Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, 1001 filmes para ver antes de morrer inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos. Mais de 50 críticos consagrados selecionaram 1001 filmes imperdíveis e os reuniram neste guia de referência para todos os apaixonados pela sétima arte.

Ilustrado com centenas de cartazes, cenas de filmes e retratos de atores, o livro traz lado a lado as obras mais significativas de todos os gêneros - de ação a vanguarda, passando por animação, comédia, aventura, documentário, musical, romance, drama, suspense, terror, curta-metragem ficção científica. Organizado por ordem cronológica, este livro pode ser usado para aprofundar seus conhecimentos sobre um filme específico ou apenas para escolher o que ver hoje à noite. Traduzido para 25 línguas e com mais de um milhão de exemplares vendidos, "1001 filmes para ver antes de morrer" inclui obras de mais de 30 países e revela o que há de melhor no cinema de todos os tempos.
É claro que eu, amante das duas coisas Sétima Arte e Listas , não podia deixar passar a oportunidade de trazer para vocês a lista dos filmes e os respectivos links na nossa querida mulinha que vai trabalhar sem parar por um bom tempo...rsrsrs
Lembrem-se que as datas e traduçoes dos títulos dos filmes segue a lista do livro e não do IMDb.
Sempre que necessitarem de fontes na mula é só solicitar. Abraços a todos.

NOSSOS DIRETORES

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

305. UM CONDENADO À MORTE ESCAPOU (1956)

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Baseado na história do ativista da resistência francesa Andre Devigni, que acaba preso durante a ocupação alemã na França e é condenado à morte. O que alimenta sua esperança é a preparação de um plano para fugir do seu destino.

Crítica
Quando ouvimos termos como “ode à liberdade” vemos paisagens com elementos naturais, o céu, o mar, as montanhas, e sentimos, decerto, até a brisa do vento como fossemos pássaros cujo destino é onde a vontade e o desejo levem. Ou vemos pessoas, circulando por todos os lados, num fluxo contínuo na qual, nós mesmos, nos perdemos anonimamente. Observarmos, num e noutro caso, antes de tudo, o movimento, serenos ou rápidos, da vida. É aqula ausência de responsabilidades, sem amarras

No entanto, “Um condenado à morte escapou” de Robert Bresson, é diametralmente o oposto daquelas imagens. Também ode à liberdade, é realizada dentro de uma prisão nazista, onde os prisioneiros não podem conversar, sequer olhar para os companheiros, todos à espera de seu veredito, em regra, a morte. Tudo é árido, especialmente na cela onde o protagonista, André Devigni, passa a maior parte do filme, num regime de rigor extremado; há até mesmo escassez de diálogos, e quando, em dado momento, aparece um companheiro de cela, ficam a dúvida se não se trata de um nazista infiltrado. O titulo sugere tudo o que nos é mostrado numa história baseada em livro ( e também no passado real pois o próprio Bresson esteve preso por mais de um ano em razão da resistência ao nazismo).

Mas, à essa espera da morte e com várias idéias fatalistas cruzando no monólogo interior do personagem, Robert Bresson nos mostra que a luta pela vida se impõe. Apesar de ser um dos melhores dramas já mostrados, pode se assistir a esta película como uma aventura, não daquelas românticas, mas da aventura do real, do trabalho meticuloso da fuga numa situação extrema. O filme é essa construção e o que vemos são cenas de uma perfeição raras vezes vista.

Rigor e formalismo são a essência do cinema de Bresson que se expressam através de seu minimalismo, onde nada, nenhuma cena, sobra. O cinema, segundo Bresson, é um movimento interior e, deste modo, antes de minimalista, podemos afirmar que é essencialista, uma vez que trata dos valores fundamentais mas que só se revelam quando postos em cheque, quando nos vemos enclausurados por qualquer dessas estruturas do poder, seja ela qual for. Há, no processo meticuloso e planejamento e execução da fuga, mais que motivações idealistas: a busca da liberdade para Bresson é sobretudo espiritual ainda que, para atingi-la, se enfrente os riscos da morte e os muros de concreto. Filme francês essencial e ótima chance para resgatar esse grande cineasta que foi Robert Bresson.

por Edson Kyo em kynemafylmz

Premiações
Em 1957 Ganhou o premio de Melçhor Diretor em Cannes e foi indicado ao Palma de Ouro no mesmo ano, também indicado ao BAFTA de Melhor Filme em 1958.

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Un.Condamné. à.Mort.S'est.Échappé.(aka.Le.Vent.Souffle.où.il.Veut).(1956).DVDRip.DivX3.cd1.avi
Un.Condamné. à.Mort.S'est.Échappé.(aka.Le.Vent.Souffle.où.il.Veut).(1956).DVDRip.DivX3.cd2.avi

Legenda (PTBR e ENG)
Un.Condamné. à.Mort.S'est.Échappé.(aka.Le.Vent.Souffle.où.il.Veut).(1956).DVDRip.DivX3.srt
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

304. RASTROS DE ÓDIO (1956)

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Um veterano do exército confederado, volta para a casa de seu irmão após anos de luta no exército americano. Logo após sua chegada, a casa é atacada por índios, que matam seu irmão, cunhada, sobrinhos e raptaram sua sobrinha. A partir daí ele e um sobrinho adotado começam uma caçada que dura anos a procura de sua sobrinha caçula, e dos índios que a seqüestraram.

Crítica
"Rastros de Ódio" é considerado por muitos críticos o maior filme que John Ford já realizou. Pessoalmente, considero este e "No Tempo das Diligências" de 1939, suas maiores realizações. Porém temos de considerar que "Rastros de Ódio" é uma obra muito mais madura de Ford, e uma espécie de síntese da carreira vitoriosa no cinema, de um homem que praticamente criou e consolidou um gênero: o Western.

Existem vários aspectos a serem abordados neste filme. A princípio a trama é absolutamente comum, os índios vilões, contra o americano herói. Mas com um olhar mais aprofundado neste filme, percebemos muitas sutilezas que Ford quis mostrar. Primeiramente na construção do personagem Ethan, interpretado por John Wayne. Ford constrói um homem sério, destruído, amargurado, um verdadeiro soldado americano, que não permite para sí mesmo a idéia da derrota, já que perdeu a Guerra Civil, mas nunca vai perder a noção de honra e dever.

Percebemos isto logo no começo do filme. Quando os índios vão atacar, e o Reverendo local faz Ethan jurar obediência a ele, para combaterem os Comanches, Ethan logo diz : "Já fiz um juramento a Federação".

Outro personagem interessante de ser comentado é Martin, filho adotado do irmão de Ethan. Na verdade foi este que o salvou muitos anos atrás em um ataque de índios na casa de sua verdadeira família. Martin na verdade é um mestiço, fato que causa em Ethan um certo desprezo, mas é ele que parece estar mais preocupado em encontrar sua meio irmã, Debbie, mais preocupado do que o verdadeiro tio, que demonstra estar mais interessado em matar os índios, e até mesmo matar a sua sobrinha se esta tiver, através do tempo, assimilado a cultura indígena, e ter se transformado em índia também. Mas é com um mestiço, que ele próprio salvou tempos atrás, que durante 5 anos eles vasculham todo o deserto à procura de sua sobrinha. Seria tudo isto um castigo para Ethan que no passado abandonou sua família para se alistar no exército. Esta brilhante construção central dá a tônica principal ao filme.

A construção dos personagens femininos também é muito interessante, Ford deixa transparecer que naquela época só as mulheres sabiam ler. As diversas cartas que Martin manda para Laurie, sua namorada, nunca é lida por nenhum homem. Ou seja enquanto os homens trabalhavam para a construção de um oeste forte e soberano, as mulheres iam para a escola. A própria mãe de Laurie diz em um certo momento que são elas que dão força e sustentação para a construção do Texas. Outro aspecto a ser abordado é a espera de Laurie durante anos, aguardando a volta de Martin, até que um dia ela se cansa de esperar, e se casa com outro, deixando transparecer que muitas mulheres tiveram que passar por isso na época, principalmente aquelas que tinham seus namorados, ou maridos alistados no exército da Federação.

Ford constrói também um personagem com problemas mentais, mas que na verdade é o mais lúcido naquele meio, e que consegue prever tudo o que vai acontecer antes de todo o mundo, como um cego que tudo vê. Cabe também uma análise sobre o papel do índio no filme. Ford não os trata só como os vilões da trama, tanto que em um determinado momento Debbie, agora já transformada em índia, diz ter muito orgulho de ser o que é. Mesmo assim os índios são vistos como vilões, e transmitem raiva para o público. Apesar desta questão, entre brancos e índios, ser secundária, o que importa mesmo é abordar bem a amargura de Ethan. Não podemos esquecer também que a região que se passa o filme era uma região de muitas mistura de raças, índios, mexicanos e americanos, e aquele, era o momento decisivo de consolidação do território.

A meia hora final é cheia de reviravoltas e cenas de grande impacto. Com o tempo Ethan começa a adquirir carinho e respeito por Martin, tanto que faz um testamento onde deixa todo o seu dinheiro para Martin após sua morte. Outra cena belíssima é o momento do encontro entre Martin, Ethan, e Debbie. Ethan percebe que esta se transformou em uma índia e resolve matá-la, Martin se põe na frente da meia irmã impedindo, Debbie sai correndo, Ethan vai atrás até que ela escorrega e cai. O tio olha bem para ela e, ao invés de atirar, a pega no colo e diz "Let’s go home, Debbie". Este é, sem dúvida, um dos mais belos planos do cinema . A cena final é um daqueles raros momentos de beleza que só o cinema pode proporcionar. Ethan vai partir, mas antes se vê Martin com Laurie e Debbie. Neste momento a camêra vai para dentro da casa, e mostra Ethan de costas partindo, se afastando; ele hesita um pouco como se quisesse também integrar-se ao conforto daquela ordem, que ele sabe com que preço foi restaurada. Mas logo, Laurie e Martin, entre beijos de namorados, pedem passagem; Ethan cede o passo e eles entram. Novamente só, Ethan contempla da entrada da varanda a harmonia restabelecida. Dá meia volta. O seu futuro é permanecer na paisagem, é dissolver-se na luz vermelha do Monument Valley. O guerreiro jamais ficará em paz com a sua guerra. A vida dele não era ficar alí, ele já tinha cumprido sua missão e, se tinha alguma dívida, já havia pago. Agora só resta partir, deixando alí as sementes para a continuação da história do Oeste.

A música de Max Steiner e a bonita fotografia de Winton C. Hoch pelo processo VistaVision, tirou o máximo proveito das belas locações no Monument Valley, cenário favorito de Ford, e colaboram muito para a força do filme. Apesar de mal recebido na época do lançamento, ele conseguiu se impor através dos anos, e hoje figura como um dos mais perfeitos retratos da solidão e amargura humana. Ethan é um herói romântico castigado pelo seu destino de perdedor. Não tem recursos para se agregar a nova sociedade que então se molda, permanece à margem, escorado num código moral primitivo, é um selvagem, ainda que vista a roupa dos brancos. É uma espécie de Ulisses que não pode voltar para casa depois de ter perdido a Guerra Civil, derrota que jamais aceitará.

Martin, um mestiço de branco com índio que foi salvo ainda menino por Ethan, assume a função de domar o bicho John Wayne, valendo-se seja da sensibilidade dos brancos, seja da sensibilidade dos índios, de que só ele dispõe.
Artigo de Carlos Augusto Calil para a Folha de São Paulo no dia 29/01/95

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

303. A HARPA DA BIRMÂNIA (1956)

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Uma tropa, liderada por um capitão apaixonado por música, e que ensinou seus comandados a cantar, entrega as armas para os ingleses já quase na fronteira com a Tailândia depois de terem notícias do fim da guerra. A um dos soldados, o harpista, é delegado uma tarefa inglória: subir até uma montanha nas redondezas e convencer os demais soldados a abandonarem os postos e se entregarem. Chegando lá, é mal compreendido (acusado de traição) e, frente à continuação dos ataques, são todos massacrados pelos canhões britânicos. O harpista escapa roubando as roupas de um monge.

Crítica
Ichikawa fez parte de um grupo de cineastas japoneses que, nos anos 50 e 60, ajudaram a projetar o cinema do país em todo o mundo ao modernizar a maneira de filmar, associando técnicas narrativas ocidentais e abandonando as tradicionais formas de interpretação dos atores, vindas do teatro kabuki e Nô. São os chamados “sete samurais” do cinema, referência ao filme de Akira Kurosawa, ele próprio um dos cavaleiros – os demais são, além de Kurosawa e Ichikawa, Mikio Naruse, Masaki Kobayashi, Hiroshi Teshigahara, Hideo Gosha e Kihachi Okamoto.

O que fez de A Harpa da Birmânia um filme clássico no ocidente, além das inovações técnicas, é mesmo a cativante história do harpista desgarrado de seu grupo que, quando tem oportunidade de se juntar a eles novamente, face ao terror da guerra, opta por tornar-se um monge budista e cultuar a memória dos mortos. Sozinho, ele queima e enterra boa parte de seus conterrâneos que estavam sendo devorados ao léu pelas aves de rapina. Ele lhes dá um fim digno, apesar de ter sido humilhado e quase morto por eles. (O roteiro é de Natto Wada, mulher de Ichikawa, que escreveu o roteiro de seus melhores filmes até 1965.)

A Harpa da Birmânia (no original, Biruma no Tategoto) já foi lançada no Brasil com o nome de “Jamais Deixarei os Mortos”. É um filme pacifista que explora por meio de delicadas metáforas os efeitos da dominação ocidental no Japão pós-guerra e as dores causadas pelas perdas no conflito. Fala de um tempo de exceção em que culturas, religiões, países e raças perdem o sentido de serem assim divididos, pois talvez a divisão tenha sido feita apenas para fins de segregação e destruição.

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302. PLANETA PROIBIDO (1956)

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Inspirado na peça A Tempestade, de William Shakespeare, o filme conta a história de uma expedição terrestre para verificar uma colônia de cientistas em um planeta distante. No local eles encontram dois sobreviventes: o Dr. Morbius, que dobrou seu intelecto com o uso de tecnologia alienígena, e sua filha. Os demais foram atacados por uma força oculta e vagam pelo planeta.

Curiosidades
* O robô Robby fez uma participação especial no episódio 20 ("Guerra dos Robôs") da primeira temporada da série Perdidos no Espaço (Lost in Space), como um personagem diferente. O Robô da série foi diretamente inspirado nele. Apareceu rapidamente no filme Gremlins de 1984, em três episódios da série The Twilight Zone, em um episódio de Columbo, e outro de Mork and Mindy.
* O aço adamantino dos Krell usado por Morbius para proteger seu lar lembra o fictício metal chamado adamantium, muito citado nos quadrinhos do Universo Marvel.

Premiações
Concorreu ao Oscar de Efeitos Especias mas acabou perdendo para Os Dez Mandamentos.

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301. LOLA MONTES (1955)

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Realizado simultaneamente em três versões (alemã, francesa e inglesa), Lola Montès é um afresco deslumbrante da decadência de uma cortesã que acaba na "fogueira" de um circo. Ophuls é um esteta, e seus movimentos de câmera permitiram que dessem origem a uma estética da mobilidade pela assombrosa agilidade de seu manejo, que faz malabarismos com os cenários, os acessórios, os personagens e os sentimentos.

A ação se passa no século XIX e o centro é um circo em Nova Orleans onde o apresentador anuncia uma atração insólita: uma dançarina, a Lola Montès do título, cuja conduta dissoluta entreteve a crônica internacional durante meio século. A partir dela como centro de um espetáculo circense, na arena de um circo, rodeada de palhaços, trapezistas, acrobatas, anões e um público ávido, sedento, Ophuls faz desfilar a sua vida, que é vista, no filme, através de flash-backs.

Crítica
Tomo emprestadas as palavras de Claude Beylie, ilustre ensaísta cinematográfico francês para situar melhor a importância de Lola Montès. Antes, porém, lembrar que François Truffaut, uma vez, escreveu o seguinte: "Quem nunca viu Lola Montès não pode entender de cinema". Mas vamos às palavras de Beylie: "Hoje, que as paixões se aplacaram, devemos reter Lola Montès. Antes de mais nada, uma rigorosa denúncia do sensacionalismo espetacular e da promoção da mídia. Ophuls que, a este respeito, estava vários passos à frente de sua época, ocultava suas intenções: "As perguntas que o público do circo faz a Lola me foram inspiradas pelos jogos radiofônicos de programas publicitários tremendamente impudicos. Acho apavorante esse vício de tudo saber, essa falta de respeito diante do mistério." No entanto, ao mesmo tempo e paradoxalmente, ele realiza o desejo wagneriano de um espetáculo total: o tratamento original da cor (na tradição de Jean Renoir e Vincente Minnelli), o uso de caches, que permitem modificar à vontade o formato da imagem em cinemascope (o que cria a impressão de uma tela variável, submetida a sutis mudanças de cenário na mesma tomada..."Além da já citada assombrosa agilidade da câmera. Os travellings e as panorâmicas de Ophuls são, por assim dizer, coisa do outro mundo. É bem de ver o que disse Beylie: a cor é trabalhada com tal intensidade que se ajusta como uma luva ao tecido dramático, tornando-se um elemento de composição importante da mise-en-scène.

E na melhor tradição de um Renoir (vejam A carruagem de ouro, French Can Can) e de Minnelli (sim, o grande Minnelli, um dos mais sofisticados e estilizados diretores que o cinema já teve em sua história - basta reparar no sentido cromático que tem O pirata (1948), musical revolucionário, esteticamente falando, bem entendido, com a encantadora Judy Garland a sonhar com o seu príncipe encantado que aparece na pele de um "pirata", Gene Kelly, ou o colorido marcante de Agora seremos felizes (Meet me in StLouis, 1944).

A estrutura narrativa original de Lola Montès se pulveriza entre flash-backs, mas não havia um sentido cronológico na cópia desejada pelo autor, cronologia imposta pelos produtores, que cortaram e "resumiram" esta obra-prima (a mesma coisa seria se arrancar páginas e páginas de um livro para fazê-lo menor). Mas o tempo se encarregou, e o tempo sempre é o melhor juiz da obra de arte, de resgatar a integridade de Lola Montès. Quem vê Lola Montès deve ficar algum tempo de quarentena sem assistir a outro filme.

Baseado num argumento de Cecil Saint-Laurent. A fotografia é de um esteta: Christian Matras, que "pinta" com a luz. E a partitura, de Georges Auric. Além de Martine Carol, a mulher de conduta dissoluta, e de deslumbramento indiscutível, e Peter Ustinov, estão presentes no elenco: Anton Walbrook (como o rei Luís I da Baviera), Ivan Desny (o tenente James), Lise Dalamare (Craigie), Oscar Werner (o estudante que pega carona), Will Quadflieg (o compositor Liszt), Henri Guisol (o cocheiro), Paulette Dubost (a camareira), e a trupe do circo Kröne.

(André Setaro)

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(Info e links torrent postados originalmente no MKO por Correa)

domingo, 31 de janeiro de 2010

300. O MENSAGEIRO DO DIABO (1955)

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O reverendo Harry Powell não é bem o que aparenta ser: utilizando-se de palavras da Bíblia e belas canções religiosas, e com a ajuda de seu carisma que consegue conquistar rapidamente as pessoas, ele é na verdade um golpista que se aproveita da situação de recém-viúvas para tirar dinheiro delas. Sua nova vítima é Willa Harper (Shelley Winters), que perdeu seu marido, enforcado por assassinato. Mas esta é uma situação especial para Harry Powell: ele acaba descobrindo de Ben, o marido enforcado, enquanto estava preso na penitenciária por furto de carro, que há na cidadezinha onde morava uma fortuna de 10 mil dólares escondida em algum lugar (para a época do filme era uma fortuna, pelo menos). Assim que sai da prisão, Powell investe sua melhor lábia para conquistar a família de Ben e tentar descobrir onde o dinheiro está. A família conta com duas crianças, John e Pearl, que sabem a localização do que Powell mais deseja, mas elas não estão dispostas a dividirem o segredo com ninguém.

Crítica
O Mensageiro do Diabo é um filme que traz à tona diversos dos medos que muitos de nós tínhamos quanto éramos crianças. Medo de perder a família, medo de pessoas desconhecidas, de ter que se virar sozinho no mundo. O filme dirigido por Charles Laughton, alguém totalmente inexperiente na direção, mas que fez trabalhos importantes como ator entre os anos 30 e 60, como Spartacus e O Corcunda de Notre Dame, cria um clima assustador não só para crianças, mas para muitos adultos também. Com a ajuda da maravilhosa fotografia em preto-e-branco, e com um dos personagens "demoníacos" mais interessantes do cinema, este é outro clássico inesquecível que deve ser conferido por todos os cinéfilos.
(Alexandre Koball)

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299. NOITE E NEBLINA (1955)

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Um dos mais importantes documentários da história do cinema mundial. Realizado em 1955, a partir de um convite feito ao cineasta Alain Resnais, pelo Comitê da História da Segunda Guerra Mundial, o filme tinha como objetivo comemorar o segundo aniversário da libertação dos campos de concentração.
Mas o impacto das imagens de Noite e Neblina, que ainda hoje assombram a humanidade, e do texto do escritor Jean Cayrol, um ex-prisioneiro do campo de Orianemburgo, suplantaram a sua intenção de memorial dos desaparecidos e transformaram-se num "dispositivo de alerta" contra o nazismo e todas as formas de extermínio.
Mesclando imagens coloridas dos campos abandonados e filmes de arquivos, Alain Resnais nos dá, segundo François Truffaut, "uma lição de história, inegavelmente cruel, mas merecida".

Crítica
Embora tenha impressionados cinéfilos do mundo inteiro na época do lançamento original e depois, ao longo dos anos, se transformado em paradigma indiscutível do gênero documentário, o filme francês "Noite e Neblina" (Nuit et Brouillard, França, 1955) nunca se tornou muito popular. É fácil entender as razões: 1) é um curta-metragem e, como tal, dificilmente passa nos cinemas; 2) documentários em geral não costumam atrair público; 3) o tema, árido, é o Holocausto, e há boa quantidade de imagens aterrorizantes dos campos de concentração nazistas, material que costuma afastar os espectadores.
Um filme assim parece ter sido talhado para o formato DVD. E "Noite e Neblina" é incontornável. Precisa ser visto, e não apenas pelos cinéfilos. O curta-metragem de 31 minutos é simples e direto, mas funciona ao mesmo tempo como uma homenagem aos nove milhões de vítimas da crueldade nazista e como alerta para aqueles que vêem o regime de Hitler como um momento que pertence ao passado da humanidade. A abordagem de Resnais é espartana, mas transita sem pausas entre o delicado e o brutal, soando como um grito lancinante contra todo e qualquer tipo de intolerância.
A produção de "Noite e Neblina" foi difícil. Resnais hesitou em dirigir a obra, pois temia ficar marcado como diretor de documentários, quando desejava filmar ficção. Ao ser apresentado ao poeta Jean Cayrol, um sobrevivente de campo de concentração, acabou convencido a embarcar na empreitada. Chamou então o músico Hanns Eisler para compor a banda sonora e passou a coletar imagens de cinejornais, fotografias e todo tipo de documento que mostrasse os campos de concentração.
O filme foi feito para comemorar o aniversário de 10 anos da liberação desses campos, em 1945, ao final da Grande Guerra. Resnais teve a idéia de viajar para os locais onde funcionaram os principais, como Auschwitz e Sachsenhausen, e filmá-los em película colorida. O choque das imagens bucólicas – amplos gramados verdes sob céu azul – com o horror dos cadáveres que repousavam nos mesmos lugares, cinzentos e sem vida, apenas alguns anos antes, cria a idéia que percorre todo o filme: o mal está à espreita, em qualquer lugar, a qualquer tempo. É preciso estar sempre atento para que ele não engolfe as cores do mundo.
Em entrevistas posteriores, Resnais confessou que sempre pensou em "Noite e Neblina" como uma sutil condenação à decisão francesa de invadir a Argélia, fato ocorrido na época do lançamento do filme. Embora não haja qualquer menção a isso durante a película, a idéia encaixa perfeitamente no texto delicado, mas firme e cortante de Cayrol. Sim, é um filme sobre o Holocausto, e está repleto imagens da brutalidade inimaginável dos campos de concentração (pilhas de cadáveres mutilados, paredes de câmaras de gás arranhadas pelas unhas dos prisioneiros à beira da morte), mas o filme não deseja simplesmente impressionar através da violência. Ele está além do Holocausto.
É na combinação de três fatores que resulta a beleza de "Noite e Neblina": o contraste entre imagens da guerra e do pós-guerra, a doçura cortante do poema de Jean Cayrol e a delicadeza da música melancólica de Hanns Eilser. Ou seja, este não é um documentário jornalístico, frio e objetivo. Pelo contrário. Imagem, som e texto compõem uma espécie de sinfonia audiovisual que, nas palavras de François Truffaut, é uma "aula de história cruel mas merecida". É isso.
Rodrigo Carreiro

Premiações

Indicado ao BAFTA em 1961 e ganhou o Premio Jean Vigo para curta metragem em 1956.

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298. SORRISOS DE UMA NOITE DE AMOR (1955)

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No final do século XIX, uma atriz é a anfitriã na casa de campo de sua mãe quando um grupo de pessoas a visita. Entre eles está um advogado que já foi seu amante e ela pensa em reconquistar, mas ele está acompanhado de sua mulher. Seu atual amante também está com sua mulher, mas todos acabam envolvidos em situações amorosas, inclusive a empregada.

Premiações
-Festival de Cannes (1956)
* Recebeu o prêmio de melhor humor poético
* Indicado à Palma de Ouro
-BAFTA (1957)
* Indicado nas categorias de melhor filme, melhor actor estrangeiro (Gunnar Björnstrand) e melhor actriz estrangeira (Eva Dahlbeck)
-Prêmio Bodil (1957)
* Venceu na categoria de melhor filme europeu

Curiosidade
Este é o 1º de 13 filmes em que o diretor Ingmar Bergman e a atriz Bibi Andersson trabalharam juntos. Os demais foram O Sétimo Selo (1956),Morangos Silvestres(1957),Bakomfilm Smultronstället(1957),No Limiar da Vida(1958),O Rosto(1958), Rabies(1958),O Olho do Diabo(1960),Para Não Falar de Todas Essas Mulheres(1964), Quando Duas Mulheres Pecam (1966),A Paixão de Ana(1969),A Hora do Amor(1971) e Cenas de um Casamento (1973).

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Sommarnattens.Leende.(1955).DVDRip.DivX3.avi

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