, não nos nossos, diz o cinema."

por Carlos Natálio no Blog Ordet

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455. PERSONA (1966)

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Uma atriz teatral de sucesso sofre uma crise emocional e emudece. Para se recuperar, parte para uma casa de campo, sob os cuidados de uma enfermeira, que a admira e tenta compreender a razão de seu silêncio. Isoladas, as duas mulheres desenvolvem uma relação de forte intensidade emocional.
A impressionante seqüência inicial, as atuações viscerais de Bibi Andersson e Liv Ullman, a brilhante direção de Bergman fazem de Persona uma experiência cinematográfica fascinante e inesquecível.

Premiações
- Indicado ao Bafta de Melhor Atriz (Bibi Andersson)
- Vencedor dos Prêmios Guldbagge de Melhor Atriz (Bibi Andersson) e Melhor Filme
- Vencedor dos Prêmios da Sociedade Nacional dos Críticos de Filmes (NFSC), EUA, de Melhor Atriz (Bibi Andersson), Melhor Diretor (Ingmar Bergman) e Melhor Filme

Crítica
Deixado de lado o título brasileiro original que sempre foi considerado ridículo, "Quando Duas Mulheres Pecam". É um dos grandes filmes do mestre Ingmar Bergman, notável em vários aspectos, inclusive por ter sido o primeiro trabalho com sua então nova mulher, a atriz norueguesa Liv Ullman, que seria sua parceira em algumas outras obras primas e com quem trabalha até hoje.
Começa de forma inesquecível (e original na época) mostrando o processo de projeção de um filme com um velho cartão queimando, o fotograma, o desenho animado, o filme antigo e mudo, a morte da ovelha (meio Buñuel), a mão pregada na cruz como Cristo. Deixando claro que é cinema. A seguir, as primeiras imagens são cadáveres. Mas um menino magro (o mesmo ator de "O Silencio") acorda e coloca o óculos para ler um livro, depois vê a câmera, que se torna o rosto de uma mulher (provavelmente seria o filho dela no útero, esperando para nascer). Entram os letreiros todos vanguardistas, predominando o branco, repetindo imagens que já vimos.
A historia começa com uma porta se abrindo e entrando a enfermeira Alma (Bibi Andersson). Bergman disse que concebeu o filme depois de perceber que a semelhança entre as atrizes Bibi (que também havia sido sua namorada) e Liv. É bem descrito pelo trailer original americano que diz que "Persona" "é o reconhecimento da nossa terrível solidão, nossa singularidade, nossa inabilidade de se comunicar com os outros. É uma confissão de nossos medos, do homem,do fracasso, da morte. É o drama do desespero, o silencio, o terror indescritível da vida em todos os aspectos. É um drama da sensibilidade da pele, de rostos e palavras não entendidas. Persona é uma ilusão estiçalhada,uma vitória sobre o silencio".
Popularizou o termo Persona que é o nome da máscara teatral greco-romana e, por extensão, também as mascaras que usamos na vida profissional ou pessoal. Um dueto para as duas atrizes emolduradas pela fotografia genial de Sven Nykvist. Rodado na própria casa e ilha do diretor, em Faro. Bibi fala o tempo todo e Liv diz apenas uma única palavra, "nada".

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

454. QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF ? (1967)

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O estreante diretor Mike Nichols fez um excelente trabalho ao levar o roteiro adaptado da peça de Edward Albee para as telonas. Elizabeth Taylor e Richard Burton dão vida a Martha e George, um casal de meia-idade que vivem num mundo de ironia e sarcasmo, e que aproveitam da visita de outro casal para colocar os “pingos nos is” na sua relação.
Em meio a álcool e ofensas, o casal começa a se despir (metaforicamente falando) de todos os pudores e ilusões, fazendo com que a gente perceba o quanto se esconde debaixo do tapete de casamentos por conveniência. Anos de hipocrisia vão aparecendo, até que a mais grave das ilusões é desvendada.

Curiosidades
- Estréia de Mike Nichols na direção. - Este é o 4º de 11 filmes em que Richard Burton e Elizabeth Taylor trabalham juntos. Os demais foram Cleópatra (1963), Gente Muito Importante (1963), Adeus às Ilusões (1965), A Megera Domada (1967), Dr. Faustus (1967), Os Farsantes (1967), Homem que Veio de Longe (1968), Ana dos Mil Dias (1969), Unidos pelo Mal (1972) e Divórcio Dele, Divórcio Dela (1973).
- O personagem Nick chegou a ser oferecido ao ator Robert Redford, que recusou o papel.
- A atriz Sandy Dennis, que estava grávida durante as filmagens de Quem Tem Medo de Virginia Woolf? , teve um aborto espontâneo bem nos sets de filmagens.
- Todos os integrantes do elenco de Quem Tem Medo de Virginia Woolf? foram indicados ao Oscar. O único filme que repetiu esta façanha foi Trama Diabólica (1972).
- O autor da peça desejava Bette Davis e James Mason para os papéis principais, tanto que escreveu uma fala (What a dump!) para o personagem Martha retirada do filme Beyond the Forest, de 1949, interpretado por Davis.
- O nome da peça parodia a célebre canção infantil Quem tem medo do lobo mau? (Who's Afraid of the Big Bad Wolf?) do desenho animado da Disney, Os Três Porquinhos.
- O filme foi realizado na época em que Elizabeth Taylor e Richard Burton eram casados na vida real e os rumores são de que o casal talvez tenha se inspirado nas suas brigas e bebedeiras para interpretar com maestria os protagonistas.

Premiações
*Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Atriz (Elizabeth Taylor)
Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Sandy Dennis)
Oscar de Melhor Direção de Arte
Oscar de Melhor Fotografia
Oscar de Melhor Figurino
*Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Filme
Prêmio de Melhor Ator Britânico (Richard Burton)
Prêmio de Melhor Atriz Britânica (Elizabeth Taylor)
*Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA
Prêmio de Melhor Atriz (Elizabeth Taylor)
Foi ainda Indicado ao Oscar de Melhor Filme ,Melhores Efeitos Sonoros, Melhor Trilha Sonora ,Melhor Edição ,Melhor Ator Coadjuvante (George Segal) ,Melhor Ator (Richard Burton) ,Melhor Roteiro Adaptado ,Melhor Direção (Mike Nichols).
Também Indicado ao Prêmios Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama ,Melhor Ator Coadjuvante (George Segal) ,Melhor Roteiro ,Melhor Direção (Mike Nichols) ,Melhor Atriz em um Drama (Elizabeth Taylor) ,Melhor Ator em um Drama (Richard Burton) e Melhor Atriz Coadjuvante (Sandy Dennis)

O Filme ocupa o 67° Lugar na lista dos 100 Melhores Filmes Americanos segundo a AFI.

Crítica
"Mike Nichols teve a inteligência básica de não complicar, e soube fazer um filme totalmente carregado de diálogos ficar interessante e dinâmico. O primoroso trabalho de fotografia do Haskell Wexler também ajudou bastante, o preto e branco do filme é lindíssimo... já tinha visto esse filme anos antes, e tinha a noção errada de que o filme era meio "pobre" visualmente, mas não é nada disso, a memória prega peças na gente, às vezes.

Logo, esse filme é fortemente baseado no roteiro e, também, nas interpretações. Pausa para falar das interpretações. É possível que seja o conjunto de interpretações mais brilhante a atuar em um filme... talvez apenas "Uma rua chamada pecado", com Marlon Brando, Vivien Leigh e grande elenco, sejam da mesma excelência artística. Elizabeth Taylor, Richard Burton, Sandy Dennis e George Seagal dão um show do começo ao fim, é de ficar com a boca aberta. Elizabeth Taylor, então, está fenomenal, sendo sempre fantástica em toda a gama de emoções de seu grande papel: Ela é agressiva, bruxa, carente, frágil, estúpida, bêbada, violenta, chorosa... é uma aula de interpretação pelo preço de uma locação (eu recomendo comprar o filme...). Está gorda nesse filme, não está nem um pouco bonita, e isso foi fundamental para sua personagem. De deixar embasbacado mesmo, deve ter ganho o oscar por unanimidade. Richard Burton também está magnífico, sempre variando entre agressor e agredido, com sua inteligência privilegiada. Mesmo George Seagal e Sandy Dennis estão ótimos, seus papéis são riquíssimos, cheios de nuances (principalmente o de Sandy Dennis)... esse é o tipo de filme que demanda que o assistamos várias vezes, para podermos pegar todos os detalhes dele (o roteiro é, por vezes, razoavelmente enigmático). Aliás, deveria ser até proibido se assistir esse filme uma vez só...

"Quem tem medo de Virginia Wool?" é um filme pesado, agressivo, carregado, que definitivamente não é para todos os gostos. Quem gosta só de filmes levinhos deve ignorar totalmente os meus elogios, já que provavelmente detestaria esse filme. É um filme tão tenso e ousado, que no final do filme estamos tão cansados e extenuados como os personagens, depois daquela noite terrível... sentimos como se estivésssemos mesmo no meio daquele fogo cruzado de alto nível. Várias vezes me ajeitei na cadeira, como se fosse eu o próximo a ser debochado! Aliás, esse filme foi o que praticamente botou a pá de cal no Código Hayes, já que Mike Nichols e Edward Albee acabaram conseguindo (depois de muita luta) manter todo o teor da peça no filme (palavrões inclusive). Depois disso a abertura total veio de roldão, beneficiando vários filmes: Porteira que passa boi, passa boiada..."
por Marcelo Renno - Movieland

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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

453. NO CALOR DA NOITE (1967)

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Ao viajar ao sul do país, Virgil Tibbs, um detetive negro do departamento de homicídios da Philadelphia, acaba involuntariamente envolvido na investigação do assassinato de um importante empresário local, sendo primeiramente acusado do crime e depois convidado a solucioná-lo. Encontrar o assassino torna-se particularmente difícil pois seus esforços são constantemente boicotados pelo preconceituoso Delegado local(Steiger). Mas nenhum dos dois pode resolver este caso sozinho e, colocando de lado suas diferenças e preconceitos, unem forças em uma corrida desesperada contra o tempo que os levará a descobrir a chocante verdade.

Premiações
*Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Filme
Oscar de Melhor Roteiro Adaptado
Oscar de Melhor Ator (Rod Steiger)
Oscar de Melhor Edição
Oscar de Melhores Efeitos Sonoros
Indicado ainda ao Oscar de Melhor Direção (Norman Jewison)e de Melhores Efeitos Sonoros.
*Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Ator Estrangeiro (Rod Steiger)
Prêmio Nações Unidas (Norman Jewison)
Indicado aos Prêmios de Melhor Filme e de Melhor Ator Estrangeiro (Sidney Poitier)
*Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA
Prêmio de Melhor Filme
Prêmio de Melhor Ator (Rod Steiger)
*Prêmios Globo de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Filme - Drama
Prêmio de Melhor Roteiro
Prêmio de Melhor Ator em um Drama (Rod Steiger)
Indicado aos Prêmios de Prêmio de Melhor Direção (Norman Jewison), Melhor Ator em um Drama (Sidney Poitier) e Melhor Atriz Coadjuvante (Quentin Dean, Lee Grant)

Curiosidades
- Este é o 1º de 3 filmes em que o ator Sidney Poitier interpretou o personagem Virgil Tibbs. Os demais foram Noite Sem Fim (1970) e A Organização (1971).
- No Calor da Noite foi o 1º filme com classificação de censura PG a ganhar o Oscar de melhor filme.
- Rod Steiger recebeu a sugestão do diretor Norman Jewison de mascar chiclete sempre que estivesse em cena. Inicialmente Steiger relutou à idéia, mas terminou por aderi-la. Durante as filmagens ele mascou 263 chicletes.
- A cena feita na casa do xerife Bill Gillespie foi feita de improviso pelos atores Sidney Poitier e Rod Steiger.
- O orçamento de No Calor da Noite foi de US$ 2 milhões.

Crítica
Apenas a introdução de In the heat of the night é suficientemente poderosa para ganhar o espectador acima da média. Com uma fotografia esplendorosa, exibe um trem chegando a uma cidade em meio a neblinas e luzes suaves. Logo depois saberemos que a cidade chama-se Sparta, no estado do Mississippi, e nela desembarca Virgil Tibbs (Sidney Poitier – primeiro negro a ganhar o Oscar de melhor ator principal), um especialista em homicídios que se envolverá na investigação do assassinato de um importante e ousado (no sentido social) empresário local, que acabara de ser encontrado morto pelo policial Sam Wood (Warren Oates).

Tibbs não havia sido convocado para participar do caso – é, na verdade, algemado por Wood à espera do trem que o levaria de volta à Filadélfia após simples visita à mãe: sua suspeita baseia-se unicamente no fato de ser um negro próximo ao local do crime. É levado à delegacia (chefiada por Bill Gillespie, em atuação de Rod Steiger) e, após as ofensas “naturais”, revela sua ocupação sob os olhares surpresos dos seus “colegas de profissão”.

Em poucos minutos de filme, já estão expostas as várias mazelas sulistas, que vão além do racismo secular – passam por ineficiência na Justiça, irresponsabilidade na averiguação dos fatos, baixos investimentos no combate ao crime, escassa qualificação técnica e educacional – e, nesse aspecto, a principal denúncia do filme reside na discreta, porém sempre alarmante, comparação entre o Norte e Sul dos Estados Unidos – uma discrepância que precisa ser urgentemente combatida.

Em In the heat of the night é um negro, proveniente do norte, que lidera o combate (por ser o melhor especializado dentre todos), não a uma realidade geral, mas a um caso específico que expõe, em apenas alguns dias, várias deficiências históricas que persistem. Mas este não é um filme “de denúncia”, ainda que esta seja parte relevante dele. É, antes de tudo, uma sensacional narrativa policial e também um noir moderno: os fatos estão embaçados e, a qualquer momento, uma reviravolta pode surgir indicando um contorno diferente ao desfecho – ainda que exista uma ligação “maior” entre eles, a realidade sulista .

Dirigido por Norman Jewison, vencedor de cinco Oscar, com trilha sonora de Quincy Jones e música-tema de Ray Charles, In the heat of the night é uma obra que se eleva ao entretenimento que possui: é poderosa por apresentar várias camadas, desde o aspecto cinematográfico pulsante (que seria ainda mais explorado nos filmes policiais setentistas) à importante essência temática.

Fonte: Alexandre Carneiro - Cineplayers

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sábado, 16 de outubro de 2010

452. O SEGUNDO ROSTO (1966)

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Arthur Hamilton (John Randolph) é um homem de meia idade, vice-presidente de um banco, que vive com a esposa numa confortável casa de subúrbio. Insatisfeito com sua vida, contrata uma empresa especializada em "renascimentos". A organização forja sua morte e, após determinados procedimentos cirúrgicos, faz com que ele renasça na figura de Anthiocus Wilson (Rock Hudson), um pintor de sucesso. Renovado por fora, Hamilton (ou Wilson) enfrentará o desafio da segunda chance.

Premiações
Indicado ao Oscar de Melhor Fotografia em 1967 e Indicado ao Palma de Ouro no mesmo ano no Festival de cannes.

Crítica - 50 Anos de Filmes

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

450.AS PEQUENAS MARGARIDAS (1966)

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Sob o bombardeio de um velho mundo dominado por forças masculinas e engrenagens vermelhas de liberdades impossíveis, surgem duas jovens moças em cores berrantes resmungando sobre os dilemas da vida. Dedo no nariz, nota torta no trompete, uma parede em ruínas desaba. A conclusão do papo detona a anarquia que se estende por cada imagem do filme tcheco Daisies: “se tudo vai mal no mundo, também seremos más.”
Fonte: portal rock press

Curiosidade
Incomodado pelo desperdício de comida nas seqüências onde Marie I e Marie II se refestelam, o Governo da antiga Tchecoslováquia impôs sérias perseguição à fita.

Crítica
Parte da extinta Cortina de Ferro, a Tchecoslováquia dificilmente veria sua excelente produção cinematográfica exposta à avaliação Ocidental, como bem faria jus esta legítima expressão de vanguarda assinada por Vera Chytlová em 1966. Com o beneplácito dos pouquíssimos privilegiados que puderam assistir a As Pequenas Margaridas (Sedmikrasky) por meio dos cineclubes, o filme acabou inspirando até à detestável geração de produtores de videoclipes para a MTV norte-americana. O detalhe é que na época da filmagem, artifícios como colorização de fotogramas, sincronismo perfeito de cenas e uso de trilha-sonora concretista, sequer sonhavam com o advento do computador.
Por esse detalhe, Daisies ainda intriga aos pesquisadores de Cinema, impressionados com sua técnica transgressora, tanto em narrativa (?) como nos recursos cenográficos utilizados. Chytilová trabalha sobre uma metáfora feminista centrada em duas entidades anarquistas interpretadas pelas excelentes Marie Cesková e Jitka Cerhová. O filme transcorre numa seqüência absurda de sketches interligados por elipses provocadas pelos próprios personagens, todas a partir de atos propositalmente banais (a queda de um candelabro, o esvoaçar de uma coroa de flores). Os diálogos, por sua vez, destilam um tipo de ironia difícil de ser suportada pela mentalidade da mulher como “caça” do macho. Chytilová inverte os papéis e faz com que Marie I e Marie II enfileirem uma seqüência de vítimas atoleimadas, conduzidas a almoços e jantares nababescos. Quase todos terminam em patética despedida na estação de trem de Praga. Homens, por sinal, são tratados com total desprezo pelas duas jovens, uma loura, outra do tipo eslavo, numa série de situações que beiram a escatologia.Admiravelmente bem conduzida, a sonoplastia funciona no papel de complemento às gags tratadas com rigor plástico baseado em ampla signagem cromática: quando conversam, Marie II e Marie I motivam a acelaração do ritmo da montagem, sempre num crescendo emotivo de conseqüências imprevisíveis; outras vezes, a relação tempo-espaço -absolutamente caótica- fica presa por um fio ao capricho narrativo do texto, porém sem que se comprometa o discurso pretendido pela realizadora. Sedmikrasky, transgressor e visionário como fora concebido, chegou ao status de “cult”, merecendo modesta edição em DVD pela independente Facets Video depois de anos no underground. Muito superior às patuscadas de Richard Lester e a meio mundo “freak” tido como genial à mesma época do seu lançamento.

fonte: fatorh.blogspot

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Todas as informações do post foram retirados da postagem do usuário lllTgolll do MKO (obrigado)